No Amor E No Crime

3 Capítulo Dois: Provocações


Notas iniciais
NOTINHA NO FINAL!!

Mesmo de olhos fechados, revirei os olhos. Senti Bella se deitar e então apaguei. Sabia que de alguma forma iria me arrepender disso.



Capítulo Dois: Provocações



A consciência me voltou devagar no dia seguinte. Fazia muito tempo que eu não dormia tão bem. Senti algo fofo sob a minha cabeça e, ao fechar a mão, apertei algo tão macio quanto. Pisquei os olhos devagar. Eu havia me esquecido de fechar as cortinas antes de deitar, por isso a luz do sol entrava forte pela janela.

Percebi que aquela coisa fofa na qual apoiava a cabeça e a qual apertava não era meu travesseiro. Olhei para cima e vi que estava apoiado nos seios de Bella, a minha mão apertando um deles.

Imediatamente sentei, me afastando dela. A garota ainda estava dormindo, aparentemente, com a cabeça virada para o lado oposto a mim. Esperava que ela não tivesse percebido.

Por favor, que ela não tenha percebido!

Olhando melhor, vi que Bella vestia apenas um baby doll branco e semitransparente. Dava pra ver tudo. Tudo mesmo.

A garota não tinha noção mesmo.

Levantei rapidamente e joguei o edredom em cima dela. Então a cutuquei no ombro.

– Bella! – Chamei. Ela abriu os olhos devagar e olhou para mim confusa, ainda meio sonolenta.

– O que foi? – Ela perguntou esfregando os nós dos dedos nos olhos como uma criancinha.

– O que você pensa que está fazendo? – Questionei.

– Dormindo? – Ela replicou confusa. Bufei.

– Estou me referindo ao fato de você ter vindo dormir aqui com essa roupa, se é que se pode chamar disso. – Eu disse. Ela olhou para baixo e sorriu.

– Gostou? Comprei com o seu dinheiro, dentre outras coisas. – Ela disse na maior cara de pau.

– Sai daqui e vai botar algo decente! – Mandei. Ela riu alto e jogou as cobertas para o lado. A pirralha, não tão pirralha, se levantou sem vergonha nenhuma e deu uma volta ao redor de si mesma, como que me mostrando sua “roupa”. Tinha certeza de que meu queixo estava caído. – Você não tem vergonha não, garota?

– De você não. Eu já disse, eu te amo. Isso tudo é seu, só basta vir pegar. – Ela falou sorrindo.

– Dá o fora! – Mandei. Ela meramente riu mais uma vez e foi embora.

Apertei a ponte do nariz, me perguntando quanto tempo aguentaria isso antes de ter um colapso.

Então fui tomar um banho. Gelado, bem gelado.

Quero dizer, por mais que eu insistisse em chamar Bella de pirralha, não tinha como negar que ela crescera e ficara muito gostosa. Ainda assim eu não podia cruzar aquela linha. Apesar de emancipada, Bella era a filha do homem que eu mais admirava no mundo.

Ela estava fora do meu alcance, mesmo que vivesse para me provocar.

Quando fui até a cozinha, Bella estava lá, tentando preparar uma omelete, como eu fizera ontem. Pelo menos agora ela usava um short e uma regata. Ela havia sujado toda a bancada e a omelete estava parecendo mais uma gosma estranha.

– O que você usou ai? – Perguntei espantado.

– O mesmo que você usou ontem. – Ela disse parecendo nervosa.

– Isso não vai servir. – Eu disse. Peguei a frigideira e joguei o conteúdo fora. Bella bufou.

– Eu não consigo fazer nada certo. – Ela reclamou.

– Devia desistir, então. Podia ir à padaria no fim da rua e comprar o café da manhã já pronto. Bem que um bolinho de cenoura não cairia mal... – Eu falei pensativo.

– Mas eu quero fazer o café da manhã pra você eu mesma. – Ela resmungou.

– Por quê? – Eu perguntei sem entender.

– Por que é você, oras! – Ela falou.

Eu não entendia o que a fazia querer se esforçar tanto por minha causa. Quero dizer, a garota vivia dizendo que me amava, mas eu me recusava a aceitar aquilo. Com certeza devia ser alguma queda adolescente. Logo iria passar. Mas eu não quis discutir logo cedo.

– Hoje eu faço. – Falei. – Vamos limpar essa bagunça.

Nós dois limpamos a sujeira que ela havia feito na cozinha e depois eu fritei algumas fatias de bacon para comer com panquecas. Bella pareceu inconformada com sua falta de habilidade na cozinha. Resolvi então não comentar o fiasco e procurei outro assunto.

– Hmm, hoje iremos ver a sua nova escola. – Eu disse.

– Eu não preciso ir à escola. – Ela fez careta.

– Tenho certeza de que Charlie discordaria. Eu sei muito bem que ele te forçava a ir. Ele me falou há algum tempo. – Eu disse. Então, curioso... – Por que mesmo que você não gosta de ir à escola?

– Por que as pessoas são chatas. Eu prefiro ficar em casa e aprender com você. – Ela disse.

– Tudo a seu tempo pirralha. Além do mais, não acho que você deveria estar metida nesses assuntos. – Comentei.

– Nem vem. Há anos Charlie me ensina como arrombar cofres, hackear e desativar câmeras e sistemas de segurança. Entrar e sair sem ser vista. Tudo. – Ela replicou decidida. Mordi o lábio.

Quando eu comecei eu era mais velho do que a Bella e logo peguei o jeito. Se Charlie a treinava há tanto tempo, ela provavelmente era boa. Uma ajudinha não me cairia mal, mas ainda assim...

– Veremos isso depois. Hoje vamos à escola. Se você for boazinha eu vou pensar no seu caso. – Prometi. Ela fez careta, mas concordou com a cabeça.

Resolvi então mudar de assunto.

Eu sabia que Bella devia ter muito dinheiro em seu nome. Tenho certeza de que Charlie havia deixado alguma poupança milionária para ela. Foi isso que perguntei antes de sairmos.

– Se você vai mesmo me obrigar a ir à escola, não tem problema, eu pago. Charlie colocava todos os produtos dos roubos no meu nome. Os investimentos em ações e o dinheiro líquido. Tudo. – Ela explicou.

– Não quero que você pague, apenas estava curioso. Mas eu devia saber que ele não deixaria você desamparada. – Comentei.

– Claro que não. – Ela acenou com a mão como se aquilo fosse mais do que óbvio.

– Mas eu faço questão de pagar a escola. – Eu disse.

– Melhor ainda. – Ela disse fazendo bico.

Com isso, depois do café da manhã, fui com Bella até a escola que eu havia escolhido para ela. Era uma dessas grandes escolas católicas para crianças ricas. Vi Bella fazer careta quando chegamos. Sabia que ela não ia gostar do lugar, mas era a melhor escola da cidade.

– Aqui, na Mary Constance Academy, Isabella terá a melhor educação que o dinheiro pode comprar. – A diretora dizia enquanto nos levava por um tour pela escola. – Os melhores professores, as melhores condições de aulas, o melhor conteúdo programático. Tudo isso programando para fazê-la entrar nas melhores universidades do país.

Bella colocou o dedo na boca, fingindo vomitar pelas costas da diretora. Prendi o riso. Tinha que admitir que concordava com o sentimento dela. Também não havia gostado do ambiente e nem da diretora, mas o que se podia fazer?

A escola era enorme, com quadra e piscina cobertas, salas cheias de computadores para as aulas de informática, laboratório, tudo do bom e do melhor. Tinha certeza de que Bella odiaria seus colegas, mas pelo menos seria bem educada.

Naquela tarde, tratei de falar com alguns contatos para forjar os documentos para Bella, como passaporte e histórico escolar do Canadá, bem como transferência e tudo o mais.

Depois de tudo feito, sentei no sofá para admirar meu novo plano. As plantas da galeria estavam á minha frente, bem como os relatórios e as pastas dos seguranças que trabalham à noite.

– De quem é a galeria? – Bella perguntou, chegando de fininho pelas minhas costas e me assustando.

– De um famoso “colecionador” francês que acabou de chegar a Manhattan, Jean Jacques Tardin. O cara subornou vários agentes da alfândega para poder entrar no país com algumas de suas “obras”. – Expliquei. Bella colocou as mãos nos meus ombros e começou a massagear.

– Falsificações? – Bella perguntou, interessada. Apoiou seu queixo em minha cabeça, ainda fazendo massagem. Até que estava boa.

– A maioria sim, e são falsificações muito boas por sinal. Ele vende as mesmas obras para compradores desavisados que acham estar fazendo um bom negócio, mas não reconhecem que o que estão comprando não vale nada. Principalmente novos ricos que procuram investir seu dinheiro em obras de arte. Mas há alguns verdadeiros. Meu comprador está interessado em dois Modiglianis da coleção dele. – Expliquei, fechando os olhos e realmente relaxando sob as mãos de Bella. Aquela massagem estava muito boa.

– Hmm, então você vai faturar bem nessa. Oficialmente os quadros de Modigliani são avaliados em mais de 70 milhões de dólares. Por baixo dos panos vale quase o dobro. – Ela disse.

– Sim, vou receber 100 milhões por cada um. – Falei com um suspiro.

– Ótimo. O que você quer que eu faça? – Ela perguntou calmamente. Franzi as sobrancelhas, percebendo onde aquilo estava chegando. Empertiguei-me e puxei Bella pela mão para olhar para ela. A garota sentou-se ao meu lado no sofá.

– Você não vai fazer nada além de ficar em casa e me esperar. – Eu disse, irritado por ela ter tentado me enganar com aquela massagem. Eu estava gostando tanto.

– Qual é! Eu posso te ajudar! – Ela protestou.

– Eu sei que pode, mas eu também posso fazer isso sozinho. – Eu disse. Ainda estava analisando o plano, mas ia ser difícil. Gente desonesta é sempre quem se cuida mais contra os ladrões. Uma ajudinha não cairia mal, mas ainda assim...

– Você já sabe quanto tempo vai ter para entrar e sair? – Ela quis saber.

– Acho que posso conseguir uns dez minutos, talvez mais. – Falei.

– E você vai conseguir pegar os dois quadros? – Ela perguntou com incredulidade.

– Pode ser difícil, mas eu dou um jeito. – Eu insisti.

– Eu posso te dar quinze minutos. – Ela se gabou.

– Como? – Eu quis saber.

– Se me deixar ajudar eu digo. – Ela falou dando de ombros. Estreitei os olhos para Bella. Por fim suspirei. Ela era filha e aprendiz de Charlie, no fim das contas.

– Tudo bem. – Eu disse por fim. Bella riu e jogou os braços no meu pescoço, me abraçando com força.

– Valeu! – Ela disse feliz. Então me largou e pegou o esquema da segurança. – Aqui diz que os guardas fazem rondas a cada hora, mas monitoram tudo pelas câmeras o tempo inteiro. À meia noite ocorre a troca de guardas. Nessa hora eu posso hackear o sistema de segurança do prédio e passar um vídeo que eu posso gravar das próprias câmeras de lá. Nós poderíamos passar na frente da câmera e eles não nos veriam. O alarme é um pouco mais difícil. Não dá pra desativar esse sistema.

– Eu sei disso. É o problema que eu não consigo resolver. – Eu disse frustrado.

– Mas dá pra adiar. Ele é ativado no segundo em que você toca em qualquer um dos quadros. Eu posso adiar o alarme em sete minutos, então temos que pegar os quadros e sair de lá rápido. Se cada um de nós se encarregar de um quadro será mais eficiente. – Ela falou.

– Você pode mesmo fazer isso? – Eu quis saber, desconfiado.

– Meu amor, eu sou da geração da internet. Vocês idosos deveriam deixar esses trabalhos para gente como eu. – Ela disse muito convencida. Eu ri.

– Eu vou confiar em você. Só espero não me arrepender. – Eu disse, imaginando se realmente me arrependeria. Bella bateu palminhas e jogou seus braços em meu pescoço, me abraçando apertado. Seu corpo pequeno se moldava ao meu com perfeição e seu cheiro era maravilhoso. Quando ela me soltou, Bella estava muito corada. Consegui apenas ficar olhando para sua boca rosada. Mas não por muito tempo. Logo voltei à realidade e pigarreei. – Já que está tudo certo, faremos esse trabalho amanhã à noite.

– Ok chefe. – Bella riu, batendo continência em seguida. Revirei os olhos.

Depois daquilo não houve muito que fazer. Bella parecia ter aparecido com a solução para os meus problemas, exceto que ela mesma era um.

Logo fui dormir.

Mesmo semi-inconsciente, senti Bella deslizar devagar para o meu lado na cama. Sabia que me arrependeria de tê-la deixado dormir comigo para começar. Agora ela iria sempre querer invadir a minha cama.

Ainda assim não a expulsei, como deveria ter feito ao perceber a sua presença. A verdade é que há muito tempo eu não tinha uma noite de sono tão boa como quando tivera Bella ao meu lado.

Eu devia estar ficando maluco mesmo para deixar isso acontecer.



~~



Aquela noite de sono foi uma das melhores da minha vida. Não sabia que poder Bella tinha sobre mim para fazer isso, mas era bom.

Ao acordar, no dia seguinte, percebi algo diferente. Estava me sentindo muito leve, muito confortável. Confortável demais. Quer dizer, exceto pelo peso que se encontrava em meu peito.

Abri os olhos devagar. Não pelo sono, mais por medo do que fosse ver mesmo.

Encontrei Bella deitada em meu peito, usando apenas calcinha e sutiã azuis. Seus seios, apertados contra o meu peito, mostravam um volume considerável. Tive que fazer bastante esforço para desviar os olhos.

Porque a parte mais preocupante ainda estava por vir.

Eu estava nu.

Sério. Completamente, totalmente pelado, como havia vindo ao mundo. Agora não me pergunte como aquilo acontecera, pois eu tinha certeza de que havia dormido de moletom.

Tentei me mover devagar, evitando ao máximo o contato do meu corpo com o de Bella (bem, pelo menos mais contato do que já tivéramos). Ao erguer minha perna, no entanto, minha coxa roçou em sua intimidade e Bella se moveu, soltando um gemidinho baixo.

Aquilo já era demais para mim.

Eu estava nu e definitivamente excitado, na mesma cama com uma garota gostosa, mas intocável. Assim não dá pra continuar. Não dá!

Levantei-me rapidamente, jogando Bella para o lado e puxando o lençol para envolver a minha cintura. Com o movimento Bella acordou, sentando-se na cama com cara de perdida.

– O que você fez? – Perguntei logo.

– O quê? – Ela quis saber, bocejando em seguida. Não fazia o mínimo esforço para se cobrir. E aquela lingerie de renda era bastante reveladora, se é que dá pra entender.

– Por que eu estou nu? – Eu quis saber.

– Ah, isso? – Ela perguntou, sorrindo levemente. Não pude crer na sua cara de pau.

– É, isso. – Retruquei irritado.

– Não precisa ficar com raiva, não foi nada demais, apenas... Bom, você estava se revirando na cama sabe, chutando as cobertas e tal... Imaginei que fosse por causa do calor. Tentei te acordar, mas você estava dormindo bastante pesado. Resolvi então tirar a sua calça de moletom, pra ajudar, sabe... Mas você não estava usando nada por baixo. – Ela contou inocentemente.

– E você diz isso com essa cara de pau? – Eu perguntei irritado.

– Ah, Edward, vê se me erra. – Ela devolveu, levantando-se da cama e colocando as mãos na cintura, irritada. – Não é como se eu tivesse me aproveitado da sua inocência. Você que estava me bolinando durante a noite no outro dia, em primeiro lugar.

Droga, ela havia percebido. Abri a boca para dizer algo, mas a fechei novamente, constrangido.

– E você até que ficou felizinho me agarrando essa noite. Se eu disser por onde as suas mãos passaram, você vai ficar ainda mais excitado do que já está. – Ela disse rindo e apontando para o volume entre minhas pernas, ainda visível mesmo através do lençol.

– Vai embora daqui! – Mandei, mais desconcertado do que qualquer outra coisa. Bella apenas saiu batendo a porta.

Deus! O que eu vou fazer com essa garota?

Ou melhor, o que eu não vou fazer com essa garota. O que eu não posso fazer com ela.

Nesse ritmo eu vou acabar ficando maluco.


Notas finais
Gente, só uma coisinha... A história tem mais de cem leitores acompanhando. Cadê esse povo? Tá no limbo? No infinito e além?
Vocês sabem que eu não sou de cobrar essas coisas. Só curiosa mesmo.
Mas de qualquer jeito segundo cap postado, espero que gostem.
A Bellinha vai fazer o Edzinhuuu perder os cabelos... huahuahuahuahua
Bjs