Night Rain

1 O encontro, a captura


Não era a primeira vez que dava um golpe em alguém, mas estava mais nervosa do que o normal aquele dia. Tinha um péssimo pressentimento.

- Ficou magnífico em você. — disse Amaya, observando uma jovem por trás pelo espelho. Com um olhar convincente, que sustentava o ego da jovem filha de milionários.

- Você achou?

- Certamente. Um belo colar só tem valor em um belo pescoço.

A jovem sorriu, desconcertada. Suspirou.

- Eu vou ficar com ele!

- Tenho certeza de que é a pessoa certa para ele.

- Posso pagá-la à vista?

- Certamente. — sorriu, satisfeita. — O valor é de 160 mil libras.

- Com licença... — a menina sorriu e levantou-se, buscando na gaveta de seu criado mudo um envelope branco grande. O entregou. — Aqui há 200 mil libras, recompensa por seu bom trabalho.

Amaya levantou-se e encarou a jovem com um sorriso.

- Obrigada.

- Eu é que agradeço.

- Posso lhe pedir um único favor.

- Sim?

- Como disse à você mais cedo, gosto de selecionar minhas compradoras. Seria muito indelicado ter de rejeitar compradoras, mas eu teria que fazê-lo se fosse necessário.

- Entendo...

- Posso lhe pedir que mantenha esse o nosso segredo?

- Mas é claro. — a jovem respondeu sorrindo. — O mordomo vai acompanhá-la até a saída.

- Faça bom uso do colar.

Amaya se dirigiu até a porta e foi guiada até a saída por um mordomo que não dizia uma palavra, e se movimentava apenas o necessário para realizar a função que lhe foi dada. Deixou a casa e agradeceu. Após a porta se fechar, Amaya retirou os sapatos de salto e foi andando pela calçada da grande mansão. Enquanto andava, foi tirando também a peruca loira que usava, as sobrancelhas falsas e as colocou dentro da bolsa que carregava. Ao se aproximar de uma grande lata de lixo, se desfez da bolsa e continuou andando, até sentir uma mão no ombro.

- Moça, acho que deixou sua bolsa com sua peruca cair no lixo. — disse uma voz masculina sarcástica.

O coração de Amaya disparou. Mas logo ela se acalmou. Era especialista em inventar boas histórias e se livrar de problemas.

- Estava entretendo uma jovem nesta rua. — disse ela, sorrindo convincentemente.

- Puxa, você é mesmo boa!

- Desculpe?

- Hina é uma jovem mimada... Seu único entretenimento é comprar.

- O que quer dizer com isso?

- Bom, por esse envelope branco, a peruca no lixo e a naturalidade com que você mentiu há alguns minutos... Eu diria que você vendeu alguma jóia falsa por uma quantia considerável.

O jovem simplesmente sorria enquanto Amaya tentava aparentar calma. Seu mau pressentimento não era apenas um mal estar. Estava acontecendo, ela tinha sigo pega.

- Você... Tem uma imaginação bem fértil. — ironizou.

- Bom, então se me permite. — ele disse, sacando um celular do bolso. — Hina pode esclarecer as coisas e então eu paro de tomar o seu tempo.

- Merda! — Ela chutou o celular da mão dele, o pegou e começou a correr.

Ele sorriu e não se moveu. Ela olhou para trás e estranhou, quando foi surpreendida por dois seguranças. Que a imobilizam enquanto o jovem se aproximava com passos calmos.

- Se é uma golpista de jovens ricos, devia saber que nunca andamos sozinhos.

- Vai me entregar à polícia?

- Entregar à polícia? — ele sorriu maliciosamente. — Não... Isso seria muito entediante. Tenho uma idéia melhor.

Amaya o encarava sem palavras. Os seguranças receberam um sinal e a vendaram, a carregando até algum lugar não muito longe dali. Após alguns minutos, Amaya foi colocada numa cadeira e sua venda foi tirada. Estava num quarto escuro, com janelas cobertas por panos, apenas uma cadeira e nada mais, sozinha com o jovem, que a encarava com um semblante tranquilo.

- Por que não estou amarrada? — ela perguntou, cruzando as pernas num ato de calma.

- Você não vai fugir... — sorriu.

- Como pode ter tanta certeza?

- Eu sou Takahashi Kyoichi, neto de Takahashi Satoru, fundador do departamento de polícia Takahashi, que protege esse país há mais de 100 anos.

- Interessante. — ironizou.

- Sabe o que é mais interessante? A tecnologia. Sabia que só com a impressão digital de uma pessoa você consegue descobrir todos os antecedentes dela em segundos?

- Você está blefando. — uma gota de suor se formou em sua testa.

- Ainda mais quando se tem acesso à todos os registros de polícia num computador da sua casa.

- Mentira! — ela gritou.

- Roubar uma velhinha com 9 anos? Meio precoce não acha?

Amaya desviou o olhar, sentia seu coração palpitar com força sob o peito. Tentava controlar a respiração. Eventualmente tinha falta de ar, e não queria dar aquele gosto à Kyo. Este pegou um copo com rum e deu um gole, se deleitando do desespero da jovem.

- Então, Amaya, tenho uma oferta pra você. — sorriu.

Amaya não se moveu, não emitiu nenhum som. Se sentia humilhada, e sabia que estava vencida.

- Certo. — continuou. — Você vai ser o meu objeto de diversão. Vai fazer tudo o que eu mandar, quando eu mandar. E, é obvio que se fugir, a polícia do país inteiro vai atrás de você imediatamente e eu vou fazer de tudo pra que você receba uma punição ao seu nível. Se é que você me entende. — sorri sarcasticamente. — Ah, e já ia me esquecendo! Em troca, você vai ficar hospedada nesse maravilhoso aposento, ao qual você só terá o direito de deixar com a minha permissão. [i]Compris?[/i]

- Vai se ferrar. — sussurrou.

- O que disse?

- Eu entendi. — levantou a cabeça e respondeu rispidamente.

- Certo. — sorriu. — Vou deixá-la aproveitar os momentos de paz que ainda lhe restam. — apanhou seu copo de rum e deixou o quarto.

Amaya colocou a cabeça sobre as mãos e deixou algumas lágrimas escaparem. Retirou as lentes de contato que usava ainda do disfarce. Procurou no bolso seu par de óculos, e não estavam mais lá. No outro bolso, pegou uma foto de sua mãe, que não conseguia ver devido à vista embaçada. Precisava dos seus óculos.

- Merda, merda, merda! Mas que merda! — Dessa vez não conteve-se, chorou compulsivamente pelo resto da tarde, até adormecer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.