Nicky Snow
4 Capítulo 3 - Goodbye.
Capítulo 3 – Goodbye.

A estadia da corte real agradou e desagradou. A garota Stark mais velha estava brilhante por saber que era alvo do interesse do príncipe Joffrey.
Nicky havia terminado seu bordado, não tão ruim quanto o de Arya, não tão bom quanto o de Sansa, porém melhor que o da princesa Mycella.
A cena de Arya havia tirado atenção de cima de si, mas, ainda assim, as garotas haviam notado sua semelhança com a única filha do rei. Os cabelos loiros e os olhos verdes eram compartilhados, além do inigualável temperamento forte que Nicky parecia compartilhar com Cersei, e o sorriso de rasgar corações de Jaime Lannister, O Reigicida.
Ela terminou, entregou, e se preparou para sair, sendo impedida por um pigarro da septã Mordane.
Ela se virou para a princesa e fez uma reverência.
— Com sua licença, princesa.
A garota loira saiu a passos delicados, mas firmes, seguindo para onde os rapazes lutavam.
— Então. – Parou ao lado de Arya, que estava com Jon. – Quanto tempo deve levar para você ser pega desta vez?
— Já devem estar no meu quarto. – A menina murmurou amargamente.
Nicky amava Arya como uma irmã, e sabia que a menina achava o fato de precisar ser uma dama muito mais que incômodo.
— Eu não entendo. – suspirou. – Você sai à hora que quiser, eu tenho de ficar o tempo todo. Você se senta com Jon, eu me sento com o papai e com a mamãe.
Nicky negou com a cabeça, rindo baixinho.
— Eu não saio quando eu quero, só saio quando os bordados estão bons. Se estiverem ruins, volto e faço novos. E eu me sentei com Jon contra a vontade da senhora sua mãe. Mal sabe o tanto que ouvi quando voltei ao meu quarto.
A menina sorriu levemente e Jon a olhou.
— Sabe, Arya, quanto mais tempo ficar oculta, maior será o castigo.
A menina gemeu em descontento, então se afastou. Jon deu um beijo na testa de Nicky e se afastou também. A protegida observou mais um pouco o pátio vazio, então se distanciou, vendo o lobo de Bran ao longe e procurando pelo garoto Stark. Um grito rompeu o ar e o lobo uivou. Nicky pulou para trás.
Bran Stark estava caindo.
* * * * *
— Por favor, Nicky. Por favor. – Sansa implorou.
— Já disse que não posso. – A menina se distanciou. – Sua mãe precisa de minha ajuda aqui. Ela não come nem bebe nada se eu não levar até ela e convencê-la.
Sansa se deu por vencida e a abraçou apertado, como se nunca mais fossem se ver.
Era muito possível.
— Eu vou sentir sua falta. Você pode ir a Porto Real qualquer momento. – Afirmou.
Nicky confirmou e a ruiva se foi.
Ir a Porto Real... Da última vez que estivera lá, fora pra ser morta.
Jon bateu à porta minutos depois, e ela não precisou de protocolos para pular nos braços do irmão de criação.
— Eu vou sentir saudades. – Declarou depois de alguns minutos, tocando as mãos enluvadas do rapaz. – Muito, muito mesmo.
— Escreva para mim se houver algo errado. Se não escrever, saberei que estará bem.
Ela concordou.
— Se encontrar um namorado me escreva também. – Avisou com um olhar mandão. – E se for prometida. Eu quero estar aqui quando se casar, eu sei que poderei.
Ela revirou os olhos ceticamente.
— Para quem eu seria prometida? Ao bastardo de Bolton?
Ele revirou os olhos.
— Robb nunca deixaria. – Lembrou, notando algo com um olhar brincalhão. – O dia do seu nome logo está chegando. O mesmo dia que o Príncipe Joffrey. Tem 15 anos, assim como ele. Poderiam ser gêmeos.
Ela sorriu com a piada e abraçou Jon novamente.
— Tenho algo para você. – Ele avisou, distanciando-se e tirando o próprio manto, revelando uma adaga curvada.
— Jon... – Ela se surpreendeu.
Era uma bela arma.
— Você é do tipo que prefere se aproximar. – Afirmou. –Pedi que o fizessem especificamente para você.
Ele entregou o objeto em suas mãos e a menina sorriu. Havia lutado com espadas com Jon, mas sabia que sua idade não lhe permitia mais ficar por aí brincando como um homem.
— Você gostou? – Os olhos dele brilharam em expectativa.
— Eu adorei. – Afirmou, deixando-a de lado e o abraçando outra vez. – Eu também tenho algo para você.
Ela se afastou e lhe entregou um dobrado negro.
— É uma camisa, para usar debaixo dos coros. Eu mesma fiz, sem a ajuda de ninguém, então o ponto pode estar meio torto. O tecido se molda ao corpo, eu sei que você vai crescer e ficar cada vez mais forte, então você pode usá-la sempre, mas ela vai ficar meio fina se...
— Eu adorei. – Ele a abraçou, interrompendo sua fala. – Obrigado.
— Olhe dentro. Desdobre.
Ele obedeceu.
Um anel de prata.
— Era para o dia do seu nome. – Explicou. – Por favor, não engorde muito.
Jon riu.
— Os homens da patrulha se mantêm fortes e bonitos até a morte.
Ela sorriu e eles se abraçaram novamente.
Nicky ajudou Jon a tirar os couros, então esperou, do lado de fora, que o rapaz se trocasse e colocasse seu presente, os couros foram fechados e os dois desceram.
Benjen Stark já estava esperando pelo sobrinho, e ficou surpreso ao vê-la.
— Nicky. Veio acompanhar Jon? – Brincou, mesmo sabendo que ela não podia acompanhá-los.
— Dar o último adeus.
Ele olhou o sobrinho e beijou a mão da moça.
— Adeus, Nicky.
— Adeus, Benjen Stark. – Ela suspirou. – Jon?
Eles se olharam por um tempo até o rapaz respirar fundo.
— Eu venho para o seu casamento. – Prometeu com um sorriso. – E para ser o padrinho do seu filho. Aposto que ele se chamará Jon.
Ela riu.
— Até a próxima vez, Jon. – Ela se aproximou do cavalo e pousou a mão na dele. – Eu te amo, irmão.
— Eu te amo irmã. Até a próxima vez.
Ela pressentiu as lágrimas e se distanciou do estábulo, se encontrando com Lord Stark no meio do caminho.
— Nicky. – Ele se adiantou e ela disfarçou o choro. – Eu tenho algo para você antes de partir. Venha comigo.
Ele a levou até a cozinha e puxou um pano que outrora devia ser dourado, mas tinha um tom de amarelo sujo.
— Estava guardando isso para o dia do seu nome, mas parece que não poderei esperar tanto. Você estava nesses panos quando a encontrei. – Contou, mostrando-a. – E você tinha este colar. Era muito grande para você e eu jurei para mim que o entregaria quando lhe servisse. Ele parece servir.
Era um colar com um pingente liso.
— É ouro? – Estranhou. Quem desperdiçaria ouro num bebê morto?
— Pensei que não fosse, no começo, podia ser falso. Mas resistiu. É provável que sim.
Ela olhou o pingente. Ele era vazio, não havia desenho ou nada que indicasse uma casa. Seus olhos pousaram no pano.
— Acha que me amavam? Os meus verdadeiros pais.
Era uma dúvida que persistia em sua mente desde que se entendia por gente.
— Se não amavam, deviam ser loucos.
Ela sorriu levemente.
— Sentirei saudades.
— Pode vir conosco. – Ele lembrou. – Podemos esperar que arrume suas malas. Há espaço.
Nicky negou com a cabeça. Ouvira aquilo de Arya e Sansa.
— Não é meu lugar. – Ela encerrou o assunto.
— Até a próxima vez. – Os dois sorriram juntos um dos sorrisos que só o norte conhecia.
Ela se afastou enquanto tentava não se entristecer, já havia dado adeus a todos: Arya, Sansa, Jon e Eddard. Era deprimente imaginar que, provavelmente, nunca mais os veria. Seu pai, seus irmãos...
Sua voz se projetou numa canção de despedida, atravessando as paredes do castelo de pedra e chegando aos ouvidos dos viajantes.
‘E que, enquanto você vai, a Mãe e seu amor estejam contigo, e que o Pai e sua justiça te protejam, e que você vá em paz.
E que, enquanto você vai, que a Velha lhe dê sabedoria, e que o Guerreiro te dê forças, e que você leve meu coração em suas mãos e o aqueça do frio.
E que, enquanto você vai, o Ferreiro te dê virtude ao trabalhar, e que o Estranho não o toque, mas que...’
— Então é o rouxinol que me despertava pelas manhãs. – A voz atrás de si a despertou dos pensamentos.
A menina pulou para trás e a loba, ao seu lado, montou guarda. Cersei Lannister estava à sua frente, acompanhada de Myrcella, Tommen e Jaime.
— Vossa Graça. – Reverenciou ainda um pouco trêmula.
— Eu a assustei. – A rainha notou. – Desculpe-me.
— Sou eu quem lhe devo desculpas, vossa Graça. Estava distraída.
A Lannister sorriu presunçosa, mudando logo de assunto.
— Você não é uma Stark. – Notou.
A menina engoliu a seco. Fizera de tudo para não ser percebida pelos visitantes, principalmente pelo rei e sua família.
— Sou protegida dos Stark, Vossa Graça.– Explicou, tentando não revelar demais sobre si.
— Como se chama?
— Nicky, Vossa Graça.
Ela olhou a menina com atenção, talvez esperando por um sobrenome que não veio.
— De onde vem?
— Porto Real, Vossa Graça.
A rainha pareceu surpresa com a menção do lugar.
— E o que faz aqui então?
Ela deu de ombros educadamente.
— É uma história confusa, Vossa Graça. Meu pai iria me lançar em Água Negra, mas não teve coragem. – A rainha trocou um olhar com o irmão enquanto ela contava a história. – Lord Stark me encontrou na costa, como lixo. Ele me trouxe e os Stark me criaram em Witerfell, Vossa Graça.
Cersei respirou fundo, tentando não parecer afetada.
— E não vai voltar para Porto Real?
— Não acho que devo, Vossa Graça. – Confessou. – Não há nada me esperando lá.
— E sua família, Rouxinol? – A olhou complacente.
— Devem acreditar em minha morte. Jamais me reconheceriam, são quase 16 anos, Vossa Graça.
A rainha confirmou.
— É amiga de Sansa, não é?
— Sim, Vossa Graça.
— Pois haverá sempre um lugar para você no castelo. – Prometeu. – Basta querer.
— Obrigada, Vossa Graça.
— Com licença.
A rainha se afastou com sua filha, mas Tommem e Jaime ficaram para trás.
— Você se parece com a minha mãe.
O cavaleiro a analisou.
— Teria chances de encontrar sua família em Porto Real, menina.
— Sei que teria, Sir. Mas não quero.
— Tommem. – A rainha chamou e o garoto rechonchudo correu até ela, mas o cavaleiro continuou de frente com a adolescente.
— Não tem curiosidade? – Ele se surpreendeu.
— Não. Se me largaram, não me queriam. – Tentou não parecer amarga, mas era inevitável. – Faz todo o sentido. Voltar a Porto Real não me trará nada. Se me dá licença, Sor.
Ele confirmou e ela saiu a passos rápidos, tentando esconder o choro preso por aqueles minutos de conversa com todos. Os Lannisters haviam trazido mais uma questão à tona, e esta era muito delicada.
Ela fechou a porta do quarto e chorou até Robb vir chamá-la com Rickon aos seus pés.
— Nicky. – O mais velho exclamou ao vê-la.
Ela secou as lágrimas e respirou fundo, notando que Rickon parecia prestes a cair no choro, então o pegou no colo.
Os três desceram e Eddard Stark se despediu novamente, assim como as meninas. Jon apenas acenou de longe.
O choro de Rickon ecoou por todo o castelo.
Fazia sentido: Em sua mente de 3 anos, sua mãe estava o ignorando, seu irmão Bran estava morto, e seu pai e suas irmãs estavam-no abandonando, assim como Jon. Só tinha Nicky e Robb com ele agora, e traçou de agarrar-se a ela e olhar o irmão mais velho.
Nicky logo tratou de acalmá-lo. Era como uma segunda mãe para o caçula Stark, desde que ele nascera.
— Nicky. – Robb chamou quando o lugar já estava em silêncio.
Ela o olhou.
— Obrigado.
Continua...
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