Nine Weeks and a Half
2 Day 1 - The Experiment
Aquele era o dia 1, porque temos que começar pelo começo.
Acordei às sete e meia, com o celular vibrando infernalmente e o rosto de Scorpius me irritando, piscando e tremendo no visor do aparelho trouxa mais útil do universo. Cocei meus olhos e apertei a vista para olhar para a janela aberta, a lua já estava lá: eu dormi desde o almoço.
— E aí, cara? – Me esforcei para soar natural, enquanto enfiava uma camiseta no pescoço e procurava um tênis sob a cama. – Eu juro que já estou a caminho.
— A caminho do banheiro ou da cozinha? – Podia até vê-lo girando os olhos e franzindo o cenho para continuar – Quanto tempo pra chegar aqui?
— Coisas assim são complicadas de prever. Se você contar o trânsito, o fato de que eu tenho que escovar os dentes e... – Disse procurando um casaco e notando minha falta de calças – Meia hora?
— Quinze minutos? Ah, então tá certo James! Estamos te esperando para o jantar! – Ele disse mais alto e desligou o telefone.
Que pessoa derrotada acorda atrasado para a própria festa surpresa de aniversário e um encontro promissor com a garota mais desinteressante do mundo que é secretária da Rose porém ela insiste em dizer que nós nos daremos muito bem. Se é pra ser sincero, eu passaria meu aniversário sozinho em casa facilmente, jogando Halo e fazendo maratona de Doctor Who, talvez praticando feitiços.
O que eu tenho para comemorar além do fato de eu estar completando vinte e quatro anos e não ter morrido nenhuma vez? Comemorar não ser tão bem sucedido, ter vida amorosa nível inexistente e estar bem longe de onde eu imaginava que estaria a essa altura da vida? Uau. Parabéns para mim.
Apesar dos pesares, fui á festa... Como poderia faltar? Meu brother organizou, cobrou minha presença e ameaçou me buscar se eu demorasse mais cinco minutos. Fingi surpresa, comi tacos e bebi descontroladamente nos primeiros quarenta minutos da festa, então me sentei em um canto e fiquei brincando no celular. Reproduzi uns barulhos guturais quando me cumprimentavam, levantei quando tocaram “The Snitch Wicthes” e vi o mundo girar enquanto pulava com pessoas não tão importantes e Alvo alucinado, até estragarem a festa:
— Hoje não, baby! – Rose disse entre risos.
— Baby? Sério? – Ele fez uma careta. – Ok, então! A gente tá felizes, eles estamos felizes, James felizes! Todo mundo felizaço. – Scorpius escorregou e se escorou em uma caixa de som. – A gente ama vocês, falou?
— Uhul! – Várias pessoas gritaram, rindo.
— Nós vamos anunciar nesse dia lindo que...
— Vamos nos casar! – Rose levantou a mão (esquerda ou direita, nunca soube dizer) e mostrou um anel com uma pedra que dava para pagar uma ida à Lua em um foguete particular.
Scorpius beijou a noiva e depois me encarou no meio da multidão.
Eu levantei meu copo de cerveja, sorri de volta e puxei palmas, bradando felicitações.
Sou ótimo em interações sociais forçadas, mas é porque eu deveria ter cursado artes cênicas – é o que Gina sempre me diz. Não me levem a mal, eu sou a favor do amor, mas esses dois nem bem fizeram vinte e três anos e tudo bem que Scorpius pode nos sustentar – e o pronome oblíquo não se refere a Rose e eu, mas à Inglaterra inteira; porém eles terminaram esse relacionamento estável deles pelo menos uma vez por semana nos últimos mil anos. E bem, eu estou sofrendo de algo chamado recalque, que “é o processo psíquico através do qual o sujeito rejeita determinadas representações, ideias, pensamentos, lembranças ou desejos, submergindo-os na negação inconsciente, no esquecimento, bloqueando assim os conflitos geradores de angústia”, de acordo com Freud – quis só dizer que existe um termo tecnico para minha tristeza profunda: eu estou chegando cada vez mais perto da vida adulta (que começa depois dos trinta e cinco) e minha carreira tá decente, mas eu ainda não revolucionei o mundo do entreterimento bruxo, meu pai anunciou que se eu ameaçar azarar meus chefes mais uma vez, ele me prende. Sem contar a parte de que minha ex-namorada terminou comigo sob a afirmativa: “não fomos feitos um para o outro, na verdade você não foi feito para ninguém além de você mesmo, espero que você seja feliz” via SMS. E eu tinha cometido o erro de pedi-la em casamento aos vinte e três anos como esses idiotas.
O propósito de existirem pessoas mais velhas no mundo é para que você aprenda com elas e eu sou esse poço de sabedoria, tentando impedir todos de cometerem esses erros básicos como não pedir alguém em casamento quando você só cumpriu vinte por cento da sua vida.
Talvez eu esteja sendo pessimista, eles são os meus melhores amigos.
— Jay! – Rose disse um tanto estridente, com vinho a beça na cabeça. – Essa é a Stephanie.
Olhei para a moça de meia três quartos, vestido agarrado nas coxas e um decote generoso, me forcei a olhar para o seu rosto e ela tinha olhos verdes bonitos, uma bochecha rosada com sardas bonitinhas e o cabelo dela era loiro dourado: ela era bonita. Até pensei em me dar bem naquela noite, porque pior do que estava não ficava.
— Oi! – Ela me disse.
Voz. Mais. Terrível. Que. Eu. Já. Ouvi. Na. Vida.
— Não, obrigado. – Sorri e fugi, ouvindo os calcanhares irritados de Rose atrás de mim.
Parei perto do banheiro e esperei que ela se apoiasse a parede, porque estava difícil para ela lidar com toda aquela bebida no organismo. Me preocupei em empurrar o cabelo para trás e preparar a feição mais entediada do universo: me preparando para um sermão da Rose, que acontece com frequência, mas é sempre uma experiência de quase morte de tão chato. Mas era meu aniversário. Não ia ficar quieto.
— Qual é o seu problema? – Ela me perguntou, cruzando os braços.
— Qual é o seu? – Semicerrei os olhos e meneei a cabeça. – Você ouviu a voz daquela menina?
— É... Normal. – Ela franziu o nariz e deu de ombros. – Você que acha defeito em todo mundo.
— Eu acho defeitos? Como aquela moça pode ser secretária e seus clientes continuarem vivos? – Sacudi a cabeça para afastar a lembrança daquela voz. Estendi meu braço em direção a Rose. – Estou todo arrepiado. Pesadelo.
— Ela tem uma voz enjoada, tem. – Rose concordou para estender o indicador no meu rosto em seguida. – Mas você nem se preocupou em conhecê-la porque desde Jenny ninguém é boa o suficiente para você, “Ah, ela tem a cabeça muito grande!” ou “como eu posso sair com alguém que torce pro Chelsea?” ou “ela foi a um show do Nickelback”.
— Só ouvi verdades. – Encolhi os ombros. – Como posso copular com alguém que ouve Nickelback?
— Eu tenho uma novidade para você: eu adoro Nickelback. Eles são ‘ok’, então para de implicância. – Rose me fuzilou com os olhos. – O que acontece é que você é seletivo, chato e fica reclamando de tudo pelos cantos o tempo inteiro, mas não tira a bunda daquele sofá e dorme o dia inteiro, não quer ver ninguém, não quer fazer nada e vai continuar chorando com essa cara de joelho até o fim dos seus dias.
— Mentira! Você que só me apresenta gente terrível. – Acusei e ela riu da minha cara. – O que foi?
— A culpa é minha agora? – Ela continuou rindo histericamente. – Então eu te desafio.
— Desafia a...? – Disse entre dentes. “Você não precisa aceitar o desafio”, murmurei para mim mesmo para me convencer, já que eu tenho problemas com desafios e apostas.
— A baixar o Wander e conseguir um encontro para hoje a noite. – Rose cruzou os braços novamente e riu. – Já que a culpa é minha, eu quero que você se vire. Se você conseguir uma garota e “copular” hoje a noite, eu nunca mais tento te juntar com alguém.
— O que é ‘Wander’? – perguntei confuso, olhando para o relógio que marcava onze e dez da noite e procurando meu celular no bolso. Droga. Caí no desafio.
— O aplicativo de namoro bruxo, é uma variação de um trouxa sucesso mundial. – Ela riu. – Duvido que você arranje uma garota decente e não a encha de defeitos só em olhar para a foto.
— Ah é? Vou mostrar que quem tem um gosto ruim e um dedo podre é você. – Mostrei a língua. – Vai se casar que eu vou fazer isso aqui e vencer.
Olhei para o celular e falei, enquanto observava Rose se sentar no chão na minha frente:
— Vamos desvobrir como você funciona – Procurei o aplicativo na Diagon Alley Store e era primeiro lugar entre as redes sociais. – Criar perfil.
Eu sou um(a): ( )mulher ( x ) homem.
Em busca de: ( x ) mulher ( ) homem.
Oi! Qual é o seu primeiro nome? James.
Meu CEP é:EC2A1AS
Reino Unido
Até aí, fácil.
Sobre mim:Sou um cara bacana. Torço pro Manchester United, não como cebolas e não gosto de gente de voz irritante. Ah, e não suporto Nickelback.
Pareceu exigente? Mas é o meu mínimo, nem mencionei pessoas de testa grande, entusiastas de poções, pessoas que mascam chiclete de boca aberta ou usam muito blush, que são coisas muito sérias. Porém, como só preciso de alguém pra hoje, acho que só posso dizer o que é essencial.
Quais são seus mais importantes desejos?
Vai ficar em branco essa aí.
Além dos seus pais, quem é a pessoa que mais te influencia ou influenciou na vida?
Doctor, que tá aí salvando o mundo e se regenerando, pegando as mina do passado, do presente e do futuro.
Muito nerd, né? Talvez eu mude para Nelson Mandela ou Dumbledore, que são pessoas bacanas.
Meus amigos dizem que eu sou (4 itens):
Preguiçoso, exigente, perturbado, hiperativo... Procurando eufemismos.
Meus amigos dizem que eu sou (4 itens):Despreocupado, decidido, espirituoso e animado.
Quais são 3 suas maiores habilidades?
Difícil, porque eu responderia facilmente Pro Evolution Quidditch – desenvolvido por mim, tenho orgulho; montar tacos e assistir a dezenas de seriados simultaneamente.
Quais são suas 3 maiores habilidades?Esportes, culinária mexicana e assistir a dezenas de seriados simultaneamente.
O que você está procurando em um(a) possível parceiro(a):Alguém inteligente, com seios tamanho médio a grande e um sorriso bonito. Que realmente não torça para o Chelsea ou goste de Nickelback (se achar Radiohead supervalorizado, melhor). Alguém que goste de videogames (ou não odeie), que goste mais de um sofá que de uma casa noturna badalada. E que não me ache um idiota por ter mencionado peitos, até porque todos sabemos que esses aplicativos servem para sexo e não para encontrar o amor da vida.
Tirei uma foto bonita e enviei.
Então analisaram os algorítimos (eu acho) e me vieram com uns perfis: se eu empurrá-los para a direita, significa que eu gosto deles e se eu empurrar para esquerda, significa que eu quero que eles queimem e nunca falem comigo. Se me empurrarem para a direita também, eu ganho o direito de mandar uma mensagem privada para a pessoa.
— Loira, não. Plástica no nariz, não. – Disse enquanto empurrava os perfis para a esquerda. – Vegetariana, tenho inveja, mas definitivamente não. Olhar morto, não. Camiseta de banda que finge-que-gosta-mas-não-sabe-nenhuma-musica, não obrigado. Ruiva? Não, complexo de Édipo.
Olhei para Rose que ria e me julgava com os olhos.
— Eu disse o que eu levo se eu ganhar a aposta? – Ela sorriu. – Você vai a um encontro com Stephanie: jantar e tudo.
Senti um calafrio na espinha. Isso é mais complicado que eu pensava, já são dez e quarenta. Rose não pode ter razão, é impossível que eu seja tão chato assim. A verdade é: tenho preconceitos com pessoas que usam aplicativos de celular para encontrar pessoas.
Hey! Alguém me empurrou para a direita!
Abigail.
Sobre mim:Não preciso de ajuda de aplicativos para me relacionar, só acho que ajuda a evitar o tanto de merda que eu ouço em barzinhos. Gosto de fast food, TV e detesto sentimentalismos exagerados.
Quais são meus maiores desejos?Zerar Super Mário, ser bem sucedida e etc, mas principalmente zerar Super Mário.
Além dos seus pais, quem é a pessoa que mais te influencia ou influenciou na vida?Ferris Bueller.
Meus amigos dizem que eu sou (4 itens):Preguiçosa, estranha e incrível (que vale por dois).
Quais são 3 suas maiores habilidades?PEQ (Pro Evolution Quidditch), piano e evitar conflitos.
O que você está procurando em um(a) possível parceiro(a):Alguém que saiba lidar com pessoas emocionalmente distantes e instáveis, que saiba ler livros e seja legal. Ah, e mais alto que eu.
Ela estava há poucos blocos de onde eu moro, de acordo com o localizador ela mora em Bethnal Green e eu em Shoreditch, são uns vinte minutos a pé. Mas infelizmente há anos luz da casa de Scorpius que mora no fim do mundo. Digo infelizmente, porque eu gostei do perfil da menina – ela joga videogame, tem um sorriso bonito e parece divertida.
Passei o perfil dela para a direita.
“Oi.” Disse via mensagem privada.
“E aí?” Ela me respondeu.
“Tudo bem?” Talvez eu não saiba com proceder nesses negócios sociais online. Mas como chamar uma pessoa para atividades nuas sem parecer um completo idiota?
“Tudo. Tá fazendo alguma coisa hoje? Quer me encontrar? J”. Alguém precisava ser direto nesse negócio, eu acho. Talvez existam pessoas legais nesses aplicativos mesmo.
“Estou em uma festa, mas não está tão legal assim. Meu apartamento ou o seu?” Respondi, me levantando e sorrindo para Rose.
“O seu, pode ser? Minha colega de quarto é meio chata para essas coisas. E acha que eu vou morrer essa noite por sair com um cara que eu não conheço” Ela respondeu.
Segundos depois recebi uma mensagem no Facebook.
Abigail Jones: Eu disse que ele não era psicopata, Dizzy.
James Potter: Ele quem?
Abigail Jones: Mensagem errada! Que droga.
James Potter: Mas pode ser o meu apartamento, aparato lá quando você puder.
Abigail Jones: Izzie, que vergonha, mandei a mensagem na janela errada. Ele deve ter pensado que eu sou uma louca que tá investigando e perseguindo. Só queria checar se ele não vendia órgãos no eBay ou se ele não vai vender minhas coisas no eWizard.
James Potter: então, mensagem errada de novo! Hahaha E eu não acho que você é louca. Se você quiser ligo o vídeo pra você ver que sou normal.
Abigail Jones: Aaaah! DESCULPA DE NOVO! E liga, por favor, só para eu ver que você é o cara da foto e eu não vou morrer esquartejada hoje. Eu não faço essas coisas casuais com frequência.
James Potter: James Potter deseja iniciar uma chamada de vídeo.
Aquela foi a primeira imagem que eu tive dela: o cabelo cacheado preso em um coque, o rosto bonito de olhos castanhos grandes e um sorriso envergonhado com uma pequena falha entre os dois dentes da frente. Não tinha nada de espetacular sobre ela, mas talvez fosse esse o motivo de ela ser tão... Linda.
— Não posso garantir a parte do psicopata via vídeo, então você vai ter que acreditar em mim. – Sorri com a piada mais “você vai morrer se for a minha casa” que eu tinha no meu repertório. – Mas sou eu, definitivamente.
— Eu acho que isso é justo. – A maluca da menina disse. Talvez eu devesse ter medo dela. – Você não pode saber se eu sou uma serial killer ou não só de me ver no vídeo.
— Com essa sua altura, eu duvido muito. – Falei sem pensar nas consequências. Tinha a chance de ela não querer mais “sair” comigo, desligar a câmera abruptamente depois de me xingar de todos os nomes... Garotas normais fariam isso, eu acho.
— Acho que quando seu corpo chegar em pedaços na caixa de correio dos seus amigos em... – Acho que ela parou para checar minha localização nesse aplicativo altamente invasivo e assustador. – Brighton, você não vai poder falar mais muita coisa.
Ela me superou em “psicopatia” – acho que criei o termo. Se já pensava que ela não era lá uma garota muito normal, passei a ter certeza quando ela vi o grande pôster com o rosto da Uma Thurman em Kill Bill pendurado na parede e prestei atenção na Chalkboard Wall (uma daquelas paredes feitas para você escrever com giz de quadro) que eu imaginei ser no quarto dela, pois tinha uns desenhos de pessoas de palitinho e estrelas, símbolos musicais, lista de compras e desenhos de pizza.
“Hoje vou:
Comprar delineador
Lembrar de usar filtro solar finalmente
Mandar alguém a merda.”
— Você tá vasculhando minha parede? – Ela me fuzilou com os olhos. – Vá a merda!
— Já pode riscar isso da lista. – Sorri e a vi girando os olhos. – To indo para casa, te vejo lá?
— Talvez. – Ela riu para me brindar com uma careta em seguida. – A quem eu quero enganar? Nos vemos em dez minutos.
Desliguei a camera e sorri.
— Obrigado pela festa, nem preciso dizer que vocês são as pessoas mais... Iradas. – Disse a Scorpius e Rose que estavam abraçados e sentados no chão perto do banheiro, enquanto pegava meu casaco. – Parabéns pelo casamento e essas coisas monogâmicas de velho fantásticas. Combina com vocês, pai e mãe.
— Haha. – Foi tudo o que Scorpius conseguiu formular.
— Eu vou agora, mas a festa nunca morre! – Sempre falo coisas aleatórias quando saio das festas, porque os bêbados berram, comemoram e eu me sinto genial falando besteiras. – Não me decepcionem!
Como sempre, todos gritaram, enquanto eu desaparecia com os braços erguidos e pose de herói: o importante é sair com estilo.
Em menos de um minuto tinha aparatado em casa. Está certo que eu evito aparatar, porque me dá um embrulho no estômago e um desconforto desnecessário – sem contar a sensação crescente de que um dia eu vou morrer no processo, mas acho que a causa aquele dia era maior: era o primeiro “encontro sexual” que eu teria desde Jenny. E era grande coisa já que Jenny tinha chutado meu traseiro – para não dizer bunda, oops acabei de dizer – há exatamente dez meses, duas semanas e quatro dias (não que eu estivesse contando).
Eu estava pronto, mais do que pronto e com um ponto a provar.
Eu podia fazer aquilo.
Ela chegou poucos minutos depois e a primeira frase que ela me disse foi:
— Você é mais alto que eu pensava. – Disse me olhando de baixo pra cima.
— E você ainda mais minúscula. – A encarei, com a sobrancelha erguida e ela encolheu os ombros.
— Preferia “mais bonita”, mas afirmar o óbvio é igualmente lisonjeador. – Ela ironizou e invadiu meu apartamento.
— Você que começou. – Dei de ombros. – Mas você deve escutar que você é minúscula e que é muito bonita o tempo inteiro, então não faz diferença.
— Cantadas? Mesmo James? – Ela fez careta.
— Você precisa se resolver: ou eu te elogio ou você me odeia. – Cocei o cabelo e ela riu. – Sem contar que você é realmente muito bonita.
— Nós somos. – Ela sorriu novamente, tirando o casaco e se mostrando cada vez mais bonita.
Eu gosto de sorrisos e o dela era realmente algo de outro mundo, estonteante e verdadeiro, como se eu estivesse condenado a concordar com qualquer coisa que ela dissesse e fizesse se ela apenas sorrisse para mim. Algo sobre dentes brancos e o formato carnudo dos lábios desenhados por aquele batom vermelho escuro que ela passou para vir para cá. Quando me permiti desviar os olhos do sorriso dela, consegui ver o que ela estava fazendo: acredito que era uma tentativa de sensualizar tirando a roupa lentamente. Entretanto, parecia mais que ela estava presa nas roupas... Talvez ela não tivesse muitas experiências com “strip tease”. Mesmo assim, apesar de estar me divertindo, eu ainda a achava incrivelmente sensual, não por causa do corpo (ela tinha seios e bunda, não tinha como eu prestar atenção a muitas outras coisas), mas porque ela parecia estar se achando muito sexy em um nível surreal de confiança que me fazia querer tocá-la a qualquer custo.
Aprendi que tinha que tirar os sapatos primeiro, porque nunca há uma hora certa de tirá-los.
Primeiro os sapatos e as meias.
Depois a camiseta e as calças.
Enfim todo o resto e finalmente uma das noites mais incríveis de toda a minha vida: não porque parecia que a gente tinha uma sintonia incrível nos movimentos sensuais no colchão, mas porque – além dos movimentos sensuais, pois isso é muito importante – nós parecíamos estar nos divertindo.
Certamente eu gostaria de vê-la novamente.
Nem acreditava que eu diria isso sobre alguém do Wander.
— Você prometeu me ajudar a zerar Super Mário. – Ela disse sonolenta de olhos fechados antes de cair no sono de vez. – Vou cobrar amanhã.
Não tive tempo de responder que eu não tinha prometido nada, ela dormiu mais rápido que o Pumba e eu logo em seguida, aliviado por não ter que dormir de conchinha ou ficar observando o movimento do sistema respiratório dela. Mas eu a ensinaria a zerar Super Mário e qualquer outra coisa que fosse difícil de verdade se ela quisesse, porque Abigail era incrível e talvez eu esteja arrastando um caminhão por uma estranha do sexo casual. Mas que se dane.
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