Nightmare

1 Ninguém perceberia, não é mesmo?


Notas iniciais
Cada capitulo é um conto.

A menina andava tranquilamente em direção a sua casa, com seu cabelo longo e fortemente ondulado balançando ao vento, no momento ela se preocupava com a possibilidade de adquirir mais sardas por causa do sol forte, o dia estava anormalmente quente para essa cidadezinha fria. Ela ajeitou o cabelo negro debaixo do gorro azul, pensando que talvez daqui à alguns dias viria uma bela tempestade pra compensar o dia de sol, não estava reclamando, ela não se incomodava com a chuva, na verdade ela não se incomodava com nada.

Ela se apressou pra chegar em casa logo, seu estomago começara a roncar e rezava pra que tivesse alguma coisa de comestível quando chegasse, estava com preguiça de sair pra comprar alguma coisa, geralmente sua mãe se esquecia de fazer compras durante a semana, ela ficava o dia todo no emprego e não se preocupava com isso.

Ela pegou a chave da porta no vazo da planta e entrou rapidamente pra checar os armários e a geladeira, soltou um palavrão baixinho quando não encontrou nada e pegou as chaves do carro que ganhou aos dezesseis anos, sua mãe e ela tinham juntado suas economias e comprado um velho Cutlass 1979. Foi ao supermercado e foi direto comprar o que precisava, não gostava de ficar passeando com aqueles carrinhos de compras barulhentos, pegou o que precisava para o almoço e para o jantar e andou até o caixa.

A garota caminhava até seu carro quando um relâmpago iluminou o estacionamento, seguido por um trovão surpreendente, talvez a chuva não demorasse tanto a chegar, ela pensou. Apressadamente pôs as compras no banco de traz e entrou desajeitadamente, batendo a porta com uma força desnecessária em sua pressa, olhou para o painel e notou que o tanque estava quase vazio, esperava que desse pra chegar até em casa, não queria ir ao posto de gasolina e encarar Alex.

Dirigiu pensando se seria muito ruim se tivesse que terminar de chegar em casa a pé, já tinha se dado conta que o velho Cutlass não daria conta do recado. Quando o carro começou a parar ela estacionou no acostamento, saiu do carro com as poucas sacolas e olhou ao redor, ela teria que andar bastante, estava num antigo bairro da cidade, famoso pelas mansões velhas e abandonadas. Poucas pessoas tinham dinheiro suficiente pra reformar algumas das casas.

Um pingo de água escorreu por sua bochecha, ela olhou pra cima preocupada e suspirou quando começou a chover mais forte, resolveu que tocaria a campainha de alguém se tivesse a sorte de encontrar alguma casa ocupada. Os relâmpagos e os trovões já vinham com mais frequência e não se importou de invadir uma das casas abandonadas, abriu um portão enferrujado e entrou correndo pra fugir da tempestade, a porta de madeira enorme se abriu com um ruído agourento e ela entrou pingando e ofegante, a única luz que a permitia enxergar o interior da velha mansão vinha dos relâmpagos que rasgavam furiosamente o céu escuro lá fora.

Alguns moleques invadiam as casas abandonadas e pichavam coisas sem sentido nas paredes, quebravam as janelas de vidro e coisas assim, mas essa estava estranhamente intacta. Os poucos móveis antigos estavam cobertos por lençóis brancos e tudo fedia a mofo e poeira, resolveu explorar a casa, subiu a grande escada adornada e entrou pela primeira porta, abafou um grito quando um rato saiu rapidamente de um esconderijo e passou por entre seus pés, depois de se recuperar do susto pode perceber o que havia no quarto; era uma biblioteca, os livros estavam todos intactos e pareciam raros, a garota, sendo uma amante da leitura estancou no lugar, estava deslumbrada.

Resolveu andar e dar uma olhada entre as estantes, a biblioteca tinha cheiro de sândalo, afastava as teias de aranha quando queria olhar mais de perto, pegava um livro aqui e outro ali até que viu ‘o livro’, era o livro pelo qual ela sempre procurou, soprou a poeira acumulada e resolveu que não faria mal se levasse esse livro, ninguém perceberia não é mesmo?

–

Ela estava entretida lendo o livro recém-adquirido — há dois dias­, depois que a chuva se acalmou e se tornou possível voltar, ela andou até sua casa e ligou para um guincho pra pegar seu carro deixado no acostamento — quando o som do telefone tocando a tirou do transe, atendeu o telefone e se assustou quando uma voz desconhecida e rouca pela falta de uso sussurrou misteriosa e determinadamente “Devolva o meu livro” e em seguida desligou, apenas isso, mas foi o suficiente para a garota se arrepiar dos pés á cabeça.

Ela se perguntava como alguém sabia que ela tinha pegado o livro, lançava olhares assustados para a janela e decidiu que não devolveria, alguém com certeza estava lhe pregando uma peça, talvez Alex, ele sempre a perseguia na escola. Mas todos os dias, no mesmo horário, o telefone tocava e a mesma voz misteriosa sussurrava a mesma mensagem, até que ela se tornou paranoica, e para complicar as coisas o livro tinha desaparecido, não o encontrava em lugar algum, tornando impossível devolvê-lo.

–

Uma mãe cansada entrou no hospital e andou com passos apressados pelo corredor já conhecido, cumprimentou a enfermeira já conhecida, e ignorou o ruído já conhecido dos outros pacientes, entrou no quarto 216 e observou sua filha que outrora fora uma linda e viva garota de 17 anos, estava deitada na maca olhando a teto, estava séria, diferente de quando a loucura a dominou completamente, ainda era um mistério para a mãe o motivo do colapso.

Um telefone tocou ao longe na sala de algum medico ou talvez na recepção, mas foi o suficiente para a menina no quarto arregalar os olhos e se agitar, fortes calafrios agitaram seu corpo e seus olhos giraram nas órbitas, a mãe desesperada, chamou um enfermeiro, que já acostumado com a situação aplicou na menina um calmante que teve efeito imediato.

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A mansão, antigamente foi habitada por um colecionador de livros solitário e rabugento, que não tinha herdeiros e que viveu por muitos anos, sempre cuidando obsessivamente de sua coleção, depois de sua morte a prefeitura ficou com a casa, alguns dos moveis foram vendidos, mas nunca foi possível abrir a porta da biblioteca, alguns diziam que o fantasma do velho rabugento impedia que aquele cômodo fosse aberto. Os mais supersticiosos contam que a porta da biblioteca se abre para os desavisados, e que o poltergeist se diverte mandando mensagens para as vitimas até que elas enlouqueçam de terror.

Notas finais
Gente, sei que não é tão terror assim, mas essa é só a primeira.
Aguardem mais contos.
Comentem se gostarem.
Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.