Nico di Angelo E A Sonhadora Imortal
10 That's What Being Friends About
Notas iniciais
“Mais uma vez, a cena começou a mudar, e acordei deitado em minha cama.”
Alex, Quíron, e Percy estavam sentados à minha volta. Pareciam preocupados, e esperavam que eu acordasse:
– O que estou fazendo aqui? – perguntei confuso.
– Bem, você estava na Arena treinando e de repente você desmaiou – informou Quíron.
– Eu... Desmaiei?
– E ficou quatro horas desmaiado. Alex disse que você desmaiou na Arena, depois que a viu. Está tudo bem?
– Sim, estou ótimo.
– Nico, nós o levamos para a enfermaria, e parece que não tinha nada de errado com você. Por que você desmaiou? Você parecia perfeitamente bem, então viu Alex e desmaiou, sem mais nem menos.
– Bem, eu tive um... Tipo de visão. Não sei, foi como se eu sonhasse acordado.
– Um sonho? Bem, o que você sonhou?
Olhei para Alex com o canto do olho. Provavelmente ela não gostaria que ela contasse nada a ninguém que ela sofria bullying, ainda menos que se cortava.
– Eu... Vi Bianca. Isso. Vi eu e Bianca quando éramos jovens.
– Só isso?
– Sim. Só isso. Apenas isso. Nada mais.
– Não está escondendo nada, está? – perguntou Quíron, ainda desconfiado.
– Nada. Nada mesmo. Nadinha. Nadica de nada – deuses, por que eu tinha que mentir tão mal?
– Tudo bem, então. Acho que você deveria ficar descansando por um tempo. Até mais – ele disse saindo do chalé, sendo acompanhado por Percy e Alex.
– Alex? Você pode esperar um pouco? Quero falar com você – os três me olharam desconfiados.
– C-Claro.
Ela ficou me olhando, como se tivesse algo para falar, mas não sabia se dizia ou não.
– Bem, Alex, acho que você percebeu que eu menti quando disse que sonhei com Bianca.
– Todo mundo percebeu.
– É... Na verdade, eu sonhei com você. Tenho sonhado muito com você ultimamente – disse e senti minhas bochechas queimarem.
– Que tipo de sonhos? – ela parecia preocupada. Eu também ficaria se fosse ela.
– Bem, um deles foi sobre o cara que te adotou, o tal de Filipe. Bem, ele estava atrás de você, e disse que iria te machucar se você não voltasse com ele para casa – olhei fixamente pra ela, esperando qualquer tipo de reação, mas ela ficou muda.
– Alex, ele batia em você? Te machucava?
– Nico... Eu não sei se quero falar sobre isso com você, me desculpa.
– Eu entendo, é sério, mas... Eu queria que você me falasse. Se você teme que eu conte a alguém, não se preocupe. Eu nunca faria isso. Nunca mesmo. E eu estou preocupado com você. Sei que nos conhecemos faz pouco tempo, mas... Bem, eu acho que... Acho que estou gostando de você – dessa vez ela pareceu surpresa. – E eu tenho medo que você acabe fazendo alguma “loucura”, entende? Alex, eu queria tanto que você se abrisse comigo... Acho que você precisa desabafar com alguém, tirar o peso de cima de cima das costas, sabe? E eu quero ser seu amigo, quero que saiba que você pode confiar em mim, de verdade.
– Nico... Muito obrigada. Eu não sei nem o que dizer... Bem, eu acho que também gosto de você, mas... Nico, isso é algo muito pessoal pra mim. Algo que me machucou muito durante toda minha vida, e não sei se estou pronta pra falar sobre isso. De qualquer jeito, muito obrigada, eu com certeza também quero ser sua amiga. Não que eu saiba o significado da palavra “amizade”, mas eu agradeço. É provavelmente uma das melhores coisas que alguém me diz – Nossa. Tipo... Nossa.
– Pera, você disse que gosta de mim? Isso é sério? – digo cético.
– Claro que é sério – ela disse rindo.
– De mim? Logo de mim?
– Por que não gostaria? Você está sendo muito legal comigo, me oferecendo apoio e ajuda, mais do eu poderia esperar por te conhecer em tão pouco tempo, e você acha que eu não tenho motivos suficientes? – Noooooooooossa.
– Que isso... Só estou fazendo o que todos deveriam fazer.
– Deveriam, mas não fazem.
– É... Bem, e no segundo sonho, vi um trio de garotas nojentas tirando sarro de você na sua escola. Te xingaram e te trancaram no armário. E depois... Bem, você foi para o banheiro se cortar.
Quando disse isso, seus olhos se encheram de lágrimas.
– Ah... Você não deveria saber disso. Eu não ia contar isso, não queria que ninguém soubesse. Não pensei que fosse descobrir, Nico, eu... – ela soluçava agora. Abracei-a.
– Ei, ei, está tudo bem. Isso acontece com muitas pessoas, não só com você, ok? Não se preocupe.
– Você não faz ideia de como elas são cruéis, Nico... Elas me fizeram sofrer tanto...
– Pode chorar, tudo bem. Estou aqui com você.
– Todos esses anos tive que aguentá-las, Nico. Aquelas vadias anoréxicas...
– Desde quando você sofre bullying?
– Desde que... Que me mudei para a casa de Filipe e comecei a estudar naquela escola vulgo inferno... Elas me mandavam mensagens de texto me ameaçando, Nico... Tinha até uma parede que estava escrito “Assine aqui se você odeia Alex Bates”... – ouvia tudo aquilo chocado. Como um humano pode ser tão... Desumano?
– Você não deveria se importar com elas, sabe? Você é muito melhor do que elas, você sabe disso. Elas não merecem suas lágrimas, muito menos o seu sangue. E você merece mais do que isso... Você é tão especial, Alex... Você é tão boa... Se você soubesse quão linda e maravilhosa você é, não se importaria com elas. Elas são horríveis, e você é superior a elas. Você é melhor, lembre-se disso. Elas são superficiais, e você... É real. Por favor, esqueça-as. Não deixe que elas te machuquem de novo. Você estaria dizendo que elas têm razão no que dizem, e elas não têm Alex.
– Nico... Eu...
– Não, não diga nada. Só... Só me prometa que não se cortará de novo. Promete?
– Não posso prometer isso. Eu sei que não aguentaria Nico... Eu sou fraca, não consigo.
– Você não tem ideia do quão forte você é... Você tem essa vida por que é forte o suficiente para vivê-la, Anjo... Me prometa, então, que tentará o máximo que conseguir, ok? Que se esforçará de verdade para não se cortar de novo. Prometa-me.
– Eu... Prometo.
Encaramos-nos por um tempo, até que ela disse:
– Obrigada. Você não faz ideia de como é horrível ouvir as pessoas falando “anime-se, pra que ficar triste”... E você não disse isso. Disse que está do meu lado. Muito obrigada. Acho que finalmente encontrei um amigo de verdade – ela me deu um sorriso, seu rosto ainda molhado.
– Fico feliz por ouvir isso, amiga – sorri.
– Eu queria tanto... Queria tanto te falar... – apertei suas mãos, encorajando-a.
– Pode falar, Anjo.
– Filipe... Ele me machucava. A mim e a Amanda, esposa dele. Ele me disse que ela morrera em um acidente de carro, mas ele era muito violento... Acho que ele pode tê-la empurrado do carro, e disse que ela se jogou... Ele bebia muito, sabe? Ele batia em mim, Nico. Eu vivia usando roupas compridas para esconder os hematomas. Ele já até me esfaqueou uma vez.
– Ele fez o quê?
– Amanda era depressiva. Ela também se cortava, me dizia que aliviava a dor, e eu... Bem, eu experimentei. Mas não foi por mal, sabe? Ela não disse por mal, era uma ótima pessoa. Ela me ajudava a aguentar as ameaças das garotas da escola, e ela me fazia acreditar que um dia Filipe tomaria consciência de tudo que fez... Ela era um doce. Não mereceu o que teve. Não mesmo.
– Alex, sinto muito. De verdade. Se o tal do Filipe estivesse aqui, pode ter certeza que eu quebraria a cara dele. Não iria deixar barato, de jeito nenhum.
– Você é um amor. Agradeço muito, sério – ela sorriu gentilmente, e depois me deu um beijo na bochecha, e pude me sentir corar.
– Não precisa agradecer. De agora em diante, é meu dever te proteger e te ajudar. É isso que significa amizade, Anjo.
*PRÓXIMO CAPÍTULO COM 8 (SIM, OITO) REVIEWS*
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