Next To You

12 Capítulo 12 - Inalcançável.


Notas iniciais
Eu ainda tenho leitores? >_
Bem, acho que vou perder todos eles após esse cap... Desculpem, ele está realmente ruim .___.
Eu queria dedicá-lo especialmente para a minha leitora Jay Jay, que me apoia muito com a fic. ^^
Bem, eu não postei antes porque eu não estava com inspiração suficiente, na verdade minha inspiração foi toda embora, mas para não deixá-los tanto tempo sem uma atualização, eu resolvi fazer esse capítulo pra ver se dava em alguma coisa... E bem, espero que vocês gostem! Sem mais enrolação ^^

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O coração do menor acelerava cada vez mais. Seus olhos continuavam cerrados e o único som que pairava no local, era o da respiração pesada que o mais velho soltava. Jonghyun não sabia qual atitude tomar, já que seus pensamentos estavam tomados pelos momentos que passara junto ao mais velho, que havia se tornado tão importante em pouquíssimo tempo. Eram diversas complicações acontecendo em diferentes momentos e com intensidades cada vez mais fortes, mas por que a atração e a vontade de tê-lo não passava com essas dificuldades aparecendo a todo instante? Parecia tão difícil tomar uma atitude naquele momento que Jonghyun sentia que poderia enlouquecer só de pensar nisso, mas então resolveu agir sem pensar tanto.



Os braços do menor finalmente resolveram retribuir o abraço. Primeiramente, encostou as pontas dos dedos no pano grosso da blusa que cobria a cintura do mais velho e assim dedilhou até chegar às costas, onde agarrou, apertando o pano com certa força, esbranquiçando a ponta dos dedos como consequência da mesma. Os lábios de Jonghyun estavam próximos à pele do pescoço de Jinki, que se arrepiava apenas com o choque que o hálito quente do menor lhe causava ali. O mais baixo inclinou o rosto, para que pudesse fitar aqueles olhos felinos que sempre lhe intrigavam tanto. De relance, os olhares se encontraram, mas ambos não sabiam como agir. E se alguém os visse? Não que isso fosse uma grande preocupação, mas era uma das.



Não havia ninguém naquele corredor, apenas os dois amantes. Jonghyun poderia jurar que estava escutando os batimentos cardíacos um tanto quanto urgentes do mais velho. Os lábios do menor se entreabriram, estavam rachados por culpa do frio, porém não menos chamativos. Finalmente, palavras foram sussurradas como um apelo.



— Você faz isso por saber que eu vou continuar cedendo, não é?



Mesmo que num sussurro, as palavras saíram pesadas e carregadas de diversos sentimentos que talvez Jinki não pudesse perceber. O mais baixo aproximou a face do peitoral do maior, sem encostar-se a ele, como se fosse apenas um breve esconderijo para as lágrimas rolarem sem receio.
A mão de Lee Jinki dedilhou as costas de Jonghyun, até chegar à nuca do mesmo e puxá-la, para que finalmente o menor pudesse apoiá-la em seu peito.



Por que aquele toque parecia tão mais íntimo do que todos os outros toques – que não eram poucos – que recebera de Jinki até hoje? Por que eles pareciam tão mais próximos nessa situação tão... Distante?


Os olhos do mais novo arregalaram-se ao ouvir a voz do outro cantando uma melodia tão doce e triste ao mesmo tempo.



— Gaseum dadeukan geudae heunjeok nareul sumshige haeyo…

(Seus traços, dos quais meu coração está cheio, me fazem ser capaz de respirar)



Cantava baixo, mas audível o suficiente para que o menor pudesse ouvi-lo e soubesse que aquela melodia era para ele, somente para ele e mais ninguém nesse mundo. Fez questão de levar a mão até o queixo do outro, mesmo que estivesse de difícil acesso por estar tão escondido. Ao tentar erguer o rosto do outro, se frustrou na primeira tentativa, pois o mais novo não permitiu, apenas dando como resposta um gemido de desaprovação.



— Dalbiche gin bami modu muldeul myeon…

(Quando a longa noite é colorida pela luz da lua)



Cantou novamente, quase num sussurro. Jonghyun dirigiu o olhar à janela e lá estava a lua, que parecia iluminar o corredor mais do que as próprias lâmpadas que estavam ali. Ela estava cheia, mas mesmo assim parecia tão frágil, assim como o homem que a observava. Em seguida, Jonghyun encarou Jinki novamente, mas dessa vez não se permitiu desviar o olhar.
Perdeu-se no olhar que o mais velho lançara a ele, até que Jinki aproximou-se cautelosamente e os lábios já estavam a pouca distância.



— Heyeo nalsu eopneun gidarim da kkeuti nalkkayo...

(Não deveria a inevitável espera terminar?)



Essa melodia foi mais suave, contra os lábios do mais novo. Os olhar de um vigiava o do outro, como se eles estivessem conversando através dos mesmos. Lentamente, os olhos de Jonghyun se cerraram e a sua cabeça pendeu-se para o lado enquanto inconscientemente, seus lábios avançavam com sutileza aos lábios do maior.
O mais velho não recuou, sentindo os lábios gélidos cobrirem os seus com delicadeza.



Jinki sentia como se fosse outra pessoa entregando-se assim em seus braços, já que Jonghyun sempre fora uma pessoa com um temperamento difícil e personalidade indecifrável... Mas aquilo definitivamente era muito bom. Tê-lo assim, mesmo que por alguns segundos. Levou a mão direita até o rosto do mais novo, desenhando-o com as pontas dos dedos enquanto deslizava a ponta da língua entre os lábios do outro, esperando a correspondência do toque, que veio de imediato.



Jonghyun tocou a ponta da língua de Jinki com a própria, logo a deixando deslizar pela extensão da língua do outro, contornando-a calmamente, saboreando o gosto de café morno que o outro provavelmente tomara um pouco antes de encontra-lo. Lee Jinki deixava-se arrepiar apenas com aquilo, deixando o mais novo controlar totalmente o beijo que havia se iniciado há pouco. Seu coração apenas palpitava mais e mais forte enquanto a vontade de dominar Jonghyun por completo fazia questão de permanecer ali, o alfinetando. Explorava toda a cavidade bucal do outro, como se aquele fosse o primeiro e último beijo – ele temia que fosse – poderia ficar ali, o beijando por horas e horas... Era a única necessidade dele, era a única coisa que provocava o sentimento estranho e não requisitado durante tanto tempo. Aquele sentimento que provisoriamente poderia ser chamado de amor. Era o que Jonghyun provocava nele. Desejo sexual também não ficava nenhum pouco para trás, o que o incomodava bastante e o fazia duvidar do que ele exatamente sentia por Jonghyun, o que ele queria de Jonghyun.



As noites eram desperdiçadas pensando naquele homem... Era aquele homem que fazia questão de provocar inúmeras sensações diferentes em Jinki. O único.



O mais novo mordiscou com certa força o lábio inferior dele, fazendo com que um fio de sangue se formasse no mesmo e ao mesmo tempo assustando o mais velho.



— Ai... – Jinki balbuciou, mas foi calado pelos lábios do outro mais uma vez.



A cada intervalo que ambos davam entre os beijos, Jinki inspirava a essência de perfume que o menor usava. Que era doce, mas não deixava de ser forte.
As mãos do mais velho escorregaram sorrateiramente pelos braços do menor, enquanto retribuía a mordida que o outro lhe dera, porém de modo mais sutil. Em seguida, as línguas se encontraram novamente e dançaram juntas, até que momentaneamente, Jinki separou os seus lábios dos de Jonghyun, deixando um fio de saliva ser o único que os conectava. Seus lábios que já estavam avermelhados avançaram na pele do pescoço de Jonghyun, pressionando-os ali e logo em seguida passando a língua no mesmo local, arrancando um gemido submisso e rouco do mais novo, que no mesmo instante deixou-se enrubescer pelo ato.



Jonghyun poderia desmanchar-se ali, nos braços de Lee Jinki... Sua mão esquerda foi até os fios de cabelo desalinhados do mesmo, afagando-os enquanto Jinki passeava as mãos em cada canto do corpo dele e continuava brincando com os lábios e língua no pescoço já marcado do moreno.



Ao abrir os olhos lentamente, mesmo que semicerrados, enxergou a silhueta do loiro que não estava muito distante dos dois e atrás do mesmo, Minho, que estava com as mãos pousadas nos ombros magros do mesmo. Os lábios de Minho se curvaram em um sorriso divertido, satisfeito e até mesmo um pouco perverso. No mesmo instante, Jonghyun afastou-se do corpo de Jinki, não sabendo qual atitude tomar. Os olhos de Kibum estavam vermelhos, como se ele já houvesse chorado há alguns minutos, o que fez o mais velho chegar à conclusão de que ele havia observado todas as cenas anteriores.
Jinki olhou para trás, tendo agora a mesma visão que Jonghyun tivera. Minho não parecia nenhum pouco pasmo ou incrédulo, mas Kibum sim.



— Não foi uma boa ideia ficarem se beijando assim nesse local... – Disse Key em um tom indiferente. – Alguém pode ver e vai pegar mal para os dois, vocês sabem. Ao invés de eu ter visto, ou o Minho, poderia ser outra pessoa que não iria encarar isso muito bem. – Pronunciava as palavras olhando diretamente para Jinki. Sua voz não entregava nenhum sentimento, mas o seu olhar denunciava o nojo e desprezo que estava sentindo naquele momento, fora a mágoa que já havia o corrompido. – Se bem que você nunca ligou muito pra isso, não é, Onew?



Jonghyun dirigiu o olhar para Jinki, não entendendo o que o mais novo havia dito a ele. As palavras de Kibum alfinetaram Jinki da forma como ele queria.



— Tudo bem... – Jinki disse, levando a mão até a própria nuca e encarando o chão. – Não vai acontecer de novo...



— É claro que não vai. Você faz o que bem entende e depois joga fora... E ainda finge que não aconteceu. – O loiro cruzou os braços, dando de ombros logo em seguida. – Mas acho que isso não é um problema para o Jonghyun, já que ele faz a mesma coisa. Sejam felizes.



Antes que qualquer um deles pudesse falar algo, Kibum saiu andando e atrás dele foi Minho, murmurando algo que Jonghyun e Jinki não conseguiram escutar.


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Lee Taemin estava com a testa encostada na parede fria enquanto a água quente caía do chuveiro sob o seu corpo. Seus olhos estavam semicerrados, estava cansado e queria sair daquele vestuário e ir para a sua casa. Ao pensar em Jong In, seus pelos eriçavam-se automaticamente, denunciando o arrepio que tomava conta de seu corpo só de lembrar-se das cenas anteriores.



“Ah... Taemin-ah... Continue assim...” Lembrou-se das palavras do professor que foram sussurradas contra a sua pele desnuda, que no momento já adquiria o forte cheiro de cigarro que o outro trazia consigo.



— Preciso parar de pensar nisso... – Disse a si, colocando a cabeça debaixo do chuveiro e sentindo a água escorrer em sua face. – Eu acho que já estou arrependido.


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O loiro sentou no banco próximo ao banheiro localizado no pátio. Levou ambas as mãos até os olhos, passando as pontas dos dedos nos vestígios de lágrimas que estavam parados ali. Em seguida, ficou apenas a observar as pessoas que passavam andando em sua frente. Minho sentou-se ao seu lado, cruzando os próprios braços e olhando para o rosto de Kibum, que estava um pouco vermelho. Como o outro não se movimentou e nem ao menos lhe dirigiu alguma palavra, resolveu ficar em silêncio, mas não conseguiu permanecer assim por muito tempo.



— Ei, você não pode ficar assim. – O moreno disse com a voz um pouco trêmula, era sempre assim em momentos como esse. Ele tinha certo receio de dizer as palavras erradas para o loiro, que sempre tinha uma resposta afiada na língua que normalmente começava as discussões entre os dois. – Não vai adiantar nada você ficar assim, Key...



— E você por algum acaso sabe como eu estou? – Respondeu, ainda sem dirigir o olhar para Minho. – Eu só não esperava ver aquilo, não estou me importando muito.



— Ah, por favor... – Minho disse em um tom debochado, dessa vez sem se importar com a reação do outro. – Você se incomodou com aquilo, estava desenhado na sua testa, só faltou um pôster “Estou me mordendo de raiva” para confirmar de vez. E você ainda está chorando. Quer arranjar mais alguma desculpa mesmo? Você tem certeza?



— Você me irrita. – Finalmente Kibum encarou o outro. – Mas você sempre está ao meu lado e não me deixa sofrer sozinho... Nunca me deixa sofrer sozinho, mesmo que eu seja um arrombado com você.



Até mesmo antes de finalizar essa última frase, os olhos do loiro se encheram de lágrimas mais uma vez. Minho abraçou o mais novo, fazendo com que o mesmo apoiasse a cabeça em seu ombro enquanto alisava as costas dele.



— Não vamos pensar nisso agora, está bem? – O mais velho disse em um tom sereno, como se estivesse dando palavras de conforto a uma criança perdida. – Eu gosto de você do jeito que você é... Então isso não vem ao caso. Você sabe disso. Pode me considerar o seu melhor amigo.



— Eu só não entendo o porquê de tudo isso. Eu faço de tudo para que ele preste atenção em mim, já li até livros de mulheres falando sobre como conquistar um homem difícil e... – Franziu o cenho e torceu levemente os lábios ao ouvir a risada de Minho por causa da última frase dita. – Pare de rir!



— Key, não estou rindo por você ter buscado isso em livros... E sim por não ter visto que há pessoas que estão tão presas a você do jeito que você é... E que não gostariam que você mudasse nada na sua personalidade ou até mesmo na aparência. Você não precisa correr atrás disso ou tentar moldar uma personalidade por causa de alguém. – Apoiou o queixo no topo da cabeça do loiro. – A graça não é deixar as coisas acontecerem naturalmente e se sentir especial em ser amado pela pessoa que você realmente é?



— Acho que sim. – O outro respondeu e um sorriso desenhou-se lentamente nos lábios róseos do mesmo. – Obrigado. Mas não vou dormir com você de novo.



Minho riu mais uma vez, porém escandalosamente.



— Você já tira esse tipo de conclusão quando eu resolvo te ajudar? – Questionou, ainda com o sorriso nos lábios. – Acho que você deveria saber que eu não me importo com isso, não como a maioria dos caras que você sai.



Os lábios de Kibum se abriram, mas antes que ele pudesse contestar o que o outro havia dito o mesmo já havia levantado e caminhado em direção à Lee Taemin, que estava encostado na parede e aparentava ter acabado de sair do banho.

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— Tae. – O mais alto chamou o outro, que parecia um pouco distraído. – Taemin!



— Ah, Min. – Sorriu levemente ao ter a atenção tomada pelo mais velho. – O que foi?



— Nada... Parece que acabou de sair do banho. – Não escondia o olhar desconfiado.



— E o que tem? – Taemin arqueou uma das sobrancelhas enquanto encarava o maior.



— Você é fresco e tem nojo de tomar banho no vestuário. – O moreno argumentou, levando uma das mãos até os cabelos do mesmo e mexendo em alguns fios. – Por que essa mudança repentina de comportamento?



— Estava suado. – Revirou os olhos, mas sem conseguir evitar que o sorriso se desenhasse automaticamente em seus lábios ainda marcados. – E desde quando você é tão curioso assim?



— Eu sempre me intrometi bastante na sua vida, na verdade. – Mostrou a língua.



—... Carente? – Taemin perguntou ainda sorrindo, segurando a mão que Minho estava usando para tocar em seus cabelos. Fitava Minho com o mesmo olhar de sempre; o de admiração. Sempre quis ser alguém como ele, alguém que se preocupa com os outros mais do que tudo. – Você pode descontar a sua carência em mim, não vou reclamar.





— Ok, retiro o que eu disse. – Taemin disse enquanto Minho estava contando pela milésima vez alguma história aleatória da sua vida. – Minho, eu não tô nem aí pra isso.



— Insensível. – Choramingou enquanto mordia outro pedaço da barra de chocolate. -... Posso terminar de contar essa? Você vai gostar do final.



— Me lembre de NUNCA mais falar que você pode descontar toda a sua carência em mim. – Disse enquanto observava pela janela a neve cair. Como se ele não tivesse dito nada, Minho continuou falando, sem se importar com o fato do mais novo não estar realmente dando a mínima para o que ele estava dizendo. – Ei, Min...



O mais velho inclinou o rosto para que pudesse encarar o outro.



— Huh!... O que foi?



— Eu estava precisando conversar com alguém sobr-



Foi interrompido pelo sinal que avisava que os alunos deveriam voltar para as suas respectivas salas de aula. Minho permaneceu encarando o mais novo, esperando que ele lhe falasse logo o que iria dizer, mas Taemin levantou-se do chão e estendeu a mão para Minho, que a segurou e a usou como apoio para que se levantasse também.



— Depois a gente conversa, tá? – O mais novo disse, chacoalhando a mão do outro de um jeito um pouco compulsivo, Minho apenas balançou a cabeça assentindo e em seguida Taemin o soltou, indo à sua sala de aula.


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Kibum estava sentado em uma cadeira de madeira bem decorada, localizada na biblioteca, próxima à maior estante de livros que havia no grande cômodo. Ao seu lado, havia uma xícara de café em cima de uma mesa extensa e alguns lenços de papel usados na mesma, que também era feita de madeira e muito bem cuidada. Não havia mais nenhum aluno naquele local, pois o sinal já tinha tocado. Apenas ele ali, nem mesmo as pessoas que ficavam cuidando do local estavam lá. Há exatos três minutos, estava observando o vapor que saía do café preto, denunciando que o mesmo ainda estava na temperatura perfeita. Notou que no centro da mesa tinha um livro abandonado e aberto. Levantou-se e caminhou até ali, pegando o livro com a mão direita e em seguida segurando com ambas, observando a capa. — The Diary of Anne Frank – Leu em voz alta. – Já li esse mais de quatro vezes... – Disse para si mesmo.



— Então você realmente gosta dele. – A voz era conhecida, mas isso não evitou que o loiro tomasse um grande susto e deixasse o livro cair de suas mãos. – Desculpe.



O loiro se agachou, pegando o livro que estava no chão, mas sem levantar-se em seguida e muito menos sem erguer o rosto. Não queria encará-lo, pois ele sabia quem era e era a última pessoa que ele gostaria de ver assim... De repente.
Como não se movimentou, então apenas observou a sombra se aproximar dele e agachar-se à sua frente.



— Eu não tenho nada pra falar com você, Jonghyun. – Levantou-se ainda segurando o livro e caminhando até a estante, colocando-o em um local qualquer – Estou indo para a sala.



Seus passos tornaram-se curtos até chegar à porta, a mão esquerda segurou com certo nervosismo a maçaneta, porém sentiu a mão quente de Jonghyun segurar a sua mão direita, que mesmo estando fria, já estava suada por conta do nervoso.



— Sei que as minhas atitudes não condizem com o que eu falo, mas eu realmente não quero que você sinta raiva de mim... – O moreno disse para Kibum, seus olhos brilhavam de um jeito diferente naquela noite. Tudo em Jonghyun conseguia ser naturalmente perfeito e atraente, mesmo nos momentos em que Kibum desejava que um trem passasse por cima da cabeça do mais velho. Os cabelos desajeitados, lábios rachados e levemente arroxeados; provavelmente por culpa de Jinki; que chamavam tanto a atenção do loiro.



“Não olhe” Kibum pensava. “Pare de agir como um estúpido”


— Acho que você não me conhece. – O mais alto se atreveu a dizer, olhando o outro de cima a baixo. – Não estou entendendo essa sua preocupação toda... Sabe, eu não dou a mínima, Jonghyun. Você fez a sua escolha... Nada além disso. – O mesmo revirou os olhos, ficando em silêncio e os lábios curvaram-se em um sorriso divertido, mas logo retornou a falar – Você acha realmente que faz tanta diferença assim na minha vida? Tipo conseguir destruir o meu dia somente pelo que houve mais cedo?



— Acho que você não está entend-



— Você que definitivamente não entendeu. – Antes de finalizar essa mesma frase, os finos dedos do loiro estavam em contato direto com o abdômen de Jonghyun, que se arrepiou devido ao leve choque térmico entre o corpo quente e a mão fria do mais novo – Se eu estivesse puto mesmo com isso, já teria feito o meu Discurso da Discórdia sobre o Kim Jonghyun, o hétero intocável. Você não anda honrando isso muito bem... Não é mesmo? Pelo menos é o que já estão dizendo por aí.



Jonghyun segurou a mão de Key, tirando-a do local que estava, porém sem larga-la em seguida. Apertou-a com certa força, assustando o loiro.



— Me solte. – Fechou os olhos por alguns segundos, inspirando todo o ar que pôde e os abrindo novamente, encarando o moreno. – Solte!



O mais baixo empurrou o braço do mesmo, soltando-o e também empurrando o corpo magro do maior, o tirando de seu caminho e abrindo a porta, saindo do cômodo sem dirigir a palavra ao loiro, que o olhava incrédulo enquanto o mesmo ia embora. – Filho da puta, espero que morra. – O loiro praguejou, saindo do cômodo e fechando a porta com força, seguindo para o lado oposto que o outro foi, mesmo que estivesse indo para a mesma sala que o mais velho.


Next To You.



Jinki estava com o olhar perdido, observando a rua escura e os carros que passavam pela mesma. O professor estava explicando a matéria, mas o moreno não estava prestando a mínima atenção. Estava preocupado com tudo que havia acontecido hoje e sabia que Kibum e Jonghyun eram da mesma sala, o que provavelmente causaria alguma discussão.



“O pior é que eles provavelmente serão liberados mais cedo, por causa da última aula vaga que terão.” Pensou e encostou a cabeça no vidro frio da janela, dessa vez observando a lua, que estava realmente muito bonita naquela noite. A porta da sala foi aberta e fechada com certa força, chamando a atenção dos outros alunos, mas Jinki ainda estava distraído.



— H-Hyung... – Uma voz lhe chamou timidamente, em um tom baixo.



No mesmo instante, algumas memórias antigas surgiram na mente de Jinki.



“— H-Hyung, preciso te contar uma coisa... – Choi Minho se atreveu a perguntar após alguns segundos de caminhada. Ambos estavam indo à padaria, Jinki iria comprar o bolo de aniversário da mãe dele e Minho estava o acompanhando.



— Logo agora? – Jinki retrucou com outra pergunta, enquanto cruzava os braços e esperava o sinal sair do vermelho para que pudesse atravessar a rua. – O que é, então?



— Nada... – O outro enrubesceu, apenas encarando o chão. – D-Deixa pra lá.



— Depois você me conta... Vamos!



Jinki exclamou quando deu o sinal verde e buscou a mão do mais novo, que estava um pouco atrás dele. Assim que a encontrou, segurou firmemente e atravessou a rua, levando o mais novo consigo.



— Você me leva como se eu fosse uma criança. – Minho disse calmamente e riu baixo logo em seguida, enquanto as suas bochechas ainda estavam levemente enrubescidas. Ele não era íntimo de Jinki, mas definitivamente poderia considera-lo um grande amigo. – A padaria é logo ali, podemos parar e comer algo também, não apenas comprar o bolo da sua mãe.



— A sua mãe...



— É verdade, estou morrendo de fome. – Atravessou de uma esquina para a outra, chegando à padaria junto com o mais novo, porém sem largar a mão do mesmo. Leu algumas placas que estavam ali na frente e logo em seguida entrou no local, observando tudo ao seu redor. Minho fez o mesmo. – Qual bolo eu pego? – Questionou o outro enquanto olhava os diversos bolos localizados na estante de aço.



— Mas você que tem que escolher, é a sua mãe, hyung. – Minho respondeu, observando-os também, quando sentiu o seu estômago roncar alto, chamando a atenção do mais velho. – Desculpe...



— Vamos, primeiro você come e depois eu olho o bolo. – Jinki respondeu calmo, o que realmente não era algo comum, lançando um sorriso para o mais novo e o puxando até à mesa que ficava do lado de fora da padaria. Algo que Minho havia notado já há um tempo: Jinki sempre preferia ficar nos acentos do lado de fora do estabelecimento. Sempre. – Senta aí! – Praticamente encaixou o mais novo na cadeira. – O que você vai querer?


— Torta.


— Torta? Você não tá com fome?


— Ué... Sim? – Minho apoiou os cotovelos na superfície da mesa e em seguida apoiou o queixo em uma das palmas das mãos. – Não é comida?



— É doce. Isso não alimenta! – Respondeu autoritário.


— Mas eu quero torta salgada, hyung. – Mostrou a língua, mas ao receber o olhar sério do mais velho, a língua voltou para dentro da boca. – Tudo bem, você escolhe e eu espero...


Jinki virou-se de costas para o mais novo e saiu andando, mas ao contornar a entrada do estabelecimento, Minho pôde notar os seus lábios curvados em um sorriso divertido.


— Eu não sei como dizer isso... – A voz do mais novo fraquejou.



O mais velho voltou com uma torta em cada mão, colocando a menor em cima da mesa, à frente de Minho e sentou-se no acento que ficava encostado no outro lado da mesa, colocando a torta maior à sua frente.



— Por que a minha é a menor?! – Minho choramingou.



— Porque eu sou maior.



— Não é!



— Que seja! – Se pôs a comer.


Eles finalizaram as tortas e ficaram conversando durante alguns minutos, até que Minho disse que precisava ir para casa e eles foram escolher o bolo que Jinki presentearia a mãe dele. Comprou um bolo simples, já que acabou gastando dinheiro que já era pouco com as duas tortas. Jinki lembrou-se que a sua mãe comia muito quando era criança o bolo tradicional feito de pó de arroz, doces bem coloridos e recheado com doce de feijão, então fez questão de compra-lo, já que com certeza a mãe pediria para que ele comesse também e ele estava curioso sobre o gosto que ele teria.


— Você se importa muito com a sua mãe, hyung. Isso é tão bonito. – Disse Minho enquanto observava o mais velho andar cuidadosamente, equilibrando o bolo coberto na mão direita, já que a mão esquerda segurava a mão de Minho.


— Você fala como se não se importasse com a sua. – Jinki torceu os lábios levemente, pois sabia como era a família do maior. – Eu realmente me importo com ela, eu a amo, acho que nunca amarei outra mulher como eu amo a minha mãe. Nunca... Definitivamente nunca. Sem ela eu estaria perdido nesse mundo.


— Não se preocupe... Você a terá eternamente. – O mais novo disse timidamente, arrancando um sorriso bobo do outro.


Jinki levantou-se de sua cadeira bruscamente e automaticamente as suas duas mãos foram ao encontro dos ombros de Choi Minho, agarrando o pano grosso da blusa que o mais novo vestia, apertando os ombros do outro sem medir forças ao ouvir a última frase do mesmo. “Hyung... N-Não conseguiram falar com você durante o intervalo... Acharam que eu era seu amigo íntimo e... E mandaram eu te pedir para que você fosse lá mas... M-Minha curiosidade foi maior e insisti em saber o que havia acontecido... A sua mãe... A sua mãe...”



— A minha mãe o quê, Minho?! – Os olhos de Jinki encheram-se de lágrimas, pois ele já sabia o que ouviria a seguir dos lábios de Minho.


O mais novo respirou fundo antes de dar continuação ao que ia falar. Seus ombros estavam sendo machucados por causa das mãos fortes de Jinki que estavam os apertando, mas não reclamou, apenas colocou as próprias mãos sobre as mãos de Jinki, as apertando com força e olhando fixamente nos olhos dele.



— ... A sua mãe... Ela faleceu por volta das 19h45, hyung. M-Me desculpe, eu não quis ouvir mais nada do que eles tinham pra falar após ouvir isso...


Os olhos de Jinki fecharam-se automaticamente, seus braços e suas pernas começaram a tremer enquanto as lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto, como se fossem intermináveis.


"Você a terá eternamente."

Notas finais
Mereço reviews? Com certeza não, mas obrigada mesmo assim. ^^'
Até o próximo capítulo e eu dou a minha palavra que não vou mais atrasar tanto assim...
Bye bye!