O medo e a raiva logo me invadiram, um lado sádico me tomou e a vontade de vê-la morta queimava minha língua e fervia minhas veias. Mas fui me acalmando, eu mal a conhecia, não deveria ser a mesma pessoa. No momento em que eu desci do caro de Kyoko, os olhos dela dispararão em minha direção, mantendo-me no local como se eu estive-se presa. Ela sorriu com malicia, como se me reconhecesse, afirmando ou que eu tinha pensado, então era ela mesmo. Diversas emoções passaram pelo seu rosto, algumas era a raiva, a malicia, nojo e algo que me pareceu ser.... fome ou sede. E ainda estava paralisada e ela vinha na minha direção, estava decidindo o que fazer se corria ou ficava para dar um soco na sua cara e com sorte quebrar seu nariz. Essa era uma coisa que eu queria fazer. Fechei a mão num punho, retribui o sorriso que estava em seu rosto. Vingança, era algo que eu queria a certo tempo. Mas quando só faltavam mais alguns passos para o nosso encontro, eu garoto se colocou em nosso caminho.

-Kyoko, que bom te ver, quem é essa?

-Essa é Aoi Hitachi, minha amiga que veio de Kyoto.

-Bom dia!

Eu dei um grunhido baixo em resposta, não estava com animo para ficar de arreganho e conversinhas, mas de certo modo ele era muito bonito e me chamou a atenção . Atrás dele vinham uma garota com os cabelos na mesma cor preta que os dele, apenas os olhos mudavam de azul escuro para um verde claro, junto deles vinha outro garoto este loiro com os olhos castanhos. Ficava de uma forma protetora atrás da garota, mas olhava com certa indiferença para tudo. Seguindo meu olhar ele me apresentou aos dois. Como eu pensava os dois eram irmãos, Takeo Mitsu e Takeo Konoka eram órfãos e tinham um ano de diferença entre si. Já o garoto loiro se chamava Akira Ryosuke. O que mais me chamou atenção é que a moça de olhos vermelhos não apareceu mais naquele dia.

-Kyoko, você sabe o nome daquela garota de cabelos compridos, bracos? – eu falei tentando controlar minha expressão, mas ao falar minha voz veio cheia de raiva e medo reprimidos.

Eles me olharam, também com aquele tom não era de se estranhar.

-Hm, ela se chama Haruko, veio a algum tempo para cá. Porquê?

-Hm, por nada.

-Hitachi você conhece ela? – era mais uma afirmação do que uma pergunta.

O que eu deveria responder, que achava que ela era quem tinha matado os meus pai? Eu mentia mal e a Kyoko provavelmente veria através da mentira.

-Não, não a conheço. – eu disse, saiu meio confuso, mas eles pareciam ter engolido.

Durante o resto do dia, Mitsu não tirou os olhos de mim, olhos que traziam um preocupação desnecessária, nada iria me acontecer, eu não faria nada demais. Ainda.

Nós já estávamos indo para casa, me veria finalmente longe daqueles olhos azuis preocupados.

-Tenham cuidado.- falou Mitsu dirigindo isso mais para mim.

Nós partimos, mas eu podia sentir o olhar de Kyoko em mim.

-Tem certeza de que tudo esta bem, Hitachi? Você parecia... com presa hoje.

-Nada a vê.

Perto das sete horas eu e Kyoko resolvemos vermos um filme, um de terror, que o filme mais acaba por causa que todo o elenco morreu que outra coisa.

-Hitachi, você não se importaria de ir comprar pipoca não é? Enquanto isso eu vou arrumando aqui.

-Sem problema.- eu queria mesmo um tempo só para mim, ela ficou o dia inteiro me perguntando se eu estava bem.

Sendo num bairro chique como era, o supermercado não era muito longe da sua casa. Como era inverno estava escurecendo mais rápido. Nunca tive medo do escuro, mas a rua escura e deserta estava me preocupando,afinal não era tão tarde e as pessoas deveriam estar nas ruas a essa hora.

Tinha virado a rua, faltava apenas virar a esquina e eu estaria lá, então comecei a ouvir passos baixos, me virei mas não havia nada ali, devia estar ficando paranóica, o que não era de se esperar um vez que quase me internaram num hospício, mas os passos voltaram, tão baixos como no meu sonho... como no meu passado. E quando eu cheguei na esquina me deparei com um beco, daqueles bem nova yorkinos com duas lixeiras grandes de um lado. Pensando no que Kyoko me disse eu deveria ter virado na segunda rua e não na primeira, os passos que me seguiam pararam de repente e eu me virei, os braços estavam cruzados, o sorriso malicioso agora estava debochado e os olhos, os olhos vermelhos estavam famintos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.