Nightmare Called Life

4 L,Mako and the deep Red eyes


Notas iniciais
Este demorou um bocadinho para vir,mas está aqui! Espero que gostem, Boa leitura :3

Capítulo 3 — Samantha Jones (Silver)

Ouvi um barulho perto da única janela do meu quarto. Os meu olhos focaram-se na criatura gigantesca a dois metros de distância.
Era, provavelmente, um ser masculino, com cerca de dois metros de altura. Os seus olhos eram num tom avermelhado, que contrastava com os longos cabelos brancos. A sua cara parecia feita de vários tipos de pele, cosidos uns aos outros. Os dentes eram demasiado grandes e bicudos e a sua postura era estranha, os braços finos chegavam quase a tocar no chão. A sua roupa era justa e parecia feita de cabedal, vermelho com sangue. Estava coberto por um manto negro como a noite.
Encolhi-me mais no canto do quarto, temendo tanto a criatura ao ponto de não conseguir produzir nenhum som.
Infelizmente, a criatura não produziu também nenhum barulho, o que me obrigou a ser a primeira a falar. Naquela altura, já não acreditava que nada fosse ilusão.
– O-que... O que és tu? E o que fazes no meu quarto?
O monstro sorriu macabramente, olhando para mim com as órbitras vermelhas.
– Foste tu quem achou o meu caderno, humana?
Fiquei por segundos quieta, tentando raciocinar a que caderno poderia ele se referir. Presumi que falava do “Death Note”. Limpei algumas das lágrimas que ainda escorregavam pelo meu rosto e, só aí, falei denovo.
– Eu não sabia que o caderno tinha dono... Peço desculpa. — informei enquanto pegava no caderno negro, pronta para o devolver.
O monstro observou-me, não entendendo bem a minha reação.
– A partir do momento em que o caderno cai no mundo humano, passa a pertencer a quem o encontra. — informou-me. — Eu sou um shinigami, um deus da morte. Vim aqui porque, como verdadeiro dono do Death Note, é da minha responsabilidade acompanhar o humano que o possui, até que o caderno acabe, ou que o humano morra.
Fiquei calada, esperando que ele continuasse. Vendo que não o fez, decidi apresentar-me.
– O meu nome é.... — calei-me por segundos — Silver.
O shinigami riu-se, um riso cruel e grave ecoando por todo o quarto. Um arrepio percorreu-me a espinha.
– Chamo-me Mako, Samantha.
Entrei em pânico. Como poderia ele saber o meu nome? Que me lembrasse, não o tinha dito a ninguém, apenas aos meus familiares.
– Shinigamis conseguem saber o nome verdadeiro das pessoas e o seu tempo de vida olhando apenas para a cara delas. — comunicou.
Permaneci calada, agora um pouco mais calma. Coloquei o caderno em cima da mesa, observando o texto que escrevera na noite anterior.
– O que aconteceria se eu quisesse devolver o Death Note?
– Perderias todas as tuas memórias, a menos que o dês a alguém... Mas, pequena humana, porque razão o desejarias fazer?
– Eu matei um pessoa.
Mako olhou-me, uma expressão surpresa na sua cara deformada.
– E-eu não queria... Chateei-me com uma rapariga e escrevi o nome dela. Agora ela morreu e eu não sei o que fazer! Eu não queria que isto tivesse acontecido.
O shinigami procurou, nos bolsos do seu comprido manto, um pequeno objeto braco, envolvido numa faixa de tecido vermelho. A pequena borracha foi-me entregue.
– Caso o corpo não esteja decomposto ou cremado, a pessoa cujo nome seja apagado voltará à vida.
Observei por momentos a folha. Felizmente, tinha escrito a lápis. Passei a borracha por cima do note e, com esse simples acto, o nome desapareceu.
– O-obrigada...

********************************************************************************************************

Caminhei apressadamente pelos corredores, o caderno sempre ao meu lado. Fora chamada por Roger, que chefeava o orfanato quando Watari não estava presente, e este afirma ter uma informação de extrema importancia para me comunicar.
Quando cheguei à sala que me fora indicada, abri a grande porta. Sentado na poltrona encontrava-se Roger, os cabelos grisalhos a tapar-lhe os olhos, enquanto lia os papeis à sua frente.
– Podes sentar-te, Silver — informou, levantando os olhos para me observar.
Segui as suas ordens, acomodando-me no sofá em frente à grande secretária.
– O motivo porque te chamei involve a menina Ally. Devido a isso, achei que, sendo a ti que ela entregou os seus pertences, serias a pessoa mais adequada para transmitir esta informação. Como deves saber, Ally, supostamente, tinha morrido de uma overdose de medicamentos. Hoje, porém, o seu coração voltou a funcionar e, agora, Ally encontra-se num estado saudável, fisicamente e psicológicamente.
Os meus olhos arregalaram-se em surpresa. Observei, pelo canto do olho, Mako, que permanecia sério. Explicara-me à momentos que apenas quem tocava no caderno tinha as capacidades de o ver e/ou o ouvir, oque significava que, por enquanto, apenas eu conseguia.
Suspirei ao constar que a borracha fizera efeito.
– Fico bastante feliz por saber essa informação. — comentei, sorrindo levemente. — Gostaria de me comunicar mais alguma coisa, senhor Roger?
O homem observou os papeis à sua frente por algum tempo. Seguidamente, olhou-me, uma expressão séria tomando conta da sua face.
– L pediu-me que a informasse que, nos próximos dias, viria falar consigo devido a um assunto que involve o caso que está a tratar neste momento. Ele acredita que poderás fornecer alguma informação necessária.
Assumi uma expressão séria. Sabia que L era o melhor detetive do mundo e que, de momento, trabalhava no caso Kira, um assassino que matava quem cometia crimes, normalmente através de ataques-cardiacos.
Ao rever a informação, relacionei o caderno ao tal “Kira”. Havia uma grande possibilidade de haver outro caderno involvido no caso, na minha perspectiva.
– Tudo o que puder fazer para ajudar, farei. — disse enquanto saia da sala.
********************************************************************************************************

A semana passou rapidamente. Não ouvira falar de Ally, tal como não a vira durante esse espaço de tempo. Todo o orfanato já sabia que estava viva, mas ninguém parecia interessado o suficiente para procurar mais informação, afinal, ela costumava andar sozinha.
Encontrava-me sentada na minha cama, a folhear o caderno vezes sem conta. Já me habituara à presença de Mako, que mostrara ter um interesse por rebuçados, tanto que, naquele momento, comia um de sabor a maçã.
– Vais ficar com uma indegestão. — comentei enquanto ria.
Ouvi alguém bater à minha porta, o que me assustou. Mako olhou-me e endireitou-se, colocando os rebuçados em cima da mesa.
Aproximei-me da porta e destranquei-a, observando o rapaz de cabelos brancos que olhava distraidamente para o caderno que trazia nas suas mãos.
– Deixas-te o caderno na sala, Silver — informou-me enquanto mo entregava, enrolando sempre uma madeixa de cabelo.
– Obrigada. — agradeci.
Ficámos calados alguns segundos, sem saber ao certo o que fazer para evitar aquele silêncio desconfortável. Felizmente, recordei-me que encontrara um puzzle numa gaveta do quarto e que ainda não o tinha aberto.
– Queres entrar? Tenho um puzzle que poderiamos montar. — declarei enquanto sorria.
O rapaz acentiu, seguindo-me para dentro do quarto claro, sentando-se no chão. Peguei no puzzle, abrindo-o e espalhando as peças pelo chão. De seguida, sentei-me ao lado do meu colega de carteira.
Passámos assim a tarde, calados e entretidos. Near até poderia ser considerado uma boa companhia, afinal, não era assim tão maduro como aparentava ser.

********************************************************************************************************

Corria apressadamente em direção à sala de Roger, sendo que já não a visitava há duas semanas. Fora-me dito que L encontrava-se naquele momento à minha espera, e, por isso, não queria chegar atrasada.
Mako acompanhava-me, provavelmente achando exagerada toda aquela pressa.
Quando me aproximei da grande porta castanha, abri-a, entrando para dentro da sala.
Um jovem rapaz, com, provavelmente, mais de vinte anos, encontrava-se à janela, a observar o pátio. Tinha cabelos despenteados e negros, vestia uma camisola branca a contrastar com as calças de ganga e, surpreendemente, estava descalço. Ao ouvir a minha presença, observou-me com os olhos negros com olheiras, que me lembravam um panda.
– Deves ser Silver, eu suponho? — perguntou, aproximando-se. Devia ter o dobro do meu tamanho.
– S-sim... És o L? — perguntei, sentido-me intimidada, mesmo que o rapaz me olhasse docemente.
– Sou. É um prazer te conhecer. Queres sentar-te? — inquiriu, apontando para um do sofás da sala.
Segui o seu conselho, sendo que ele sentou-se ao meu lado pouco tempo depois.
– Como já deves saber, estou neste momento a trabalhar no caso Kira. A única informação que me é possivel comunicar-te é o facto de ele conseguir matar utilizando apenas um nome e uma face. — L sorriu-me — Mas aposto que esta conversa já te é familiar, não é?
– Sim. — afirmei.
– Então, indo direito ao assunto. No teu segundo dia neste orfanato, ouviste a noticia de que Ally morrera. Mesmo assim, foi a ti a quem ela entregou grande parte dos seus bens. Essa situação e o facto de, em tão pouco tempo, ser quase impossivel que estabelecessem uma relação de amizade ao ponto de ela tomar uma atitude dessas, leva-me a acreditar que podes estar relacionada com a sua morte.
Olhei para os meus joelhos. L realmente não era idiota, visto do seu ponto de vista, era até estranho que ninguém tivesse desconfiado que pudesse ter sido eu a matá-la.
– Curiosamente, sabemos que Kira consegue controlar as ações das suas vitimas antes de elas morrerem. E isso leva-me a relacionar o teu caso com a minha investigação, pois podes ter arranjado maneira de Ally te dar as coisas, para logo a seguir morrer. — continuou L. — Mas o que me admirou mais neste caso foi o facto de, no dia seguinte, Ally ter misteriosamente retomado à vida, sem danos nenhuns.
L suspirou, temendo que fosse demasiada informação de uma só vez.
– Caso queiras contribuir para este caso, pedia que me explicasses o que aconteceu. A informação aqui dita não sairá deste quarto.
Olhei receosamente o detetive. Falara com ele o bastante para perceber que apenas tinha boas intenções e, caso Kira usasse mesmo um Death Note, então eu poderia ajudar.
– Eu encontrei um caderno negro no chão do recreio. Ele chamava-se “Death Note”. Tinha algumas regras escritas que, resumidamente, diziam que, caso saibas o nome e rosto de uma pessoa e escreveres o seu nome naquelas páginas, essa pessoa morreria. — observei L. Vendo que ele me dava atenção, continuei — Eu tinha-me chateado com Ally porque ela me tirara um objeto importante e, não acreditando no que estava escrito, usei o caderno como diário. Escrevi que queria que ela morresse rapidamente e que as coisas que ela tirara viessem para mim. E ela morreu, entregando-me as coisas dela.
– Muito interessante... Poderás me dizer como ela voltou à vida?
– Descobri que o caderno estava ligado a uma borracha e que, caso o nome fosse apagado, a pessoa podia ressuscitar. Eu estava arrependida, por isso foi o que eu fiz.
L observou-me por momentos, decidindo se acreditava ou não.
– Posso ver o caderno?
Tirei o caderno da mala, entregando-o. L observou silenciosamente Mako, que encontrava-se ao meu lado, calado durante a conversa inteira. Folheou o caderno, observando o que escrevera. Fiquei envergonhada, afinal, ainda era o meu diário.
– Obrigada pelas informações, Silver. Ajudaste-nos bastante na investigação.
Com isto, ele devolveu-me o Death Note. Levantei-me, saindo da sala lentamente. Caminhei pelos longos corredores. Se eu tivesse a mesma arma que Kira, seria também uma assassina? Será que L iria contar a alguém?
A única coisa que podia fazer era esperar e acreditar no rapaz que, durante aquele periodo de tempo, se mostrara impressionado e interessado em tudo o que tinha a comunicar.
********************************************************************************************************

Revirei-me novamente na cama, tentando adormecer. A conversa que tivera com L ainda me atormentava, não permitindo que descansasse. Para piorar, a chuva forte, acentuada por trovões, também não ajudava.
Desisti de tentar adormecer, levantando-me e saindo do meu quarto, apenas envergando um pijama roxo.
Mako observou-me, seguindo-me pelo percurso.
Caminhei pelos corredores, subindo e descendo algumas escadas, apenas parando ao encontrar a sala dos brinquedos, onde Near estava a maior parte do tempo.
As luzes estavam todas desligadas, sendo que a sala apenas era iluminada pelos flashes dos trovões. Espreitei lá para dentro, estranhando a porta estar aberta.
Surpreendemente, enconstado a uma das paredes, encontrava-se Near. Por hábito, quando procuravam o albino, aquele era sempre o primeiro lugar de pesquisa, porém, encontravam-no sempre atarefado com algum jogo ou brinquedo.
– Near? — chamei, estranhando o rapaz encolhido contra a parede.
Os seus olhos fixaram-se em mim com uma mescla de alívio e medo. Era estranho, visto que, geralmente, near nunca se deixava levar pelas emoções.
Aproximei-me, sentando-me ao seu lado. Observei os pequenos brinquedos espalhados pelo chão do quarto, que eram poucos comparados à quantidade que existia nos móveis.
Mais um trovão ribombou no exterior e, com isso, Near encolheu-se ainda mais.
Observei-o, um pequeno sorriso a aparecer no meu rosto ao deduzir que ele tinha medo de trovoadas.
– Crianças são engraçadas — comentou Mako, que encontrava-se sentado numa das cadeiras brancas do local.
– Near, tens medo de trovões? — questionei.
– Não — respondeu automáticamente. Porém, segundos depois, admitiu a verdade — Sim, tenho.
Peguei num cobertor que se encontrava perto de um monte de dados. Cuidadosamente, coloquei-o sobre ambos. Near simplesmente observou o ato, calado.
– Se quiseres, fico aqui até adormeceres. — comentei, sorrindo-lhe.
– Obrigada — sussurrou.
Para meu espanto, Near encostou a cabeça ao meu ombro e fechou os olhos. Passados alguns minutos, a sua respiração acalmou, assim como a tempestade.
Afastei-me, muito calmamente, tentando nao acordar o rapaz. Quando finalmente consegui, saí do quarto, chamando Mako.
– Pareces te preocupar com o rapaz. — concluiu o shinigami, olhando-me maleficamente.
– É a única pessoa que posso mostrou alguma simpatia para comigo até agora. Acho que o posso até considerar um amigo desde o acidente do Death Note.
Continuei a caminhada. Os corredores estavam completamente escuros, devido à escuridão da noite.
Senti-me a ser observada e, com isto, olhei à minha volta, observando, a alguns metros de distância, um par de olhos vermelho-sangue, que estavam fixados em mim.
Allison Taylor (Ally)

A última coisa que me lembro antes de apagar era de sentir a minha consciência desaparecer. Quando dei por mim, estava numa maca, na enfermaria do hospital. Todos os enfermeiros olharam para mim, espantados. Agitados, mediram-me e testaram-me, confirmando que estava em perfeitas condições.
Foi-me contado como, supostamente, morrera. Ter feito coisas antes de morrer levou-me a, automáticamente, relacionar o que acontecera a Kira. Mal me foi dito o nome Silver, percebi. Aquela rapariga tinha-me matado, tal como Kira mata as suas vitimas.
Furiosa, tranquei-me no meu quarto, não querendo falar com ninguém. Não percebia porque alguém poderia querer me matar. Eu nunca fizera nada de mal... Pois não?
Durante uma semana fiz sempre a mesma rotina. Passava o dia fechada no quarto, para que não me vissem. À noite, quando ninguém estava presente, vagueava pelos corredores e comia alguma coisa.
Desde pequena que notara que era diferente. Os meus pais passavam os dias ocupados com o que chamavam “negócios”. Um dia, ao voltar a casa, eles tinham morrido com um ataque cardiaco. Eu não era idiota. Kira tinha-os morto. Ele tinha-me tirado a minha familia. Por essa razão, fiquei feliz ao saber que poderia ter a hipótese de suceder a L, poder destruir o assassino dos meus pais era o que mais queria.
Mas não era a minha familia que me tornava diferente. Desde pequena que conseguia ver nomes e datas em cima de todas as pessoas, graças aos meus olhos. Infelizmente, esses mesmos não tinham uma aparência normal, sendo de um vermelho forte. Muitas crianças tinham medo de mim e julgavam-me pela aparência anormal. Assim, ao atingir os oito anos, comecei a utilizar lentes de contacto azuis, com o objetivo de esconder a verdadeira cor dos meus olhos.
Caminhava naquele dia, mais uma vez, pelos corredores vazios e escuros do orfanato. Não tinha colocado as lentes, pois tinha a certeza que ninguém me veria.
Para minha surpresa, quando atravessei um do corredores mais sombrios, ouvi uma voz familiar, que despertou uma certa raiva dentro de mim.
– É a única pessoa que posso mostrou alguma simpatia para comigo até agora. Acho que o posso até considerar um amigo desde o acidente do Death Note.
Observei a pequena rapariga de olhos cor de esmeralda caminhar pelo corredor, provavelmente em direção ao seu quarto.
Seguindo os meus olhos, o seu nome verdadeiro era Samantha Jones e ainda tinha uns bons anos de vida.
Passado um pouco, ela parou e virou-se, encarando-me. Mesmo que estivesse escuro, tinha a certeza que vira os meus olhos, pois o seu rosto infantil tingiu-se de medo e arrependimento. Contudo, ela pareceu não acreditar no que vira, voltando-se e continuando a caminhada. Eu não a iria culpar, provavelmente pensou que era uma alucinação.
O que era o Death Note de que falava? Caderno da morte? A minha curiosidade aumentou. No fundo, acreditava que esse objeto podia ajudar-me a perceber porque tinha uma visão diferente do mundo, uma visão repleta de nomes e datas.
Uma visão de um monstro.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem se quiserem,era simpático.... Até breve!