Nicky Snow
5 Capítulo 4 – A canção dos Sete
Capítulo 4 – A canção dos Sete.

Lady Catelyn Stark não dormia há dias. Nem ao menos havia se despedido das filhas e o marido. Tudo o que fazia era estar com Bran, se comia ou bebia, era por insistência de Nicky, que os visitava diariamente e lhe cuidava como a uma criança.
Nicky também ajudava Robb com o castelo, e substituíra Lady Stark para com o pequeno Rickon e seus cuidados.
– Obrigado por me ajudar. – Robb agradeceu quando ela colocava Rickon para dormir.
– Não precisa me agradecer. Seus pais, você e seus irmãos sempre cuidaram de mim. Quando se recebe carinho, ele deve ser recíproco sempre.
Robb sorriu internamente, sentando-se ao lado do irmão.
– Quer uma canção, Rickon?
O menino confirmou.
– Quer ouvir a dos sete? – A moça sugeriu, acariciando os cabelos da criança pequena.
Rickon confirmou novamente.
– A face do Pai é severa e forte, entre o bem e o mal determina um corte. Pesa a vida, do nascimento à morte, e adora os seus filhinhos. – Robb cantou, auxiliando Nicky.
– A Mãe concede a dádiva da vida, pras esposas é apoio e guarida. Um sorriso e pra tudo há saída, e ela ama os seus filhinhos. – Ela continuou.
– O Guerreiro enfrenta o inimigo, e é sempre para todos um abrigo. Com espada e lança e com arco e espigo, protege os seus filhinhos.
Alguns dos herdeiros Stark compartilhavam da fé dos sete, assim como a mãe, mas outros seguiam com Ned Stark e eram devotos aos deuses antigos, mas Nicky não tinha fé alguma.
Na verdade, ela conhecera um homem de terras distantes, que havia lhe contado sobre o deus da harmonia. Era com ele que Nicky se identificava, embora não lhe pedisse nada.
– A Velha é tão sabedora e antiga, que de todos o destino investiga. Uma candeia de ouro ergue e liga, orienta os seus filhinhos. – Ela continuou, vendo o menino se aconchegar nos cobertores.
Nicky, Jon e Robb se haviam aprendido a trabalhar juntos quando chegaram à idade de auxiliar Lord e Lady Stark com os meninos mais novos.
– O Ferreiro trabalha noite e dia, pra devolver ao mundo a harmonia. Com martelo, arado, fogo e mestria, constrói para os filhinhos.
Rickon não estava nada adormecido ao chegar nesse trecho, e Nicky sabia que Robb só ficaria para a canção. Era ela quem iria passar a noite tentando fazer Rickon dormir.
Sem a mãe ou o pai o menino estava mais e mais triste, e era muito mais difícil dele adormecer na hora certa.
– A Donzela anda pelo céu a dançar, vive quando um amante suspirar. Sorri e as aves aprendem a voar, e dá sonhos aos filhinhos.
A face preferida de Sansa era a Donzela,
Os Sete Deuses que a todos criaram, sempre ouviram aqueles que os chamaram.
Podem adormecer, não cairão, eles vigiam-nos, filhinhos.
Só fechem os olhos, não cairão, eles vigiam-nos, filhinhos
Rickon não estava adormecido, mas Nicky arrumou seus cobertores enquanto Robb se aproximava para beijá-lo na testa.
– Fique mais um pouco. – Ela pediu.
Robb hesitou, mas se sentou novamente.
– Vocês virarão meu pai e minha mãe? – O menino indagou, fazendo-os encará-lo. – Vocês vão cuidar de mim, não vão? É isso que o pai e a mãe fazem. Vão cuidar de mim?
Nicky e Robb o olharam surpresos.
– Vocês vão cuidar de mim, não vão?
– Rickon nós sempre cuidaremos de você. Você é nosso irmão. É isso que os irmãos fazem. – Robb tomou a mão do menino na sua. – Nós amamos você.
O menino ainda não parecia convencido.
– Então não vão me deixar?
– Nós nunca o deixaremos. Você nunca será abandonado.
– A Arya me abandonou. E a Sansa. E o Bran. E o Jon. E a mamãe e o papai. – Sua voz se tornou baixa.
– Papai, Arya e Sansa precisaram ajudar o rei. – O Stark mais velho continuou. – Eles foram para deixar Winterfell mais segura e melhor para você viver, assim como Jon. Ele foi para proteger Winterfell também, mas para protegê-la dos Outros. Não quer que Winterfell fique segura?
– Quero. – Ele confirmou. – Mas e a mamãe e o Bran?
– O Bran se machucou. – Nicky explicou com mais calma. – E a mamãe está cuidando do Bran para ele melhorar. Todos nós te amamos, Rickon. Arya, a Sansa, o Jon, o Bran, eu, Robb, o papai e a mamãe. Todos nós te amamos. – Destacou.
Era difícil explicar a situação para uma criança de três anos. Rickon ainda era quase um bebê.
– Vá dormir, Rickon. Quero te dar o café da manhã cedo para passear um pouco. Quer ir ao septo amanhã? Pedir por seu pai e pela saúde de Bran?
O menino fez um movimento qualquer com a cabeça.
– Vamos resolver depois, então. – Beijou sua testa e ele bocejou. – Boa noite.
Robb fez o mesmo que Nicky e os dois se levantaram.
– Cubra-se bem. – O irmão mais velho orientou.
– O inverno está chegando. – Os três disseram juntos.
Cão Felpudo montou guarda na porta e eles se prepararam para sair.
– Nicky. – Rickon chamou. – Fique aqui.
– Eu já volto. – Prometeu.
Ela foi até a porta com Robb, que respirou fundo coçando os olhos.
– Vou ver minha mãe. Vá descansar logo que Rickon cair no sono, você é a única que consegue controlá-lo.
Ela confirmou e o novo senhor de Winterfell se foi.
Nicky voltou para o quarto e se sentou ao lado de Rickon, cantarolando uma canção qualquer enquanto o menino pegava no sono.
* * * * *
Um som próximo fez a moça abrir os olhos com estranhamento. Winterfell estava escura demais para ser manhã ou amanhecer.
– Nicky. – Ela ouviu um sussurro ao lado de seu corpo e puxou a adaga que Jon lhe dera de um dos compartimentos das vestes, apontando diretamente para o invasor. – Sou só eu.
Ela respirou fundo enquanto Robb se distanciava.
– Eu poderia perder o meu olho. – Ele sussurrou assustado.
– Não é pior do que morrer. – Lembrou, guardando a adaga novamente. – O quê aconteceu?
– Bran e mamãe sofreram um ataque.
Ela se levantou com pressa.
– O que? Quando?
– Mais cedo. Depois que fui vê-la. O homem incendiou a biblioteca e tentou atacar os dois. Mamãe impediu e o lobo rasgou a garganta do invasor.
– Como eles estão?
– Não houve nada com Bran. Mamãe está ferida.
Ela se levantou com pressa enquanto Robb observava Rickon, que dormia pesadamente.
– Vamos.
Nicky seguiu atrás de Robb até chegar aos aposentos de Lady Stark.
Ela se abaixou e tomou as mãos da mulher sobre as suas.
– O que houve com ela?
– Tomou leite de papoula.
A menina negou, apontando para os ferimentos.
– Falo das mãos dela. – Limpou os ferimentos.
– O homem tinha uma adaga. – Explicou.
Nicky envolveu os ferimentos com panos adequados e deixou que arrumassem Lady Stark na cama, debaixo dos olhos atentos de Robb.
– Ela não dorme há muito tempo. – Ele avisou. – Realmente precisa de descanso.
Todos confirmaram e se foram, deixando apenas os dois.
– Obrigado. – Robb murmurou novamente.
As criadas logo se organizaram e dispensaram os dois, que desceram pelas escadarias escuras.
– Eu sinto saudades do pai. – Ele confessou. – De quando eu era apenas o filho do senhor do Norte, de quando todos nós éramos apenas crianças do norte...
– Seu pai voltará logo. – Ela prometeu. – Eddard Stark não se permitirá ficar no sul até o fim dos dias. Seu coração é do norte, assim como o nosso.
Robb confirmou hesitante e ela o olhou com mais peso.
– Robb, enquanto ele estiver fora, você deve cumprir os seus deveres. Deve manter Winterfell em paz e esquentar a cadeira. Nós precisamos estar juntos. – Destacou. – O inverno está chegando.
Continua...
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