Notas iniciais
CHEGAMOS AO DÉCIMO CAPÍTULOOOOOO!Desculpe pela demora. Acontece que semana passada fui à Curitiba assistir ao show do Paramore, que estava INCRÍVEL. Não ando tendo tempo pra postar, e não poderei mais usar o computador durante a semana. Estou tendo um bloqueio criativo e pouco tempo pra escrever, então me perdoem.Boa leitura seus gatos ;)

“Mais uma vez, a cena começou a mudar, e acordei deitado em minha cama.”

Alex, Quíron, e Percy estavam sentados à minha volta. Pareciam preocupados, e esperavam que eu acordasse:

– O que estou fazendo aqui? – perguntei confuso.

– Bem, você estava na Arena treinando e de repente você desmaiou – informou Quíron.

– Eu... Desmaiei?

– E ficou quatro horas desmaiado. Alex disse que você desmaiou na Arena, depois que a viu. Está tudo bem?

– Sim, estou ótimo.

– Nico, nós o levamos para a enfermaria, e parece que não tinha nada de errado com você. Por que você desmaiou? Você parecia perfeitamente bem, então viu Alex e desmaiou, sem mais nem menos.

– Bem, eu tive um... Tipo de visão. Não sei, foi como se eu sonhasse acordado.

– Um sonho? Bem, o que você sonhou?

Olhei para Alex com o canto do olho. Provavelmente ela não gostaria que ela contasse nada a ninguém que ela sofria bullying, ainda menos que se cortava.

– Eu... Vi Bianca. Isso. Vi eu e Bianca quando éramos jovens.

– Só isso?

– Sim. Só isso. Apenas isso. Nada mais.

– Não está escondendo nada, está? – perguntou Quíron, ainda desconfiado.

– Nada. Nada mesmo. Nadinha. Nadica de nada – deuses, por que eu tinha que mentir tão mal?

– Tudo bem, então. Acho que você deveria ficar descansando por um tempo. Até mais – ele disse saindo do chalé, sendo acompanhado por Percy e Alex.

– Alex? Você pode esperar um pouco? Quero falar com você – os três me olharam desconfiados.

– C-Claro.

Ela ficou me olhando, como se tivesse algo para falar, mas não sabia se dizia ou não.

– Bem, Alex, acho que você percebeu que eu menti quando disse que sonhei com Bianca.

– Todo mundo percebeu.

– É... Na verdade, eu sonhei com você. Tenho sonhado muito com você ultimamente – disse e senti minhas bochechas queimarem.

– Que tipo de sonhos? – ela parecia preocupada. Eu também ficaria se fosse ela.

– Bem, um deles foi sobre o cara que te adotou, o tal de Filipe. Bem, ele estava atrás de você, e disse que iria te machucar se você não voltasse com ele para casa – olhei fixamente pra ela, esperando qualquer tipo de reação, mas ela ficou muda.

– Alex, ele batia em você? Te machucava?

– Nico... Eu não sei se quero falar sobre isso com você, me desculpa.

– Eu entendo, é sério, mas... Eu queria que você me falasse. Se você teme que eu conte a alguém, não se preocupe. Eu nunca faria isso. Nunca mesmo. E eu estou preocupado com você. Sei que nos conhecemos faz pouco tempo, mas... Bem, eu acho que... Acho que estou gostando de você – dessa vez ela pareceu surpresa. – E eu tenho medo que você acabe fazendo alguma “loucura”, entende? Alex, eu queria tanto que você se abrisse comigo... Acho que você precisa desabafar com alguém, tirar o peso de cima de cima das costas, sabe? E eu quero ser seu amigo, quero que saiba que você pode confiar em mim, de verdade.

– Nico... Muito obrigada. Eu não sei nem o que dizer... Bem, eu acho que também gosto de você, mas... Nico, isso é algo muito pessoal pra mim. Algo que me machucou muito durante toda minha vida, e não sei se estou pronta pra falar sobre isso. De qualquer jeito, muito obrigada, eu com certeza também quero ser sua amiga. Não que eu saiba o significado da palavra “amizade”, mas eu agradeço. É provavelmente uma das melhores coisas que alguém me diz – Nossa. Tipo... Nossa.

– Pera, você disse que gosta de mim? Isso é sério? – digo cético.

– Claro que é sério – ela disse rindo.

– De mim? Logo de mim?

– Por que não gostaria? Você está sendo muito legal comigo, me oferecendo apoio e ajuda, mais do eu poderia esperar por te conhecer em tão pouco tempo, e você acha que eu não tenho motivos suficientes? – Noooooooooossa.

– Que isso... Só estou fazendo o que todos deveriam fazer.

– Deveriam, mas não fazem.

– É... Bem, e no segundo sonho, vi um trio de garotas nojentas tirando sarro de você na sua escola. Te xingaram e te trancaram no armário. E depois... Bem, você foi para o banheiro se cortar.

Quando disse isso, seus olhos se encheram de lágrimas.

– Ah... Você não deveria saber disso. Eu não ia contar isso, não queria que ninguém soubesse. Não pensei que fosse descobrir, Nico, eu... – ela soluçava agora. Abracei-a.

– Ei, ei, está tudo bem. Isso acontece com muitas pessoas, não só com você, ok? Não se preocupe.

– Você não faz ideia de como elas são cruéis, Nico... Elas me fizeram sofrer tanto...

– Pode chorar, tudo bem. Estou aqui com você.

– Todos esses anos tive que aguentá-las, Nico. Aquelas vadias anoréxicas...

– Desde quando você sofre bullying?

– Desde que... Que me mudei para a casa de Filipe e comecei a estudar naquela escola vulgo inferno... Elas me mandavam mensagens de texto me ameaçando, Nico... Tinha até uma parede que estava escrito “Assine aqui se você odeia Alex Bates”... – ouvia tudo aquilo chocado. Como um humano pode ser tão... Desumano?

– Você não deveria se importar com elas, sabe? Você é muito melhor do que elas, você sabe disso. Elas não merecem suas lágrimas, muito menos o seu sangue. E você merece mais do que isso... Você é tão especial, Alex... Você é tão boa... Se você soubesse quão linda e maravilhosa você é, não se importaria com elas. Elas são horríveis, e você é superior a elas. Você é melhor, lembre-se disso. Elas são superficiais, e você... É real. Por favor, esqueça-as. Não deixe que elas te machuquem de novo. Você estaria dizendo que elas têm razão no que dizem, e elas não têm Alex.

– Nico... Eu...

– Não, não diga nada. Só... Só me prometa que não se cortará de novo. Promete?

– Não posso prometer isso. Eu sei que não aguentaria Nico... Eu sou fraca, não consigo.

– Você não tem ideia do quão forte você é... Você tem essa vida por que é forte o suficiente para vivê-la, Anjo... Me prometa, então, que tentará o máximo que conseguir, ok? Que se esforçará de verdade para não se cortar de novo. Prometa-me.

– Eu... Prometo.

Encaramos-nos por um tempo, até que ela disse:

– Obrigada. Você não faz ideia de como é horrível ouvir as pessoas falando “anime-se, pra que ficar triste”... E você não disse isso. Disse que está do meu lado. Muito obrigada. Acho que finalmente encontrei um amigo de verdade – ela me deu um sorriso, seu rosto ainda molhado.

– Fico feliz por ouvir isso, amiga – sorri.

– Eu queria tanto... Queria tanto te falar... – apertei suas mãos, encorajando-a.

– Pode falar, Anjo.

– Filipe... Ele me machucava. A mim e a Amanda, esposa dele. Ele me disse que ela morrera em um acidente de carro, mas ele era muito violento... Acho que ele pode tê-la empurrado do carro, e disse que ela se jogou... Ele bebia muito, sabe? Ele batia em mim, Nico. Eu vivia usando roupas compridas para esconder os hematomas. Ele já até me esfaqueou uma vez.

– Ele fez o quê?

– Amanda era depressiva. Ela também se cortava, me dizia que aliviava a dor, e eu... Bem, eu experimentei. Mas não foi por mal, sabe? Ela não disse por mal, era uma ótima pessoa. Ela me ajudava a aguentar as ameaças das garotas da escola, e ela me fazia acreditar que um dia Filipe tomaria consciência de tudo que fez... Ela era um doce. Não mereceu o que teve. Não mesmo.

– Alex, sinto muito. De verdade. Se o tal do Filipe estivesse aqui, pode ter certeza que eu quebraria a cara dele. Não iria deixar barato, de jeito nenhum.

– Você é um amor. Agradeço muito, sério – ela sorriu gentilmente, e depois me deu um beijo na bochecha, e pude me sentir corar.

– Não precisa agradecer. De agora em diante, é meu dever te proteger e te ajudar. É isso que significa amizade, Anjo.

*PRÓXIMO CAPÍTULO COM 8 (SIM, OITO) REVIEWS*

Notas finais
Não sei se vocês já leram Hush Hush, mas Nico a chama de Anjo por causa da série.Espero que tenham gostado!