Nightmares
1 Capítulo Único
No começo de tudo, existia o amor deles. Antes de tudo ser criado, antes deles mesmo existirem, eles se amavam. Tudo o que ele queria estava ali, naquela cama, encarando-o.
Nenhuma palavra era trocada, apenas o som da respiração um do outro os consolava. Stefan não sabia há quanto tempo eles estavam ali, aqueles travesseiros macios e o lençol se enrolando nas pernas de Elena eram tudo que ele conseguia se lembrar... Ou quase. Outras coisas o assombravam, rápidos flashes de dor rondando e vagando por sua mente. Mas não importava, o leve bater dos cílios de Elena contra sua bochecha rosada já o faziam esquecer-se de qualquer dor.
Ele queria tanto tocá-la, sentir sua pele contra a macia dela, mas não o fazia por medo. E se ela sumisse? E se ela se dissolvesse contra o seu toque sujo? Elena era pura, boa, brilhante, e se ela não aguentasse a escuridão de Stefan? Ele podia ver suas asas, e se ela voasse para longe? Então ele guardava seus toques e vontades para si, porque vê-la era suficiente.
Vê-la. Mais de uma vez, Stefan se pegou encarando pequenos detalhes. Como seu cabelo descia em ondas por seu pescoço e abria-se em um leque macio pelo travesseiro, como seus olhos se enrugavam quando ela sorria, a maciez delicada da pele oliva em contraste com a brancura dos lençóis. E quando ele pensava que ele não poderia amá-la mais, eram esses momentos que o faziam ver que estava errado. Ele a amava mais ainda.
- O que fazemos aqui? – sua voz parecia uma melodia feita especialmente para os ouvidos de Stefan.
- Eu não sei. Esperava que você soubesse. – ele respondeu, e sua voz pareceu enferrujada e abafada, como se a muito não a usasse, e talvez fosse verdade.
- Então por que não perguntou?
- Eu tinha... Medo. – parecia bobo de admitir agora, mas era a verdade.
- Medo de quê?
Ele a encarou antes de responder. Os olhos dela pareciam tão brilhantes, ávidos por saber o que acontecia. Como uma menininha de cinco anos, querendo descobrir o mundo.
- De você sumir, fugir. Não sei. Algo assim. Eu não saberia viver sem você. – parecia piegas, mas era a verdade.
- Eu não vou a lugar nenhum – ela sorriu, e esse sorriso aqueceu o coração do vampiro, e então se espreguiçou feito um gatinho – Por que então você não me abraça?
Quando os dois corpos se encontraram, os braços fortes circundaram a cintura delicada e eles estavam finalmente juntos, foi como se o universo explodisse e se reconstruísse depois. Ele não tinha palavras para a sensação de estar junto a ela.
- Você está melhor agora? – ela sussurrou contra o peito dele
- Definitivamente – e então ele sorriu. Seus lábios se esticaram, seu coração se aqueceu, e ele sorriu. Tudo estava certo a partir de então.
Elena então sorriu também, e abriu a boca para falar algo, mas ele não podia ouvir. Algo bloqueava seus ouvidos. Água. Era como se um rio corresse por eles. Mas ele se sentia navegando, e o barulho era só um efeito colateral.
- Eu te amo – a voz dela sobressaiu o som da água corrente, para depois sumir de volta, e tornar a ser audível – Sou eu e você Stefan, sempre. Sempre será você. Segure-se nisso, nunca deixe isso ir,
Ele a beijou enquanto a água começava a banhar seus pés, e foi épico. O doce sabor dos lábios dela contra os seus, a maciez da língua dela envolvendo-se com a dele, dançando, se venerando.
As mãos dela se espalmaram contra o peito dele quando ela tomou impulso para sua cabeça pairar sobre a dele e o beijo poder se aprofundar, enquanto a água molhava suas pernas.
Os lábios dela então desceram até o pescoço, beijando, e depois caminharam até a orelha dele. Stefan estava no seu próprio paraíso, ter Elena em seus braços era uma espécie de benção divina.
Mesmo depois de tudo de errado que ele havia feito, no fim, ele tinha seu próprio paraíso. Ele havia atingido os céus. A água já os banhava na altura do peito, mas não importava.
Ele abriu os olhos e encarou o céu. Antes, ele era azul, límpido e bonito, com pequenas nuvens de algodão. Agora, nuvens tempestuosas o ornavam, cinzentas e ameaçadoras.
Foi quando as coisas não ficaram tão bem. Mas ele só teve certeza que aquele paraíso havia chegado ao fim quando, delicadamente, Elena sussurrou contra o seu ouvido:
- De todas as escolhas que fiz, talvez está venha ser a pior, mas eu não me sinto muito por estar apaixonada por você – Stefan não sabia porque, mas isso quebrou seu coração em milhares de pedaços, e ele se sentiu caindo. Ou melhor, caindo não, afundando.
A água já batia quase em seu pescoço quando Elena, olhando no fundo dos seus olhos disse:
- Eu te amo Damon.
Ele estilhaçou. Do paraíso, ele caiu nas chamas do inferno. Mas elas estavam geladas, e ele não conseguia respirar, porque ele afundava, e a água preenchia seus pulmões. “eu te amo Damon” ecoava mil vezes enquanto ele buscava algum ar. Mas era só água.
E então, ele caiu inconsciente novamente. Talvez ele voltasse para esse mesmo sonho, do inicio, sem lembrar nada. Talvez outro começasse. Não importava, porque Elena não estava realmente ali. Elena estava na cama do seu irmão.
Ele não sabia o que doía mais, a sensação do afogamento ou a de perder quem se ama. Tudo o que ele tinha certeza é que ele fora abandonado ali, naquele pesadelo, afogando-se para acordar e afogar-se novamente, por aqueles que mais amou.
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