Nicky Snow
20 Capítulo 18 – Margaery Tyrell
Capítulo 18 – Margaery Tyrell

Margaery era doce e receptiva com Nicky, e se mostrara empolgada por vê-la juntando-se aos Tyrell.
— Estou ansiosa pelo casamento. – Contou. – Desejo profundamente vê-la com o nosso manto, e tenho certeza de que seu vestido será lindo.
—Ele é. – Sorriu constrangida. Não era acostumada a tentos elogios.
Nick era provavelmente a única princesa ou lady sem damas de companhia, enquanto Margaery parecia andar sempre cercada do começo ao fim de cada dia.
— Não se sente sozinha? – A futura rainha indagou. – Dizem que suas únicas companhias são seus irmãos.
— Não estou acostumada a andar com muitas pessoas comigo. – Murmurou constrangida.
— Perdoe a falta de rodeiros, princesa. – Ela sussurrou, aproximando-se como se fosse contar um segredo. – Mas tem amigos?
Nicky hesitou. Tivera os Stark um dia, mas eles estavam muito longe. Robb agora era muito mais que um amigo... Tinha Jon, mas o quê podia ele fazê-la agora, estando na muralha? E Sansa... Sentia falta de Sansa, mas a menina não a olhava nos olhos.
No fim, restara-lhe apenas a loba.
Ainda assim, ela mentiu.
— Tenho. Tenho uma amiga que levarei comigo para Jardim de Cima.
Na verdade, não era exatamente uma mentira.
Margaery sorriu, parecendo mais feliz.
— Também tem a todas nós, princesa. – Afirmou, tocando seu braço e mostrando suas damas. – E tenho certeza que fará amigas lá também.
— Sei que sim – Sorriu timidamente.
As outras moças trocaram risinhos e logos todas começaram a conversar animadamente, incluindo a loira entre si.
Um dos rapazes apareceu um pouco antes do lanche ser servido e anunciou a chegada de Olenna Tyrell e a futura esposa de Willas tremeu. A avó de seu noivo e viúva era conhecida como “a rainha dos espinhos” por todo o reino. Iria ela aprová-la como noiva do herdeiro de Jardim de Cima?
Não houve tempo de fugir e ela logo chegou, ocupando um dos assentos.
— Nicky. – Seu nome fez um estalo em sua boca. – Deixe-me dar uma olhada em você.
Ali, à frente de Lady Tyrell, ela novamente se sentiu como uma égua sendo vendida. Pareceu levar uma eternidade até que sua análise e o silêncio houvessem acabado.
— Não mentiram para mim. – Sorriu por fim. – É uma bela jovem. Disseram-me que ê e escreve.
— Sim senhora.
A menina continuou esperando até que a velha fizesse um gesto de “pode voltar agora”, e ela se sentou, disfarçando o tremor nas mãos.
— Não precisa ter medo de mim, menina. – Ela a olhou. – Eu não mordo, sabia?
— Desculpe. – A loira se envergonhou. –Eu não quis...
— Ora, pare com as desculpas. – Olenna a interrompeu. – É um pouco surpreendente que mesmo sendo criada como uma bastarda saiba ler e escrever. Os Stark pareciam ter um carinho especial por você.
Nicky engoliu a seco, mas a viúva mal pareceu se importar com a citação.
— A maioria dessas cabecinhas de vento não sabe nem o “A, B, C”. – Revirou os olhos. – Um pássaro me disse que sabe lutar com espadas.
Ela olhou em volta, envergonhada.
— Senhora...
— Não precisa se envergonhar, menina. Cada um é bom em suas artes. A habilidade aparentemente lhe será bastante útil, já que uma mulher na sua posição tem o dever de saber defender-se.
Ela sorriu por fim. As Tyrell eram de fácil interação e convivência com suas histórias e brincadeiras. Ao lado delas, a Baratheon quase esqueceu que aquela seria sua última noite como donzela.
Mais tarde, depois de jantar com as moças, Loras a acompanhou até a entrada de seus aposentos, despedindo-se com uma leve reverência.
— Tenha uma boa noite, milady.
— Obrigada. – Ela sorriu, entrando em seguida.
Uma das aias a ajudou a despir os vestidos e pentear os cabelos antes de deitar-se, e Leona logo pulou para acompanhá-la entre os lençóis.
— A partir de amanhã você e eu vamos mudar de cômodo. – Avisou. – Ficaremos num aposento próximo de Willas Tyrell, porque vou me casar.
A loba pareceu curiosa.
— Eu realmente espero que você se comporte com ele, porque nós viveremos juntos para sempre e vocês terão de manter-se em paz. – Pediu num tom mandão. –Ele me disse que quer conhecê-la, mas se você for tão hostil com ele quanto com minha mãe, não poderá nos acompanhar tanto quanto quero.
Leona se aconchegou entre seus braços, encerrando a discussão e Nicky suspirou, tentando não incomodá-la.
Teria Robb Stark recebido sua carta? Viria ele salvá-la no septo? Ele a resgataria como nas histórias que ela tanto ouvira ou aquilo era apenas um sonho bobo? Queria-o em seus braços. Imaginava como seria tocá-lo agora que sabia que seu amor era compartilhado? Como seria sentir seus lábios contra os seus?
Nunca ousaria falar sobre aquilo em voz alta. Não agora que estava prometida e prestes a se casar.
Em seus sonhos, tornou-se uma corça ao lado de um lobo pelo que pareceu ser a última vez.
O dia seguinte seria o maior de sua vida.
* * * * *
Nicky acordou no meio da noite com batidas em sua porta. Leona estava parada ali, montando guarda para protegê-la de quem quer que fosse o invasor.
Buscou por algo para cobrir as roupas de dormir antes de ir até a entrada.
— Nicky. – A voz de Joffrey soou do outro lado. – Nicky, acorde.
Ela afastou a loba com um sussurro e um movimento de mão, e Leona logo se direcionou para sua cama novamente, deixando-a abrir a passagem.
O rei entrou com pressa, fechando a porta atrás de si. Ele estava escondido debaixo de um manco com capuz que escondia seu rosto e corpo.
— Não consegui te ver nos últimos dois dias. – Ele pareceu desesperado. – Eu precisava te ver antes do casamento.
Ele descobriu a cabeça do irmão que a puxou para perto de si e buscou seus lábios para um beijo.
Lá estava ela, beijando Joffrey, prestes a se casar com Willas e apaixonada por Robb Stark. Nunca imaginou estar vivendo tamanha insanidade até tal momento. Quando se separaram, ela estava um pouco ofegante.
— Não acredito que nosso avô a forçará a se casar com ele. – Ele sussurrou injuriado. – Eu disse que não queria. Disse que não precisamos dessa aliança. Margaery Tyrrel não tem metade da beleza que você tem, nunca a amarei como te amo.
A princesa suspirou em frustração. Não sabia o quê pensar sobre o casamento.
— Ele é sua mão. Você o definiu como sua mão. – Ela lembrou. – Você tem o poder, mas não pode exercê-lo por ser muito novo.
— Por um ano. – Ele lembrou.
— Em um ano estarei na campina. – Ela cuspiu. – Longe de casa, sozinha num lugar onde nunca estive e onde não conheço ninguém.
Nicky respirou fundo.
— Fique com sua Margaery. – Saiu de perto dele, cruzando os braços com o orgulho ferido. – Não consegue nem mesmo controlar o futuro da irmã que você diz amar.
Joffrey se aproximou dela novamente, puxando-a entre seus braços.
— Irei arranjar uma forma de mantê-la na Fortaleza Vermelha. Não será difícil matar seu marido, e a tomarei como esposa antes que possam me casar com Margaery. – Prometeu.
Ela negou com a cabeça. Promessas vazias.
— E se não conseguir? – Indagou agressivamente. – Não pode imaginar que vai me prometer o mundo e que realmente conseguirá me dá-lo. Seja realista, Joffrey.
— Então a manterei na fortaleza vermelha de alguma forma, e teremos de aprender a estar juntos mesmo com seu marido e minha esposa no caminho.
Ela suspirou, incomodada, e ele voltou a beijá-la um tanto triste.
— Eu preciso ir. – Se distanciou e a irmã se manteve em silêncio enquanto ele saía furtivamente, deixando-a sozinha mais uma vez.
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