Nightmare
1 Nightmare
Notas iniciais
eu tava pensando esses dias que, já que o bucky lembra de todas as pessoas que ele matou, ele provavelmente tem pesadelos com isso. aí eu juntei isso ao fato de que é óbvio que o steve ia visitar ele em wakanda depois de cw... e saiu isso
espero que gostem. não é nada de realmente relevante, é só algo que eu senti a necessidade de escrever
♥
Saudade.
Enferrujado.
Dezessete.
Aurora.
Forno.
Nove.
Benigno.
Volta para casa.
Um.
Vagão de carga.
Bucky abriu os olhos, sentindo que não havia ar nenhum em seus pulmões.
Onde eu estou?
Alguma coisa o estava segurando. Alguma coisa estava em volta de seu pescoço.
Merda, as palavras, a porra das palavras.
Mas Bucky ainda era Bucky. Não havia ninguém ali lhe dando ordens.
Não havia ninguém mandando matar pessoas.
Ele se viu espalmando a mão — a única — em algo bem em sua frente.
Onde eu estou?
Certo. Uma informação por vez. Ele estava deitado de lado. Em uma cama, provavelmente. Estava escuro. A coisa em sua frente era a mesma coisa em volta de seu pescoço.
Bucky respirou fundo, dizendo para si mesmo manter a calma. Poderia matar a coisa. Havia feito isso tantas vezes.
Alguém chamou seu nome. Ele respirou profundamente. Havia um zumbido em seus ouvidos. Então, de novo:
— Buck?
A coisa em volta de seu pescoço não estava tentando o matar, ele notou. Pelo contrário, ela estava afagando seus cabelos, como se dissesse para se acalmar. Como isso poderia estar acontecendo?
Então, ele se deu conta.
Merda, não é uma coisa. É uma pessoa.
— Buck? Você está bem?
Steve.
Bucky puxou o ar pela boca, sentindo-se afobado. Ele levou um instante a mais para se dar conta de que estava quase fincando suas unhas no peito de Steve, por cima do tecido da camisa dele.
Porra, é só Steve.
Eu só estou dormindo junto com Steve.
Nós já fizemos isso tantas vezes.
Os dedos de Steve foram novamente até seus fios de cabelo. Bucky o ouviu dizer algo, mas não compreendeu. Ele pressionou o rosto contra o peito de Steve e usou a única mão para tapar um dos ouvidos.
Bucky não queria ouvir nada.
Não queria ouvir dez palavras em especial.
Fechou os olhos com força, subtamente lembrando de todas as mortes. Todas. Todos os olhares assustados para ele. Todos os pedidos por misericórdia. Todos os corpos sem vida que teve que descartar como se fosse nada.
Sentiu algo puxar delicadamente sua mão, então, mais uma vez, se obrigou a respirar fundo.
— Você vai se machucar assim, Buck.
Só então ele se deu conta de que esteve puxando sua orelha, como se quisesse arranca-la.
Estava doendo.
Bucky sentiu a palma da mão de Steve cotra a sua e a outra mão dele novamente em seus cabelos. Soltou um suspiro. Gostava de seu novo cabelo — talvez a única coisa que ainda gostava em si mesmo. Sempre quis deixar crescer, mas era algo impensável na década de trinta.
Assim como outras coisas em sua vida.
Precisava constantemente se lembrar de que estava no século vinte e um, em Wakanda, e ninguém ali mataria ele ou Steve simplesmente por eles existirem.
Não era como se os dois estivessem saindo pelas ruas gritando que a relação que tinham era muito além do que amizade, mas também não faziam mais tanta questão de se esconder quanto faziam quando eram apenas adolescentes.
Bucky tinha plena consciência de que T’Challa e Shuri sabiam. Ou, se não sabiam, desconfiavam. Todas aquelas visitas do Capitão apenas para ver o Soldado Invernal, todas as vezes em que os dois buscavam ficar sozinhos, ou quando Steve passava a noite ali. Aquilo claramente não era apenas coisa de amigos.
— Outro pesadelo? — a voz de Steve saiu tão baixa quanto um sussurro.
Bucky concordou com a cabeça, mas não sabia se o outro havia visto ou sentido o rosto se mover contra seu peito.
Merda, eu estou dormndo com Steve.
Está tudo bem.
Pelo menos agora nós não precisamos nos esconder.
Pelo menos agora eu não sinto que vivo segurando uma cruz em minhas costas.
Mentira, eu ainda sinto isso. Só é por um motivo diferente.
— Você quer me contar? — Steve perguntou. — Sobre o pesadelo.
Bucky levantou o olhar. Não conseguia ver ele com clareza, por culpa da escuridão. Queria ver Steve.
A mão que antes estava afagando seus cabelos caiu sobre a cama, o que o deixou um pouco triste. Bucky soltou o ar pela boca.
Havia um milhão de coisas para dizer, mas não disse nenhuma delas.
Ao invés disso, se virou na cama e puxou um dos braços de Steve para que ele o abraçasse por trás.
Os dois ficaram em silêncio. Bucky agradecia todos os dias por ter Steve. Ele sabia quando não perguntar mais nada, ou quando Bucky apenas queria fingir que aquelas coisas todas não haviam acontecido com ele.
Porra, o que é que as pessoas diriam se soubessem que o Soldado Invernal gosta de dormir abraçado com o Capitão América?
Por que eu me importo com isso?
Porra, eu tenho Steve. Ele está aqui.
Pelo menos nada mais pode nos separar.
É o que importa.
Fale com o autor