Todos os seus sentimentos estavam colados como papéis de parede. Ela decorou cada canto, organizou o espaço, criou padrões, harmonizou as cores. Deixava tudo impecável para as visitas. Sempre limpava a sujeira, aspirava o pó, ajeitava os pequenos enfeites. Mantinha o apreço.

Seu interior ficava belo sob a luz do sol. Mas quando vinha a tempestade... Subitamente crescia a inundação, as paredes sofriam infiltração, as estruturas eram abaladas, a mobília encharcava.

No mais profundo e iníquo sentimento que assombrava sua casa, ela arrancava toda aquela decoração de marcas, memórias e traumas.

Mais uma vez só restavam rebocos despedaçados e irreconhecíveis.