Nightmare On Silent Hill

2 Capítulo 2 - Nightmares.


Nightmares

“... Mas a realidade era: — Eu estava em um pesadelo novamente.”

Eu não sabia realmente onde estava só sabia que era uma cidade um pouco antiga e estranha. Não haviam pessoas na rua, nem tráfego, nenhum sinal de vida. Eu sentia um frio na barriga, como se eu já estivesse ali antes, uma neblina interminável estava cobrindo toda a cidade, e estava caindo coisas do céu, a princípio eu pensei que fossem flocos de neve, mas eram cinzas. Eu não estava entendendo nada naquele lugar, estava muito confuso, e então eu vi uma garotinha correndo e fui atrás dela. Ela estava correndo mais do que eu, mas eu não a perdi de vista. De ruas em ruas eu corria atrás dela, com a neblina ficava meio difícil de vê-la, mas eu ainda estava no caminho certo. Então ela virou em um beco e uma sirene foi ouvida. Era um barulho infernal, não sabia explicar como era o barulho, mas acredite, você nunca vai querer ouvir. Desci as escadas do beco atrás da garota, e do nada tudo foi escurecendo aos poucos e a sirene foi parando. Quando dei por mim eu estava em meio à escuridão sem enxergar nada. A sorte é que eu sou fumante, então não saio sem o meu isqueiro. Acendi-o, a cidade estava totalmente mudada, as paredes estavam muito velhas, haviam muitas grades, eu encontrei um corpo mutilado pelo caminho. Não tive coragem de ver o que tinha acontecido com aquela pessoa, então continuei. Para piorar a minha situação, começou a chover então eu tive que por a mão por cima do isqueiro para que ele não apagasse. Estava muito escuro, não dava para enxergar nada direito, eu tropeçava em quase tudo que vinha pela minha frente. Por pouco achei que estaria perdido, mas eu vi a garotinha correndo novamente e gritei:

– Ei, você me espere ai!

Ela continuara correndo, e eu fui atrás dela. Não agüentava mais correr, estava muito exausto, não sabia como aquela garota possuía tanto fôlego. Então encostei-me perto da grade e sentei um pouco no chão em meio à escuridão para descansar. Senti algo tocando minhas costas, não dei muita importância e continuei descansando. Algo continuou me tocando e dessa vez estava mais forte, quando me virei me deparei com aquela criatura.

Não sabia se era humano, ou era alguma outra coisa, mas tinha um capacete no lugar da cabeça, e só dava para ver seus olhos vermelhos por uma rachadura no capacete. Estava acorrentado na grade, e estava me cutucando com os pés. A criatura não parecia muito feliz, ela estava irritada, parecia que queria me devorar, e aos poucos fui me afastando e notei uns cortes profundos em sua barriga que dizia “ você não pode escapar do destino.” Eu achei que aquilo fosse uma mensagem para mim, e rapidamente me levantei e corri para longe. Uns metros depois da criatura eu tropecei a caí. Não parei para ver o que era, apenas continuei a correr para longe daquele lugar. Eu sentia que algo estava correndo atrás de mim, e isso me desesperava mais ainda. A chuva estava intensa, o gás do meu isqueiro tinha acabado então eu tinha que acreditar na minha sorte. Parecia que não era meu dia de sorte, fui parar em um beco sem saída. Dei meia volta, mas não tinha saída, uma criatura sem olhos, e com os braços e mãos costurados na barriga estava esperando que eu passasse para me atacar. Tentei passar pela criatura correndo, mas ela me jogou um líquido que parecia ácido que por sorte não pegou no meu rosto, apenas na minha jaqueta de couro. Tirei rapidamente a jaqueta e continuei, mas não fui muito rápido. A criatura lançara outro jato de ácido que acertara minhas costas e conseguiu penetrar em minha blusa antes que eu a tirasse. Era uma dor insuportável, eu fui ao chão de tanta dor. Eu sentia aquele ácido corroendo minha pele, e a criatura se aproximava mais e mais. Era o meu fim, não tinha mais o que fazer a não ser esperar pela morte. Então a criatura que andava com as pernas meio que juntas quase cruzadas se aproximou de mim e me atacou.

– Ah! – Gritei após de acordar de um dos meus piores pesadelos.

Eu estava suando, e não sabia mais o que era sonho ou realidade. O pesadelo foi muito real, que eu pude sentir o ácido me corroendo. Então cai na cama e pensei: — Foi apenas um sonho, nada daquilo era real.

Fui ver a hora e eu ainda tinha tempo de chegar no trabalho, só tinha que me arrumar e pegar minhas malas.

Eu ainda sentia um vazio dentro de mim, eu estava achando que aquilo era psicológico, o que eu mais queria estava se realizando. Uma promoção e uma viagem a negócios para um lugar bonito. – Bem eu achava isso.

O telefone estava tocando, fui atender para ver quem era:

– Alô? – Eu escutava um ruído, e a voz de alguém ao fundo. Não estava entendo muito bem, mas só entendi as duas últimas palavras “Silent Hill.”

E a ligação caiu.

Quem deve ter feito uma brincadeira sem graça dessas, acho que tem coisa de Alexa nesse meio todo, ela é a única que pessoa que estava me impedindo de viajar. Fui tomar banho, logo depois fui preparar algo para lanchar. Fiz uns ovos com bacon, nada de mais, se não eu poderia passar mal durante a viagem. Depois de comer fui descansar um pouco no sofá, e sem perceber dei um cochilo rápido. Quando acordei me notei da viagem, e eu estava meia hora atrasado. Saí em direção à porta, quando fechei lembrei que tinha esquecido minhas malas, voltei para pegá-las e fui em direção a garagem para pegar o carro e ir correndo para o trabalho. Liguei o carro e saí correndo com o carro, o tempo estava chuvoso e não dava para enxergar muita coisa pela frente. Com sorte consegui chegar no trabalho em cinco minutos, e o meu chefe estava a minha espera me encarando de forma raivosa.

– Isso são horas? – Disse ele raivoso.

– Me desculpa chefe, é que aconteceram umas coisas em casa e tive que chegar um pouco atrasado.

– Espero que isso não se repita, seu motorista foi embora, você terá que ir com o seu carro.

– Mas chefe, para onde é mesmo que eu vou? – Perguntei um pouco envergonhado.

– Você vai para Bahamas, para o centro mesmo, a vaga do seu hotel já está paga, é só você chegar lá e mostrar os seus documentos.

– Mas Bahamas é meio longe daqui, não sei se conseguirei chegar lá ainda hoje.

– Pensasse nisso antes de chegar atrasado.

Depois que ele falou isso, eu estava sentindo um ódio muito grande do meu chefe, mas eu não podia abandonar a viagem. Voltei para a garagem com as minhas bagagens e encontrei Alexa encostada no meu carro. Alexa era um pouco menor do que eu era morena, usava um vestido vermelho e um colar branco. Seu rosto era angelical, e eu falo ver aquele rosto triste dá uma dor imensa no coração.

– Logan, por favor, não viaje. – Disse ela com uma lágrima no rosto.

– Alexa de novo com esse assunto não, eu disse que vou e pronto. Respondi de forma grosseira.

– Então se você for eu vou também. Disse ela num tom autoritário.

– Você não vai, a reserva é apenas para um.

– Quem disse que eu não posso, o hotel é para quem quiser se hospedar.

– Alexa, sem criancice, por favor, não é hora e nem lugar.

Enquanto ela não parava de falar, eu colocava minhas bagagens de volta no meu carro, quando coloquei a última mala, entrei no carro e fechei a porta.

– Logan! Você não pode me deixar aqui falando sozinha.

– Logan!

Era triste sair brigado com uma amiga, mas eu tive que fazer isso. A chuva continuava, e eu estava na estrada por horas não sabia quanto tempo já havia se passado. Por sorte avistei uma placa avisando sobre Bahamas, nela dizia:

“Bahamas. 300 km”

Ainda faltava muito, e meu carro não tinha muito combustível. Continuei e avistei outra placa, já nessa dizia:

“Bahamas. 100 km”

Agora sim faltava pouco, mas meu combustível estava quase chegando à zero, e achar um posto seria um pouco difícil, mas por sorte tinha um a minha frente.

Eu não conseguia decifrar o nome do posto, mas fui abastecer meu carro. O dono era um velho barrigudo e fedido. Tinha uma barba mal feita e estava com um cigarro na boca. Ele me estranhou quando eu fui pagar ele. Perguntou para onde eu iria. Não dei muita atenção, apenas peguei o troco e fui embora.

Já era noite quando eu voltei à estrada, continuei seguindo reto e havia uma cerca dizendo que a estrada estava interditada, então dei meia volta e consegui encontrar uma pista de barro meio esburacada e nela tinha um portão lacrado com correntes, acho que com meu carro eu conseguia abri-lo. Com uma arrancada eu consegui tirar as trancas. A chuva não parava de cair, eu já estava sentindo frio lá dentro, peguei minha jaqueta e coloquei. Depois do portão tinha uma ponte de madeira para carros e caminhões. Passei direto por ela e continuei meu caminho, mais a frente tinha outra placa um pouco enferrujada, mas eu conseguia ler:

“Bahamas. Menos de 50 quilômetros.”

É faltava pouco para eu chegar, estava um pouco sonolento no volante, pois havia passado o dia inteiro dirigindo, em um dos meus pequenos cochilos no volante, eu consegui ver uma garota que correra da floresta para a estrada, e não vira o carro. Ela ficara parada olhando o carro, não tive nenhuma ação rápida e racional, a não ser frear e girar o volante. Como a estrada estava toda escorregadia, meu carro capotou e com isso, eu creio que tenha levado a garota junto. Mas o que eu vira depois do meu carro havia capotado era apenas uma das cenas de um dos meus pesadelos.