Notas iniciais
Quando criança, queria ter
Olhos de outra cor:
Verdes, azuis.
Marrom não.
Esses meus olhos marrons
Quase negros,
Tão normais e genéricos
Diferentemente dos outros.
Diferente dos verdes
Oliva, esmeralda,
Pampa que se estende
Em campos de esperança.
Diferente dos azuis,
Turquesa, safiras,
Mares de águas puras,
De mistérios infinitos.
E foi quando a poesia
Me curou que eu vi.
Vi que marrom é cor também,
E não só uma maioria.
Marrom chocolate,
Marrom castanho,
Marrom escuro,
Marrom quase negro.
São marrons que se tornam
Âmbar durante o dia;
São joias raras, multicolores,
Lágrimas solares.
São doces. São chocolate
Que o sol derrete
Em caramelo.
Em mel.
Também são terra, pedras;
São motanhas,
São lascas de obsidiana,
Imensidão da noite.
E quando o dia acaba,
Nossos olhos acompanham,
Tornando-se nossos
Próprios crepúsculos.
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