O que é esse buraco sem fundo,

essa máquina que devora

e nunca está saciada?

A cidade grita,

o cimento sorve a vida de quem ainda respira,

mas a verdade?

Ah, a verdade é feita de papéis coloridos

e moedas que brilham,

enquanto o sangue escorre pela calçada.

Você me diz que o trabalho dignifica,

mas não me dignifica, não!

Me esmaga, me aperta,

me faz sombra,

me faz número.

O homem, o humano, o ser,

transformado em consumidor,

um corpo sem alma,

um ser sem nome.

Não sou o que tenho,

não sou o que compro,

não sou a conta no banco.

Sou a terra sob as unhas,

o vento que desce pela rua,

a lágrima que escorre sem razão.

Me diz, onde está a humanidade?

Na tela do celular?

Nos carros de luxo que cruzam

o asfalto quente enquanto o pobre morre

sem saber que seu corpo tem valor

para a venda?

Ah, capitalismo,

teu ouro é meu veneno,

teus bens, minhas correntes,

teu progresso, minha morte.

Eu não me vendo,

não me compro,

não me deixo fazer parte do jogo

que te alimenta,

pois sei que a liberdade

não cabe em seu bolso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.