Nightingale

14 Capítulo 12 - Cry


Notas iniciais
Hey babes! Queria avisar a vocês que apesar do final do capítulo ser meio sad, ele é importante para o desenvolvimento do nosso casal preferido, então não queiram me matar... Pra dar um pouquinho mais de emoção, vocês podem ouvir a música que dá nome ao capítulo: http://www.vagalume.com.br/jason-walker/cry.html (Especialmente depois que acabar a cena do flashback)...

Entre a escola e as aulas de dança, a semana voou e quando fui me dar conta já era sexta e o jantar com Dimitri parecia ter ocorrido uma eternidade atrás. Ele me levara a um pequeno bistrô no centro de LA. Era um lugar intimista e repleto de casais. Nós nos sentamos em um dos cantos e nos fechamos em nossa própria bolha. Claro que a maior surpresa ainda estava por vir.

Flashback On

Dimitri dirigia pelo subúrbio de LA até que por fim as casas foram ficando mais espaçadas e quando me toquei estávamos dirigindo por uma estrada de terra, no fim avistei uma pequena clareira com uma cabana. A lua brilhava sobre nós iluminando tudo a nossa volta. No porta malas Dimitri pegou duas cobertas, uma garrafa de vinho e duas taças, ligou o rádio e arrumou para que nos sentássemos no chão. Sentada no meio das suas pernas, tomando o vinho e olhando para o céu eu me toquei que ninguém nunca tinha feito nada romântico assim para mim. Eu me aconcheguei mais em seu peito e fechei os olhos, apenas aproveitando o silêncio.

– Obrigada por essa noite perfeita. – eu disse após algum tempo.

– Obrigado a você por fazer com que ela seja perfeita. – ele respondeu apertando seus braços a minha volta. – No mundo dos negócios... Às vezes você se sente a deriva. É um mundo cruel, onde tudo é matar ou morrer. Quando estou com você, é como se nada daquilo existisse e eu posso me sentir em paz. – eu senti um calor se espalhar por meu peito.

– Era o que meu pai costumava dizer da minha mãe. – disse sorrindo com a lembrança, ao mesmo tempo em que me sentia dominada pela melancolia.

– Você sente muita falta deles. – Dimitri disse em tom de afirmação.

– É impossível não sentir. Nós brigávamos muito e eu admito que grande parte da culpa é minha, sempre fui meio rebelde, mas nós nos amávamos. Minha mãe era a general lá de casa. Ela colocava todo mundo no seu devido lugar, inclusive meu pai. E quanto a ele... Apesar de ouvir pessoas o chamando de mafioso, dizerem que ele era perigoso e que arrancava os olhos dos que ousavam atravessar o caminho dele, pra mim ele sempre era o cara que me levava pra assistir jogos de baseball e que me ensinou a empinar pipa. Eles eram minha base e meu porto seguro. – mas naquele momento eu percebi uma coisa. Eu havia perdido meus pais, mas aqui, nos braços de Dimitri, eu havia encontrado o meu porto seguro novamente. Aquela era a primeira vez que eu falava deles sem derramar lágrimas.

– Eu gostaria de poder te ajudar, eu gostaria de...

– Você já ajuda. – eu respondi cortando-o. Em resposta ele aproximou seus lábios do meu e me deu o beijo mais suave, carinhoso e cheio de significado de toda a minha vida. Naquele momento uma música mais suave começou a tocar e ele me puxou para dançar com ele.

Com nossos corpos colados e minha cabeça descansando em seu ombro nós giramos em círculos. Naquele momento, com aquela música perfeita tocando e os braços de Dimitri a minha volta, eu me senti em um sonho e então entendi um trecho de um filme que eu havia visto. “Eu me sinto infinito”. Eu de fato me sentia infinita nos braços dele, minha base e meu porto seguro. A última nota da canção durou uma eternidade e quando ela acabou eu me senti repentinamente forte, como se nada no mundo pudesse me atingir.

Flashback Off

E desde aquele dia minha ligação com Dimitri tinha se fortificado ainda mais. Nós nos falávamos constantemente e ele tinha inclusive aparecido na escola algumas vezes. Fosse pra ver meu treino na torcida, ou as minhas aulas, ele apareceria com flores ou então bombons e depois ele me acompanhava até em casa, só pra ligar mais a noite e ficar conversando até que eu estivesse caindo de sono e ele me desejaria boa noite e “sonha comigo”, coisa que eu vinha fazendo constantemente. A verdade era embaraçosa, mas eu, Rose Hathaway estava me apaixonando por Dimitri Belikov.

– E então vocês flexionam a perna assim. – disse mostrando como fazer o plié. Sai andando entre as crianças mostrando o que elas deveriam fazer e corrigindo os pequenos errinhos. Quando olhei para o relógio me toquei que já eram quase nove e eu nem tinha visto a hora passando. – Ok galerinha, o nosso tempo infelizmente acabou. – após um coro de “poxaaaaa” eu sorri. – Mas segunda tem mais, não precisam ficar triste. – As crianças ecoaram um “ebaaa” e foram embora. Desliguei o som, peguei minha bolsa e apaguei as luzes.

– Rosemarie. – eu me sobressaltei quando vi o padre Andrew parado no fim do corredor.

– Olá senhor. – respondi formalmente acendendo as luzes.

–Está tudo bem com você, querida? – perguntou.

– E por que não estaria? – respondi em contrapartida.

– Caso você não se importe, eu gostaria de convidá-la a comparecer a uma de nossas missas. Você me parece alguém que poderia fazer bom uso de forças divinas na vida. – por um instante eu fiquei calada sem saber o que dizer, por fim preferi dizer a verdade.

– Me desculpe padre, mas eu não me sinto muito confortável em encontros religiosos.

– Você talvez devesse dar uma chance a Deus. Seus pais frequentavam alguma igreja?

– Bem, meus padrinhos são ortodoxos e meu pai era muçulmano, mas acho que eu segui o caminho de minha mãe. Ela era ateu. – expliquei.

– E você também não acredita em Deus? – mais uma vez não soube como responder sem ofendê-lo.

– Antes do acidente, bem, eu simplesmente nunca tinha parado pra pensar ou questionar a existência de Deus. Mas após a morte dos meus pais... Eu simplesmente não posso acreditar que exista um Deus, por que isso significaria que ele não se importa e isso me deixaria muito furiosa.

– Talvez você apenas esteja vendo pelo lado errado. O que aconteceu com seus pais foi trágico, mas você não está sozinha. Você ainda tem seu irmão, seus padrinhos. E o que dizer daquele moço bonito que sempre passa por aqui?

– Olha padre, eu fico muito grata pelo senhor ceder o espaço para eu dar aulas para as crianças, mas eu simplesmente não quero me envolver nessa coisa toda de religião. – disse deixando bem claro que aquela discussão terminava ali.

– Tudo bem, eu não vou mais insistir. Mas saiba que se algum dia você sentir necessidade de conversar – sem religião – eu sou todo ouvidos. – ele me deu um sorriso paterno e foi-se embora me deixando só com meus pensamentos. Resolvi apertar o passo, pois era tarde, a rua estava deserta e aquele era um lugar perigoso.

Após algum tempo ouvi passos atrás de mim. O ponto de ônibus estava a duas quadras, mas antes havia um trecho sem luz. Olhei para trás e vi três caras me seguindo. Tentei andar mais depressa, mas quanto mais rápido eu andava mais perto eles chegavam. Quando estava quase lá eles me alcançaram.

– Olha se é dinheiro que vocês querem podem levar. – eu disse estendendo a minha bolsa.

– Nós não queremos seu dinheiro, nós queremos você boneca. – um deles disse passando um dedo pelo meu rosto. Eu comecei a tremer, mas me obriguei a me manter calma e dar uma olhada ao meu redor. Não tinha ninguém na rua, que estava totalmente às escuras. De um lado havia casas, mas todas tinham luzes apagadas, enquanto que do outro tinha um beco sujo. Minha melhor chance era correr para o outro lado da rua, fácil. Só teria que passar por esses três brutamontes. Me aproximei do que tinha falado comigo, era o que estava no meio, e dei-lhe um chute no meio das pernas. Não tinha dado nem quatro passos quando os outros dois me pegaram pelo braço e saíram de arrastando para o beco.

– Socorro! – eu gritei o mais alto que pude. Um dos caras tampou a minha boca.

– Pode gritar o quanto quiser vadia, mas ninguém vai vir te ajudar. – ele apertou o meu rosto, me forçando a encarar seus olhos enquanto a outra mão apertava meu seio. Naquele momento o medo me dominou por completo, me impedindo de raciocinar. Tudo o que eu sabia é que eu não tinha como escapar. O outro cara veio e rasgou minha blusa com brutalidade. Sua mão veio em direção a minha calça quando as lágrimas começaram a escorrer por meu rosto, e de repente ele não estava mais lá. Um vulto veio pra cima deles e em poucos instantes os três estavam no chão. Quando a outra pessoa veio até mim eu comecei a me encolher.

– Rose. Rose. – eu ouvi a voz me chamar e, em meio ao torpor eu tive a sensação de conhecer a voz, embora não conseguisse reconhece-la. – Roza. – me chamou novamente e eu reconheci a voz como a de Dimitri. Olhei para cima e ele me olhava pálido como um fantasma.

– Dimitri. – eu disse num sussurro. Então meu corpo começou a convulsionar e uma parte distante do meu cérebro reconheceu aquilo como ânsia de vomito. Em instantes eu comecei a vomitar e então Dimitri segurou meu cabelo. Quando eu terminei ele simplesmente me levantou e me puxou para os seus braços. Eu me lembrava de me sentir segura neles, me lembrava do calor e da sensação, mas tudo o que eu conseguia sentir agora era repulsa. Eu me afastei de seu abraço, mas Dimitri não protestou. Ele simplesmente tirou seu casaco e me entregou e eu murmurei um obrigada. – Dimitri, eu...

– Está tudo bem Roza. Eu entendo que você está com medo e confusa. Vamos pra casa. – ele disse me guiando até seu carro. A parte irracional não queria estar sozinha com ele no carro, mas a parte racional me disse que aquele era Dimitri e que ele não iria me fazer mal algum.

– Achei que você não fosse vir hoje. – comentei curiosa com sua repentina aparição.

– Eu me atrasei devido a uma reunião de trabalho. Tentei te ligar, mas seu celular só dava fora de área. – o resto da viagem foi em silêncio. Ele ligou para os Dragomir e quando chegamos todos esperavam por mim no portão. Assim que desci Lissa correu até mim me abraçando, ao longe pude ouvir Rhea falando com Dimitri.

– Obrigada Dimitri. Se não fosse por você eu não sei o que poderia ter acontecido com Rose.

– Eu não fiz nada além de proteger uma pessoa que eu gosto. Mas Rhea, eu não acho que ela deva voltar lá.

– Ela não vai, pode ficar tranquilo. Mas acho que talvez ela devesse ir ao médico.

– Não se preocupe, já falei com minha mãe, ela está vindo dar uma olhada em Rose.

– Eu estou bem. – disse interrompendo-os. – Sua mãe não precisa se incomodar.

– Não é incomodo nenhum Rose. – Olena disse descendo do carro. Ela me examinou, me instruiu a beber muita água e pediu que eu ligasse caso fosse necessário. Tentei me fazer de corajosa e dizer que estava tudo bem, mas a verdade é que por dentro eu me sentia quebrada, como uma boneca de porcelana que caiu de uma estante muito alta e foi reduzida a cacos. A noite na clareira com Dimitri parecera ter acontecido a uma eternidade e agora eu não sabia se algum dia poderia me sentir confortável na presença dele novamente.

Notas finais
Então, as coisas não estão fáceis para nossa querida Rose, e já vou avisando, a fic mais ficar mais sombria agora. Mas daqui uns quatro ou cinco capítulos as coisas vão melhorar, prometo! XO ;*