Nipôn | Elfos de Babel I
7 Capitulo 6
Notas iniciais
Vitor perseguiu o cheiro do seu companheiro pelo caminho que tomou a explosão de velocidade do seu elfo. Ele logo viu que o caminho o levava mais próximo da cabana que ele pensava estar abandonado, mas na verdade há anos estava sendo habitada por seu elfo. O cheiro parou a quase meio quilometro longe da cabana, e seu sentido de olfato se orientou novamente para encontrá-lo, passando dos arbustos ainda em sua forma de lobo, o que Vitor viu partiu seu coração. Vitor viu seu companheiro abraçando e sendo abraçado por um cara grande e bonito, e seu companheiro também estava rindo, como se estivesse se divertindo. O rosnado que saiu do seu peito foi instintivo e doloroso, mostrando que seu coração estava rasgando ao meio ao ver aquela cena.
— O que está acontecendo aqui? Vitor exigiu, voltando a forma humana, sem se preocupar com sua nudez.
— Vitor, você está nu?! Disse Nipôn surpreso e com rubor em sua face.
— Quem é ele Nipôn? Algum amigo shifter? Latino questionou, curioso sobre a suposta interação.
—Pode se dizer que sim. Disse Nipôn acanhado.
—Então é assim, meu companheiro? Você está me trocando por ele? É por isso que você queria ficar sozinho? O lobo disse com raiva, seu tom de voz repleto de dor pelo seu elfo partir seu coração.
— Vitor, por favor! Nipôn disse de forma triste e irritada.
— Eu não estou fazendo nada com Latino, somos apenas amigos!
— Amigos não se abraçam do jeito que vocês estavam fazendo!
— Ele é mesmo seu companheiro? Latino arregalou seus olhos.
— Sim, pode ser assim.
— Por que você quer negar nosso relacionamento, Nipôn? Eu sei que eu fiz besteira, mas eu prometi que iria consertar tudo, não foi? Então porque você está com outro? Você prometeu dar uma chance para gente! A voz do shifter estava embargada de amargura e tristeza, seu rosto tingia-se de lagrimas pesadas com se tivesse perdendo tudo de uma vez em sua vida.
— Vitor, acalme-se! Ele é só um amigo elfo que veio me visitar!
— Então, você ainda me quer? Vitor perguntou esperançoso.
— Vitor, por favor. Nós acabamos de nos conhecer. Não sabemos nada um do outro. E ainda tem questões que precisamos resolver. Eu pedi um tempo a umas horas atrás e você já veio correndo atrás de mim.
— Eu fiz bem em vir correndo atrás de você. Se eu não tivesse chegado antes, só os bons espíritos saberiam o que teria acontecido aqui!
— Eu não vou deixar você pintar a mim e ao meu amigo quase irmão, com suas tintas ciumentas. Nipôn gritou para a floresta.
— Que companheiro complicado você tem, hein, Nipôn? Latino disse dirigindo-se ao elfo, e seus olhos demonstrando desprezo. — Se você pedisse a benção do nosso líder para esse relacionamento, Líder Anglo expulsaria você do clã.
—Porque diz isso, Latino?
— Você não sente o fedor vindo dele.
— Latino, não sabia que você tinha preconceito contra shifters lobos, de qualquer maneira isso cheira bem para mim.
— Eu não estou falando do seu cheiro natural shifter. Vamos de uma fungada no seu companheiro, e veja o que eu estou querendo dizer. Latino, Nipôn se aproximou do seu companheiro, e liberou seus sentidos olfativos. E Nipôn sentiu o fedor das maldições e das pragas.
— Vitor o que diabos você fez para si mesmo? Faz poucas horas que nos vimos e você estava normal, você chega aqui enfeitiçado e com dezenas de pragas rogadas a tu...
— As pragas são recentes, eu posso dizer que no seu caminho para cá, ele passou por territórios guardados com magia, que lançou isso nele, mas as maldições, são maldições de terra e água, se eu tivesse que adivinhar, diria que é de um familiar e seu bruxo.
— Cala a boca seu elfo maldito! Vitor arreganhou seus dentes a Latino, e depois virou-se para Nipôn tentando controlar seu temperamento. — Nipôn, não foi culpa minha. Eu discuti com o bruxo que me vendeu aquele feitiço que ocultou meu cheiro.
— Mas o feitiço foi culpa sua, Vitor! Nipôn cortou Vitor em suas bobagens. — E todo mundo sabe que a gente deve se aproximar de qualquer bruxo ou da casa deles com cuidado.
— Na verdade, ele invadiu muitos territórios durante o curto tempo de vida dele. Da para ver que ele é burro como uma pedra e nunca recebeu orientação alguma na vida. Enfim, você só vai se atolar em problemas se você se acasalar a isto. Disse Latino dirigindo sua mão em desdém na direção do lobo.
— Por favor, Latino. Não fale assim de Vitor. Você não entende toda a situação. Então por favor não fale assim. Nipôn disse com autoridade e clemencia. Latino o olhou um pouco surpreso, o pequeno elfo nunca havia falado dessa maneira com ele.
Nipôn pensou o que diria para seu companheiro diante de tal situação complicada, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ele foi rapidamente agarrado e levado por braços fortes. Seu primeiro instinto foi mexer seus braços e suas pernas tentando se desenrolar do agarre apertado.
—Shiii, calma meu lindo companheiro sou eu... Vitor sussurrou em seu ouvido, seu corpo estremecendo pela proximidade de seus corpos que os lábios lupinos anunciaram.
— Me solta, Vitor.
— Vamos sair daqui meu pequeno elfo. Vamos ficar juntos para sempre, sim? Me deixar conhece-lo, beija-lo e toca-lo. Me deixe mostrar que eu posso fazer tudo certo dessa vez. O tom suplicando, triste e carinhoso do seu lobo o emocionou. Seu olhar refletia uma solidão compulsória e uma dor de perda, fazendo aquele pedido mendicante cheio de significados. Nipôn estava perto de chorar.
— Vitor, eu não.... Antes que Nipôn pudesse dizer outra coisa, o seu shifter o puxou mais perto em seus braços e lhe deu um beijo bruto e forcado. Nipôn gemia sufocado dos lábios grossos que cobriam os seus. A intimidade dos corpos estava causando estragos ao seu julgamento e sua libido. Seu corpo se recusava a dizer não, e amolecia nos braços do lobo, seu pescoço atado pelas mãos grossas, mas suaves em seu toque, não lhe dava saída a não ser corresponder aos lábios que lhe buscavam com tanta necessidade. Seus lábios movendo de encontro aos de Vitor, presenciava um sabor divino, o beijo lhe trazia tanta necessidade, e agora as mãos de Vitor acompanhando esse bruto assalto de suas bocas, começaram a lhe tocar com paixão. Tudo estava se tornando demais para o elfo.
— Vitor, por favor pare. O pedido saiu fraco de seus lábios.
— Porque você resiste tanto a mim? Será que não sou o suficiente para você? Eu sei que você me quer! Então porque você não deixa te mostrar o quanto podemos ser felizes. Nipôn ouviu cada palavra em conjunto a um toque impertinente do seu lobo, cada palavra saindo de lábios ocupados que se viam pesados e quentes contra sua pele. Ele não queria que aquilo acabasse, ele queria padecer de prazer diante das muitas caricias.
— Mas Vitor, eu não posso me acasalar com você, cheio de maldições sobre o corpo, entenda. Nipôn disse tentando impor firmeza em sua voz que se via suscetível.
— Vamos ficar assim para sempre meu bebe. Deixe que nossos beijos, nossas caricias, nosso amor que for nos envolvendo vá purificando meu corpo com maravilhoso encontro de nossas peles. Disse Vitor de forma preguiçosa, leviana e carinhosa nunca deixando de tocar sua pele. Era a tentação de um homem no deserto, sedento por água.
— Suas palavras são lindas, meu lobo. Mas maldições não se resolvem com bons sentimentos ou boas sensações.
— Por favor, Nipôn, não me deixe. A mendicância pingava na voz do lobo.
— Nunca vi, um homem tão fraco mendigando afeto com um pobre coitado.
— Latino, não fale assim!
— O que Nipôn, você vai transar com esse lobo na minha frente? E ainda por cima com ele cheio de maldições e pragas? Depois que suas almas vincularem, as maldições e pragas passam para você também e aí fica mais difícil de se livrar delas, você teria que recorrer a feitiços de sangue. E você sabe o quão difícil é mexer com isso ou achar quem mexa com isso. Necromantes e Dolores de Carmim não tem nessa região. Latino explicou.
— Fique fora disso, elfo arrogante. Vitor gritou com um rosnado, nem sequer perto de provocar elfo.
—Arrogante, eu? Latino riu falsamente, sua voz pingando sarcasmo. — Só estou defendendo um amigo de pessoas idiotas como você.
—Parem vocês dois! Pelo amor de Deus, Vitor. Deixe de procurar mais problemas. Ao invés disso, procure soluções. Va visitar o bruxo e pedir perdão por ofende-lo. Nipôn disse conseguindo finalmente se afastar e conseguindo sobriedade para clarear sua cabeça.
— Não se afaste de mim, bebe. Nós somos bons juntos. Disse Vitor correndo para se aproximar, mas rapidamente sendo impedido pela mão levantada de seu companheiro. — Eu entendo, você não me quer. Seu olhar e sua postura corporal assumindo derrota.
— Vitor, não é assim! Pare de presumir coisas que eu nunca disse. Eu quero me acasalar com você, mas não amaldiçoado.
— Não caia nas palavras do seu suposto amigo elfo, ele só quer separar a gente! Vitor disse com raiva dirigindo seu olhar ao elfo que quer estragar sua vida.
— Pare de buscar inimigos, Vitor. Ninguém me faz de tolo nessa vida. O que Latino disse para mim, foi o que eu ensinei a ele décadas atrás. E ele está certo, eu não quero maldições ou pragas penduradas em mim depois de um ritual tão importante como o um de acasalamento. Va pedir perdão e ajuda ao bruxo, por favor. E só volte quando tiver seu problema resolvido. O lobo saiu cabisbaixo, sem dizer uma palavra.
— O seu lobinho é tão idiota que não viu que você tinha conhecimentos bruxos suficientes para realizar o feitiço de purificação que ele precisava. Disse Latino, ironicamente, depois de alguns minutos.
— Qual é o seu problema, Latino? Você sempre foi um cara tranquilo, mente aberta e que ajuda diversas pessoas no mundo e eu falei anteriormente que Vitor tinha problemas do passado. E você mal conhece o cara e já o critica abertamente. Eu não estou te reconhecendo, será que você só é um arrogante hipócrita?
— Ta está, está bom! Disse Latino levantando as mãos em sinal de rendição. — Eu, na verdade, só não gostei do cara. E se você gosta tanto dele, então porque já não o purificou?
— Porque primeiro, eu preciso de distância dele ao menos por um tempo. E segundo por que realmente precisa do perdão do bruxo para ele se purificar. Sua análise estava quase correta, não são duas maldições, é só uma. Mas o familiar que fez o feitiço amarrou os sentimentos do bruxo a maldição e ficou muito bem feito por sinal. Então o feitiço não foi feito a seco e de forma impessoal.
— Nossa que análise profunda de um feitiço. Mas também, você praticamente estava se fundindo com o cara no chão, claro que conseguiria uma análise tão precisa só pelo fedor próximo do feitiço.
—Mudando de assunto. Não foi você que participou da seleção de guardiões dessa região? Nipôn perguntou com aguçada curiosidade.
—Sim, porque? Latino estreitou o olhar, preocupado aonde que essa conversa estava indo.
— Tem uma caverna sem guardião a um bom tempo já...
— Como você sabe? Latino perguntou desconfiado.
— Recebi a notícia de forma atrasada, e aproveitando que você está aqui resolvi te contar. E já que você não gosta de alarmar o alfa Genov desses problemas. Então decidi te avisar pessoalmente.
— Alfa Genov tem muito que aprender sobre ser um líder ainda, ele parece ser um cara suficientemente bom, mas por vezes vejo ele querendo cruzar os limites que o fariam ser um alfa tirano. Ainda bem que não estamos sobre sua asa, ainda bem que temos um lugar, um terreno enorme herdado em Genov, para que não tenhamos que depender dele.
— Mas ele está com as escrituras, não é?
— Sim, mas só como guardião, e não como principal proprietário.
— Então, o que você vai fazer com relação ao guardião faltando?
— Vou ter que investigar. Mas de qual caverna você está falando?
— A caverna perto da cabana da Égua Bruxa. Nipôn explicou.
— Você sabe que a shifter Égua não gosta de ser chamada de bruxa. Ela tem ouvidos por toda a floresta, e pode te lançar um feitiço só por estar ofendida e entediada.
—Você se esqueceu que nossa raça de elfos é imune a magia da terra e da agua. Aquela bruxa arrogante não pode me fazer qualquer dano.
— Não me esqueci, mas como você parece ser tão tendencioso ao seu lobo amaldiçoado, que aposto que quando se acasalarem o lobo só vai enfraquecer sua resistência.
— Latino, hoje você parece muito infeliz em suas palavras. É melhor que falemos depois para os nossos atuais estados de espirito não arruínem nossa irmandade.
— Para com isso, Nipôn. Nós já tivemos atritos antes. Você só está sensível porque falo mal do seu companheiro fracote.
— Não se esqueça que nosso clã vai se acasalar com diferentes tipos de paranormais, segundo a profecia. Então segure sua arrogância até achar seu companheiro, Latino. Nipôn disse se dirigindo a floresta, indo embora para casa.
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