Nice Ass
1 Capítulo único
Josuke finalmente havia acabado de limpar a sujeira que ele e Okuyasu tinham feito enquanto jogavam videogame. Quando obviamente seu amigo iria ultrapassar o seu carro no jogo e para atrapalha-lo decidiu dá-lhe uma cotovelada e parece que ele não calculou direito a força do impacto, o que fez o Nijimura acabar por derrubar o copo com suco ao lado melando o chão.
Deu um suspiro, porém, não por frustração por terem parado de jogar, mas de nervosismo. Por quê? Bem, enquanto ele limpava aquela sujeira sozinho percebeu que seu querido amigo encarava-o bastante.
Ele não deveria desconfiar de malícia naquela estranha encarada – principalmente por Okuyasu ser muito lerdo para quase tudo – mas era um tanto desconcertante ficar sob o olhar constante de alguém e mais ainda por quem era apaixonado.
E ele nunca ficou tão desesperado em toda a sua vida ao descobrir isso. Talvez a vez em que pensou que Kira havia matado Okuyasu se igualasse, mas eram situações diferentes.
Decidiu se virar e também encara-lo de frente, mas assim que virou-se notou que ele não encarava a si. Bem... mais exatamente a sua cintura. O moreno se indagou se deveria perguntar o que ele estava fazendo, então:
— Oku-
— Você tem um bundão Josuke. — Okuyasu comentou seco.
O silêncio perpetuou-se por instantes até seus cérebros processarem o pequeno comentário e seus rostos corarem ao extremo quase parecendo tomates.
O Nijimura começou a gaguejar nervoso tentado formular uma desculpa, mas se interrompe ao ver o maior tirar parte de cima do seu uniforme ficando apenas de calça e camisa que estranhamente tinha zíperes na região dos mamilos, não que fosse um problema. Ele até gostava para ser sincero.
Então ele sentou-se ao seu lado no sofá, sem encara-lo, mas ele percebeu as bochechas coradas e o biquinho formado nos lábios:
— M-Minha mãe dizia... — Josuke sussurrou envergonhado.
— O que? — Não diferente do usual, mesmo estando ao lado ele quase gritou em seu ouvido, mas isso não o incomodou. Ele ainda não tinha coragem de encará-lo, mas continuou a contar com a mão coçando sua nuca.
— Minha mãe sempre gostava de comentar, quando eu era criança, sobre as impressões que ele teve sobre mim quando nasci. — O rapaz começou a contar, deixando o Nijimura com uma interrogação acima da cabeça, sem entender onde ele queria chegar contando aquilo. — E ela sempre comentava risonha que quando eu nasci ela se espantou com o tamanho da minha bunda e chegou até a perguntar pro médico se era normal um bebê nascer com tanta bunda. Bem, então desde criança eu sempre estive acostumado a minha mãe, às vezes meu avô, me chamarem de bundão. — Ao acabar a explicação finalmente encarou o outro que piscava os olhos diversas vezes assimilando tudo que acabara de contar.
— Então...? —Okuyasu indagou confuso sem saber o que exatamente ele queria dizer com aquilo.
— Então não precisa se desculpar. As pessoas sempre comentam como o meu corpo é bonito desde criança.
— Mas as pessoas não deviam comentar só sobre isso. Elas também deveriam falar sobre a pessoa incrível que é. Sobre sua gentileza e bondade em querer ajudar os necessitados, sobre o seu forte senso de justiça que chega ao ponto de quase se sacrificar para punir o mal, sobre o quão engraçado é você ficando puto quando falam mal do seu cabelo ou sobre seu grande senso de moda.
Durante toda aquela declaração Josuke encarava Okuyasu com os olhos arregalados. Aquilo havia o pego de surpresa e perfurado seu coração como uma flecha. Teve a sensação de que sua paixão pelo Nijimura acabara por crescer em 10 vezes, então mordeu os lábios em nervosismo. Era agora ou nunca:
— Okuyasu acho que... Eu te amo. — Declarou sério e corado, mas sem deixar de encara-lo com toda coragem que tinha.
Aquela declaração repentina havia realmente pegado o outro de surpresa. Mas este apenas deu um grande sorriso para o moreno e afagou levemente seu cabelo sem desmanchar o penteado:
— Eu também amo você Josuke! Afinal, não seríamos amigos se não nos gostássemos. — Afirmou todo sorridente.
Josuke se jogou de cara no apoio do sofá, gemendo em frustração. Okuyasu estranhou a reação do maior, que parecia esfregar o rosto com desânimo.
"Bom, não é o fim do mundo, ainda há chances." E ao pensar um pouco ele sorriu de leve. Ainda haveria outros momentos oportunos para que pudesse se declarar. Não conseguiu segurar a pequena risada ao dá-se conta que apesar de toda aquela lerdeza isso apenas fazia ele se apaixonar cada vez mais pelo Nijimura mais novo.
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