Nicky Snow
10 Capítulo 9 – Queen’s Daughter
Notas iniciais
Capítulo 9 – Queen’s Daughter

E quem é você, falou o orgulhoso lorde
Nicky se sentou em uma das cadeiras e o vinho lhe foi servido, mas dispensado.
— Não bebo. – Se justificou. – Desculpe-me.
Havia decidido abandonar o vinho quando viu no quê muito se transformavam em Porto Real após seu consumo.
— Tragam sucos. – A rainha ordenou e a menina sorriu. – Nicky, eu gostaria de saber sobre você. Tudo que puder lembrar: seus gostos, medos, sonhos, dons, pretensões, suas memórias... Tudo.
A menina pensou por um tempo.
— Não sei o que dizer.
— Posso fazer perguntas.
Não era uma pergunta.
A que eu deva me curvar tanto?
Nicky confirmou, internamente assustada. A mãe verdadeira era diferente de Lady Catelyn. Era corada pelo sol, mas costumava ter os olhos vazios, como os de estátuas.
Os olhos verdades, desta vez, estavam brilhantes e doces. Maternos.
— Qual é a sua cor favorita?
Nicky parou para pensar.
Quando era de Winterfell, as cores lhe faziam muita falta, e poucas visitas. Em Porto Real, elas eram presentes em todos os lugares.
Só um gato com um manto diferente
— Vermelho. – Disse por fim. – Pode achar estranho ou... Desagradável, mas sempre me encantei por gelo embebido de sangue. Quando o vi pela primeira vez, foi a coisa mais viva que me ocorrera em toda a vida.
Cersei sorriu em contentamento.
— Você já sangrou?
— Não senhora.
Essa é toda a verdade que sei
A mulher confirmou.
— Como foi sua vida em Winterfell? – As palavras de Nicky foram trabalhadas por toda a viagem. Sabia da rixa entre Stark e Lannister, e usaria aquilo em benefício de sua própria segurança.
— Winterhell, é o que quer dizer. Frio, gelo, muros... Um mundo isolado, sem a menor cor ou o menor prazer.
A rainha sorriu ainda mais e tocou o rosto da filha.
— Sua vida mudou, meu rouxinol. Aqui terá suas cores, poderá fazer o que quiser. É Nicky, das casas Lannister e Baratheon, princesa dos sete reinos. O povo existe para adorá-la e obedecê-la.
Num manto de ouro ou num manto vermelho
Nicky sorriu abertamente e logo Tommem e Myrcella chegaram, seguidos de Joffrey após poucos minutos.
— Perdoem-me o atraso. – Ele murmurou. – Mãe, irmão, irmãs.
A comida foi servida e os mais novos pareciam receosos enquanto olhavam o rosto pálido da nova irmã. Quando a sobremesa foi servida, a moça se recostou um pouco mais na cadeira acolchoada.
Um leão ainda tem garras
— Querem me fazer perguntas. – Ela finalmente se manifestou.
Tommem e Myrcella ruborizaram, fazendo a menina sorrir.
— Pode perguntar o que quiserem.
Myrcella olhou o irmão mais novo e foram poucos segundos até que começassem a perguntar mais e mais, enquanto a irmã mais velha respondia cada questão pacientemente e com um ar doce. Os dois a lembravam um pouco de Bran e Rickon.
E as minhas são longas e afiadas, meu senhor,
Quando chegou a hora dos pequenos dormiram, ela prometeu que contaria mais no dia seguinte.
No fim da noite, estava voltando para seus aposentos na companhia de Joffrey, seguidos pelo Cão de Caça.
— Nós não nos vimos em Winterfell. – Ele notou.
— Eu era um fantasma. – Ela brincou. – Estive observando todos os visitantes, mas quase nenhum notou minha presença.
Tão longas e afiadas como as suas
— E o que sabe fazer além se esconder? – Ele riu torto.
— O que sei fazer... – Ela pensou um pouco. – Canto, danço, costuro, sou boa com números, luto com espadas...
— Espere um pouco. – Ele interrompeu a caminhada, usando um tom de desdém. – Você luta com espadas? Você?
O fato parecia – e era – muito surpreendente para o jovem príncipe.
— Fui uma bastarda até poucos dias. Sem pai, mãe, família ou visão de um futuro. Era provável que acabasse num bordel ou vagando na floresta, e eu particularmente não gosto da primeira opção. Tinha de aprender a me defender.
E assim falou, e assim falou o senhor de Castamere
Ele a analisou por trás do rosto doce.
— É impossível.
— Podemos tentar amanhã. – Ela o notou. – Se estiver livre.
O príncipe ponderou.
— Venho te buscar para o desjejum.
Os guardas deram passagem e ela seguiu para dentro de seus próprios aposentos, sendo recebida por Leona.
— Há alguma floresta ou bosque por perto? – Indagou às aias.
— Não, minha princesa.
Mas agora a chuva chora no seu salão
A menina suspirou.
— Preciso de uma coleira amanhã. – Avisou. – E de uma das três para me acompanhar num passeio com a loba antes da alvorada.
Elas confirmaram.
— Não me disseram seus nomes ou de onde vieram.
— Misha, senhora. – A mais alta informou. – Tenho 20 anos e vim de Pedra do Dragão;
Nicky sorriu gentilmente.
— Sou Leela, senhora. – A segunda, de cabelos negros, se apresentou. – 18 anos, Ponta Tempestade.
Ela confirmou e olhou a última. Uma ruiva, a única que não temia Leona.
— Lira, senhora. Tenho 18, nasci na Capital.
— É um prazer conhecer todas vocês.
Elas sorriram e a ajudaram a se despir dos vestidos pesados.
— Nós preparamos um banho, minha princesa. Parece não estar acostumada à temperatura.
Nicky sorriu.
E ninguém está lá para ouvir
— Obrigada. Fiquei receosa de pedir que o preparassem a esta hora. – Corou.
Não possuía grandes mordomias em Winterfell. Lá, preparava o próprio banho, penteava os próprios cabelos e vestia-se sozinha. As aias eram uma grande mudança.
— É nossa princesa, pode nos ordenar o que quiser e quando quiser.
A menina negou.
— Não gosto de incomodar. São pessoas, assim como eu. Precisam comer e descansar.
Elas sorriram com a gentileza.
— Traremos água quente.
— Fria. – Corrigiu. – Sinto que posso derreter a qualquer momento. A capital é um forno.
Misha e Leela se foram, deixando-a apenas com Lira, que se adiantou em desamarrar os vestidos pesados.
— A rainha encomendou novos. – Contou. – Mais frescos e coloridos. Muitos são vermelhos.
— Eu gosto de vermelho. – Sorriu de canto. – É vivo.
Ela se manteve silenciosa enquanto despia a princesa.
— Estes vestidos são muito quentes...
A aia parou para olhá-la nos olhos, seu tom completamente carregado de mistério.
— Vai gostar mais dos seus vestidos no inverno, minha princesa. Dizem que ele está para chegar.
Sim, agora a chuva chora no seu salão
E nenhuma alma está lá para ouvir
Continua...
Fale com o autor