Notas iniciais
Surpresas estão vindo...

Narração do Corey:

Depois de uma semana ter se passado como um borrão, conheci os lugares do Brasil. Desembarcamos para a parte do Nordeste, lá na Paraíba. Um dia fomos para a praia de lá e fiquei fascinado com o tamanho da beleza. O mar era um azul tão brilhante quanto os olhos da Lindsey, a areia era tão fina que dava vontade de ficar nela para sempre, a temperatura das águas era tão aconchegante que passamos vários minutos no mar. Aproveitamos o dia para comer alguns crustáceos e depois voltamos para a nossa nova residência que era alugada para os três meses. Se o sonho da Caitlin é vim morar aqui, então morarei com ela. Penso. Já era tarde, o dia se escurecia rápido naquele país, porém era muito agradável viver ali.

Já estava na hora do jantar, eu e a Frie decidimos jantar fora para colocar o papo em dia. Fomos para o restaurante que continha pastas, carnes e crustáceos. Sentamos em uma mesa e ficamos vendo o que iríamos comer. Pedimos uma picana argentina, acompanhada com um vinho. Devoramos o prato e começamos a se falar.

— Então... Quer dizer que você já se decidiu por quem está apaixonado, né? — Comentou a Frie limpando sua boca que estava suja de molho da carne.

— Sim.

— A Caitlin tem muita sorte de ter alguém como você que a ama.

— Eu não acho. Em Outubro eu era apenas um garoto que se importava mais com a aparência do que o caráter das pessoas.

— Você era mesmo, mas de um tempo pra cá aprendeu muitas lições.

— Eu não aprendi, a Caitlin que me mudou. — Ficamos em silêncio o resto do jantar todo, depois pedimos a conta e voltamos para a casa.

Mais uma semana se passa no borrão e junto com ela, as saudades da Caitlin aumentavam a cada dia. Por sorte nos comunicávamos através de e-mails. As conversas eram sempre as mesmas, perguntávamos se nós estávamos bem, como a Shelby estava, algumas melosidades de vez em quando, nada exagerado. Nós éramos do tipo de casal que não suportava muitas melosidades.

O dia do natal finalmente chega. Preparamos a árvore, enfeitamos a casa e compramos alguns presentes. Claro que comprei algo para a Caitlin e a Shelby. Para a Caitlin, compro um colar com uma caveira e para a Shelby, uma boneca que fala. Antes da festa mando um e-mail para elas:

Caitlin e Sheby,

Feliz natal! É uma pena não está passando esse dia de comemoração com vocês, mas saibam que estamos mortos de saudades. Comprei dois presentes para as duas. Shelby, seu presente está chegando aí via Sedex e Caitlin, eu prefiro lhe entregar o presente pessoalmente. Quero ver a sua reação diante do que comprei. Estamos todos bem, o Brasil continua me surpreendendo a cada dia que visito os lugares, as comidas são fantásticas e tem um doce popular chamado brigadeiro. Ele é feito de leite condensado, manteiga e chocolate. Uma delícia. Estarei levando para vocês duas experimentarem.

Bem, acho que é isso. Espero que a Shelby não esteja lhe incomodando, Caitlin.

Com amor, de todos. Principalmente de mim que estou com mais saudades que aquelas duas.


Acabo de escrever e clico em "enviar". Me arrumo e agora é a hora da festa. Comemos o peru, bebemos e quando deu meia-noite, abrimos os presentes.

Narração da Caitlin:

No dia do natal, recebo um e-mail do Corey. Leio atentamente e respondo:

Querido Corey e queridas Debby e Frie,


Eu e a Shelby estamos bem. Também estamos mortas de saudades. Presentes, Corey? Nem precisava gastar seu dinheiro conosco, mas agradecemos. O meu é pessoalmente? Uau! Estou super curiosa para saber do que se trata e tenho certeza que será o melhor presente de natal que já recebi.

Sempre quis conhecer aí, algum dia o meu sonho se realiza. Brigadeiro? Hum... Isso é uma indireta para o presente, senhor Corey? Sou louca para conhecer esse doce e saber como se faz. Agora tenho os ingredientes, graças a você!

Quanto a sua irmã... Ela nunca incomoda! Porém anda com uma ideia maluca de ter uma amiga imaginária que para ela é bem real. Como pode uma criança de 8 anos como a Shelby que é super inteligente acredita nessa bobagem de amigos imaginários?

Com amor da sua querida Caitlin.


Narração do Corey:

Após o natal, no dia seguinte, checo o meu e-mail e abro uma nova mensagem da Caitlin. Seu e-mail me parece convencer de que por enquanto estava tudo bem. Na última frase, fico refletitivo. Como pode uma criança de 8 anos como a Shelby que é super inteligente acredita nessa bobagem de amigos imaginários? Também queria saber a resposta, porém muitas outras coisas mais importantes me aguardavam.

Os três meses se passam num borrão, junto com eles se passam as comemorações. Fim de ano e Carnaval, uma comemoração irreconhecível em Nova York. Dizendo em Nova York, minha intuição dizia que nada estava bem lá, que tudo de ruim estava acontecendo na mansão. Os e-mails da Caitlin ficaram cada vez mais preocupantes. Ainda bem que voltaríamos logo em Abril, pois a minha última mensagem respondida, nunca mais ela respondeu.

Já em Nova York, deparo que a Caitlin estava com braços envolvendo a cabeça, sentada no sofá da sala. Toco nela e ela logo levanta a cabeça assustada.

— Co... Corey? — Gemeu ela amedrontada.

— O que aconteceu, Key?

— Me perdoe, Corey. Eu tentei protegê-la. — Seu tom era de choro.

— Proteger quem?

— Me perdoe... — Sua voz estava quase num sussurro. Noto a ausência da Shelby.

— Cadê a Shelby? — Caitlin não responde e só fica soluçando. — Caitlin, cadê a minha irmã?

Ainda só escuto o seu soluço. Pergunto mais uma vez:

— Caitlin, cadê-a-Shelby? — Sentindo que não escutaria a sua resposta, decido procurar a minha irmã por todos os cômodos da mansão e quando chego no seu quarto, deparo com alguém na sua cama, todo coberto de lençol. Aproximo da cama, tiro aqueles lençóis e vejo...

— Shelby? — Ela estava com um pedaço de vidro encravado em seu pescoço, sua pele ensanguentada e seus olhos vendados. Toco-a e nada de movimentos. Mexo nela, dou-lhe um tapa de leve e mesmo assim nenhuma reação. — Shelby...

Nenhum som consegue escapar da minha boca. Sinto meus olhos se encherem de lágrimas. Tento evitar que aquelas lágrimas fluíssem, porém era tarde demais, elas já estavam fluindo aos poucos. Um dos meus piores medos havia sido realizado. Aquela criança de apenas oito anos, indefesa, inocente, estava imóvel, sem reações e sem nenhum batimento cardíaco na minha frente. Quem fez isso com a Shelby? A Caitlin? Sinto um ódio invadindo a minha alma. Procuro pela Caitlin, quando a acho abro os braços, mas não para abraçá-la e sim para esganar aquele pescoço fino.

— Você matou a Shelby! — Berro em fúrias.

— Co... Corey, Não... Fui... E... Eu... — Ela mal conseguia falar. Solto seu pescoço, deparo que eles ficaram vermelhos com a minha força. Depois que a Caitlin retorna com a respiração normalmente, ela começa a se explicar. — A coisa. Foi ela que a matou! Aquela "fera" deixou um bilhete para você.

Caitlin estica o braço para o bolso do seu short, tira um papel e me entrega. No bilhete estava escrito: Você matou uma parte de mim e eu matei a sua irmã. Estamos quites. O jogo ainda não terminou.

— O que houve enquanto eu estava no Brasil? — Pergunto amassando o papel.

— Corey, eu não vi quando a coisa atacou a Shelby. Eu estava dormindo, acordei no meio da madrugada com os gritos da Shelby dizendo para que ela não me matasse e sim a matasse no meu lugar. Sua irmã falava "Tabby" direto.

— Tabby? — Uma cena passa na minha mente. O nome era o mesmo da colega da minha classe que depois que falei com ela, a garota nunca mais aparecera e nem era chamada na lista de presença. Aquela aluna era um mistério, ela foi a causa do término entre eu e a Caitlin. E agora tudo estava claro, a Tabby também era uma parte da coisa, assim como o Tobby. Qual era a regra daquele jogo? Quando os pesadelos terminariam? Quem morreria ou seria machucado por minha causa? O que houve com o diário que eu escrevia? Onde estava a carta que meu pai havia escrito? Quem venceria?

— Era o nome da amiga imaginária da Shelby... Você a conhece? — Perguntou Caitlin analisando minhas emoções.

— É a mesma que fez com que eu terminasse com você. — Ficamos em silêncio e só depois interrompo. — Não vai dar para continuar com esse relacionamento. Todas as vezes que reatamos alguém sai machucado e nessa vez, esse alguém foi a minha irmã que agora está...

— Não precisa completar a frase. Eu compreendo a sua situação e... Talvez seja o certo.

— Me desculpe, eu realmente não queria que esse jogo fosse assim... — De repente começo a compreender a regra do jogo. A cada tentativa de matar a coisa, alguém próximo a mim teria que ser morto ou machucado. Ninguém mais poderia me ajudar a deter aqueles pesadelos, eu mesmo teria que deter. Essa era a regra e agora que havia entendido, ninguém mais sairia morto ou machucado. Eu tinha chances de vencer esse jogo.