Nicky Snow
7 Capítulo 6 - Kings Landing
Capítulo 6 — Kings Landing

O salão inteiro esmaeceu em silêncio fúnebre.
— Eu... O que? – Nicky encarou o anão.
Ela sabia, claro que sabia, mas não queria que os outros soubessem.
— Uma Lannister. E muito específica por sinal. – Olhou o rosto da menina e o colar. – Só existem três colares como esse no mundo: O da rainha, o da princesa viva, e o da princesa morta. E não me recordo de minha irmã ou sobrinha terem perdido qualquer um de seus pertences.
Robb Stark parecia cada vez mais assustado,
— Conhece a história do nascimento de Joffrey? – Ele continuou.
— Não, senhor.
O homem pequeno sorriu como se gostasse de contar aquela história.
— Bom, Joffrey sempre foi muito egoísta. Quando nasceu, tinha uma irmã gêmea, mas sugou todos os fluidos da mãe para si. Nasceu grande, e a menina minúscula. Diziam que havia nascido morta. A rainha pagou um homem para se livrar do corpo, não queria mais um filho na cripta. – Contou. – Ela foi levada com o manto das casas Lannister e Baratheon, e com este colar.
Tyrion olhou em volta.
— Creio que todos de Winterfell conhecem sua história, mas eu não. – Lhe olhou. – Se importa?
Ao seu lado, Robb, que parecia prestes a tomar sua frente para protegê-la dos guardas Lannister antes, agora estava parado como uma estátua das criptas.
— Fui encontrada por Lord Stark em água negra, no dia do nascimento do príncipe Joffrey. Não tinha nada comigo além de um manto liso costurado e este colar.
O Lannister confirmou levemente.
— Arrume suas malas, menina. Partiremos ao amanhecer. – O anão avisou. – Se não se importa, Lord Stark, prefiro uma estalagem para dormir. Com licença.
Ele se foi e o silêncio se completou.
* * * * *
— Eu não vou.
Robb, Bran, Rickon, Meistre Luwin e Nicky estava discutindo no salão familiar, e ela parecia uma criança teimosa repetindo o quê queria.
No caso, o quê não queria.
— Você precisa ir. Se não for, alguém virá te buscar. – O Meistre lembrou.
— Que venham. – Ela desdenhou. – Eu fujo e me escondo. Conhece esse lugar como ninguém mais conhece.
Rickon olhou os irmãos, então chamou Nicky.
— Você tem mãe.
Ela se calou, entendendo o que ele queria dizer.
— Rickon tem razão. – Robb se pronunciou pela primeira vez desde que estiveram com o Lannister mais jovem. – Precisa rever sua família. Eles sofreram com sua perda. Precisam vê-la e saber que está bem.
Nicky olhou Bran. Esperava uma recusa. Uma que fosse, e ela ficaria em Winterfell.
— Vá, Nicky.
Ela suspirou, olhando cada rosto.
— Vou sentir saudades. – Afirmou.
— É livre para visitar Winterfell no futuro.
Eles se abraçaram por longos minutos até que ela se distanciasse.
— Preciso arrumar minhas coisas.
* * * * *
A pior parte foi se despedir de Winterfell. Conhecia cada homem, mulher e criança, e se despedira de cada um: Criadas, amas, ferreiros, construtores até mesmo do gigante Hodor, que nem mesmo se chamava Hodor. Até mesmo de Verão, Vento Cinzento e Cão Felpudo, que pareceram se despedir de Leona também. Até mesmo Theon Greyjoy fora cortês com ela quando estava para partir, muito provavelmente por sua nova posição.
— Iremos passar alguns dias na estrada real. – O anão orientou. Robb havia dispensado alguns homens de Winterfell para sua proteção. – Mas seu grupo partirá pelo caminho mais rápido, com dois de meus homens para guiá-los. Precisa chegar a Porto Real antes de mim, e parece ser uma senhora habilidosa a cavalo.
Ela confirmou obediente.
— Quando chegar, entregue isso às pessoas destinadas. – Deu-lhe uma bolsa de cartas. – O rei, a rainha, Lord Varys e Lord Stark. Não se preocupe, as cartas têm os nomes. Entregue-as nas mãos de cada um.
Foram 15 dias na estrada do rei.
Tyrion não era uma má companhia como Nicky antes pensava. Era inteligente e, assim como ela, amante de livros, além de dono de um fascínio por dragões. Ele lhe contara, num desses dias, que era bisneta de um Targaryen, por parte de pai.
— Talvez em algum momento, algum de seus descendentes seja um dragão.
Contou-lhe também sobre a muralha, e sobre Jon, e a sensação de ter estado ali.
Por sua vez, Tyrion notou para si que a menina tinha o sorriso brilhante de Jaime, e o olhar obstinado de Tywin, além do orgulho de Cersei. O formato do rosto era da avó materna, com seus traços angelicais, mas o riso solto? Este era uma versão delicada das gargalhadas de Robert Baratheon.
Ela era astuta, ele percebera, e curiosa.
A menina parecia ser a soma das melhores qualidades de seus pais, tios e avós.
Eles se separaram no amanhecer do décimo sexto dia. Tyrion seguiu com o encarregado da patrulha da noite e dois de seus homens, os melhores haviam ficado com Nicky e com os senhores de Winterfell.
— Andam muito por essas terras? – Ela indagou.
— Lord Tyrion tem seus caminhos alternativos.
Ela confirmou levemente, mantendo o silêncio.
O caminho realmente lhe pareceu rápido, e cada vez mais quente. Nicky imaginava que Porto Real, por localização, era mais quente que Winterfell, mas não imaginava que fosse tão quente quanto pareciam se aproximar. Não havia mulheres com sua “comitiva”, o que não dava a Nicky oportunidade de se trocar para por vestidos mais frescos.
— Qual é o caminho mais rápido, por terra ou por águas? – Olhou os homens.
— A princesa já esteve em um barco? – Um dos homens indagou, provavelmente preocupando-se por sua falta de experiência.
— Não senhor.
— Vamos por terra.
Foram dias até que pudessem rodear a área oposta. Nicky notou, no primeiro dia, que King’s Landing cheirava a lixo, mas seu nariz parecia estar se acostumando lentamente.
Ela não conseguiu contar muito bem os dias que se seguiram, mas quando chegaram, logo notou o lugar parcialmente vazio.
— O quê está havendo? – Olhou os homens.
O que diziam da Capital era que era cheia de homens, mulheres e crianças, infestada de senhoras suntuosas e cavaleiros de armadura.
Os homens de Tyrion logo procuraram aias, enquanto os cavaleiros de Winterfell retiravam Nicky da montaria com cuidado. Fora quase um mês de viagem para uma moça que quase não devia cavalgar.
— Me levem a Lord Stark, por favor. – Ela ordenou gentilmente quando seus pernas se acostumaram novamente ao chão.
Era tarde demais para alguma aia ou qualquer pessoa estar acordada, mas ela sabia que Eddard a receberia.
Os homens de Tyrion a guiaram por lugares mais reservados, passagens secretas que poucos conheciam. Quando chegaram à entrada da torre da mão, os homens de Winterfell se reconheceram e deixaram-nos subir as escadas, batendo à porta de Lord Stark. Quando Nicky olhou por uma fresta, era quase a alvorada. Não dormira mais que três ou quatro horas nos últimos dias.
Foram poucos minutos até que o Lord abrisse a porta.
— Que fazem acordados tão cedo, ainda... Nicky?
— Lord Stark. – Fez uma reverência.
Ele franziu as sobrancelhas, mas trouxe a moça para dentro. Esperou que os homens passassem, mas eles apenas deixaram um baú dentro da sala e se foram.
— Que faz aqui? Quando chegou? – Puxou uma cadeira para que ela se sentasse.
— Cheguei há poucos minutos. – Explicou-se e abriu a bolsa de cartas, entregando uma delas ao Lord.
Eddard estranhou o gesto, mas recebeu o papel selado e o abriu.
Nicky já havia se acostumado com a ideia de ser uma Lannister, mas rever Ned Stark havia lhe feito sentir falta de Winterfell, Robb, Bran e, principalmente, Rickon.
Ele leu cuidadosamente as palavras no papel, duas, três vezes, até que se aproximasse de Nicky.
— Eu posso? – Estendeu a mão.
Ela puxou o colar de dentro do vestido.
— Eu bem que desconfiava de que era mais que uma bola de ouro. Você veio diretamente para cá?
— Sim senhor. Não fui a lugar nenhum quando cheguei.
— Ótimo. Vou chamar uma aia para ajudá-la. Tome um banho e vista-se bem, irá ao torneio da mão.
Continua...
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