Ningen no tenshi
10 Insegura
Notas iniciais
Depois de me despedir da Naomi, resolvi ler um livro no parque.Me sentei em um dos bancos e comecei a ler um livro que já havia lido umas mil vezes, quando alguém se sentou ao meu lado e disse:
–Olha!! Eu tenho esse livro!
–Hã? Satoro!! O que está fazendo aqui? — Respondi gentilmente.
–Nada de mais. Só relaxando um pouco. E você?
–Bem… — Sorri e lhe mostrei o livro.
–... Mas eu sou mesmo uma anta há há há
–Que nada!! Isso é normal!!
–Se você diz… Eu… vou indo.
–Mas já?
–S-sim. Eu ainda tenho q terminar alguns exercícios do cursinho!
–Você? Fazendo os exercícios? Sério?
–Não sou tão irresponsável quanto você imagina!! Tchau!! ^^
–Tchauz… — Foi quando senti algo muito pesado por perto.
–O que houve?
Havia uma presença maligna se aproximando de onde estávamos. Me levantei e olhei para todos os lados. Não vi nada, mas ainda sentia a presença. Eu sabia quem era. Kohai. Meu coração se apertou.
–Aki-chan?
–Hã?... Ah! Desculpe!
–Você está bem?
–Sim. Estou sim! Eu… eu vou com você!
–Oi?
–Tem algo estranho aqui, então acho melhor te acompanhar.
–Hm… Entendi. Eu preciso ficar com medo agora? — Ele sorriu e eu sorri em resposta dizendo que tudo ficaria bem.
Ficamos caminhando por um tempo pelo parque. Fiquei preparada caso algo acontecesse. O problema é que se algo realmente acontecesse eu teria que improvisar, já que não podia me transformar perto das pessoas do parque. Conversamos muito. Ele me perguntou se com exceção dele e da Naomi eu já havia ajudado outras pessoas.
–Bem… Meu poder consiste em controlar os elementos da natureza, então sempre que eu posso fazer alguma coisa eu faço.
–Como por exemplo…
–Hm… Houve um enchente em um bairro de uma cidade em que eu estava com meus pais. A chuva estava extremamente forte e algumas pessoas estavam ilhadas no telhado de uma casa. Meus pais e eu vimos tudo pela tv. Eu sai escondida pela janela e fui até onde aquelas pessoas estavam. Quando cheguei lá o telhado tinha acabado de ruir…
–E aí?
–Bom… o máximo que eu podia fazer era tentar controlar a água. Graças a Deus eu consegui. Fiz com que eles fossem levados para um lugar mais alto com a própria água da enchente. Eles se assustaram quando viram que a água baixou do nada, mas pelo menos estavam seguros.
–Eita!! Você é poderosa!!
–Há há há não sou mais. Se eu estivesse com todos os meus poderes teria cessado a chuva e conseguido salvar o resto do povo, mas não sou mais onipresente pra conseguir proteger todo mundo…
Contei a ele outros de meus feitos. Ele parecia maravilhado, mas eu me sentia frustrada, já que eu sentia que poderia ter feito muito mais em cada uma dessas ocasiões. Depois de mais algumas histórias a presença sumiu.
–Que estranho!
–O que houve? — Perguntou Satoro.
–Ele sumiu!
–...Isso é uma coisa boa, não?
–Deveria ser, mas…
–Mas?
–Foi muito de repente!
–Tá e o que a gente faz agora?
–Sinceramente?
–Sim!
–Não faço ideia!! há há há há
–Meu Deus… Eu não sei se rio ou se choro disso!! há há há há
–Desculpe! O caso é que é a primeira vez em anos que tenho que ficar esperta com um demônio especifico. Bela anja da guarda eu sou. Nem consigo saber onde o Kohai está. Droga...
Eu estava decepcionada comigo mesma. Satoro ficou me observando e de repente me abraçou. Aquilo me surpreendeu. Muito.
–O jeito que você fala te faz parecer uma inútil, coisa que você não chega nem perto de ser.
Aquelas poucas palavras me fizeram sorrir. Meu rosto corou um pouco e meus olhos lacrimejaram.
–Satoro… Que base você tem pra dizer algo assim? Você mal me conhece. Não sabe o que eu já fiz ou deixei de fazer…
–Corrigindo: Não sei o que você já fez ou deixou de fazer pelos outros, mas eu sei muito bem o que é capaz de fazer por alguém que precisa. Eu e sua amiga Naomi somos provas vivas disso.
Com isso, vieram muitas lembranças de todas as vezes em que salvei a Naomi, ajudei outras pessoas, inclusive meus pais e quase morri diversas vezes.
Eu chorei e o abracei.
–Obrigada, Satoro. — Neste momento baixei a guarda e me permiti relaxar um pouco.
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