Next To You
13 Capítulo 13 - I see you go away
Notas iniciais
Todos os alunos que estavam naquela sala, olhavam para Lee Jinki com pena. E ele odiava ser olhado daquele jeito, principalmente por pessoas que ele nem ao menos conhecia e sabia que as mesmas não se importavam com ele, então que diferença fazia?
MinHo segurou os ombros de Jinki, empurrando o corpo do mais velho utilizando ambas as mãos e o levando até a porta, tirando-o daquela sala e caminhando com ele até o banco mais próximo dali, que ficava ao lado da enfermaria próxima às escadas. Jinki jogou-se no banco e MinHo não sabia se sentava ou não ao lado dele. Afinal, mesmo que tivessem confiado nele para dar uma notícia tão íntima sobre a família de Jinki, o mesmo não tinha muita intimidade com ele.
– Ei... Você quer que eu te acompanhe? Nós precisamos ir ao hospital. É a sua mãe, hyung. – MinHo disse sem graça para o mais velho, que não ousava erguer o rosto por vergonha das lágrimas que tomavam conta dele. – Olha, eu sei que não parece mas... Eu te juro que vai ficar tudo bem... Tudo vai ficar bem, hyung. Eu estou ao seu lado. Prometo ficar ao seu lado para sempre.
A mão tímida de MinHo tocou as costas do mais velho, com a intenção de abraça-lo mas sem ousadia o suficiente para fazê-lo. Tinha vontade de chorar, mas precisava se manter forte para que Jinki ficasse forte. Jinki era a sua força. Era a razão de tudo para ele, desde sempre. E vê-lo daquele jeito definitivamente era difícil, já que a imagem que ele tinha do mais velho era completamente o antônimo da que os seus olhos capturavam com tanta dificuldade naquele instante.
– Hyung...
– Mas que porra, MinHo, eu já entendi, merda! – Gritou, fazendo com que o outro se afastasse dele por culpa do susto que o mais velho havia lhe dado – Não precisa ficar me falando a mesma coisa, porra... Parece que riscou o disco dessa merda.
Os olhos do mais novo encheram-se de lágrimas, mas ele não permitiu que estas escapassem dos seus olhos. Deveria ter paciência, pois era um momento realmente difícil para Lee Jinki. Precisava ser compreensivo, mesmo que aquelas palavras tão grosseiras que eram cuspidas pelo outro lhe atingissem como um soco enquanto ele estava somente tentando acalmá-lo. Lidar com o mais velho nunca fora nenhum pouco difícil antes.
Choi MinHo levantou-se do banco, dando dois passos e encontrando-se de frente para Jinki. Encarou os próprios sapatos por alguns segundos antes de resolver falar algo.
– Vamos? – Questionou.
Ficaram em silêncio, mas a resposta do outro não demorou muito a vir. Jinki ergueu o rosto vermelho, seus lábios estavam inchados e seus olhos mais ainda, ainda com lágrimas nos mesmos.
– Vamos. – Disse um pouco antes de se levantar, dirigindo o olhar para onde estava sentado para verificar se não havia caído algo de seu bolso ou algo assim.
MinHo caminhou na sua frente, a uns quatro ou cinco passos de distância. Os passos eram lentos e o ritmo dos dois era igual, então não ficavam perto demais um do outro ou longe demais.
O silêncio até a saída da universidade foi incômodo para Lee Jinki. Ele não conseguia parar de chorar e muito menos de pensar em sua mãe. No sorriso de sua mãe. Na sua história com sua mãe, no quanto ela era importante e necessária em sua vida. Ele chegou a pensar mais de três vezes em apenas alguns minutos em como ele viveria sem ela. Ela que lavava as suas roupas, ela que preparava o seu almoço, ela que abria a porta do seu quarto na madrugada para verificar se ele estava com febre ou não, ela que lhe dava o último beijo do dia, o beijo dos lábios mais macios que ele já havia sentido em toda a sua vida. Aquele beijo estalado na testa seguido de uma gargalhada alta que valia por um milhão.
Também pensou em JongHyun, mas pensou em MinHo. Quem era MinHo, afinal? Por que ele estava sempre ao seu lado sendo que eles não tinham laços realmente fortes? E afinal... Com quem Jinki tinha laços realmente fortes? Quais eram as pessoas que realmente se importavam com o sorriso largo que ele dava após contar a piada do dia; aquela que ninguém ria?
Era como se todos os pensamentos ruins invadissem a mente de Lee Jinki e ele não conseguisse mais se livrar desses – e nem ao menos desejasse isso.
Que seja, não estava com cabeça para pensar nisso.
Já estavam na calçada e MinHo estava atento, esperando algum táxi passar por ali.
– Não podemos ir com o meu carro? – Jinki perguntou.
– Não quero deixar com que você dirija nesse estado, não quero dirigir o seu carro e estou sem poder dirigir o meu. – Respondeu sem olhá-lo. – Não se preocupe, os táxis aparecem rápido e não passam reto.
E assim um táxi se aproximou, MinHo deu o sinal de que ele deveria parar e o mesmo passou reto, fazendo com que o mais novo abaixasse a cabeça, mas assustou-se ao ouvir a risada de Jinki, que soou tão distraída de tudo que estava acontecendo naquele instante.
– Tem certeza de que não quer o meu carro? – Ouviu as palavras do mais velho e o encarou, estendendo a mão.
– Me dê as chaves.
–
Jinki estava no banco do passageiro enquanto MinHo dirigia o seu carro. Trocavam poucas palavras vez ou outra, mas logo Jinki encarava a janela e MinHo já sabia que o mesmo estava chorando.
– Eles te deram o endereço? – Jinki perguntou ainda encarando a janela.
– Sim, eu nem sabia da existência desse hospital...
– É o mais próximo lá de casa... Fico me perguntando como descobriram que a minha mãe faleceu sendo que ela estava sozinha em casa. – Disse ainda distraído.
– Uhm... – Foi a única coisa que MinHo pôde murmurar, já que não queria comentar nada sobre isso.
Eles finalmente chegaram ao hospital e MinHo pôde notar o nervosismo que tomava conta de Jinki, já que o outro estava completamente pálido e aparentemente iria tombar à qualquer instante, suas pernas tremiam muito.
– Você pode se segurar em mim. – Disse aproximando-se do mais velho – Eu sei que é ridículo eu fazer essa pergunta... Mas você está pronto pra isso? Pra ver a sua mãe.
– Lógico que eu não estou. – Respondeu envolvendo o braço esquerdo em volta dos ombros do maior e continuando a caminhar, ainda pálido.
Caminharam até a entrada do hospital, mas Jinki parou um pouco antes de entrar no recinto.
– Eu não consigo. – Disse baixo, recuando e virando-se de costas para a porta da entrada. – Não vou conseguir fazer isso, não vou conseguir vê-la e não dá pra conversar com ninguém agora... Que merda, eu não consigo. Eu não vou conseguir.
– Você não está forçando a barra? – Choi Minho perguntou, aproximando-se do mais velho e pousando a mão esquerda sobre o ombro direito dele, entrando em contato com o capuz quente da jaqueta que estava jogado para o lado. – Não precisa se fazer de forte assim. Você é humano e é a sua mãe, hyung. Você ficou frio de repente, só chorou na hora que recebeu a notícia. Você não pode segurar isso no seu peito, vai começar a doer.
Lee Jinki inclinou o rosto com a intenção de encarar o mais novo, sendo o bastante para que a lágrima que escorregou cautelosamente de seu olho direito entrasse em contato com a pele morena clara dos dedos finos do outro.
– Eu não sei o que fazer ou como agir... Eu quero gritar, quero matar alguém, quero cometer suicídio, quero abandonar a faculdade e nunca mais sair da minha casa. – Ele disse com desespero, as palavras teriam ficado todas juntas se Jinki não as separasse com os soluços altos provocados pelo choro – Não me dá mais vontade de continuar, eu não quero mais dar um passo sequer, eu só quero voltar... Rebobinar a fita. Voltar para quando eu tinha doze anos de idade e não existia problema algum na minha vida. Quando ninguém me fazia sofrer e eu não era feito de trocha pelos outros.
– Você não é um grande exemplo de honestidade, você sabia disso? – Outra voz entrara na conversa, despertando espanto em Lee Jinki, que a reconheceu automaticamente. – Eu que a trouxe aqui quando faleceu. Espero que não se importe.
Choi MinHo também reconheceu a voz, aquela que mais odiou por muito tempo, já que o dono dela tirava Lee Jinki de perto de si a cada dia que passava, como um pesadelo que ele finalmente havia perdido contato por muitos dias após acordar e agora voltava a assombrá-lo. Sua mão caiu do ombro de Jinki ao notar a aproximação perigosa que o outro fazia, dando alguns passos para finalmente falar algo.
– Vou entrar... Qualquer coisa me chama, hyung. – MinHo disse para Jinki, entrando no hospital e o mais velho o observou até que esse se sentasse no sofá da recepção do mesmo, aparentemente confuso.
– Joon... – Lee Jinki sussurrou enquanto este já estava de frente para ele. – Agora não...
– Ela teve uma hemorragia cerebral... Foi horrível. – Lee Joon deu continuação no que estava falando, alguns indícios de lágrimas surgiram nos seus olhos – Eu só pensei no que eu disse aquele dia... E em como eu fui cruel falando isso, Jinki.
Lee Joon ajoelhou-se na frente de Jinki, as mãos foram ao encontro das mãos do mesmo.
– Eu quero te implorar perdão. – Soou sincero, enquanto apertava as mãos frias do outro – Eu espero que algum dia, quando a dor no seu coração passar, você possa me perdoar...
– Não foi você quem a matou. – Jinki respondeu rápido, sua mente estava pipocando e não queria mais dramas para aquele dia, mesmo que as lágrimas insistissem em sair dos seus olhos – Você me deve desculpas mesmo por que foi um filho da puta, um cuzão e ainda merece levar uma surra pra nunca mais levantar da cama... Mas...
– Mas?
– Mas eu entendo, você estava nervoso... Como sempre. – Finalizou a frase, puxando o outro pelas mãos que segurava, fazendo-o ficar de pé novamente – Eu não quero mais ter ódio de você, mas não vejo nenhuma relação futura entre nós dois. Nenhuma mesmo.
– Eu amo você. – Lee Joon sussurrou e aquele hálito quente beijou a face do outro, como normalmente acontecia nas manhãs que eles acordavam juntos – Eu preciso de você, você sabe.
– Que viadice, Joon. – O outro respondeu, mas sem conseguir esconder o rubro que atacou as suas maçãs do rosto.
– Não vou te acompanhar aí dentro. – Joon disse – E nem vou tentar te beijar em um momento como esse, sabendo que vou levar um murro na cara. Você tem o MinHo ao seu lado, acho que já é o suficiente... Acho que sei o que você sente pelo garoto e isso não me atinge nenhum pouco. Se quiser saber o que houve quando eu a encontrei, venha tomar um café na minha casa... Afinal, acho que não vai querer ficar na sua de qualquer jeito, não é? Nós realmente precisamos conversar como pessoas decentes.
– É, eu tenho o MinHo. Aliás, eu sempre tive... – Olhou mais uma vez para Choi, que já estava o observando, mas fingiu estar fazendo outra coisa quando seus olhos encararam os de Jinki. – Nos falamos depois... Obrigado pelo que fez por ela. E por mim.
Deram as mãos desajeitadamente, como uma despedida. Jinki caminhou até a entrada e não viu Joon ir embora e nem fez questão de fazê-lo. Limpou os pés no carpete que tinha um belo “Boas vindas” na cor azul, caminhando até MinHo.
– Demorei muito?
– Não.
– Lee Jinki? – Uma mulher vestida de branco chamou-lhe, fazendo com que o mesmo direcionasse o olhar a ela. – Lee Joon me deu o seu perfil, eu estava te aguardando na recepção, por causa da sua mãe. Nós desceremos uns dois andares até chegarmos ao local em que ela está. Você virá sozinho ou não vai querer ver o corpo? Ele já está congelando no momento, pois o falecimento dela foi há algumas horas e a imagem do parente congelado realmente não é agradável, acho que você tem a noção disso.
Ele assentiu com a cabeça, olhando para MinHo.
– Você prefere ir sozinho? – O mesmo perguntou.
– Preciso de você comigo. – Respondeu sincero e o outro levantou no mesmo instante.
Lee Jinki trocou algumas palavras a mais com a doutora que insistia em distraí-lo do momento difícil que ele estava passando e mesmo que ela não tivesse sucesso com isso e fossem apenas tentativas frustradas, Jinki se sentia grato.
Quando se deu conta, já encontrava o corpo da sua mãe à sua frente. Seus olhos estavam fechados e ela mantinha uma expressão facial serena, a que normalmente possuía. A doutora estava falando algo, mas ele não conseguia prestar atenção. Não conseguia prestar atenção nem ao menos na mão quente de MinHo que segurava a sua com força, apenas focava toda a sua concentração nos mínimos detalhes do rosto de sua mãe, que fora sempre tão belo e tão chamativo e mesmo que já não possuísse mais vida, continuava lhe dando a esperança de que ela fosse abrir os olhos à qualquer instante.
– Ela está em paz agora, Jinki.
A voz de MinHo lhe despertou de seu transe momentâneo e ele até mesmo se assustou com ela.
– Ela sofreu uma hemorragia cerebral, não? Ela está com o rosto tão bonito, não parece que... – Colocou a sua mão sobre a mão gelada dela, acariciando-a – Eu... Eu não aguento isso... Mãe, acorda! Acorda, por favor!
O tom alto da voz dele assustou a doutora e logo em seguida ele se debruçou sobre o corpo de sua mãe, deixando as lágrimas rolarem livremente sem pensar duas vezes.
– Mãe, não dá pra viver sem você aqui! – Ele apertava os braços da mãe, enquanto MinHo tentava sutilmente tirá-lo de cima dela.
– Jinki, aqui não, Jinki. – O mais novo disse enquanto a doutora não tomava atitude por não saber como lidar com a situação, o que ela deveria saber pelos anos de trabalho naquele hospital. – Vamos sair daqui por enquanto, por favor. – Segurou com certo medo o braço do outro, puxando-o para trás.
– Me solta! – Exclamou ao livrar-se do braço do outro – É a última vez que eu posso ver ela, não enche a porra do meu saco!
– Você tá agindo que nem um louco, isso já é demais. Desculpe, doutora... – MinHo segurou ambos os braços do outro, puxando-lhe para longe dali e tirando-o da sala.
Jinki se debateu um pouco, mesmo que não estivesse usando toda a sua força, que provavelmente o livraria dos fortes braços de Choi MinHo. Sua visão ficou turva e tentou abrir a porta do cômodo novamente, sem sucesso, já que seu corpo se rendeu, Jinki padeceu e seus lábios perderam a pouca cor que lhe restava.
Tudo apagou.
Notas finais
Você ainda morre de curiosidade pra saber o que aconteceu entre o Taemin e o Kai naquela salinha? Pois a curiosidade terá seu fim amanhã, estarei postando o que houve lá.
E NTY voltará a ser postada semanalmente, na quinta-feira, como era antes. Obrigada, meus leitores, eu amo vocês. *-*
10 reviews nesse para que eu poste o próximo, ok?
Postei duas fics novas, The Reason que já tem dois capítulos e é atualizada semanalmente:
https://www.fanfiction.com.br/historia/225436/The_Reason
E Sailor Gay (já pelo título vocês podem perceber que é de comédia) apenas para arrancar umas risadas de vocês, que provavelmente querem me matar com a demora de NTY:
https://www.fanfiction.com.br/historia/227709/Sailor_Gay
Obrigada s2
Fale com o autor