Nightmare and seduction

30 Eu vou te esperar


Notas iniciais
Olá pessoas! Bem, eu chorei muito escrevendo esse capitulo. Tem partes que refletem a minha vida pessoal, principalmente quando Cato fala sobre a morte de sua mãe. É o penúltimo capitulo da fic... Aproveitem e se emocionem. Boa leitura

França, cerca de 150 anos depois.

Quanto tempo se passou desde que vi Clove pela ultima vez? 150 anos. Sim, 150.

Posso afirmar que esses foram anos difíceis. Não apenas para mim, mas para todos.

Se for jovem eternamente parecia algo bom, hoje não é mais tanto.

A parte mais difícil foi sem duvidas ter de deixar meus pais. Nunca esquecerei a expressão de minha mãe quando saímos de casa... E nunca mais voltamos.

Bom, “nunca” é na verdade algo forte demais.

Nos três primeiros anos, nós aparecemos. A desculpa era da faculdade que estávamos fazendo em outro país. É claro que dai em diante, isso se tornou uma missão impossível. Nossa aparência não mudava, e claro que isso trouxe a tona perguntas as quais não poderíamos responder.

Depois disso sumimos, meus pais ligaram, deixaram recados em nossos e-mails... Nunca houve retorno. Perambulamos por ai, sempre mudando de cidade quando nossa aparência já começa a levantar murmúrios. Sumimos sem deixar pistas para “amigos” que criamos em determinados lugares.

Anos mais tarde recebemos a noticia que nossa mãe tinha falecido, ela estava a anos sofrendo de uma depressão profunda. A noticia da morte de papai veio algum tempo depois. Ele estava em uma casa de repouso, alguns dizem que morreu de solidão.

Eu nunca vou me perdoar por não aparecer para seus enterros.

Eu nunca vou me perdoar por apenas ter visitados seus túmulos há algum tempo atrás.

Eu nunca vou me perdoar por não ter dado um abraço mais longo em minha mãe.

Nunca vou perdoar não ter dito “eu te amo” mais vezes.

Nunca irei perdoar as brigas, os problemas que causei a ela por conta de minha rebeldia.

Nunca me perdoarei por não ter visto as rugas de minha mãe aparecer e de ajudá-la quando precisou.

Nunca me perdoarei por ter os abandonado e por não ter sido um filho mais exemplar de qual meu pai teria orgulho.

Uma vez, Clove me disse que seria muito difícil largar tudo, que a imortalidade era um fardo... Não era apenas as flores que pareciam você teria que abrir mão de muitas coisas. Hoje eu entendo melhor o que ela queria falar.

Eu vi a maioria de meus conhecidos morrerem. Hoje só tenho a meus irmãos e sei que para eles esse fardo é tão pesado quanto para mim.

Glimmer, Marvel, Finnick e Annie estão sempre juntos. Eles se dão muito bem como casais e a cada 10 anos eles renovam seus “votos de casamento”. Insistem em dizer que é algo divertido e que os torna mais próximos.

Finch, Gale, Peeta e eu, estamos sempre juntos. Enquanto Glimmer, Marvel, Finnick e Annie não conseguem parar em um lugar, estão sempre viajando, conhecendo lugares novos e tentando ser apenas turistas normais que querem curtir a vida, eu, Peeta, Gale e Finch tentamos ser apenas colegiais ou órfãos extremamente ricos.

Moramos em uma das centenas de casas que as meninas têm, e quando as coisas se tornam muito chatas, voltamos à escola para agitar nossas vidas.

Não vou dizer que sou um santo, eu já fiquei com muitas meninas... Mais isso já faz um tempo.

Faz exatamente 23 anos que não sei o que é beijar alguém.

Não é por falta de oportunidade, vocês devem imaginar que apesar das coisas serem muito mais evoluídas hoje, ainda é o dinheiro que controla tudo, e isso eu tenho.

Mas acontece que dinheiro realmente não compra tudo.

Eu ficava com meninas, procurando outros lábios, outra voz, outra pessoa.

Eu procurava Clove em todas, e é claro que nunca a encontrei.

Com o tempo me senti vazio, aquelas meninas não me completavam mais. Eu não me sentia satisfeito, eu não tinha prazer e muito menos vontade, então simplesmente a larguei e desisti. Resolvi aceita que se não for com Clove, não será com outra. Com nenhuma outra.

Muito raramente Finch comenta algo sobre Clove; Glimmer e Annie quando vem nos ver e consequentemente ficar um tempo em casa, também não se pronunciam.

E Peeta... Peeta sofre do mesmo fardo que eu.

Eu sei o que ele passa por não ter Katniss e ele sabe o que eu passo sem Clove.

Peeta é muito mais forte que eu, admito isso.

Desde aquela festa, em que na manha seguinte Clove e Katniss sumiram, ele não ficou com mais ninguém.

Em 150 anos, a única coisa que ele faz é lamentar, e procurar ela em uma multidão. É olhar cada rosto na esperança de encontrar aqueles olhos que ele tanto espera.

Cada ano que se passa é apenas mais uma frustração, para mim e para ele.

E eu me sinto um fraco perto dele.

Até hoje, eu procurei um sinal qualquer de Clove.

Com um detetive particular eu ate consegui a encontrar, porem, ela é muito mais rápida e sumiu novamente.

Foram dois anos de procura, que se sumiram em 2 horas.

Eu realmente não sei como ela consegue isso.

Cada dia que me lembro de seu toque, seu cheiro... Eu sinto um aperto em meu peito. E toda vez que esse aperto fica demais, eu volto para Cambridge, no internato onde nos conhecemos.

Apesar de todos os anos que se passaram, de o internato ter sido abandonado e hoje ser apenas uma área alagada e pantanosa, que fica depois do lago Cambridge, (um lago gigante que se formou e separa a parte industrial de uma cidade que tem se erguido no terreno íngreme que antes era uma floresta e o pântano que guarda o antigo internato) ainda consigo sentir a energia que aquele lugar emana e o quanto ele me lembra de Clove.

É hoje um local de difícil acesso, mas nada que eu não consiga contornar. A lama chega ate perto de meus joelhos, a neblina continua intensa e agora o lugar parece muito mais assustador. O cemitério ficou completamente coberto por uma agua verde musgo densa. Uma parte dos prédios desabou e mesmo assim a presença de Clove continua viva e fresca aqui.

Quando fecho meus olhos, eu a sinto.

Muitas vezes, eu a vejo tão real em minha frente, que eu sei que na verdade isso é uma comunicação. Um jeito de Clove dizer que esta bem, sem aparecer para mim fisicamente.

Imagino que todo esse tempo ela e Katniss tenham viajado, às vezes parados em pontos quase desconhecidos do mapa...

Eu sei que Clove esta bem.

E tenho certeza que ela sabe que também estou.

Todos esses anos me ensinaram que Clove tinha razão... Eu a amava é claro que sim, mas não na mesma intensidade que é hoje.

Eu sei o que sua falta causa em mim, a ausência de seus toques... Eu sei o que tive que superar para conseguir ter vontade de levantar de uma cama.

Não há duvidas, eu a amo. E agora sei e entendo que podem demorar mais mil anos.

Eu a esperarei, por que isso é amor.

Notas finais
Bom, as despedidas deixarei para o ultimo capitulo, que sera o epilogo. Eu ja estou com saudades de voces.. Ainda nao acredito que essa fic, que na verdade é a conclusão da primeira fanfic que postei aqui no nyah esta chegando ao fim! The Black Angel, surgiu do meu amor por Hush Hush e Jogos Vorazes, em uma madrugada de extremo tedio, e o prologo ficou tão bom que criei coragem para postar minha primeira fanfic, que me fez ter a vontade de cursar letras e mais futuramente lançar o meu livro. Muito obrigada a todos que me apoiaram! Que leram e deixaram os primeiro comentarios em TBA. Voces nao fizeram só uma escritora feliz, ajudaram na escolha de uma profissão e de um destino de vida. Muito obrigada a todos ^^