No Amor E No Crime
7 Capítulo Seis: Guilt is a Bitch
Capítulo Seis: Guilt is a Bitch
POV Edward
Meu primeiro instinto foi o de tentar procurar por Bella, mas a garota era esperta. Eu sabia que se ela não quisesse ser achada, eu nunca a encontraria. Por fim resolvi ligar para ela.
Eu acabei perdendo as contas de quantas vezes liguei para Bella, mas em todas as vezes, o telefone simplesmente caía na caixa postal. Deixei inúmeros recados, todos pedindo para que ela voltasse, dizendo que queria conversar ou simplesmente pedindo desculpas. Não recebi nenhuma resposta.
Naquela tarde fui à escola. Imaginei se ela apareceria para a aula hoje, ou se apareceria algum dia. Vi todos os alunos partirem, inclusive seus amiguinhos de ontem, mas Bella não apareceu. Óbvio que não.
Por algum motivo que não sei explicar, liguei para a escola e expliquei que Bella estava doente e que precisaria faltar por alguns dias. Mas como eu poderia saber? Bella poderia estar cruzando a fronteira com o México agora mesmo e eu aqui, sentado na frente da escola como um idiota.
Acho que no fundo, apenas tinha esperança de que ela finalmente percebesse que eu era um idiota e voltasse para casa para me castigar por isso.
Voltei para casa frustrado.
Como a casa poderia ficar tão vazia com a ausência de apenas uma pessoa, que nem se quer morava comigo há alguns dias atrás? Isso não podia estar certo.
Irritado, fiz algumas ligações. Meus informantes procurariam por Bella por toda a parte. Era meio inútil e eu sabia disso, apenas não consegui resistir ao impulso. Bella precisava voltar. Simplesmente precisava.
Eu passei a ir à escola de Bella todos os dias, na hora da entrada e na hora da saída. Nenhum dia ela apareceu por lá, como eu sabia que ela faria. Ela não queria mais ver a minha cara, isso era certo. Ela não apareceria por lá sabendo que eu poderia encontrá-la facilmente.
Era ridículo! Eu não devia estar tão preocupado com aquela pirralha, mas estava.
E minha semana foi assim, vagando pela cidade, indo e voltando à escola. Por que Bella tinha que ser tão teimosa?
Eu já devia ter deixado umas cinquenta mensagens de voz para que ela voltasse para casa, ou que pelo menos falasse comigo para me dizer que estava bem. Bella não havia respondido nenhuma delas.
Hoje não foi diferente.
Era sexta-feira e eu segui com a minha rotina. Saí de casa de manhã cedo, deixando um recado para Bella dizendo que iria à escola dela para encontrá-la. Que se ela quisesse falar comigo aparecesse por lá. E fui.
Jessica estava me atormentando com os seus telefonemas insistentes. Ela queria saber por que eu não queria encontrá-la, logo agora que Mike estava de viagem. Ignorei todas as suas chamadas, tinha coisas mais importantes com as quais me preocupar.
Quando estava virando a esquina da escola, no entanto, lembrei-me do buquê. Eu levava um buquê de flores todos os dias, esperando que Bella aparecesse e eu pudesse pedir desculpas de joelhos, caso fosse preciso.
Era um buquê com narcisos e lírios amarelos. Eu sabia que Bella gostava desses, já que a decoração de sua festa de quinze anos havia sido feita com essas flores. Eu esperava que isso amolecesse seu coração.
Não podia aparecer na escola sem ele, por isso voltei. Eu ainda tinha tempo, havia saído bastante adiantado de casa, como sempre.
Subi correndo para o apartamento e estava pegando as flores na cozinha quando ouvi um barulho na escada. Ao olhar para cima, vi Bella descendo. Bella...
Sua boca se abriu de surpresa e seus olhos pareceram assustados. Ela sacudiu a cabeça como que para afastar um pensamento desagradável e desceu rapidamente, apertando os lábios.
– Eu já estava de saída, apenas vim buscar algo que esqueci no guarda-roupa. Eu pensei que você demoraria mais a chegar, por isso vim. Não era para você estar aqui. – Ela falou rapidamente, indo em direção ao sofá pegar sua mochila, que estava jogada lá, agarrada com força a uma caixa de sapatos com a qual havia descido as escadas. Provavelmente fora aquilo que esquecera.
Posso dizer que não ouvi metade do que ela falou, apenas me concentrei no quanto ela era linda e na felicidade que eu sentia por ela estar aqui. Andei com longas passadas e logo estava ao lado da garota, apertando-a com força contra o meu peito. Afundei meu rosto em seus cabelos, sentindo o familiar perfume de morangos. Era perfeito.
Mas logo Bella me empurrou devagar, se afastando e jogando a mochila no ombro. Ela sorriu amarelo, sem jeito.
– Bom, foi bom te ver. – Ela disse apenas e se virou para sair. Agarrei seu braço.
– Aonde você pensa que vai? – Eu quis saber. Bella me olhou confusa.
– Embora. – Ela deu de ombros.
– Pra onde? – Exigi.
– Não importa, não vou ficar muito mais tempo lá. – Ela disse apenas.
– E pra onde você vai depois? – Indaguei.
– Embora. Olha, Edward, você não precisa fingir que está preocupado. Você pode voltar para a sua vida normal agora. – Ela disse, apertando os lábios novamente.
– Eu não estou fingindo, eu estou preocupado. Eu quero que você volte para casa. Você não recebeu nenhuma das minhas mensagens? – Eu perguntei. Bella corou de leve.
– Recebi sim, mas isso não importa mais. – Ela disse.
– Claro que importa. Olhe... – Alcancei o buquê e estendi para Bella. – Eu sei que você gosta dessas.
– Você lembrou! – Ela exclamou, pegando o buquê com os olhinhos marejados.
– Sim. Por favor, volte. – Eu pedi.
– Hmm... Não. Eu não posso continuar desse jeito. Se eu ficar eu vou incomodar você, exigir coisas que você não quer fazer e te irritar. Não posso ficar. – Ela falou olhando para a caixa.
– O que é isso? – Eu perguntei, apontando para a tal caixa.
– Não é nada, só algumas bugigangas. Eu havia posto na parte de baixo do guarda-roupa e como saí com pressa no outro dia, acabei esquecendo. – Ela respondeu corando levemente.
– Deixe-me ver. – Pedi, segurando a caixa.
– Você não vai querer ver isso. – Ela se esquivou.
– Claro que quero. – Eu disse, puxando a caixa por entre os seus dedos.
– Edward, não! – Ela pediu, mas eu abri mesmo assim.
Dentro daquela caixa de sapatos estavam todas as fotos que nós dois havíamos tirado juntos ao longo dos anos, todos os presentes que eu havia lhe dado de Natal ou de aniversário, tudo o que Bella tinha de mim. E ela havia guardado tudo com tanto cuidado, por tanto tempo. Senti-me um bastardo insensível.
– Não é nada demais. – Bella falou, puxando a caixa de volta, muito corada.
– Bella, por favor, me perdoe. – Eu disse, aquele familiar aperto no estômago me atingindo. – Eu fui um idiota com você por todo esse tempo. Eu devia ter tratado você melhor.
– Eu é que não devia ter te irritado tanto. Foi tudo minha culpa. Mas não tem mais problema, eu estou indo embora. – Ela falou com um tom amargurado.
– Você não pode ir. – Eu disse irritado.
– Quem vai me impedir? Você? – Ela ergueu as sobrancelhas em zombaria. Estreitei os olhos. – Adeus Edward.
Ela foi em direção à porta e eu a segui.
– Eu não vou deixar você sair daqui. – Eu falei.
– Se tentar me impedir eu vou gritar. – Ela ameaçou.
– Não vá embora, Charlie não queria você sozinha. – Implorei.
– Charlie está na cadeia, não é a melhor pessoa do mundo para dar conselhos. – Ela disse irritada. Bella mordeu o lábio, então suspirou, seu olhar gelado derretendo um pouco. – Eu não posso continuar ao seu lado, te amando e sabendo que nunca vou ser correspondida. Dói demais. Será que você não entende? Ficando aqui eu só vou me machucar.
Um choque percorreu o meu corpo quando Bella disse aquilo. Ela estava certa, claro. Eu apenas não havia me tocado do quanto eu fazia mal a ela. Bella aproveitou a minha confusão para escapar pela porta e entrar no elevador. Eu fiquei ali parado, sem qualquer ação, vendo Bella me dar um tchauzinho e um sorriso sem qualquer alegria.
Eu entrei em casa, o coração apertado e o cérebro repetindo as palavras da garota de novo e de novo.
Realmente, não era saudável para ela ficar ao meu lado. O melhor era mesmo ela se afastar, para tentar me esquecer e seguir em frente. Claro que ela estava certa.
Mas por que eu me sentia tão mal com isso?
Sentei-me no sofá e apertei meu rosto com as mãos, suspirando por fim. Enfiei as mãos pelos meus cabelos e puxei com força.
Eu tinha que admitir, eu gostava da pirralha. E digo gostar no sentido de que eu tinha sentimentos por ela, o que era surpreendente depois de tudo pelo que eu havia passado.
Quando estava na escola, eu havia me apaixonado por uma garota. Ela havia sido o meu primeiro amor. Tania Denali. Eu morava em Forks, uma cidadezinha cinzenta e chuvosa. Eu era pobre, mas cheio de esperanças. Era jogador de futebol e esperava conseguir uma bolsa de estudos para a Universidade de Washington por causa disso. Até por que eu era bom, muito bom no que fazia e tirava apenas notas A. Tania ficou comigo enquanto eu estava no topo.
Mas no fim eu havia conseguido apenas uma bolsa parcial. Mesmo assim eu não tinha dinheiro para pagar a outra metade do valor, era dinheiro demais. Meus pais trabalhavam duro, mas tinham muito pouco dinheiro. Eu havia nascido enquanto eles ainda estavam na escola e nem se quer puderam se formar. Eles tentavam fazer turnos extras para conseguir o dinheiro, mas era um caso perdido.
Uma noite, enquanto voltavam do trabalho, eles haviam sofrido um acidente de carro. Os dois trabalhavam juntos em uma loja em Seattle. Com isso eu havia ficado sozinho. Tania nem se quer apareceu para o funeral. Quando fui procurá-la, alguns dias mais tarde, ela já estava com outro. Aquela foi uma das piores decepções da minha vida.
Depois disso nunca mais me apaixonei por mulher alguma.
Algum tempo depois fiquei sabendo que a minha bolsa de estudos havia sido dada para outro garoto cujo pai conhecia alguém na universidade. A velha história de obter vantagem por conhecer alguém, não por ser bom.
A partir daí eu rolei ladeira abaixo.
Quando me formei no colégio, me mudei para Seattle e passei a me drogar, beber e roubar. E foi assim que conheci Charlie. Eu havia tentado roubá-lo na rua, enquanto ele voltava para casa. Charlie simplesmente havia me dado um golpe de Kong Fu e arrancado a faca da minha mão.
– Se quiser me roubar, vai ter que fazer melhor do que isso, garoto. – Ele havia dito divertido. Eu havia ficado parado e chocado, massageando o braço onde ele havia me batido.
Incrivelmente ele despenteou o meu cabelo e me ofereceu um convite para jantar.
– Você parece estar morto de fome. – Ele observou.
Eu estava espantado, por isso aceitei. Charlie então me levou para sua casa. Bella não morava com ele na época. Sua mulher Renée tinha a guarda da garota, mas Charlie me mostrou fotos na menina, que na época tinha apenas oito anos. Ele realmente amava aquela garotinha. De alguma forma ele me lembrou dos meus pais.
Então Charlie me ensinou tudo o que sabia, me ajudou a me manter limpo e sóbrio. Nós compartilhávamos a raiva por gente corrupta, que conseguia tudo da maneira mais fácil e nunca com algum esforço. E eram essas pessoas que nós roubávamos.
Eu apenas conheci Bella no ano seguinte, em sua festa de nove anos. Renée havia sumido com algum homem e deixado a garota para Charlie criar. Fora difícil para todos.
Eu me lembro de como Bella era na época, calada e pálida. Simpatizei com a garota, mas nunca esperava que ela se apaixonasse por mim naquele dia.
Eu precisava admitir que houvesse começado a gostar da garota. Bella era doce, meiga e nunca seria capaz de se aproximar de ninguém por dinheiro.
Quero dizer, se há alguma ladra profissional com caráter por aí, essa é Bella. Muito melhor do que eu, que havia me aproximado de Jessica apenas para tirar vantagem dela. No fim, eu havia me tornado igual à Tania.
Sacudi a cabeça.
Eu ainda tinha tempo para mudar isso, mas eu precisava de Bella comigo.
Agarrei uma almofada e apertei contra o meu rosto, abafando meu grito de raiva com ela. Eu não devia ter deixado Bella ir embora. Deveria ter amarrado-a no pé da cama, se fosse preciso.
Agora eu estava no mesmo ponto onde havia começado, sozinho e sem ter ideia de para onde a pirralha havia ido. Eu era a pessoa mais idiota do mundo! Fato.
Fui dormir frustrado e sonhei com Bella. No meu sonho ela ainda estava comigo e nada havia mudado.
Acordei com o meu telefone tocando no dia seguinte. Amaldiçoei o objeto, que havia interrompido o meu sonho. No visor, vi que era um dos informantes que eu havia colocado no rastro de Bella.
– E então? – Perguntei ansioso.
– A garota comprou uma passagem de avião ontem. O voo parte hoje para Londres. – Ele falou. Meu queixo caiu. A garota estava indo para Londres? Peguei com ele o numero do voo e o horário.
– Obrigado. – Falei, desligando apressadamente, indo tomar uma chuveirada rápida para acordar e trocar de roupa. O voo de Bella saía daqui a uma hora. Eu não podia deixar aquela pirralha idiota ir embora desse jeito. Eu não sabia o que iria dizer a ela, apenas sabia que precisava dizer alguma coisa.
Depois de pronto, peguei o meu carro e voei para o aeroporto. O lugar estava lotado como sempre, cheio de turistas chegando ou indo embora. Olhei em uma das telas e conferi o portão de embarque do voo. Fui correndo até lá, mas não vi Bella em lugar algum. Fui até o balcão de check-in para ver se ela estava lá despachando as suas malas, se é que ela tinha alguma.
– Oi, você poderia me informar se uma passageira do voo 0537 para Londres já fez o check-in? – Eu perguntei para a atendente.
– Desculpe senhor, mas eu não posso lhe dar essa informação. – Ela falou, mas me olhou com interesse.
– Ora, não é nada demais. É a minha sobrinha, ela vai viajar e eu queria dizer adeus, mas não sei se ela já chegou aqui. – Eu disse, dando meu melhor sorriso. A mulher corou.
– Hmm... Mesmo assim eu não posso... – Ela disse duvidosamente.
– Por favor? – Pedi olhando para ela por entre os meus cílios. Ela deu uma risadinha nervosa.
– Bom, talvez... Qual é o nome da sua sobrinha? – Ela quis saber.
– Bella Swan. – Eu disse.
– Bom parece que ela não fez o check-in ainda. – Ela disse. Então olhou para mim sorrindo. – Mas você pode voltar depois. Daqui a uma hora eu tenho uma pausa, poderíamos sair para tomar um café.
– Obrigado, mas eu... – Já estava pronto para negar quando ouvi alguém me chamar.
– Edward? O que você está fazendo aqui? – Bella perguntou confusa. Suspirei aliviado, indo até ela.
– O que diabos você estava pensando quando resolveu sair do país? – Eu perguntei, puxando-a pelo braço até o lado de uma coluna, para longe da atendente, que olhava para mim decepcionada. Empurrei Bella contra a coluna, colocando os dois braços dos lados de sua cabeça para que ela não fugisse.
– Esse país já está muito cheio, resolvi tentar a minha sorte como ladra na Europa. – Ela disse dando de ombros e apertando os lábios. Eu sabia que ela sempre fazia isso quando estava nervosa ou quando estava tentando não dizer algo.
– Você não vai a lugar nenhum, vai voltar para casa comigo. – Eu falei.
– Nós já conversamos sobre isso. – Ela disse apenas, ainda sem me olhar. Suspirei e ergui seu rosto com um dedo sob o seu queixo, fazendo-a olhar para mim.
– Olha aqui, pirralha, eu não sei se eu te amo ou nada disso, mas eu preciso de você por perto para descobrir. – Eu disse olhando em seus olhos, que se arregalaram enormemente.
– O quê? – Ela quase gritou, a voz alguns oitavos mais alta.
– Foi o que eu disse. Eu tenho sentimentos por você, mas você tem que ficar por perto para eu descobrir o que são. – Eu repeti. Bella sacudiu a cabeça, afastando a minha mão do seu rosto.
– Se eu ficar por perto eu vou continuar a fazer todas as besteiras que eu faço sempre e você vai me odiar. – Ela disse resignada. Aproximei-me mais, indo sussurrar em seu ouvido.
– Você pode fazer todas as besteiras que quiser, eu só quero você comigo. Eu nunca poderia odiar você. – Eu disse, sentindo a pirralha estremecer. Nós estávamos muito perto um do outro e quando Bella olhou de volta para cima, não resisti e colei os meus lábios nos seus levemente.
Bella suspirou quando me afastei, ainda de olhos fechados. Quando os reabriu ela estava sorrindo.
– Você vai se arrepender por dizer que eu posso fazer todas as besteiras que eu quiser. – Ela ameaçou.
– Provavelmente. – Concordei. Ela riu. – Volta pra casa comigo?
– Sim. – Ela falou sorrindo de canto a canto. Peguei a bolsa que ela trazia nas mãos e sua mochila, e a arrastei para fora do aeroporto.
Eu me sentia mais leve do que nunca. Pelo menos agora a pirralha estaria de volta em casa. Eu sinceramente não sabia o que faria se ela realmente tivesse ido embora.
Bella já ocupava uma parte grande demais da minha vida.
Notas finais
Postei esse cap antes do tempo só pra agradar vcs, que são os melhores leitores do mundo. Espero que tenham gostado do cap.
E eu queria agradecer a JEO MEDRADO e BELLITA SWAN pelas recomendações. Ficaram ótimas, meninas. Valeu mesmo.
Té loguim.
Bjs
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