Nicky Snow

3 Capítulo 2 – The Baratheons


Capítulo 2 – The Baratheons

Na mesma noite, Lady Stark anunciara que a comitiva do rei estava próxima a Winterfell.

O grupo não tardou em chegar. Logo, todos os moradores estavam prontos para receber a comitiva. Nicky e Jon estavam próximos aos Stark, lado a lado com Theon Greyjoy. Ainda assim, o refémprotegido os ignorava.

— Eu ouvi dizer que Porto Real fede como o inferno. – Nicky comentou aos murmúrios, fazendo Jon prender o riso.

— Quietos, vocês dois. – Greyjoy ralhou.

Os preparativos para a comitiva foram mais que dolorosos para os dois lados. Lady Stark ordenara que seus cabelos fossem consideravelmente cortados, Jon tivera sua pouca barba de adolescente raspada, e Nicky mal se sentia capaz de respirar com o espartilho que fora obrigada a colocar.

Fora Bran que correra para avisar que eles estavam chegando, depois de visualizá-los na estrada quando estava escalando.

— Tão orgulhosos. – Comentou distraidamente com Jon quando viu o brasão Lannister atrás do Veado Coroado, típico do reino dos Baraethon.

O homem que se aproximou de Eddard Stark em nada se parecia com o homem forte que o Lord de Winterfell havia descrito em suas longas história na lareira. Na verdade, ele era gordo, barbudo, alto e gordo.

Sim. Duas vezes gordo, ele era muito gordo.

Quando o rei e Ned Stark desceram para as criptas, eles continuaram lá, em silêncio até que pudessem se afastar e se aprontar para o banquete.

* * * * *

Nicky nunca tinha usado peles tão bonitas, mas havia costurado o vestido com Sansa por semanas, esperando usá-lo em um momento especial. A garota Stark era obviamente melhor que ela em tal atividade, se não fosse por ela e sua ajuda, suas roupas seriam tortas e mal feitas, como os pontos de Arya.

Seu cabelo fora arrumado pela ama, com um penteado simples, não gostava de grandes coisas.

Nicky não fazia ideia de onde se sentar: Não era uma protegida oficial, e não era uma Stark. Como poderia estar entre os senhores de Winterfell?

Lady Catelyn pareceu notar sua confusão e logo apontou para que ela ficasse ao lado de Greyjoy. A procissão seguiu a menos de um pé do lugar de onde ela sabia que Jon estava sentado.

Primeiro Lord Stark e, que levava a rainha. Nicky ainda não lhe dirigira um olhar longo o bastante para guardar qualquer imagem sua, seus vestidos e companhia já informavam a posição que ocupava.

Logo em seguida, o rei acompanhava Catelyn.

E então os filhos.

Primeiro Rickon, sozinho. Logo em seguida, Robb guiava a princesa Myrcella. A menina não tinha mais de 8 anos, e parecia encantada. Arya e Sansa vinham acompanhadas, respectivamente, dos príncipes Tommen e Joffrey. Arya parecia particularmente aborrecida.

Os irmãos da rainha foram os próximos. Muitos seguraram o riso, a diferença entre os dois era palpável. Jaime – também conhecido como reigicida — era bem talhado e atraente. Tyrion era... Decepcionante.

Enquanto a vez de Nicky ia chegando, sua mente martelava o fato de que ela não era nenhum dos tipos da mesa, e que Jon, o próprio filho do Lord Eddard Stark de Winterfell, estava sentado com os homens comuns.

O último senhor a entrar foi Benjen Stark, irmão de Lord Stark, e então chegou sua vez.

Juntando toda a coragem que tinha, Nicky se afastou de Theon Greyjoy antes que ele pudesse ir à frente.

— O que está fazendo?

— Vá. – Mandou.

Ele não pestanejou. Não se importava.

Lady Catelyn procurou a menina discretamente, enquanto ela se esgueirava disfarçadamente para se sentar com Jon.

— O que está fazendo? – Ele estranhou. – Você devia estar lá.

— E te deixar aqui sozinho? Não senhor, obrigada. – Avisou. – Então, quando posso começar a comer?

— Está de espartilho?

— Infelizmente. – Suspirou de insatisfação.

— Aposto que ele vai arrebentar. – Fez piada.

A cadeira vazia foi rapidamente retirada quando a senhora Stark percebeu que a menina não mudaria de lugar.

A conversa longe da mesa central era, com toda certeza, mais animada que seria na mesa dos Stark. Jon estava bebendo vinho como um homem, mas Nicky decidiu manter-se com apenas uma taça, aproveitando-se dos sucos que Lady Stark, carinhosamente, ordenara que dispensassem a ela.

Jon sentiu Fantasma em suas pernas e a menina logo encontrou Leona.

Os lobos estavam crescendo com rapidez.

Ele deixou um frango para os dois e logo Benjen Stark os abordava.

— Achei que nunca veria uma cena dessas... Dois lobos em paz.

— Tio Benjen. – Jon sorriu.

Ele se sentou do lado oposto ao de Jon, mas não deixou de cumprimentar Nicky, que se concentrou do outro lado da mesa, sabendo que não era uma conversa sua. Jon estava levemente bêbado, sua atenção logo foi chamada para ele novamente quando ouviu as palavras mais vis que poderiam ter sido proferidas por um bastardo.

— Nunca serei pai de um bastardo. Nunca!

A mesa ficou num silêncio funerário e tenso enquanto Jon se levantava, levando o resto da própria dignidade consigo.

Minutos depois, a conversa continuava a fluir, mas Nicky ainda ressonava as palavras do irmão de criação em sua mente. Ela pôde ver, de longe, Sansa ser apresentada à rainha Cersei por alguns minutos, sua integração com Jeyne, e as travessuras de Arya. Nicky aproveitou a deixa de Robb para sair atrás de Jon.

— Você devia estar lá dentro.

Você devia estar lá dentro. – Ela lembrou.

Jon suspirou e se sentou no chão, enquanto ela se sentava num dos troncos de árvore.

— Eu não sou um Stark.

— Eu não sou uma Stark. – Ela repetiu.

— Nicky, eu não sou nada. Eu sou só um bastardo.

Ela encarou o rapaz, então olhou para o céu estrelado. O lado de fora do castelo estava vazio e silencioso, com poucas tochas. Ela podia ver, abertamente, os desenhos que as estrelas faziam.

— Você é um homem. – Lembrou.

Nicky pensou em lembrá-lo de quê, se ele não possuía nada, ela possuía muito menos, mas não o fez.

— Você ainda pode se juntar à patrulha da noite.

Ele a olhou.

— Eu tenho pouco a esperar. – Continuou. — Posso ser esposa de um vassalo... Talvez seja ama dos filhos de Robb, Sansa, Arya, Bran, ou Rickon... Talvez os Stark se voltem contra mim um dia, e eu vire uma prostituta.

Jon se levantou.

— Você poderia viver comigo. Eu posso ficar em Winterfell.

Ela riu.

— É mesmo?

— É. – Confirmou. – Você quer que eu fique? Nós podemos ir para algum lugar. Fingir que somos irmãos. Casar você com algum bom homem não será difícil. Você pode virar senhora de algum lugar, e então sua filha poderá se casar com o herdeiro do trono, filho de Sansa e Joffrey. Eu posso me casar com uma mulher simples, e então trabalhar... Ou viver com você, segundo a misericórdia do seu marido.

Ela encostou a cabeça na coluna e o olhou por poucos segundos.

— Quais seriam seus planos se eu não existisse?

— Ir para a muralha. – Ele afirmou, sem hesitação.

— Bom... Você vai para a muralha, então. – Ela determinou. – Eu posso me virar.

Ele a olhou por minutos.

— Vou sentir saudades.

— Eu sei que vai.

Continua...