Ningen no tenshi
6 Descoberta
Notas iniciais
Satoro foi me carregando até as portas do prédio do nosso curso.
–Pronto senhorita, chegamos! – Ele me colocou no chão e eu dei o soco mais forte que pude no ombro dele.
–SEU ABUSADO!!
–Há há há há quanta agressividade! Você desloca o meu ombro com tanta força.
Eu o fuzilei com os olhos e entrei no prédio e ele me seguiu me cutucando e perguntando “por que você está nervosa?”, “o que foi que eu fiz?”, “Aki-chaaaann!!”, “Aki! Aki! Aki!”. Eu resisti, e apesar de a minha vontade ser a de torra-lo com meus poderes, permaneci calada até chegarmos na sala.
–Você primeiro! – Eu disse estendendo o braço para a sala e fazendo uma reverência e sorrindo como quem diz “Diga o que disser eu não vou me irritar!”. Acho que ele entendeu a mensagem porque ele só arqueou uma sobrancelha e me disse:
–Desafio aceito.
Aquelas palavras me deixaram um pouco apreensiva. Droga! O que raios ele vai me aprontar agora? Deus, dai-me paciência!!
Fiquei esperando ele fazer alguma coisa para me irritar, mas tudo o que ele fez foi ficar me olhando. Sério mesmo! Ele só ficou me olhando! Não tirou os olhos de mim nem por um segundo (só uma vez para olhar as horas). Nem mesmo quando nosso professor fez uma pergunta para ele. Ele respondeu olhando para mim. Até Umino-sensei ficou constrangido.
No fim da aula eu continuei calada e Satoro me seguia até a saída.
–QUAL O SEU PROBLEMA GAROTO?
–Ficou irritada?
–CLARO QUE SIM!!
–Então agora não tenho problema nenhum! – Ele disse sorrindo.
Foi quando eu me toquei. Ele me irritou sem dizer uma única palavra... MAS QUE FILHO DA MÃE!!!
–Isso foi trapaça! – Falei indignada e sai batendo o pé e ele me seguiu.
–Mesmo? Não me lembro de você ter imposto regras! Na verdade você só me desafiou com o olhar!
–Você só consegue levar tudo na brincadeira, né?
–A vida é uma brincadeira!
–Você não faz ideia do quanto está errado!
–É! Talvez eu esteja mesmo errado! Seria ótimo ter um anjo para me explicar como funcionam as coisas na vida!
Arregalei meus olhos e congelei.
–O que foi Aki? Eu disse algo errado?
–Ma-ma-ma-mas que papo estranho é esse? Há há....
–Que papo estranho? Eu só disse que seria bom ter um anjo para explicar como a vida funciona! Você não concorda comigo?
–De-de-de-depende! Em que aspecto?
–No aspecto de que anjos vivem com Deus e Deus é o criador do mundo, então os anjos devem saber bem como funcionam as regras para poder viver e morrer bem.
–Pode até ser, mas os anjos não podem interferir em nada. Tipo, se você fizer uma escolha errada a gente não pode interferir e corrigir o seu erro e...
– “A gente”?
–Eh?... — Uaaaaahhhh me entreguei de bandeja!! – Na-na-na-na-nada!! Falei errado! Eu quis dizer que..
–há há há pode parar por aí! Eu já sei sobre você Aki Atsuko!
–Sabe?... O-o que tem para saber de mim? Eu sou só uma menina normal!
–Não! Você não é uma menina normal! Você é um misto de anjo e gente! Uma anja-humana, por assim dizer.
Eu não podia acreditar no que meus ouvidos ouviram. Como ele sabe? Como descobriu?
–Não vai dizer nada?
– ... Como você sabe disso?
–Melhor irmos para um lugar mais tranquilo.
Seguimos para um parque municipal que ficava ali perto. O lugar era lindo. Cheio de árvores, flores e ainda tinha uma cachoeira. Geralmente ficava cheio de gente, mas apenas nos fins de semana. Nos sentamos próximos a cachoeira e ele começou:
–Descobri por puro acaso! – Ele me disse com um sorriso carinhoso. – Antes de te ver pela primeira vez eu a vi salvando aquela sua amiga, como é mesmo o nome dela?
–Naomi.
–Isso! Eu vi você a salvando de ser atropelada por um caminhão.
–Mas eu estava em minha forma de anjo! Eu não seria reconhecida nem pela minha própria mãe com aquele cabelo enorme e branco ainda por cima!
–E com as pontas roxas!
–Violetas!
–Ou isso! Há há há Mas foi fácil reconhecer você já que em seguida voltou a forma humana!
–Ah! Entendi!
–No começo pensei ter sido a minha imaginação, mas depois eu a vi novamente no nosso primeiro dia de aula. Me toquei que era você logo depois de a ter salvado.
–Meu Deus... Isso não pode estar acontecendo! Não pode!
–Aki. Eu sei que não é o momento oportuno, mas eu preciso de ajuda! Depois você apaga a minha memória, me mata ou o que for! Por favor! Eu preciso muito de ajuda!
A expressão do rosto dele mudou de carinhosa e brincalhona para séria e preocupada. Eu o analisei e pude sentir medo emanando dele.
–Satoro... O que fizeram com você?
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