Nightmare
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Olhei no relógio digital sobre o criado mudo, os números em vermelho marcavam exatamente três horas da madrugada. Estava sentada em uma pequena poltrona no canto do quarto, mantinha as pernas junto ao corpo, apoiando a cabeça sobre os joelhos. Era uma tentativa de vencer o sono, que tornava meus olhos cada vez mais pesados.
"Demi, você consegue, mantenha os olhos abertos", dizia a mim mesma. Tentei não me distrair, mas em certo momento me perdi em alguns pensamentos e acabei dormindo.
Senti um calafrio subir minha espinha, estava frio e eu permanecia com os olhos fechados, tinha medo do que eu poderia ver. Ao fundo ouviam-se gritos de dor e desespero, foi ficando cada vez mais altos, chega a ser torturante aquele barulho agudo e constante em meus ouvidos. Tapei-os e apertei os olhos, como forma de ignorar aquilo tudo, mas era inútil, o som continuava em minha cabeça.
Receosa abri os olhos vagarosamente, assim que pude enxergar, deparei-me com um parede embolorada e nojenta, forcei meu corpo a se virar para trás, assim ficando de frente com uma cena perturbadora. Um longo e estreito corredor sujo e mal iluminado, nos lados era como selas de cadeia, cheio de pessoas que ficavam com os braços pra fora das grades, como se tentassem agarrar algo que eu não pudesse ver. Era tantas pessoas, que mal se via os rostos e os poucos que se conseguia enxergar, a expressão era de sofrimento, os olhares eram como pedidos por piedade.
Meu coração batia de tal forma que a qualquer momento poderia sair pela minha boca. De repente senti um toque gelado em minha costa, foi tão inesperado que comecei a gritar e correr pelo corredor. Todas aquelas mãos me agarravam, seguravam-se em meu cabelo, em meus braços, em minhas roupas. Eu gritava desesperadamente, apesar de ninguém poder me salvar.
Cheguei ao fim do corredor com o coração na mão, me encostei-me na porta em um das extremidades do corredor. Tentei deixar minha respiração em um ritmo normal. Para mais um susto a porta abre-se, me fazendo cair de costas e algo me puxa pra dentro da escuridão após a porta.
Abri meus olhos desesperadamente, mas agora eu estava no chão de meu quarto, voltei a chorar. Todas as noites o pesadelo se repetia, sempre acontecia em lugares diferentes, mas sempre era algo que fazia ter medo de dormir na próxima noite, porque eu sabia que algo terrível me esperava dentro de minha própria mente.
Me levantei com dificuldade. Sem presa fui até a janela e abri a cortina da janela e fui forçada a fechar os olhos, por causa da claridade do sol que brilhava no horizonte, indicando que já era de manhã. Me sentei na cama, que estava arrumada. O relógio marcava 06h13min da manhã.
Ouvi uma batida na porta.
- Entre! – Minha voz era rouca e baixa.
A porta foi se abrindo lentamente e ali apareceu a cabeça a minha mãe. Seu cabelo se encontrava bagunçado e debaixo de seus olhos havia olheiras visíveis a certa distancia, parece que eu não era a única que estava tendo problemas para dormir.
- Só queria ver se já estava acordada querida! – Ela sorria enquanto fechava a porta novamente.
Levantei-me e fui ao meu guarda-roupa pegar algo para vestir. Me troquei e fui ao espelho ver o estado da minha aparência. Meu cabelo estava consideravelmente desarrumado, mas um pente já resolveu a situação. Porem as olheiras estavam horríveis, meu rosto por completo tinha aparência desgastada, parecia que eu não dormia há muito tempo, o que não era totalmente mentira.
Passei algo que disfarçasse as olheiras, deixando meus olhos em destaque, para que a atenção saísse do meu rosto cansado e fosse para meus olhos.
Notas finais
Se gostarem, posto o próximo.
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