Nicky Snow
6 Capítulo 5 – The direwolf and the Lion
Capítulo 5 – The direwolf and the Lion

— Robb? – Nicky chamou, entrando no salão.
Haviam se passado quarto dias desde que Bran e Lady Stark foram atacados, e praticamente uma semana desde que a comitiva do rei partira, levando Lord Eddard, Arya e Sansa consigo.
— Algum problema?
— Eu estou preocupada. – Confessou. – Nós estávamos voltando do bosque sagrado e então Rickon...
Ela parou por instantes.
— Ele...
— Robb, Rickon me chamou de mamãe. Eu estou preocupada, ele precisa de ao menos um dos pais com ele.
Robb esfregou as mãos no rosto.
A pressão em seus ombros estava mais que pesada, e ele mal percebera que a estava passando para os ombros dela.
— Nicky, eu sinto muito. – Ele suspirou pesadamente, transparecendo medo e tristeza. – Deuses, eu estou pondo tudo nas suas costas, você é praticamente a senhora do Norte e nem ao menos tem pretensões a isso e eu... Eu estou te colocando debaixo de tudo. Tudo está saindo do controle, tudo... Eu posso controlar Winterfell, mas a nossa família está desmoronando, eu não consigo nem ao menos...
Nicky o abraçou, percebendo o quão próximo Robb estava de um colapso.
Ele deixou a cabeça pender no ombro da irmã de criação. Nicky tinha quase a mesma altura que ele e Jon, era uma garota alta.
— Robb. – Theon Greyjoy chamou.
Ele se afastou com um suspiro, sabendo que tinha de ir.
* * * * *
Nicky observou Lady Stark sair a cavalo em direção a Porto Real, deixando, pela segunda vez, um Rickon choroso.
— Aonde vai a mamãe? – Ele indagou.
Nicky olhou na direção de saída de Lady Stark.
— A mamãe vai cuidar de Rickon e Bran. – Explicou calmamente, acariciando seus cabelos.
— Então porque a mamãe vai embora?
Ela se lembrou das palavras de Lady Stark.
— Porque alguém queria machucar os Stark.
Família, dever, honra. Aquele era o lema da casa Tully. Catelyn nunca deixaria de cumpri-lo.
Pela primeira vez em tanto tempo, ela deixou Rickon com Robb e se dirigiu até o bosque sagrado, sozinha.
“Os deuses do norte não têm preconceito. Você pode estar na floresta se quiser.” Ela se lembrou de Sansa dizendo.
Nicky se sentou e puxou o colar de dentro do decote do vestido. Não havia nada. Nada que pudesse indicar de onde fosse ou de quem teria vindo.
Ela girou o pingente grande e dourado entre os dedos. Era mais pesado que seu costume.
Foi quando seus olhos caíram num ponto específico. Parecia uma junção de dois lados. Tentou puxar, mas era fraca com os dedos. Desistiu. Talvez fosse só uma linha.
Voltou ao próprio quarto e seus olhos pousaram sobre o pano que Ned Stark havia lhe entregado. Desdobrou até a última dobradura e seus olhos pousaram nas bordas. Estavam costuradas.
As mãos habilidosas desfizeram o ponto com dificuldade. Era muito bem feito.
Esperava encontrar ali alguma pista ou dica sobre sua família, mas nada lhe parecia ser notado na descostura até que terminasse. Levou as mãos até as bordas e tirou a parte lateral, revelando o bordado. Seus olhos logo identificaram o veado coroado, símbolo da casa Baratheon. Quando puxou o resto, o leão Lannister jazia presente. Era como no manto do príncipe.
Mal pode acreditar no que via.
Não era Nicky Snow.
Era Nicky Baratheon.
Depois da descoberta, ela foi ao bosque todos os dias.
Todos os dias.
* * * * *
O acontecimento mais marcante seguinte foi a recuperação de Bran, que acordara dias depois da partida da mãe.
Nicky subira as escadas com tanta avidez que, não fosse por Robb atrás de si, teria quebrado alguma parte do corpo.
Quando chegara ao quarto, o menino tinha a cria de lobo consigo, e não desviou o olhar para ele.
— O nome dele é Verão.
Nicky sorriu e se aproximou do Stark, sem antes ser revistada por Verão, que logo reconheceu Leona, Cão Felpudo e Vento Cinzento à porta, aparentemente respeitando o espaço do irmão de cria.
Ela se abaixou e abraçou o menino, que não pode deixar de retribuir.
— Quanto tempo eu dormi? – Indagou.
— Muito tempo.
— Já se passou o dia do meu nome?
— Não. Ainda não.
Ele confirmou e a menina se levantou, deixando os irmãos e descendo até a cozinha, obstinada a fazer o prato preferido de Bran.
— Aonde vai, criança? – Meistre Ludwig indagou.
— À cozinha, Bran acordou, quero fazer o prato favorito dele. – Explicou, agitada.
— Acalme-se menina, se continuar correndo pode cair da escada e se machucar. – Lembrou.
Meistre Ludwig havia participado da criação de cada Stark, mesmo de Jon e Nicky. Conhecia casa uma das crianças, e sabia que poucas eram as ocasiões que faziam a menina eufórica e agitada.
— Vou me acalmar. – Prometeu.
Ele sabia que ela não iria, mas apenas sorriu.
— Tudo bem, pode ir.
Ela desceu a passos calmos, mas assim que saiu da vista do Meistre, voltou a correr, até chegar à cozinha.
As criadas se afastaram, observando a menina concentrada no que fazia. Errou várias vezes, mas não desistiu e não pediu ajuda.
Ao fim de mais de uma hora, tinha um bolo fatiado numa bandeja simples. Não era muito, nem o prato preferido de Bran, mas para quem não cozinhara mais de 10 vezes durante toda a vida.
Nicky voltou a subir as escadas, equilibrando o prato nas duas mãos.
Ela empurrou a porta com as costas, surpreendendo-se com o quarto vazio e com apenas o menino.
— Ei. – Sorriu. – Onde estão todos, eu demorei tanto assim?
— Mandei irem embora. – Ele murmurou, sem lhe dar muita atenção.
Nicky franziu as sobrancelhas, enquanto se sentava ao lado do Stark.
— Eu trouxe bolo. Não é o seu prato preferido, mas eu demorei mais de uma hora pra fazer e eles disseram que estava bom na cozinha. – Falou feliz.
— Eu não quero comer. – Ele respondeu rispidamente.
— Bom, eu demorei bastante fazendo o bolo, você... Você não vai querer nem um pedaço? – Seu sorriso diminuiu.
O menino lhe olhou com grosseria.
— Eu já disse que não quero. Não quero comer, não quero ninguém por perto além do Verão. Vá embora.
Nicky se afastou e deixou o prato em cima da cama. Os olhos verdes transpareciam facilmente os sentimentos feridos e o orgulho logo os dominou.
— Coma se quiser. Tenho que tomar conta do seu irmão, ele não dispensa meus cuidados.
* * * * *
Nicky estava sentada ao lado de Robb Stark, com Theon Greyjoy e Hallis Mollen atrás de si. Estava li representando as Stark que não poderiam comparecer, e também como conselheira de Robb. Ele confiava nela acima de quase tudo.
Tyrion Lannister, anão e irmão da rainha, estava no centro do salão com seus criados e quatro homens da patrulha da noite.
Robb ofereceu a estadia aos homens da patrulha, mas fora Nicky que oferecera um quarto ao anão. O protetor do norte tinha uma espada no colo, e todos sabiam o que aquilo significava.
— Sua senhora é mais gentil que você, Lord Stark. – Ele desdenhou. – Deve isso à sua mãe? Não sabia que já era casado.
— Não é minha senhora. – Ele corrigiu. – É minha conselheira. Minha irmã.
O anão sorriu quase convencido.
— Bom, é uma moça inteligente. Acho que ela e seu irmão bastardo receberam toda a gentileza, não foi?
— Robb. – O chamado infantil ecoou antes que ele pudesse rebater.
Bran passou pela porta nos braços de Hodor e o gigante o guiou até a cadeira reservada a ele, do lado direito de Robb. O menino se segurou, enquanto o irmão mais velho pousava a mão em seu ombro em auxílio, debaixo das palavras surpresas do Duende sobre a presença e a vida do menino.
— Disse que tinha assuntos a tratar com Bran. – Interrompeu.
Ele apresentou ao Stark uma sela para que voltasse a cavalgar, além de instruções sobre cavalo necessário.
— Porque está fazendo isso?
— Seu irmão Jon me pediu.
Ele olhou a garota Snow com profundidade. Estivera a observando por todo o tempo que chegara.
— Posso ver o colar no seu pescoço?
— Jon te pediu, também? – Ela arquejou uma sobrancelha.
O anão ignorou a alfinetada categoricamente.
— Não. Eu gostaria de ajudar. Posso?
Nicky se levantou debaixo do olhar atento dos Stark e dos lobos, com Leona atrás de si.
— Ela parece um leão. – Ele comentou distraidamente enquanto ela o entregava o objeto. – Como eu suspeitava. Não é forte com os dedos, menina?
— Não, senhor. – Murmurou. – Além do mais, é uma pedra lisa.
— Como disse que era seu nome mesmo?
— Nicky. Nicky Snow.
— Bom, eu tenho uma notícia pra você, Nicky Snow. – Abriu o objeto, tirando a cobertura superior.
Robb se aproximou, assim como os lobos, para observar tudo mais de perto.
— Isso não é uma pedra, e você não é uma Snow. – Olhou o pingente. – Isso é ouro forjado.
Ele pôs o colar na mão da menina, deixando o leão exposto.
— E você é uma Lannister.
Continua...
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