Night Talks

1 ◇ . único


Notas iniciais
Mais uma fic da sessão "Escrevi para não pensar no enem, mas não deu certo". Boa leitura.

Adrien possuía um levado hábito de fugir à noite. Mais precisamente, nas noites de insônia, as que brigava com seu pai.

Chat Noir pulava os telhados rapidamente, e Adrien gostava do vento frio batendo no seu rosto, bagunçando seus cabelos. A sensação era uma das suas favoritas, ainda mais quando tinha de vista, a bela e iluminada Paris. Parou na varanda de uma casa, olhando à frente.

Quase ao mesmo tempo que parou, as diversas brigas da semana voltaram à sua mente, o rosto irritado do seu pai e sua voz fraca em todas as lembranças.

“O que faz aqui, gatinho?” A voz baixa pareceu uma canção de ninar para suas orelhas, e o afago nos cabelos, um bom acompanhamento.

“Olá, princesa.” Deu seu melhor sorriso. Marinette merecia um sorriso genuíno.

Era estranho a coincidência daquela ser a varanda da padaria e casa dos Dupain-Cheng. Chat estava grato que fosse Marinette, que fosse a casa dela.

Olhou para a garota, empacotada no edredom rosa, sem os pompons prendendo o cabelo. Marinette conseguia ser bonita até pronta para dormir.

Chat pensou em fazer um comentário sobre isso, porém, deixou o pensamento de lado. Ele não conseguiria fazer humor no momento.

“Marinette, sei que deve ter aula cedo amanhã, eu também tenho, mas, será que poderia ouvir minhas angústias?” Ele estava pedindo demais. Não queria fazê-la perder a hora na manhã seguinte, muito menos incomodá-la com seus problemas, mas Marinette Dupain-Cheng era a melhor ouvinte e amiga que Chat Noir e Adrien conheciam.

“Claro!” Marinette sorriu.

Seu coração era de ouro. Chat tinha certeza absoluta.

Chat deu um longo suspiro e começou a contar o início do que seria um longo monólogo.

Marinette ouviu cada palavra em silêncio, respeitando sua dor e compreendendo-o. No fim, deu-lhe um bom conselho, disse palavras de afeto, e comentou que possuía um amigo que também tinha muitos problemas com o pai. Talvez Chat tivesse ficado um tanto tenso no momento, afinal, ele sabia que o Adrien que Marinette conhecia era ele, mas ela não sabia quem ele era.

As estrelas estavam indo embora, e caso ficasse em pé na barra de ferro, Chat poderia ver o sol levantando-se. Foi quando finalmente terminaram de conversar. Definitivamente, perderiam a aula do dia, o que levaria à outra briga com seu pai, porém, não o incomodou tanto. Estava contente e aliviado de se abrir com alguém.

À noite, Adrien pensou em ver Marinette outra vez. Dessa vez, sem ter motivo algum, além de, claro, adorar sua companhia, e Chat impulsionou o corpo para fora do quarto, seguindo pelas ruas de Paris.

Não foi preciso fazer ou falar qualquer coisa para Marinette abrir a porta do alçapão e cumprimentá-lo. Naquela noite, a garota fez chocolate quente para eles e passaram duas horas conversando, e como suspeitara, Marinette acabou faltando à aula naquela manhã também, mas diferente do seu pai, os pais dela não ficaram irritados.

Pelo bem dos dois, marcou o tempo para não perderem a hora, e à meia noite e vinte e três, Adrien já estava deitado na sua cama com um sorriso no rosto.

As conversas noturnas aconteceram frequentemente, dia após dia, sem que Adrien precisasse estar com insônia. Tinham hora marcada e decidiam quem faria os lanches da próxima noite. Afinal, conversar dava fome.

Marinette não se importava que ele estivesse sempre com uma máscara, nunca perguntava quem era, apesar de Adrien, bem no fundo, querer que ela perguntasse. Marinette não era Ladybug, e ela era uma pessoa de confiança, portanto, seu voto de confidencialidade não valia, e Marinette nunca contaria para ninguém. Entretanto, o pensamento sempre acabava sendo guardado pela sua covardia. Marinette agia estranho quando ele Adrien, talvez não gostasse de saber que ele era Chat Noir.

Mas ser Chat Noir e Marinette Duapin-Cheg não era ruim, eram um ótimo par, ele gostava dela e esperava poder dizer isso um dia.

Notas finais
Obrigada por ler, espero que tenha gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!