No Amor E No Crime

11 Capítulo Dez: Baile de Máscaras


Notas iniciais
NOTINHA NO FINAL!

Capítulo Dez: Baile de Máscaras

POV Edward

Tudo estava pronto no sábado à noite. Bella, claro, estava lindíssima em seu vestido dourado. Ela parecia brilhar, sua pele clara e o cabelo escuro, preso em um coque alto, contrastando perfeitamente com o ouro de suas roupas. Eu nunca havia visto uma mulher mais linda. Sim, mulher. Apesar de viver provocando-a, chamando de pirralha, Bella era realmente uma mulher das mais exuberantes.

Ela sorriu cheia de entusiasmo para mim. Não sabia se mais feliz pelo roubo ou por me ver. Encontrei-a perto da escada, revirando os olhos para ela.

– Não precisar parecer tão feliz sabe. – Eu comentei. Bella apenas me beijou delicadamente.

– Você está lindo, Edward. – Ela disse, mexendo com a minha gravata. Meu único adereço era a máscara, que combinava com a dela. Eu sorri.

– E você está de tirar o fôlego, pirralha. – Eu repliquei, puxando-a com força contra mim e a beijando avidamente. Logo me afastei, acariciando seu pescoço.

– Você não devia fazer isso, sabe. – Bella disse com o rosto afogueado. – Posso agarrar você aqui mesmo e desistir da festa.

Apenas ri, pegando sua mão e puxando-a para a saída.

– Teremos tempo para isso, pirralha. – Eu disse apenas.

~~

Royce King morava praticamente em um palácio. A propriedade que sua casa ocupava tinha dezenas de hectares de jardins bem cuidados. A casa em si tinha estilo um vitoriano meio modernizado. Quem gostasse de clássicos não ficaria nem um pouco satisfeito com isso.

Dois seguranças enormes estavam a postos na entrada, recebendo e checando os convites. Bella e eu entramos e vimos que várias pessoas já se encontravam por ali, andando por toda a parte. Eu provavelmente conhecia várias delas, mas a maioria estava irreconhecível em seus trajes e máscaras.

Bella e eu nos misturamos facilmente. As luzes eram baixas e havia certa fumaça produzida por gelo seco que dava um ar místico ao salão de bailes. Pegamos bebidas e ficamos circulando, apenas cumprimentando as pessoas sem falar realmente com ninguém em particular. As pessoas conversavam aos cochichos, música clássica sendo responsável por abafar as conversas.

Eu não via Royce em lugar algum. Dançamos um pouco, esperando que o salão se enchesse mais. Logo Royce foi até o palco fazer um discurso de boas vindas aos seus convidados, que aplaudiram sonoramente. A festa realmente estava bonita.

Quando acabou o discurso Bella olhou para mim. Olhei o meu relógio e acenei com a cabeça. Estava na hora. Fiquei de olho em Royce enquanto Bella foi fazer o serviço.

Não gostava que a pirralha fosse fazer o trabalho sozinha, entrando nos confins da casa de Royce, mas o plano era sólido. Não podíamos chamar mais atenção do que o necessário. Ou melhor, precisávamos chamar atenção do jeito certo, e eu não podia ajudar nisso.

Por isso fiz minha parte. Fiquei bonitinho no salão com o celular pronto e de olho em Royce King. A partir de agora Bella tinha quinze minutos.

POV Bella

Fui rapidamente ao banheiro, que se encontrava parcialmente vazio. Dois boxes estavam fechados, o que foi uma grande vantagem. Entrei no último boxe, que tinha uma placa de Em manutenção esperando encontrar o pacote.

E estava lá.

Uma sacola preta de lixo estava enfiada dentro da caixa de descarga vazia. Puxei o conteúdo para fora, que incluía uma peruca ruiva bastante chamativa e luvas pretas de seda, e me vesti rapidamente, colocando meu atual vestido no local onde o outro se encontrava. Ainda tinha doze minutos antes que meu sumiço levantasse suspeitas. Saí rapidamente do banheiro e subi as escadas para o primeiro andar. Ninguém me parou, pois muita gente também ia naquela direção, onde Royce estava mantendo uma pequena exposição de algumas de suas obras de arte compradas com dinheiro sujo.

No primeiro andar, ao invés de seguir para a exposição, esperei as pessoas passarem na minha frente e fui por um corredor não movimentado.

Esse trabalho era relativamente simples, na verdade. O difícil era entrar e sair sem levantar suspeitas. Afinal, aquela era a casa de um milionário. Havia todo tipo de alarme, seguranças, cães que ficavam soltos na propriedade à noite.

Tudo para que ninguém indesejado entrasse na casa.

Mas nós havíamos sido convidados!

Depois de entrar, o resto do serviço era moleza.

Segui até um corredor lateral, que dava em portas duplas atrás das quais se encontrava o escritório de Royce King. A porta estava aberta, mas ele não precisava de portas trancadas para proteger seus bens preciosos.

Dentro da sala, onde seu grande cofre recheado se encontrava, tudo estava silencioso. Era uma sala bonita, observei, com móveis de mogno polido, sofás macios e estantes enormes de livros.

O que me importava, no entanto, eram os quadros nas paredes. Mais especificamente um quadro. Não que ele valesse grande coisa, mas atrás dele se encontrava o cofre de King.

Cheguei perto, mas não muito. O truque para não ser pego roubando Royce King era saber que as duas estantes que ladeavam o seu cofre escondiam lasers de segurança que alertariam os seguranças e os policiais num raio de vinte quilômetros.

Eu não podia me aproximar do cofre o suficiente para abri-lo sem disparar o alarme. O único problema nesse seu sistema é que o alarme disparava quando quem quer que o atravessasse se movesse. Apenas se a pessoa saísse do raio. Mas eu não pretendia atravessar, muito menos me mover. Peguei um pequeno tubo de spray que estava escondido em minha bolsa e espalhei perto do chão, identificando o local certo.

Em seguida peguei uma das belíssimas cadeiras de mogno do Sr. King e coloquei-a no caminho do laser. Subi cuidadosamente na cadeira e puxei a pintura, que descortinou o nosso cofre.

Apesar de sua exposição conter obras muito valiosas, o maior tesouro da coleção de King era mantida sob sete chaves. O quadro de Gustav Klimt, Retrato de Adele Bloch-Bauer, estava avaliado em mais de cento e trinta e cinco milhões de dólares. Royce havia comprado recentemente de seu antigo dono falido por uma pechincha.

Peguei na bolsa um pequeno aparelho com visor digital e liguei seus fios ao mostrador do cofre. Liguei o aparelho, e no seu visor os números começaram a girar sem qualquer padrão.

Agora eu tinha oito minutos.

Não demorou muito até que os números no meu aparelho fossem parando na ordem certa. Digitei os números conseguidos no painel do cofre, que abriu sem fazer som algum. Dentro dele havia todo tipo de documentos, joias e a pintura, que se encontrava enrolada dentro de um grande tubo preto.

Deixei o tubo no cofre e peguei a pintura, a qual, após fechar o cofre e descer da cadeira, eu amarrei à minha perna sob o vestido. Havia escolhido esse vestido armado justamente para isso. Deixei a cadeira no mesmo lugar, garantindo que o alarme não disparasse. Saí da sala rapidamente, encontrando o corredor vazio e me misturei às pessoas que deixavam a exposição em direção ao térreo.

Tinha mais quatro minutos.

Fui rapidamente ao banheiro, ou pelo menos o mais rápido que me atrevia sem chamar atenção. Entrei novamente no último boxe e troquei rapidamente de roupa.

Coloquei o quadro enrolado junto com o vestido e joguei o saco pela pequena janela que havia no topo da parede. Era pequena demais para uma pessoa passar e eu precisava subir na privada para alcança-la, mas era perfeita para descartar mercadoria roubada.

A janela dava para um canteiro de flores, o qual esconderia o embrulho até que mais tarde um dos informantes de Edward, trabalhando como garçom na festa, pudesse pegar. Fora ele que deixara o pacote ali também, e colocara o aviso no banheiro.

Faltando um minuto, saí do banheiro e, ao passar pelo espelho, verifiquei o penteado, que estava seguro graças a várias camadas de fixador. Então fui encontrar Edward. Ele estava perto do bar, falando com Royce King.

– Aí está ela. – Edward exclamou sorrindo quando me viu.

– Sr. King. – Cumprimentei quando parei ao lado de Edward.

– Está muito bonita, Isabella. Vai partir muitos corações. – Royce falou com uma piscadela. Sorri, deixando que beijasse a minha mão antes de ir embora.

– Deu tudo certo? – Edward perguntou baixinho, depois de pedir uma coca para mim ao barman.

– Tudo perfeito. – Respondi, sorrindo para ele. Edward relaxou visivelmente.

– Você é perfeita pirralha. – Ele disse me olhando com intensidade. Eu só queria agarrá-lo ali mesmo e usar seu corpo de todas as formas, mas me conformei em apenas me encostar ao seu lado. Por enquanto.

Edward puxou o celular e mandou uma mensagem ao seu informante. Era um celular descartável, do tipo que ele sempre usava para se comunicar com seus informantes e depois jogava no lixo em vários pontos diferentes da cidade, mas não sem antes se livrar das digitais.

Alguns conhecidos vieram falar com Edward. Não que realmente soubessem que era ele, mas os cabelos acobreados davam a primeira pista. Mesmo que os convidados houvessem me reconhecido, eu apenas ficara quinze minutos no banheiro, retocando a maquiagem ou qualquer outra coisa. Ninguém havia me visto fazer nada suspeito.

Uma garota ruiva com vestido e máscara pretos idênticos aos que eu descartara a pouco passou por nós. Não a conhecíamos, e ela também não nos conhecia, apesar de ser parte do nosso plano.

A festa estava indo bem, até que um dos seguranças, com ar esbaforido, veio procurar Royce, o qual foi embora num piscar de olhos com o segurança em seu encalço.

– Vamos dançar. – Edward falou, me puxando para a pista de dança.

Já esperávamos que em algum momento da noite um dos seguranças de Royce achasse a cadeira, situada de forma suspeita. Não demoraria até que deduzissem que algo havia sido roubado.

Edward e eu apenas dançamos por algum tempo. Depois voltamos a falar com conhecidos.

POV Edward

Cerca de uma hora depois de ser levado pelo segurança, Royce voltou com um segurança diferente e começou a falar com várias pessoas. Provavelmente aquelas eram as pessoas que estavam na sala da exposição na provável hora do roubo. Eles devem ter estabelecido uma linha do tempo para o acontecido e procurado nas fitas de segurança da exposição.

Não havia outras câmeras pela casa, apenas naquele cômodo onde as obras estavam sendo exibidas. Royce deve ter mandado os seguranças encontrarem qualquer pessoa que estivesse na sala da exposição no momento em que ele achava que o roubo havia sido executado.

Ele não feio falar conosco. Não havíamos chegado nem perto do primeiro andar, pelo que ele sabia.

Não demorou muito até que Royce chegasse até a garota ruiva, que, muito espantada, foi levada pelos seguranças sob o olhar curioso dos presentes.

Royce foi até o palco.

– Desculpem o incômodo, senhores, mas parece que alguns penetras conseguiram invadir a festa. – Disse Royce rindo, como se não tivesse acabado de perder 135 milhões de dólares.

Os convidados riram e a festa continuou calmamente. Olhei para Bella, que parecia preocupada.

– Não precisa ficar nervosa, Isabella. A garota é apenas uma atriz. Logo descobrirão e irão deixa-la ir embora. – Eu falei perto de seus cabelos, enquanto dançávamos. Bella pareceu relaxar.

– Eu sei. – Ela disse apenas.

A garota ruiva era uma aspirante a atriz que havia recebido um embrulho com vestido, máscara, sapatos, bolsa e tudo mais, juntamente com uma boa quantia de dinheiro e um convite falsificado para a festa de Royce de um “benfeitor” anônimo esta tarde. Ela deveria se encontrar com essa pessoa na festa, que iria explicar do que se tratava tudo isso a ela.

Mal sabia a garota que ela era apenas um chamariz. Muita gente se lembraria de uma garota com cabelos ruivos tão chamativos quanto os dela. Ela seria interrogada pelos seguranças de Royce e eles investigariam seu passado.

Quando descobrissem quem era realmente aquela garota, deduziriam o plano e ficariam muito furiosos, mas não haveria nada que pudessem fazer.

Engraçado como a ideia da troca de roupas havia sido de Bella. A pirralha havia sido muito bem treinada por Charlie, mas também era muito inteligente. Eu tinha muita sorte em tê-la como parceira.

Em todos os sentidos.

Notas finais
Oi people. Depois de tanto tempo sem postar, achei justo postar mais um cap hj pra compensar. Creio que postarei mais um no fds. Espero que vcs gostem. O Ed e a Bella são a dupla perfeita, não é? hehehe Bjs