Nightmare Dance Club
1 Liam Succubus
Notas iniciais
Ship: Lianai
Obrigada Vic do Nyah Design que arrumou a capa do captulo: ela fez as mechas azuis do Kenai e melhorou a qualidade da imagem.

Liam Succubus
Muitas pessoas podem passar por essa vida sem conhecer grandes e inusitados mistérios. O que é uma abençoada inocência. Mas existem aqueles conhecedores da verdade, do real mundo que existe por trás das cortinas. Uma realidade em que seres humanos convivem com criaturas sobrenaturais saídas direto de contos de fadas. Afinal, essas histórias só existem porque tais criaturas também existem.
E é para esse tipo de clientela que a Nightmare Dance Club foi criada. Um lugar onde rivalidades e rixas são deixadas para traz e onde homens e monstros podem se divertir juntos.
A boate era protegida por magia: quem olhasse de fora veria um prédio velho e decrépito, daqueles que existem em qualquer bairro antigo em grandes centros urbanos. Uma forte sensação de angústia e medo afastava eventuais curiosos. Por isso só quem tinha um cartão mágico podia entrar. Seres de todas as partes do mundo, pois portais mágicos estrategicamente criados em quase todos os países da Terra possuíam um portal de acesso.
E por tal motivo a NDC, como era chamada, costumava lotar todas as noites. E superlotar nos finais de semana.
Justamente o que acontecia no exato momento.
Nyx, uma raridade sobrenatural, era a dona da NDC. Raridade por ser filha de um elfo e uma humana. Híbridos de qualquer espécie não costumavam sobreviver ao parto, por algum motivo. Seu título oficial era Demon Lady, um nome que fazia tremer quem ouvisse, mas extra-oficialmente era chamada de “A Mestiça”.
Ela aparentava ter por volta de vinte anos, mas sua idade real era desconhecida. Possuía pele pálida, cabelos negros longos e encaracolados e olhos verdes. Costumava ser uma pessoa justa, mas inflexível. Principalmente com seus empregados.
– Liam – a voz de Nyx soou baixa, mas perfeitamente audível para o rapaz graças a um feitiço especial, ainda que estivessem em ambientes diferentes. Aquela noite a NDC estava perto de sua lotação máxima e nem era meia noite ainda – Vá atrás de Skylar. Ele sumiu de novo.
Liam Succubus, um rapaz de vinte e dois anos de idade, de cabelos curtos lisos e castanhos, mesmo tom dos seus olhos, que o par de óculos realçava. Sua raça era uma incógnita entre quem o conhecia. Parecia humano, mas não era. E apenas uma pessoa sabia sobre suas origens...
– Ele não avisou pra onde ia? – perguntou para a chefe enquanto analisava o lugar onde estava: o hall de entrada da Nightmare, por onde todos tinham que passar por inúmeros feitiços antes de entrar na boate realmente. Armas não eram permitidas. O responsável por cuidar disso era Sean Kuzuri, um dos seguranças do lugar, um homem alto e forte, de pele amorenada e assustadoras tatuagens no lado direito do corpo.
Liam era o gerente e braço direito de Nyx, uma espécie de faz tudo.
– E ele avisa? – a voz dela soou irritada pelo vínculo, fazendo Liam girar os olhos. A parte ruim de seu emprego era ter que resolver vários problemas.
– Eu vou procurá-lo – primeiro fez uma tentativa mental de contato com Skylar, mas foi ignorado.
Então deu meia volta indo para o próximo ambiente da NDC. Skylar era um dos funcionários, o rapaz era da raça shifter e o principal bartender da casa. Um número significativo de clientes ia ali apenas para ver o rapaz em ação, fazendo malabarismo com as garrafas de bebida.
E era justamente ali o primeiro ambiente: um grande salão cercado por um balcão de destilados, um balcão especial de bebidas mágicas e o balcão de drinques e coquetéis, mais lotado de clientes que aguardavam que Skylar aparecesse para atendê-los.
Liam acenou com a cabeça para Neco e Anne, duas elfos, ambas jovens de apenas dezesseis anos (mas quem ia fiscalizar uma boate sobrenatural?), também bartenders que tentavam dar conta dos clientes. Usavam uniformes em preto com detalhes vermelhos, assim como o de Liam.
O ambiente seguinte já era um salão de danças. Havia um palco no centro, com uma jovem garota de longos cabelos negros e olhos verdes, que manejava uma mesa de som criando uma versão exclusiva de She Wolf. Sua blusa preta tinha os dizeres “Black Panther”, seu nome profissional. Aquela DJ era Trix, que ocasionalmente tocava por ali.
Lutando para atravessar massa de criaturas que dançava, Liam tentou enxergar Skylar por ali. Por fim passou para o próximo salão, também de dança, mas por lá havia uma banda, o vocalista chamado Loke dava um show junto com o baixista Gravor, o baterista Ryan e o guitarrista Lidrin.
Liam viu apenas Frosty, um dos garçons que circulava com dificuldade levando bebida para os clientes que dançavam alucinados. Nada de Skylar.
Continuando a odisséia chegou ao terceiro ambiente, onde a música ambiente era exótica e sexy. Um palco dominava a cena e uma mulher voluptuosa executava Pole Dance. Lyla. Era uma jovem pálida, de longos cabelos negros e seios fartos que mal cabiam na blusa minúscula. A cada movimento impudico os expectadores gritavam indo a loucura e arremessando uma chuva de dinheiro aos pés da garota.
Tentou contato com Skylar mais uma vez e foi deixado no vácuo. Sem alternativa seguiu em frente, atravessando a passagem mágica que levava ao ambiente seguinte. Uma sala mergulhada na penumbra, com diversas cabines protegidas por cortinas pretas. Musica sensual soava baixo, criando um clima para os clientes que ali estavam. Um lugar destinado para aqueles que queriam privacidade e intimidade.
Uma jovem morena de cabelos longos e negros tomava conta, com seus olhos ametista profundos. Era Selene, uma elfo chamada de Rainha de Copas.
Liam abriu os lábios para perguntar, mas a garota apontou para o fundo da sala.
– Skylar? Cabine treze.
O gerente respirou fundo e ergueu os olhos reunindo paciência. Então marchou para a tal cabine e escancarou a cortina sem hesitação. Os dois rapazes que estavam lá dentro dando um amasso saltaram de susto. Ambos eram ruivos, mas a semelhança física acabava aí.
– Porra, Liam! Que susto, cara – o ruivo de cabelos curtos e mais alto levou a mão ao peito. Estava com a blusa do uniforme aberta e meio amarrotada. Usava um tapa-olho no lado direito do rosto e a íris visível tinha tom esmeralda. O outro ruivo, um rapaz de cabelos longos e lisos, escondeu-se atrás do namorado, corando de vergonha. Aquele era Yan, ele não trabalhava ali e só vinha visitar Skylar de vez em quando.
– Nyx está chamando. Tem clientes esperando, você sumir assim só da prejuízo, idiota.
– Sim, sim. To voltando já me dá cinco minutinhos – fez menção de abraçar o ruivinho, mas Liam segurou a gola de sua blusa e o puxou pra fora.
– Nem cinco segundos. Esse sumiço já será descontado do seu salário – o gerente foi puxando o ruivo pela gola. Skylar levou dois dedos aos lábios e soprou um beijo para o namorado.
– Me espera depois do expediente, YaYa.
O ruivinho sorriu e concordou com um gesto de cabeça.
– Vai logo fazer o seu trabalho – Liam despachou o bartender e assistiu enquanto ele se afastava voltando ao posto que não devia ter abandonado, ajeitando as roupas amarrotadas. Então usou o vínculo mental para contatar a Mestiça – Achei o inútil. Ele já está voltando.
“Ótimo” a resposta de Nyx soou em sua mente antes da conexão ser encerrada.
Depois disso Liam pode respirar fundo e voltar as suas funções. Precisava controlar se tudo estava correndo bem, se os clientes pareciam felizes e satisfeitos e vigiar possíveis confusões.
Voltou para o salão onde a banda The Follows tocava, no momento eles tinham feito uma pausa. Música eletrônica soava de caixas de som especiais e o número de expectadores diminuíra um bocado, a maioria indo buscar algo para beber.
Liam passava pelo meio das diversas criaturas quando um homem lhe cortou a passagem. Era um pouco mais alto, com cabelos curtos loiros e olhos vermelhos. Era um vampiro.
– Yo – o loiro disse com um sorriso insinuante.
Liam torceu os lábios. Trabalhar na NDC tinha aqueles inconvenientes. Alguns clientes achavam que os funcionários faziam parte do pacote e que podiam ser adquiridos a hora que quisessem.
Ignorando-o, fez menção de desviar e seguir seu caminho. Percebendo que ele pretendia fugir, o vampiro estendeu a mão para segurá-lo pelo ombro. Antes que conseguisse tocar o gerente um rapaz surgiu por suas costas e pegou o atrevido pelo pescoço.
– Argh – gemeu o cliente meio sufocado.
– Algum problema? – o recém chegado era alto e forte, dono de cabelos negros e lisos alcançando os ombros, com as pontas tingidas de azul. Os olhos verdes zombeteiros brilhavam em busca de diversão. Através do sorriso provocante era possível ver seus dentes pontiagudos. Ele era um Mokolé.
– Nenhum, Kenai – Liam respondeu de forma brusca, irritado pelo outro ter se intrometido. Kenai Nimble era o segundo segurança da NDC e tinha a fama de usar o posto para exagerar algumas vezes, recorrendo a força para tratar alguns clientes.
– Ah... – ele debochou – Pensei que a mocinha precisasse de ajuda.
Recebeu uma mirada cheia de rancor. Odiava quando o Mokolé fazia aquilo.
– Apenas jogue o lixo fora, idiota.
Kenai sorriu.
– Seu pedido é uma ordem – fez uma mesura irônica e saiu arrastando o vampiro, com intenção de expulsá-lo da boate. Depois de quebrar seu cartão de acesso, claro. Talvez lhe ensinasse boas maneiras também...
Depois disso a noite fluiu maravilhosamente bem. Era sábado, por isso os freqüentadores bebiam sem preocupação: eles venderam bebida como água. Skylar não sumiu mais, The Follows voltou ao palco com força total. Lyla repetiu o show por mais três vezes e Black Panther levou criaturas ao delírio com suas músicas mixadas.
Amanhecia quando o som finalmente parou, o bar fechou as portas e o último cliente partiu para casa. Os funcionários e músicos também juntaram suas coisas e foram embora.
Apenas Nyx e Liam ficavam mais um pouco, contabilizando o lucro da noite e dando uma ajeitada geral nas coisas. Para ser mais fácil na hora de abrir no domingo. Satisfeitos com o sucesso da noite a dupla se despediu e finalizou o expediente.
Quando Liam passou pela porta de entrada da NDC saiu em um beco sujo e sombrio de Nova York. Estava exausto, mas satisfeito. Não podia reclamar do emprego: adorava o posto de chefia, o salário era bom. Podia pagar a faculdade de História e manter contato com suas origens sobrenaturais. Perfeito.
Não foi surpresa encontrar Kenai esperando por ele do lado de fora, encostado no muro que descascava, com um sorriso convencido nos lábios. Ele descruzou os braços lentamente e Liam viu de relance que seus dedos estavam esfolados. Não foi difícil deduzir que aquele vampiro levara uma bela surra. Se não pior.
– Pensei que tinha errado o caminho – Kenai provocou.
Liam balançou a cabeça e continuou seu caminho, ignorando o mais alto. Isso não tirou a expressão exultante de Kenai, que se pôs a seguir o rapaz, cruzando as mãos atrás da cabeça e mantendo-se dois passos atrás.
Havia uma estação de metrô ali próximo, meio de transporte que usavam para ir até o Brooklyn, onde dividiam um pequeno apartamento. Acabaram fazendo o percurso em silêncio, reinando entre eles aquele ar de irritação por parte de Liam e a zombaria evidente no rosto de Kenai.
Uma breve caminhada se fazia necessário ao sair do metrô para chegar ao prédio modesto e subir de elevador para o quinto andar. Liam entrou em casa, tirou a carteira do bolso e jogou sobre o sofá. Foi direto para o banheiro lavar-se. Kenai seguiu na cola do rapaz que o impediu de entrar no banheiro.
– Onde pensa que vai?
– Tomar banho com você...
Liam ergueu uma sobrancelha e bateu a porta na cara do mais alto, que teve que se desviar ligeiro para não ter o nariz golpeado.
– Que porra! – esbravejou chateado.
O gerente da NDC apenas sorriu, divertindo-se internamente. Então tirou as roupas, deixou os óculos sobre a bancada de mármore e entrou debaixo do chuveiro, tomando um longo, longo, longo banho apenas para irritar o Mokolé.
Só saiu quando a ponta de seus dedos se enrugaram e seu corpo estava relaxado o bastante. Enrolou uma toalha na cintura e uma sobre os fios de cabelo castanho. Pegou os óculos embaçados pelo vapor e foi direto para o quarto.
Sentiu o cheiro agradável de café. Kenai podia ser terrível em muitas coisas, mas na cozinha o homem era um gênio. Apesar disso foi para o quarto terminar de se secar e vestir um short folgado. Quando terminou jogou as toalhas molhadas no chão e deitou-se de costas na cama, cansado.
As festas de fim de ano se aproximavam e, ainda que fosse um tema cristão, Nyx queria uma comemoração especial para os clientes da NDC. Liam pensava grandioso, planejaria uma festa pra criatura nenhuma esquecer jamais.
Perdeu-se em pensamentos até que a porta do quarto foi aberta e Kenai passou por ela, com uma toalha enrolada no quadril estreito e água pingando dos fios de cabelo, escorrendo pelo pescoço e peito firmes, provando que o homem nem se enxugara direito na pressa de estar ali.
– O que você quer? – Liam perguntou irritadiço, principalmente pelo outro ficar parado no meio do cômodo apenas olhando-o.
– Você.
– Tsc. Você me quer? Então peça direito – o gerente respondeu sentando-se sobre a cama.
– Eu não peço – o Mokolé deu um passo a frente – Eu tomo.
Aquela afirmação arrogante fez Liam rir baixinho.
– “Toma” é? – repetiu debochando do outro.
O sorriso de Kenai esmaeceu, preso no próprio jogo de provocação. Ambos sabiam qual o ponto fraco do mais alto. Kenai era explosivo, impaciente e inconseqüente. O tipo que não abaixa a cabeça para nada nem ninguém. Exceto pelo garoto com quem dividia a casa.
Liam era sua fraqueza. Liam o colocara de joelhos e o mantinha cativo, incapaz de escapar da rede em que fora aprisionado. De Liam jamais tomaria nada. O garoto parecia ter nascido naquele mundo com a capacidade exclusiva de exorcizar os demônios que assombravam a vida de Kenai. Domar o monstro que residia em seu interior. Somente ele.
– Não sou uma garota que precisa de ajuda pra ser salva – Liam acabou falando com desprezo – Odeio quando faz aquele tipo de coisa.
– E eu odeio quando tocam em você – Kenai bufou dando outro passo a frente.
A reclamação meio infantil fez Liam respirar fundo. Aquele cara era problemático! Tão ciumento e possessivo... seu amante. Um sorriso involuntário iluminou sua face.
– Idiota – resmungou mais afável. A raiva saindo de si por completo.
– Idiota que você adora – Kenai deu mais um passo alcançando a cama.
– Nos seus sonhos – Liam debochou erguendo os olhos e encarou o homem que já estava praticamente sobre si.
– Então meus sonhos são a sua realidade – exclamou antes de inclinar-se passando a mão pela nuca de Liam e puxando-o para mais perto. Acabou com a distância tomando os lábios do rapaz e forçando passagem com a língua, impaciente.
O gerente da NDC não se fez por rogado. Entreabriu a boca e permitiu que o amante desse início a um beijo voraz, profundo, onde ele ditava as regras; pois Kenai precisava estar sempre no controle. Ou ter a ilusão de estar.
Liam não se importava, deixando-se guiar pela urgência do Mokolé.
Quando se afastaram Kenai observou o rosto adoravelmente corado do amante, notando os lábios vermelhos e inchados, entreabertos pela respiração ofegante.
– Tá olhando o quê, idiota? – Liam perguntou sentindo a face esquentar mais. Às vezes Kenai tinha umas atitudes que o irritavam além da conta!
A resposta do mais alto foi aproveitar para tirar-lhe os óculos e inclinar-se outra vez para beijar-lhe o canto dos lábios. Desceu um pouco e beijou a lateral do queixo pálido, fazendo-o estremecer de leve porque seus lábios eram frios, quase gélidos graças ao sangue réptil que corria em suas veias.
Continuou descendo e dando beijinhos pelo pescoço de Liam, que fechou os olhos e aproveitou a sensação.
Até que Kenai chegou à curva entre o pescoço e o ombro. Ao invés de um beijo cravou uma mordida com força, até sentir o gosto de sangue em sua boca.
O gerente da NDC gritou alto de susto e dor.
– Filho de uma puta! – esbravejou tentando afastar-se, mas o amante não deixou, mantendo-o preso entre os braços – Maldito!
– Você é meu, Liam – ele sussurrou antes de lamber o local magoado lentamente e depositar um beijo surpreendentemente delicado – Não admito que te olhem como aquele vampiro te olhou. Nem que desejem algo que é meu.
Liam conseguiu colocar uma mão no rosto de Kenai e empurrá-lo um pouco para longe de si.
– Surpresa, surpresa, idiota. Eu não sou de ninguém. Muito menos de você – rebateu irritado. A mordida em seu pescoço começando a latejar.
– Ow – o Mokolé não se chateou – Se você diz...
Os dois se encararam em silêncio por alguns segundos. Qual se iludia mais, vivendo daquele jeito meio deturpado e incomum? Havia sentimentos? Talvez de posse, principalmente por parte de Kenai. Mas amor? Dificilmente. Amar significava se entregar ao outro por completo e Liam não se achava capaz de fazer isso, depender e confiar tanto em outra criatura.
Mas porque não aproveitar a relação se conseguiam prazer carnal disso? Sem contar que fazia um bem danado para o ego de Liam, saber que exercia tamanho poder sobre um demônio forte como Kenai. Olhou brevemente para uma das mãos dele que repousava meio esfolada sobre o colchão. O Mokolé perdia toda a racionalidade quando o assunto era Liam. Passava de todos os limites.
Não deixava de ser... adorável.
– Tsc – ele resmungou desviando os olhos – Vai me deixar esperando, idiota? Pensei que queria fazer.
– Fazer o quê...? – Kenai se fingiu de bobo.
O rapaz entreabriu os lábios para ofendê-lo, mas o Mokolé foi mais esperto. Abaixou-se e iniciou um novo beijo, mais calmo do que o primeiro ao mesmo tempo em que liberava garras, longas apenas para rasgar o short de algodão que Liam usava. Acabou arranhando-o um pouco, marcando a pele com quatro riscos finos de sangue.
Liam não se importou. As próprias mãos foram em direção a toalha de Kenai e, com um puxão, a peça de pano foi parar no chão ao lado da cama.
O beijo continuou, com o mais alto fazendo o possível para arrastar o amante pela cama até estarem em uma posição mais confortável. Repetiu a cena de percorrer o pescoço do rapaz com beijos cálidos e frios.
– Se me morder... – Liam deixou a ameaça no ar, perdendo a voz em um gemido.
Kenai apenas riu baixinho contra sua pele, arrepiando-a todinha. Dessa vez não veio nada doloroso, apenas a língua atrevida criando um rastro molhado pela tez leitosa.
Alcançou um dos mamilos rosados e mordiscou a pontinha, de levinho. Uma mão indo brincar com o outro botão, sentndo ambos se enrugarem sob seu ataque. Aquele garoto era tão sensível! Gemidos escapavam pelos lábios de Liam e eram como música para os ouvidos de Kenai. Ah, o Mokolé adorava explorar aquele corpo frágil abaixo de si, conhecia bem seus pontos fracos, não apenas os mamilos, mas todas as sensações que podia despertar com seus toques. E uma delas era ao provocar arrepios pelas costas do rapaz. Com toques leves para alguém sempre tão bruto, insinuantes que fizeram o menor estremecer. As mãos de Kenai deslizando na pele quente das costas. Opostos até nisso. Opostos em tudo.
Cada vez mais, Liam sentia que o volume entre suas pernas aumentava perceptivamente. Sua ereção ia despontando livre de roupas, tocando o corpo de Kenai e causando-lhe pequenos choques de prazer.
A provocação continuou enquanto Kenai ia descendo seus beijos com um objetivo muito claro. Apesar disso, parou com o rosto próximo ao pênis de Liam, que despontava em riste denunciando a excitação que o garoto sentia, e sorriu sacana.
– Você quer...? – ergueu os olhos verdes para encarar os olhos castanhos que eram pura expectativa.
A intensidade de tal mirada fez Liam corar. Odiava quando Kenai provocava daquele jeito.
– Faz logo, idiota!
– Você quer? Então peça direito – o Mokolé repetiu as palavras que o amante dissera mais cedo, sorrindo ao ver sua expressão cheia de raiva.
– Mald...
A ofensa foi cortada quando Kenai, sem aviso algum, abocanhou o pênis de Liam, acariciando com a língua enquanto erguia a cabeça um pouco. Primeiro, lambeu apenas a glande com a ponta da língua fria, saboreando lentamente seu gosto e apreciando os ofegos contidos de Liam. Então lambeu novamente, mas desta vez com a língua toda, lento de um jeito que fez o garoto morder o lábio inferior, segurando o lençol abaixo de si apertado entre os dedos. Endireitando a cabeça que sem notar jogara para trás, Liam arriscou-se a olhar para baixo, vendo o amante agora com metade de seu pênis na boca. As mechas preto-azuladas caíam-lhe por sobre o rosto e sua cabeça movia-se para cima e para baixo. Liam sentiu-se pulsar dolorosamente com aquela visão.
O Mokolé parecia disposto a lamber e sugar até ter a prova de que causara prazer ao parceiro. Sons sensuais escapando de seus lábios e combinando com os gemidos de Liam, que voltou a jogar a cabeça para trás enquanto as mãos iam enroscar-se nos cabelos de Kenai, querendo que o homem fosse mais rápido. Não agüentaria muito tempo.
– Ke... Kenai... – o chamado veio entrecortado pelos gemidos. Tinha a intenção de avisar para a proximidade do orgasmo. Serviu para que o amante continuasse ora a acariciá-lo com a língua inquieta ora engolindo tudo o que podia, até sentir a glande tocar fundo na garganta dificultando a respiração.
Liam não resistiu mais. O corpo esguio estremeceu enquanto sua visão escurecia. O orgasmo veio forte e ele jorrou sua semente na boca de Kenai que sugou tudo o que pode, ainda lambendo e mordiscando de leve aquele pênis mesmo depois que o rapaz acabou de gozar.
– Acabou rápido dessa vez, Liam – o Mokolé terminou o oral cruzando os braços sobre as coxas do amante e lhe lançando um sorriso maroto.
– V-você exagerou – o gerente da NDC odiava corar daquele jeito. Mas Kenai tinha um jeito insolente e sem noção que passava por suas defesas quebrando todas as barreiras que erguera para se proteger. Mas ainda não estava pronto para admitir que o homem alcançara um ponto em sua vida que ninguém jamais conseguira. Não era amor. Não era amor. Não era amor! Amor não podia ser daquele jeito.
– Hum...? Peço desculpas por isso – Kenai falou sem sentir culpa em absoluto, tirando Liam de suas divagações.
Em seguida moveu-se veloz. Acomodou-se melhor sobre o corpo esbelto do menor obrigando-o a abrir as pernas, encaixando-se perfeitamente, como se tivesse nascido para o ato. Olhos esmeralda presos nas íris amendoadas. Pele quente contra pele fria. Almas opostas se mirando através de um espelho. Por um instante foi como se algo mais os ligasse através daquele olhar. Mas a sensação logo passou quando o Mokolé moveu-se bruto como sempre em busca da posição mais adequada.
– Ei! – o mais novo protestou.
– Calma – o sorriso sacana jamais abandonava os lábios de Kenai. Ele segurou o próprio pênis, que continuava duro, com as veias saltadas e gotejante, e o guiou para o corpo de Liam – Vou te dar o que merece, garoto.
Ao ouvir aquilo ele fechou os olhos com força enquanto as mãos agarravam o lençol, sofrendo um misto de expectativa e receio. Kenai não ia sequer prepará-lo para o que viria a seguir. E o amante era grande. Mesmo.
– Liam é tão apertadinho aqui – provocou passando a ponta do pênis pela entradinha do mais jovem, divertindo-se em ver como o corpo dele se contraía em antecipação.
– Pára de falar essas coisas... – a voz tremida soou nada ameaçadora, principalmente pelo gemido que seguiu a reclamação.
– He, he. Seu pedido é uma ordem.
E forçou-se para dentro daquele corpo. Apesar das palavras debochadas foi devagar e com cuidado. Sabia que não era fácil para o parceiro e machucá-lo não era sua intenção. Acreditava que dor e prazer faziam parte do sexo? Sim. Mas não tornaria ainda mais doloroso de propósito. Não com Liam...
Liam gemeu alto e afundou-se contra o colchão. O pênis de Kenai o possuindo e causando uma dor tão forte quanto se seu corpo fosse partido ao meio. Lágrimas juntaram-se no canto dos olhos castanhos.
– Apertadinho e quente – o Mokolé sussurrou próximo ao seu ouvido quando conseguiu penetrá-lo por completo, unindo ambos da forma mais íntima – Delícia.
Gotas de suor juntavam-se no rosto de Liam, grudando os fios de cabelo em sua testa. Kenai não suava, mas seu corpo forte já não estava mais tão frio. Os movimentos involuntários do interior do amante estimulavam seu pênis, fazendo o sangue correr mais rápido e quente em suas veias. Quando estava com Liam Kenai sentia-se vivo. Realmente vivo.
Alguns segundos depois, ainda com a respiração descompassada e sentindo-se dolorido, Liam moveu o quadril de leve, quase tímido; dando a permissão que Kenai aguardava.
– Vai... – sussurrou – Rápido.
Num consentimento mudo, o Mokolé moveu o quadril para trás, libertando-se quase completamente das paredes que acariciavam seu membro. Em seguida repetiu o movimento, porém em sentido oposto ao anterior, mergulhando-se num mar de sensações agradáveis a ambos.
A cada nova investida contra seu corpo, Liam apertava mais e mais o tecido fino do lençol que cobria a cama, agarrava-se a ele como se fosse o último fio de sanidade antes de deixar-se levar completamente pelos prazeres da carne.
Gemidos se confundiam, sussurros que acompanhavam aquele ato de luxúria como uma trilha sonora só dos dois.
– Vai... – Liam sussurrou sem fôlego – Mais... rápido...
Kenai obedeceu. Como sempre obedeceria cada uma das ordens daquele garoto. Como sempre faria tudo por ele. Para protegê-lo. Mesmo que precisasse passar dos limites e pagar um alto preço.
– Liam – o Mokolé gemeu de volta, o quadril indo e vindo, entrando e saindo daquele corpo apertado, enquanto uma das mãos ia até uma das mãos do garoto. Os dedos se entrelaçando de um jeito carinhoso que Liam jamais permitira, se não estivesse tão mergulhado no prazer.
Um último movimento, mais profundo, intenso. Mais forte. Kenai enterrou-se fundo no corpo do amante, alcançando aquele ponto secreto que espalhou uma onda de choque por seu ser, tão intensa que obrigou Liam a contrair-se todo, tonto de prazer. Gritou alto o nome do Mokolé, irrompendo forte seu sêmen entre os dois, lambuzando-os.
O orgasmo de Kenai veio apenas um segundo depois. Pequenas contrações faziam as paredes que o envolviam ondularem em volta de seu membro, estreitando a passagem já apertada e fazendo com que perdesse o controle sobre si. O clímax chegou como uma explosão intensa que escureceu-lhe a visão. Devastadora.
Quando a última gota de sêmen parou de jorrar, Kenai desabou sobre o amante, sem fôlego. Ficaram assim por alguns segundos, respirando forte, até Liam soltar a mão e tentar empurrar o outro.
– Sai. Você é pesado. E está gelado!
Kenai riu baixinho. Seu amante sempre acabava com o clima quando via que as coisas estavam tendendo para uma intimidade diferente da sexual. Estava tudo bem. Aquele era o jeito de Liam se envolver em uma relação. Desde que Kenai fosse o único a estar assim com ele, estava tudo bem.
O Mokolé girou, fazendo seu pênis deslizar para fora do corpo de Liam e arrancando-lhe um gemido lânguido em protesto. Algo que o fez corar até a raiz dos cabelos.
– Oh... não se preocupe. A festa ainda nem começou.
– O quê está...
A pergunta sequer terminou de ser formulada. Na seqüência do movimento Kenai segurou-lhe a cintura e o fez rodopiar, de modo que o garoto ficasse sentado sobre seu quadril.
– Desse jeito eu meto mais fundo... – provocou.
Liam não respondeu. A estranha sensação de ter sêmen escorrendo por seu corpo sempre o deixava acabrunhado. Por isso (e só por isso) disfarçou o embaraço levando as mãos ao pênis de Kenai e arrumando de modo que pudesse abaixar-se sobre ele, empalando-se devagar.
– Bom menino – o Mokolé sorriu largo, exibindo os dentes pontiagudos enquanto segurava o quadril de seu jovem amante, ajudando-o a manter a posição.
O gerente da NDC chegou a fazer uma careta para as palavras que ouvira, mas a expressão se desmanchou em outra de puro prazer à medida que o membro de Kenai deslizava para dentro de si, tomando-o pela segunda vez.
Como bem dissera o mais velho aquela festinha estava apenas começando. Não eram um casal de namorados usual, porém as coisas funcionavam bem daquele jeito. Talvez não fossem feitos para o amor de cinema que Hollywood eternizara...
Talvez tivessem nascido para viver exatamente do jeito que viviam.
Seria suficiente enquanto Liam soubesse que podia controlar Kenai e Kenai tivesse o garoto só pra si.
E nada mais importava.
Fim
Notas finais
Ate a próxima.
PS: sem previsão pra quando o POV do Kenai sai... sou sincera.
PS2: Quem quiser ver as aventuras originais dessa galera é só clicar aqui:
http://fanfiction.com.br/historia/548522/Cronicas_do_Pesadelo_Interativa/
Abraços :3
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