Night Of Vampires
5 Capítulo 5
No outro dia quando acordei nem lembrava mais do momento em que fui dormir, e também não vi o horário em que Tsuki chegou em casa, digo, na casa dele, sinto-me tão acomodado que acabo sentindo-me em casa.
Por alguns dias foi assim, ele saia cedo, deixando um bilhete e voltava somente depois que eu havia dormido, isso estava começando a me irritar profundamente, quem ele acha que é por não me dar nenhuma explicação direta, até aprece que aqueles papéis medíocres poderiam servir como explicação.
Outro dia me levantei normalmente e fui logo em direção a cozinha para ver se o encontrava, estava com saudades de ver aquele sorriso cativante e seus olhos brilhantes como pérolas, não o vejo à dias, e ainda estou devendo uma punição por ter me avisado por papéis, subordinados devem pedir permissão pessoalmente.
Parei na porta da cozinha e encostei-me à parede, ele não estava lá novamente, mas que diferença isso faz, fazia quase uma semana que não o via, mas mesmo dizendo isso, queria vê-lo novamente, onde mais poderia estar aquele garoto?
Fui em direção a mesa procurando por algum bilhete, mas nada havia lá, a cozinha estava completamente arrumada como sempre.
- Procurando algo..? – Eu pude escutar aquela voz encantadora que não ouvia a dias, fingi não me importar e me sentei a mesa sem olhar para ele.
- Não. – Disse friamente.
- Então estou saindo.
- Onde vai? – Me virei rapidamente para encará-lo, porém ele já estava de costas.
- Sair um pouco. – Ele falou sem se virar.
- Você ainda vai ter um castigo.
- Que seja. – Estranhei por ele não ter perguntado o porquê do castigo.
- Diga-me aonde vai.
- Vou sair um pouco, é só. – Ele parecia bem calmo e.. frio.
- Você está.. tão frio. – Murmurei.
Logo vi o garoto a minha frente desabar inconsciente, corri até ele tentando acordá-lo, mas parecia que nada funcionava, senti meu peito sendo corroído de preocupação, não queria que nada ruim acontecesse a ele, mas.. o que estava acontecendo comigo? Porque me importo tanto com esse garoto?
Coloquei-o no sofá, levemente botei minha mão esquerda sobre minha testa enquanto a direita repousava sobre a dele tentando medir nossas temperaturas, parecia estar normal, então o que poderia ter acontecido?
- M.. – Ele falava, porém seus olhos permaneciam fechados, ele se agarrava ao tecido da minha camisa.
- Tsuki! – Falei em um tom alto e preocupado repousando meu braço direito sobre ele, colocando meu braço esquerdo acima da cabeça dele e aproximei meu rosto do dele. – Diga-me, o que você tem?? – Acho que eu estava quase chorando..
- Não sei. – Ele agarrou minha camiseta, parecia estar sentindo uma dor profunda.
Eu não sabia o que fazer, não queria ver aquele rosto de dor que vinha dele, a sensação que eu tinha era que iria perdê-lo, e isso para mim seria a pior coisa do mundo. Uma semana, quase uma semana sem vê-lo e acontece isso, será que ele andou se alimentando? Isso! Só pode ser isso, essa dor tão forte...
- Tsuki, você se alimentou essa semana? – Disse tão rápido as palavras que algumas se embaraçaram em minha boca.
- N..não. – Ele pareceu não querer ter dito aquilo.
Mas logo que ouvi essas palavras me levantei rapidamente indo até meu casaco procurando por algum frasco com aquele líquido tão sagrado, porém não encontrava nenhum ali, mexia tão rápido em cada bolso do casaco, e quando notei que realmente não tinha nenhum me desesperei.
Logo agora que preciso tanto! Porque não encontro!? Meus pensamentos estavam apenas nisso, encontrar sangue para que Tsuki pudesse se alimentar e assim a dor cessar, tudo parecia estar dando errado esses dias, não via Tsuki a tanto tempo, eu estava sempre passando mal, e agora que vejo-o ele está nessa situação.
Aproximei-me dele, sentando no sofá e levantando-o até que repousasse sua cabeça na curva do meu pescoço e o abracei.
- Por favor. – Eu sei que não seria uma das melhores coisas fazer isto agora, mas era a única fonte de sangue que tinha no momento.
- Mas..
- Vamos! – O interrompi com um grito afobado.
- Me.. desculpe. – Ele falava cada palavra calmamente e devagar, talvez não tivesse forças para falar normalmente.
Logo senti suas presas encostarem-se ao meu pescoço e estremeci, nunca havia deixado que tomassem de meu sangue, esta era a primeira vez que alguém tomaria de meu sangue, ele estava hesitante mas logo que perfurou minha carne pude sentir que estava realmente faminto pois nenhuma gota se desperdiçara, pude até ouvir meu sangue sendo sugado por ele.
Aquilo era bom, prazeroso, será que as pessoas que eu mordia sentiam isso? Foi a melhor sensação de que já pude provar, meu sangue sendo sugado por uma outra pessoa, aqueles lábios macios que tocavam a minha pele, eu estava fascinado por aquele simples ato que eu praticava todas as noites.
Quando ele se sentiu satisfeito e me largou segurei-o pelos ombros deixando-o completamente paralisado, olhando para mim confuso, ele parecia um pouco cansado ainda.
Olhei para ele de cima abaixo, sentindo uma louca vontade de beijá-lo, e era isso que eu iria fazer, olhando em seus olhos de forma superior pelo fato de ele ser mais baixo que eu, eu me aproximava lentamente de sua face.
- Mjou? Você está bem? – Ele sussurrava ainda cansado e falando cada palavra lentamente.
- Ah, sim. – Sai do transe ao ouvir sua voz e coloquei-o deitado sobre o sofá, cobrindo-o e me sentando no chão encostando-me no sofá. – Melhor dormir um pouco, você parecia realmente fraco.
- Hum.. – Ele apenas disse isso e fechou seus olhos.
Fiquei observando-o por um tempo, acabei por encostar-me no sofá, ficando de costas para ele, agora ele se tornara um semi-puro, um mestiço no qual toma um sangue de um vampiro no qual tem um sangue puro... É nisso que ele acabou por se tornar.
- Mjou, você não deveria ter feito isso.
Eu conhecia aquela voz feminina em qualquer lugar, era Midori.
- Mi..dori. – Olhei-a de cima a baixo, ele aparentava assustada e preocupada.
- Essa não foi uma boa escolha. – Ela olhava para ele enquanto se aproximava.
- Não tive escolha, ele iria morrer. – Me vireipara ele e fiquei a fitá-lo.
- Mas você sabe o quanto os semi-puros são mal vistos pelos mestiços. – Ela acariciava os cabelos pretos azulados do garoto.
- A inveja poderia matá-lo, mas estarei ao lado dele. – Me apoiei sobre meus braços sobre o sofá, bem próximo à Tsuki.
- Você.. poderia estar o amando? – Ela instantaneamente parou de acariciá-lo.
- Não, como eu poderia amar um menino!? – Eu me levantei olhando incrédulo para ela sentindo mais uma daquelas pontadas no peito.
- Mjou, Kim me contou tudo, e isso não parece o tratamento que se dá para um amigo! – Ela parecia bem nervosa pelo tom de voz.
- Lógico que é, Tsuki não significa mais nada para mim, apenas somos amigos! – Porque essas palavras me doíam tanto?
- Desculpe Mjou, mas você não quer aceitar essa paixão que sente, e acabo de me decidir, eu... quero terminar. – Ela pronunciou estas últimas palavras tão baixo que mal pude ouvi-las, mas mesmo baixas elas ficaram ressoando pela minha mente por um bom tempo.
- Você.. sério? – Falei olhando para o lado sem deixar lágrimas correrem.
- Desculpe Mjou.
- Porque? Te fiz tão infeliz?
- Não é isso, mas... eu quero que você seja feliz. – Ela disse, depositando um beijo em minha bochecha direita e indo embora.
Deixei-me cair no chão, derramando lágrimas, eu estava muito confuso, será que realmente eu estaria amando Tsuki sem ter notado?
Notas finais
Nota: Próximo capítulo apenas dia 13. Motivo: Viajem. T-T'
Fale com o autor