Nightmare - Part 1
3 Capítulo 3 -
Notas iniciais
- Demi! – Longe, mas podia entender perfeitamente o meu nome. – Demi! – Chamou novamente, o tom era mais alto. – DEMI! – Tão alto e forte que poderia ter feito a minha cabeça explodir.
Abri os olhos e Joseph me chacoalhava gritando meu nome. Enfim, quando percebeu que eu estava de olhos abertos parou.
- JOSEPH! Isso é jeito de acordar uma dama? – Kevin o empurrou, pegou em minha mão e a beijou com delicadeza. – Bom dia! E me desculpe pela infantilidade do meu irmão. – Ele era um perfeito cavalheiro.
- Ela não acordava poxa. Tratamento de choque – Sempre com respostas idiotas.
- Venha tomar café Demi! – Kevin convidava-me.
Coloquei meus tênis, que estavam ao lado da cama, enganchei um de meus braços ao do Kevin e descemos juntos até a lanchonete. Já estávamos com uma mesa reservada, onde um belo e reforçado café da manhã nos aguardava para ser devorado.
Nos servimos e comemos tudo o que coubesse em nossos estômagos, provavelmente eles evitariam muitas paradas por conta da viajem ser longo, a essa altura eu me conformava com a ideia de ser “sequestrada”, afinal a dupla de irmãos não era tão terrível como imaginei. Kevin com seu jeito formal e cavalheiresco, Joseph idiota e engraçado a cada segundo.
Com o café da manhã terminado, pegamos as poucas coisas que havíamos levado ao quarto do hotel e voltamos à estrada.
Estava um dia deprimente, pelo menos para o tempo. Haviam nuvens carregadas e escuras, vez ou outra um raio cortava o céu, do jeito que iam as coisas não demoraria muito para as nuvens despejarem uma chuva pesada sobre nós.
No radio tocava alguma musica do tipo Blues, imaginei que Kevin gostasse desse estilo vendo a forma que ele estava empolgado acompanhando as musicas. Joe parecia não gostar muito pelo tédio estampado na expressão dele.
Entramos com uma carro em uma estrada um tanto mal acabada, haviam mais buracos do que a quilometragem que o carro já havia percorrido, sem contar que era totalmente deserta a estrada, se precisássemos de socorro estaríamos enrascados.
- Kev tem certeza que estamos no lugar certo? – Perguntei cautelosa.
- Não se preocupe Demi. É só um atalho, logo estaremos na estadual de novo!
Aquilo me lembrou filmes de terror, amigos resolviam pegar um atalho, o carro quebrava e eram atacados por algum psicopata ou raça não identificada. Não foi um pensamento muito agradável, apenas me deixou com mais medo.
Então ouvimos um barulho, quase dei um pulo no carro com o susto. Jo olhou pelo espelho retrovisor e sua expressão não mostrou muita alegria.
- Ér... Acho que pneu furou!
- MERDA! – Kevin bateu suas mãos com força no volante.
Parou um pouco a frente, ao lado de alguns galpões aparentemente abandonados, por conta do estado em que se encontravam. Nesse momento na minha cabeça se passou o filme de terror que nós protagonizaríamos.
Estávamos saindo do carro quando a chuva começou a pingar, engrossando rapidamente, não pensei duas vezes e dei meia volta, voltando ao veiculo imaginando que eles fariam o mesmo, fechei a porta e esperei. Com poucos segundos ali dentro os vidros começaram a embaçar, percebi a demora deles e passei a mão no vidro a fim de ver onde estavam. Os avistei debaixo da cobertura externa do galpão mais próximo, eles estavam conversando sem perceber a minha ausência.
Não pretendia ficar ali sozinha, então fui sair do carro, porem a porta estava travada, não que eu me lembrava de tê-la travado. Destravei e tentei abri novamente, mas nada, a porta não abria de jeito nenhum. Um arrepio subiu pela minha espinha, aquilo não me pareceu bom sinal, ousei olhar a frente do carro e ali estava o tal homem de preto, me encarava sem nem piscar, bastou isso para o meu desespero total.
Forcei a minha saída, mas nem barulho da trava se abrir, senti a temperatura baixar bruscamente. Pelo canto do olho percebi que homem se movia, em um ato desesperado comecei a bater com força no vidro, já que nem eles abriam na porcaria do carro, minhas mãos latejavam por causa da força que eu as batia na janela, aquilo era um pesadelo. Finalmente consegui atrair a atenção do Kevin, que em seguida chamou Joe.
Antes que os dois pudessem chegar ao carro, o homem estava sentado ao meu lado, senti o gelo que vinha da sua pele terrivelmente pálida, sua expressão era tão fria como o ambiente. Kevin tentou abri a porta desesperadamente, mas sem resultado. O olhar do homem era hipnotizante, me senti presa ao fundo de teus olhos, ele parecia estar invadindo meu corpo, indo diretamente a minha mente e tomando conta de cada reação que eu pudesse ter, não conseguia chorar, gritar e mal respirar. Era como se a vida estivesse sendo tirada de mim aos poucos, a parte boa era a morte era indolor.
Por algum milagre ainda estava consciente a ponto de ouvir o vidro se estilhaçar atrás de mim, os estilhaços virem ao meu encontro, fazendo pequenos cortes, causando a dor que me despertou do transe. Joseph apontou uma arma diante de meus olhos na direção do homem de preto. Me encolhi no banco, tentando me afastar o máximo possível do objeto nas mãos de Joseph e lembrando de tomar cuidado com os estilhaços espalhados pelo banco e chão.
- VA. EMBORA! – Dizia ao engatilhar a arma.
- Balas com o sangue de uma virgem. Esse conhecimento só pode ser herança de família, certo Jonas? – A voz dura como aço e áspera como lixa, soava como quem contava vantagem.
O homem sorriu mostrando seus dentes perfeitamente alinhados, não foi muito aliviador vendo a forma que agia e falava conosco. Um estralo alto e forte veio do meu braço, seguido por uma dor intensa e aguda que pensei que alguém estava separando meu braço do corpo. Então o homem simplesmente desapareceu. Encolhi-me no banco, deixando que as lagrimas escorressem, transparecendo a dor agonizante que estava sentindo no momento, não sei por quanto tempo aguentaria aquilo.
Enfim Kevin conseguiu abrir a maldita porta, jogando os cacos para fora do carro, enquanto Joe vinha ver o que estava acontecendo comigo.
- Você está bem Demi? – Em outra situação eu diria a ele “CLARO QUE ESTOU, SÓ ESTOU ME RETORCENDO DE ALEGRIA!”.
- O meu... Braço! – Parecia faltar-me ar para falar.
- Deixe-me ver. – No momento que ele tocou soltei um grito desesperador.
Kevin apresou-se em trocar o pneu, vendo que as coisas não estavam nada bem.
- Não toque no braço... Pelo amor de Deus!
- Ok. Ok. Fique calma, vamos te levar pra um hospital. Só mantenha o braço imóvel!
Ele deitou a minha cabeça no teu colo, tentando de alguma forma me distrair, coisa que não estava dando certo. Eu já chorava compulsivamente, atrás de algum auxilio dentro de mim mesma, enquanto meu braço parecia que iria explodir a qualquer momento.
O caminho até o hospital foi longo, Kevin tentava evitar os buracos da estrada, mas sempre tinha algum que insistia em nos pegar e isso me fazia gritar de dor. Não me lembro de ter sentido algo tão terrível em toda a minha vida. Felizmente cheguei viva e sã ao hospital.
Levaram-me as pressas para dentro do hospital, antes que desmaiasse. O atendimento foi rápido, me entregaram um copinho com um liquido amarelado dentro. Tomei aquele negocio que tinha uma gosto horrível, provavelmente era um remédio, desejei que ele agisse logo.
Estava sentada sobre uma maca, o médio examinava meu braço, que doía a cada toque dele, mas a dor era mais amena, o remédio enfim fazia o seu trabalho. Alguns minutos depois o médico largou meu braço, o deixando imobilizado junto ao meu corpo. Agora examinava os pequenos cortes no meu braço, resultado do vidro quebrado.
- Como quebrou o braço senhorita Lovato?
- Caramba! – Joseph protestou alto de mais.
Não sabia muito bem o que dizer, mal eu sabia como havia conseguido quebrar o braço, ou melhor como o cara de terno havia feito aquilo sem ao menos me tocar e o protesto do Joe só fez ele parecer o culpado.
- Então... Como aconteceu isso? – Insistiu o médico.
- Bom... Eu estava no carro, estava chovendo muito e começou a ficar frio... – Estava sendo descritiva de mais, ou só arranjando tempo para inventar alguma mentira adequada.
- Um moleque descontrolado em cima de uma bicicleta atropelou a coitada, que caiu em cima do próprio braço!
- Hmm. – O médico parecia estar caindo na história do Joe. – Os cortes fazem parte do mesmo acidente?
- Aham.
- E o sangue na camiseta? – Aquilo já estava parecendo um interrogatório policial.
- Costumo ter sangramentos no nariz. Herança terrível de família!
- Tudo bem. Vamos enfaixar esse braço Srtª Lovato!
O remédio então fez efeito de vez, a dor estava quase que possível de ignorar. Eu via Kevin e Joe andando de um lado ao outro no corredor, pareciam nervosos. Kevin estava falando ao celular e Joe o seguia tentando ouvir a conversa no celular, eu queria saber o motivo de tanto nervosismo.
- Demetria seja sincera comigo, não foram esses rapazes que fizeram isso com você certo? — O gesso estava quase pronto.
- Não doutor! Eles na verdade que me socorreram.
Após o gesso estar finalizado, o médico fez alguns curativos nos cortes e recomendou que eu vestisse roupas limpas, isso se eu tivesse alguma roupa.
Fui ao encontro dos rapazes, não estavam mais ao celular, ainda pareciam nervosos. Ficamos encarando um ao outro, o clima estava tenso de verdade.
- Qual de vocês vai assinar primeiro o meu gesso? – Tentei quebrar o gelo. Eles riram. – O médico estava pensando que vocês que me quebraram inteira! – Falava enquanto saímos do hospital.
- Até parece que temos cara de agressores. – Joe falou fingindo estar indignado.
- Vamos parar pra comer alguma coisas, já são 15h30min. Demi pegue alguma camiseta minha emprestada para vestir por enquanto, a sua está bem manchada!
Kevin deixou eu escolher qualquer uma de suas camisetas, escolhi uma branca pra combinar com meu shorts vermelho e branco da aula de ginastica. Ficou bem grande em mim, mas era melhor do que ficar com a camiseta suja de sangue.
Nosso almoço foi em um restaurante de comida caseira que ficava perto do hospital. Kevin deixou o carro em um mecânico, para consertarem o vidro, enquanto almoçávamos. Joe e eu estávamos sentados em uma mesa, Kevin fazia nossas pedidos.
- Joe...
- Diga Demi. – Joe se concentrava no que escrevia no gesso.
- Quem é aquele homem?
Agora estava concentrado no meu rosto, estava difícil decifrar a expressão dele, talvez estivesse escolhendo as palavras certas para me explicar a situação, ou apenas arquitetando uma mentira.
- Quer mesmo saber Demi? É um pouco complicado...
- Aquilo esta tentando me matar, ou me torturar, que seja... Eu acho que tenho direito de saber!
- Você tem razão. Ele não é bem um homem, costumamos chamar ele de Mensageiro da Morte.
- Mensageiro? Da Morte?
- É. A Morte sabe? Os Mensageiros buscam as almas dos mortos, levando até a Morte, então ela, que na verdade é ele, leva as almas até o seu destino final! É a função básica dos Mensageiros, eles às vezes podem fazer outros serviços.
- E isso existe?
- Olhe as coisas que tem passado nos últimos dias e ainda tem coragem de perguntar se existe? É claro Demi!
Eu fiz cara de quem havia entendido e acreditado, mas era algo bem incomum e difícil de entender. Era bem confuso, sempre tive uma visão da morte, você morria, era enterrado e depois... Bom, eu não sabia o que vinha depois, mas imaginar que seria levado por alguém que parecia mais uma assombração, o caminho até o seu fim não era muito agradável e ainda mais vendo a forma que um desses Mensageiros da Morte me tratava, séria um terrível caminho.
- Afinal por que isso esta atrás de mim? – Era o que eu mais queria saber. – Ele quer levar a minha... Alma? – Sensação terrível de que chegou a minha hora de partir.
- Não Demi. Pelo menos eu acho que não, mas esse cara ele quer alguma coisa a mais, ele não quer leva-la, ele quer outra coisa. Não descobrimos ainda, mas enquanto investigamos, vamos te deixar no Arizona, segura!
Meu coração estava apertado com aquela situação. E se nunca descobrissem o que ele quer? Porque o Mensageiro não ia simplesmente falar, o cara era poderoso o suficiente pra quebrar o meu braço só com um pensamento, não queria ver o que ele faria conosco se o capturássemos e o forçássemos a dizer o que queria comigo. Também não queria passar o resto da minha vida fugindo e sempre a alerta pro caso de um cara sobrenatural aparecer pra me matar, uma hora ele iria conseguir o que queria. E me família e amigos estariam seguros? Não suportava a ideia de coloca-los em risco, seria menos doloroso me entregar de vez.
- Demi! – Joe me tirou do trans. – Fique calma! Eu e Kevin faremos o impossível pra te manter segura.
- Eu não quero que vocês fiquem se arriscando por minha causa! – Era incrível o quanto eu havia me apegado a eles nesses dias que passamos juntos, nem nos conhecíamos eles estavam sempre se arriscando por mim. Eram verdadeiros amigos. – Talvez seria melhor eu me entregar antes que alguém além de mim fique ferido, eu... Eu não aguentaria isso!
- Não. Nem sonhe com isso Demetria! Eu sei que você fica preocupada, mas se alguém se machucar, foi porque escolheu se machucar. Não estamos aqui por obrigação Demi, estamos porque queremos ajudar você!
- Afinal, como vocês me descobriram? Nem nos conhecíamos!
- Ér...
- Almoço esta servido! – Kevin vinha junto com o garçom.
O cheiro era tão tentador quanto à aparência e o sabor não deixou a desejar, estava tudo maravilhoso. Enquanto comia, fiquei vendo o que Joe havia escrito no meu gesso. Tinha um desenho ridículo de um bonequinho palito, provavelmente era eu por causa da saia triangular, também havia desenhado ele e Kevin dentro do carro e ao lado dos desenhos havia o trecho de uma musica.
“Plans of what our futures hold
Foolish lies of growing old
It seems we're so invincible
But the truth is so cold”
Não sei bem se eu conhecia esse trecho, mas ele não me parecia estranho.
***
Eu definitivamente estava começando a odiar viagens de carro, não aguentava mais ficar presa dentro daquela lata ambulante, tinha mal estar a todo instante, minhas pernas formigavam de tanto ficarem paradas, estava muito calor e se ficasse bebendo muita água logo daria vontade de ir ao banheiro. Era uma situação sufocante.
- Quem foi o gênio que quis viajar de carro de Wisconsin até o Arizona?
- Pelo menos você só esta indo na volta, eu tive que fazer a ida também. – Joe parecia odiar a ideia de viajar de carro também.
- Avião é caro e ainda perdemos a oportunidade de visitar lugares legais! – Kevin fazia sua defesa. – Daqui 100 quilômetros vamos passar no museu do Rock.
- À noite?
- Claro que não Joe. Primeiro paramos em algum lugar pra dormir e depois pela manhã vamos para o museu!
- Merda. Na velocidade em que estamos indo a viagem vai durar uns 5 dias!
- 5 DIAS? – Gritei sem querer.
- Parem de reclamar!
Durante a viagem havíamos feito algumas rápidas em alguns lugares que Kevin dizia serem lugares histórias, Joe dizia que com “históricos” Kevin se referia em ter feito parte da história dele, mas realmente eram lugares históricos. Kevin era um cara muito inteligente.
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