Night Lights
3 Irmão mais novo
Notas iniciais
Hoje os Franco vão me buscar para morar com eles, pela primeira vez em semanas sentia algo, uma ansiedade enorme tomando conta de mim. Já tinha arrumado minhas coisas dois dias antes. Quase chegando a hora de ir, fui me arrumar colocar outra roupa de acordo com o clima, para não levantar suspeitas. Vesti a roupa mais simples de armário, um blusão verde e um jeans. Nunca gostei de usar roupas chiques, mas nunca sai muito desarrumada. Já pronta, fui até a sala peguei minha mochila e dei mais uma boa olhada na sala, a ultima. Sabia que quando saísse de lá teria que esquecer de onde vim minha família, tudo. Me sentia mais triste do que antes, quando estava viva. Por mais que não gostasse da minha vida isso já era demais.
Abrindo a porta dei um suspiro de alivio ao mesmo tempo de preocupação, desci pelo elevador e quanto mais andares descia mais nervosa eu ficava. Cheguei na recepção e dei a chave para o porteiro, sem dizer nada, mas ele simpático disse:
-Adeus Senhorita Alice. -sabia que nunca mais ia ve-lo, mas, odeio dizer \"adeus\".
-Tchau. — foi o que eu disse sem expressão no rosto.
Olhei a sala da recepção para ver se tinha mais alguém sentado, fiquei imaginando como era essa familia de mil maneiras diferentes. Até que vi um garoto de mais ou menos 17 anos ou menos, muito bonito e um pouco pálido. Uma coisa me intrigava nele, porque usar óculos escuros em lugar coberto aliais o tempo estava nublado na rua. Fui ate as poltronas esperando ele me chamar. Sentei na frente dele, mas não olhei direto para ele, olhei reto para o centro da mesinha de café que tinha no meio da sala.
-Ornamento bonito né?- olhei pra ele com uma cara séria e meio sangada.
-Desculpe é que você estava com o olhar tão fixo, e... Alice? — perguntou ele com um belo sorriso. Ainda bem que ele falou comigo, sou meio anti-social nunca puxaria conversa ou perguntaria nada para ele.
-Sim... Acho que sou. — incrível eu não conseguir ter uma expressão facial descente de simpatia.
-Bom acho que somos irmão... Meu nome é Ian. — disse ele estendendo a mão para me cumprimentar. Cumprimentei-o sem silencio.
-É acho que sim... — silêncio voltou.
-Então vamos para o táxi... Você não tem medo de voar de avião não é?- ele me surpreendeu dando uma risada. Pensei que ficar sem expressão fosse algo de morto vivo. Não, não respondi a pergunta, e sim, havia um intervalo para responder. – Bom... Vamos ir para o aeroporto e pegaremos o avião das 8h30 para Dakota do Norte, você vai gostar de lá é bem legal. — nossa como ele fala. Ao passarmos pela porta do prédio ele de repente parou de falar. Talvez esse fosse um sinal para eu puxar assunto. Respirei fundo e perguntei:
- Onde estão seus pais? — puxei minha mochila para mim. Por mais que não pudesse ver seu olhar atrás daqueles óculos escuros sabia que ele estava surpreso em me ver falar.
-Viagem de negócios. Mas não se preocupe quando chegarmos em casa eles já estarão esperando por nós. — depois de mais alguns minutos em silêncio chegamos ao aeroporto.
Quando era pequena minha mãe não tinha com quem me deixar, e me levava para o trabalho com ela. Ela trabalhava no aeroporto como atendente, enquanto eu ficava caminhando no aeroporto brincando com as crianças que esperavam seus voos. Eu era tão feliz naquela época, podia não ter muita coisa, mas era feliz.
-Chegamos bem na hora. -disse ele ansioso.
Saímos do carro e estava ventando, ventando bem forte, mas não sentia vento no meu rosto. Perguntei-me se Ian também não sentia nada. Então ele tirou os óculos escuros, e eu que estava atrás dele, apressei meus passos para ver ele sem óculos.
Eram azuis feito o céu em dia limpo, eram hipnotizantes, lindos. Paramos de andar, ele olhou para mim com um olhar melancólico. Toda minha ansiedade passara naquele momento. Agora teria um irmão. Não estaria mais sozinha. Ele colocou os oculos todo timido e caminhamos depressa para pegar o avião.
Depois de toda aquela viagem cansativa, chegamos. Ficamos esperando mais meia hora pelo carro que ia nos levar para casa. E nesse meio tempo, Ian me contou de como era a casa a escola. Fiquei entusiasmada como tudo parecia ser legal.
Quando o carro chegou, me decepcionei, achei que seria um carro super caro e do ano. Mas era apenas um gol simples. Ian percebeu meu desapontamento e disse:
-Fiz muita propaganda? — disse ele fazendo cara de cú.
Comecei a rir, primeira vez em anos.
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