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5 Capítulo 5 - Primeiro dia de neve.
Notas iniciais
Primeiro dia de neve no ano em Seoul. As crianças se agasalhavam e saíam pra fora de casa para brincar uma com as outras, montando bonecos de neve e jogando bolas de neve uma nas outras.
O homem alto de cabelos negros usava um cachecol da mesma cor que seus finos fios de cabelo. Uma jaqueta cinza e uma calça skinny preta, seu visual era neutro, assim como o seu olhar desnorteado e vazio. Ele levava uma das mãos até o próprio rosto, onde o seu indicador limpara uma lágrima que havia acabado de escorrer daquele rosto que parecia ter sido feito de porcelana.
― Neve... – Ele disse a si mesmo, enquanto encarava os próprios sapatos tão bem cuidados. – Isso é uma merda.
Levantou-se da beira da cama e caminhou até a escrivaninha, pegando a chave de seu carro que estava ali em cima e saindo de seu quarto e em seguida, de sua casa. Ao estar fora dela, fechou a porta e trancou-a, suspirando e descendo os três degraus, caminhando até o seu carro e entrando no mesmo. Decidiu parar em uma floricultura, afinal, precisaria comprar as belas rosas, eram essenciais.
― Me parece vazia...
Ele caminhava lentamente por dentro daquela floricultura, observando todas as flores em seus mínimos e preciosos detalhes. Com certeza ele levaria apenas as rosas, ele sabia, mas não havia nada melhor pra fazer, então ficou ali, rondando a floricultura inteira.
Parou.
O jovem rapaz de cabelos claros e estatura média estava ali, olhando justamente o buquê de rosas perfeito. Ele adotara um semblante despreocupado e sereno, enquanto pegava o buquê e no mesmo momento, desenhou-se um sorriso naqueles lábios finos e delicados. O mesmo rapaz inclinou a cabeça lentamente e ao encontrar-se com o olhar do homem de cabelos negros, seu sorriso se desfez, mas não por tristeza e sim por vergonha. Por que o homem mais velho estava encarando tão precisamente ele? Estava ali há muito tempo?
O mais novo aproximou-se, agora com um sorriso claramente sem graça, enquanto o outro ainda estava com os olhos fixados nele.
― Bom dia, hyung. – Taemin disse, oferecendo a mão para cumprimenta-lo, ainda um pouco desconfiado e sem graça.
Kai, por sua vez, aceitou o cumprimento. Eles trocaram olhares por alguns segundos, até que Taemin novamente quebrou o silêncio.
― Eu estava olhando algumas flores, apenas... Minha mãe irá voltar de viagem amanhã, provavelmente, então eu queria fazer uma surpresa. – O sorriso tímido de Taemin não passou despercebido aos olhos do moreno.
― Entendo... – Ele sorriu também, mesmo que um pouco triste. – Essas realmente são maravilhosas. – Kai apontou para o buquê de rosas. – Também estou aqui para compra-las.
“Isso não é óbvio?” O moreno perguntou-se em pensamento. “Como eu sou idiota.”
― Oh, sim! Você quer essas?! – Taemin pegou o buquê e o ofereceu à Kai, que deu risada no mesmo instante.
― Pode ficar com elas.
Mais uma vez, o sorriso acolhedor de Kai tomou toda a atenção de Taemin. Ele era mais velho, atraente e aparentemente, tinha muita maturidade. Os seus lábios eram alaranjados e bem desenhados, carnudos e chamativos. Sim, eram simplesmente impossíveis de não serem percebidos por alguém.
Taemin abraçou o buquê, pensando em algo para dizer, aquele sorriso realmente havia arrancado-lhe todas as palavras possíveis de serem ditas.
Silêncio, mais uma vez pairou sobre o local. Apenas olhares, olhares e nenhuma troca de palavra. O que estava acontecendo?
― Eu vou procurar um para mim, então. Até mais, dongsaeng. – Kai virou-se para o lado contrário e deu alguns passos, até que Taemin o chamou.
― Hyung... – Disse um pouco baixo, mas o possível para ser escutado e despertar curiosidade no professor. – Espere... Vamos dar uma volta...
“Eu sou louco? O que eu acabei de falar? Eu não consegui, acabei deixando escapar. Hey... Eu realmente não quero que ele vá embora. Não mesmo.” Pensou o mais novo, abaixando a cabeça logo em seguida.
Quando a levantou, Kai estava caminhando à sua direção. Perto, perto, perto... Tão perto que por um segundo Taemin sentiu a respiração dele, tão pesada. Ele definitivamente exalava masculinidade, seu perfume era masculino e ao mesmo tempo doce, enquanto seus olhos mortos deixavam um ar de mistério. Atraente. Essa era a palavra chave.
― Pra onde você quer que eu te leve?
Mais uma vez. Aquele hálito gostoso tomou conta do olfato do menor, que desviou o olhar e mexeu nos próprios cabelos, denunciando o seu nervosismo. Taemin tentara responder, mas aqueles lábios tão próximos dos seus realmente estavam o incomodando, afinal, não poderia tocá-los e nem sentir o gosto deles, que parecia ótimo.
Kai riu baixo, quase que contra os lábios do menor, que enrubesceu automaticamente, sentindo-se tolo o suficiente para sumir dali.
― Vou te levar pra tomar um café... No seu caso, acho que apenas leite combinaria perfeitamente com você. – Kai deu um sorriso largo, ele realmente estava feliz. Seu humor mudou repentinamente com a presença de Taemin, mesmo que nenhum dos dois falasse muito. Por alguns segundos, o moreno sentiu-se fortemente dependente da presença do outro, que apenas deu uma risada tímida ao ouvir suas palavras.
― Eu realmente gosto de leite... Ele puro realmente é bom. – Taemin ainda parecia com vergonha.
― Uau... Como um gato, talvez? – O professor retrucou rapidamente, levando uma das mãos até os cabelos claros do menor e bagunçando-os levemente, logo mudando de expressão facial. Ele parecia desnorteado novamente quando sua mão desenhou a lateral do rosto do menor. É, ele realmente lembrava “ele”.
― Hyung... – Taemin fechou um dos olhos ao receber aquele suposto carinho, logo notando a expressão do seu professor, que não era nada boa. – Você está bem?
O maior levou a mesma mão até os próprios cabelos, deslizando os dedos entre eles, dando um sorriso singelo.
― Sim, está tudo bem. – Disse em tom baixo. – Vamos, então?
― Eu preciso pagar. – Se referiu ao buquê. – E você não vai levar nenhum? Tem certeza de que não quer esse, hyung?
― Tudo bem. Vai lá, eu não vou querer nenhum. Encontramo-nos lá fora.
Os dois foram em direções diferentes.
Kai, ao sair do local, deu um suspiro. O vapor quente e condensado saiu de seus lábios, chocando-se com o frio. No mesmo instante, a franja caiu sobre o seu olho direito e ele logo a colocou de volta no lugar. Tirou um maço de cigarros do bolso e dentro dele, pegou um cigarro. Guardou o maço e pegou o isqueiro, colocando o cigarro entre os lábios e promovendo o contato do fogo do isqueiro com o tabaco do cigarro, acendendo-o. Deu uma longa tragada e ficou a observar o céu, que ainda despejava aquela neve pura por todos os cantos.
“Até quando todas as coisas deste mundo que me cercam, farão lembrar você? Desde a mais simples das coisas até às mais complexas. Tudo é você. Você está em mim, até hoje... Eu sinto a necessidade de sentir o seu hálito quente contra o pé da minha orelha. Eu sinto a necessidade de você aqui.”
― Hyung? – A voz do menor quebrou os seus pensamentos.
― Oh, sim... Vamos. – Kai chacoalhou a cabeça levemente e foi até o carro.
Eles entraram e conversaram um pouco, decidindo em qual cafeteria ir. Taemin estava estranhando um pouco aquela situação, já que nem ao menos tinha intimidade com o seu professor para sair chamando ele assim. Depois de rápidos quinze minutos, eles já estavam bem confortáveis com a presença um do outro. Taemin se sentia seguro com ele e ele se sentia seguro com o Taemin. A troca de olhares era frequente.
Chegaram à maior cafeteria da cidade, assim que Kai saiu do carro, muitas mulheres se sentiram atraídas pelo mesmo e em seguida, Taemin saiu. Eles realmente eram o centro das atenções e até pareciam irmãos, afinal, a semelhança entre eles era pouca, mas percebível. Taemin admirava Kai, tanto pela beleza como pela personalidade, ele era diferente dos outros.
Eles entraram na cafeteria, Kai colocou o seu óculos de grau e caminhou até a mesa colada à janela. Sentou-se no canto e observou Taemin sentar-se na outra cadeira, do lado esquerdo. Uma mulher atendeu ao pedido deles e eles ficaram conversando até que o pedido fosse entregue.
Taemin havia pedido leite e apenas leite. De início, a atendente achou que ele estivesse brincando, mas viu que era sério. Serviu os dois, Kai havia pedido um café puro.
O mais novo pegou um canudo e colocou no copo, tomando por ali. Kai deu risada ao presenciar essa cena.
― Você realmente vai tomar assim? – O professor perguntou, com um sorriso calmo desenhado nos lábios.
Taemin automaticamente tirou os lábios do canudo ao ouvir o mais velho.
― Qual é o problema? – Ele se sentiu incomodado, cruzando os braços e deixando escapar a expressão emburrada dele.
Kai inclinou um pouco o corpo sobre a mesa e mordeu o canudo, tomando um gole do leite logo em seguida por ali, enquanto encarava o aluno.
― Nenhum, é bom. – Voltou à sua posição normal. – Não precisa ficar constrangido, Taemin. Existem coisas mais constrangedoras pra se colocar na boca. – Ele riu.
Taemin enrubesceu, tentando esconder o rosto que estava completamente vermelho. Kai sorriu, com o mesmo semblante de serenidade.
Eles continuaram conversando, conversando e conversando. Kai constrangia Taemin diversas vezes e de vários modos diferentes, é, ele realmente era desagradável, mas o menor gostava disso.
― Bem, acho que está na hora de ir. – Disse Kai, olhando para o relógio e voltando a olhar para o outro. – Vamos?
O loiro ficou quieto por alguns segundos – Provavelmente não queria ir embora – mas apenas confirmou com a cabeça e eles se levantaram, Kai pagou a conta e saíram do local. Já estava de tarde.
Kai estava andando na frente, ao chegar ao carro, destrancou o mesmo e abriu a porta, esperando Taemin entrar. O mais novo agradeceu e entrou, fechando a porta logo em seguida, poucos segundos depois ele se deparou com o moreno dentro do carro e com as mãos ao volante.
O mais velho já sabia o caminho da casa do outro, mas fez um caminho totalmente confuso de propósito, para que eles ficassem mais tempos dentro do mesmo veículo e conversando. Talvez ele nem ao menos soubesse o motivo de querer ficar tão perto do menor.
― Sabe, você me lembra uma pessoa. – Kai quebrou o silêncio.
― Quem?
― Um amigo meu. – Mentiu. – Vocês tem a mesma personalidade.
― Ah... Eu não conheço nenhuma pessoa que possa se comparar a você, hyung.
Kai sentiu o coração acelerar por um único segundo. O que o outro acabara de dizer? Aquilo realmente mexeu com os sentimentos de seu professor. Taemin não notou o peso das palavras que tinha dito, apenas estranhou o comportamento do mais velho.
Chegaram à casa do mais novo, foi mais rápido do que Kai gostaria que fosse.
― Bom, obrigado, de novo... Hyung. – Taemin deu o mesmo sorriso de sempre. – Até mais. Obrigado por hoje.
Antes que o menor pudesse sair do carro, Kai o segurou com certa força pelo braço esquerdo, fazendo com que ele se assustasse um pouco.
O professor fitou o aluno por alguns segundos, aproximando os lábios lentamente dos do menor, que se assustava um pouco com aquela situação. Agora, estavam a milímetros de distância, podiam sentir perfeitamente a respiração um do outro.
Kai abriu lentamente a sua boca, dirigindo a língua até os lábios do mais novo, que estavam realmente próximos. Tocou o lábio inferior, depois o superior e em seguida os desenhou, mordiscando alguns cantos da boca dele. O aluno abriu a boca, como se implorasse para que o maior tocasse a sua língua com a dele. Assim foi feito. Kai deitou o seu próprio corpo sobre o frágil do outro, que encostava a cabeça na janela do carro de um modo submisso. O professor acariciou o rosto do aluno, enquanto contornava a língua do mesmo com a própria, sugando-a para dentro de sua boca e ouvindo os baixos e suaves gemidos do aluno, que soavam de um jeito tão doce e erótico. Kai não se conteve, passando a mão sob o cavalo da calça que Taemin usava e o dono dela permitiu sem contestar, ele realmente queria ser tocado pelo seu professor, desde quando o viu pela primeira vez. Agora, a mão do outro pedia passagem para entrar por baixo de sua blusa, querendo tocar o abdômen delicado do mais novo e mais uma vez, ele permitiu.
Kai tocava com certa ânsia o corpo do mais novo, tocando-lhe em cada parte, fazendo com que Taemin se arrepiasse com o choque térmico entre a mão gelada de seu professor e seu corpo quente.
― Hyung...
Notas finais
Beijossssss negrinhas.
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