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10 Pedido de ajuda do outro lado


Notas iniciais
~Hey povo o Mais um capitulo para vocês encherem o coraçãozinho de alegria xD

A FLUIDEZ E SUTILEZA que reproduzia ao se deslocar pelo palco foram substituídos por ações rijas e pouco naturais de modo que evidenciasse mais a estranheza da situação. Ofuscado pelo olhar vazio da cantora, Nero franziu o cenho inspecionando-a por um fugaz segundo para descobrir que em sua testa havia uma marca, que agora reluzia em um vermelho carmesim, parcialmente oculto pelo cabelo castanho. Ela balançou a mão intuindo esbofeteá-lo para que se distanciasse, retrocedendo alguns passos para recuperar a cordura. Não tinha como saber ao certo qual seria o real problema que se acometia sobre a mulher, nada nela manava vibrações ruins, ainda assim, ela era uma inimiga que precisava ser combatida.

Nero examinou com cautela cada passo dela preparado para repelir com Yamato se caso fosse preciso, não perdendo de vista nenhum movimento executado. Com uma generosa parcela de experiência, o Devil Hunter sabia que não podia tirar do enfoque demônios com aspecto humano, estes se mostravam mais traiçoeiros disfarçados de criaturas de menor poder para se esgueirar sob a luz e promover o caos. A mulher se curvou como se algo, que seus olhos não captaram, a tivesse golpeado e produziu uma série de balbucios vagos e difíceis de compreender.

Por favor, me ajude” finalmente um som coerente saiu os lábios ressequidos da jovem.

Ela ergueu a cabeça para mirá-lo com o que definiria como epítome do desespero — um semblante tão sôfrego e aterrorizado que instintivamente Nero quis proteger. Apesar de seus feitos para proteger Fortuna e ajudar a população, o rapaz nunca realmente foi do tipo heroico de indivíduo, mas, aquilo despertou um sentimento incomum em seu interior, por uma razão que nem ele entendia, uma crescente necessidade de resgatá-la e tê-la em segurança o engolfou. Movido por uma sensação estranha, Nero estendeu a mão para tocá-la e, quase instantaneamente, um arquejo engasgado se ouviu antes dela se endireitar e retornar a face ausente de emoções.

— Nero? — chamou Kyrie, um pouco hesitante, segurou ternamente o braço do jovem. Nero sentiu como se outro par de mãos fizessem o mesmo com seu Devil Bringer, algo quente e reconfortante. O contato o fez com que o véu que escondia sua existência cedesse e, por fim, revelasse a verdadeira aparência da criatura alojada na garota tal qual os pequenos fios anexados nela feito um mestre de marionetes que estava controlando-a. Escutou Kyrie arfar assustada e se posicionou para defendê-la.

O demônio possuía características aracnídeas, dobrando o tamanho de sua vítima e fazendo atuar de acordo com sua vontade. Ele manipulou os movimentos dela em um ritmo bizarro para atacá-lo: sem mais perder tempo e ciente de que fora descoberto, utilizando a garota, tentou avançar com ataques pouco articulados, porém, com bastante impacto. Nero agarrou a namorada e a colocou longe, em uma área segura, para que tivesse como lutar sem o risco de feri-la no processo. Tinha agora uma missão: eliminar a criatura e salvar a garota.

Nero não teve como acertar seus golpes sem que o demônio colocasse a garota como escudo. Em um surto de lucidez, a jovem arfou querendo escapar do domínio da besta hedionda que se ficou nela, algo que o ser não tolerou e enroscou mais um de seus fios no pescoço dela para acabar com a resistência e exercer seu domínio, uma atitude desesperada que deu a oportunidade para o caçador rasgar a parte superior do corpo da criatura desprendendo partes a mulher. Não permitindo que o ser se restabelecesse, Nero arrancou as finas teias e romperam por fim o controle sobre ela, assim terminando seu serviço ao matar o demônio.

Com delicadeza acudiu a garota, vendo que a marca ainda estava ali, pulsante e emitindo uma energia obscura. Olhou os arredores pensando que se ela estava em algum tipo de transe para ficar a mercê de manipulação, o real orquestrador daquilo estaria perto.

Uma figura pousou graciosamente no chão na passarela entre os assentos e ajustou o chapéu que usava.

— Devolva a garota, ela me pertence.

— Pertence? — Nero franziu o cenho furioso com as palavras utilizadas pelo homem. Ele soava como se a enxergasse como um objeto e não como uma pessoa com sua própria individualidade. Ele ficou a jovem desfalecida sem intenção alguma de devolvê-la. Kyrie correu para ajudá-lo, se ocupando de cuidar da garota.

Kyrie checou o pulso da mulher para se certificar se estava viva, embora não houvesse atividade vindas dela. Demorou um pouco para que ela esboçasse alguma reação, seu rosto se retorceu em uma careta indicando sua consciência e, assim que abriu seus olhos, a marca desapareceu.

×××

VULTOS SE ASSOMARAM sobre mim a medida que todos os meus pensamentos voltaram a mim. Enquanto me reconectava ao meu corpo exausto, meu cérebro não conseguia reaver as memórias de minutos anteriores com exatidão devido a overdose de sensações que me assaltaram.

Apesar desse caos, finalmente podia voltar a mim — em meu corpo original.

Uma imensa pressão puxou-me tão bruscamente que me encolhi em meu casulo de inquietude e insegurança, ao mesmo tempo, que uma força oposta me impelida para fora. Me sentia sensível e bastante dolorida, sobretudo, no pescoço e os resquícios da influência maligna saindo de mim. Sem a entidade deturpando minhas ações, minha alma retornou e novamente tinha a impressão de que minhas lembranças pareciam distantes e tortuosamente próximas, me atingindo com tudo.

A escuridão não assustadora me chamava e cedi a ela.

Aos poucos, tudo foi clareando, tornando-se mais nítido e fácil de processar. Abri meus olhos embaçados e pisquei inúmeras vezes tentando me acostumar com a luminosidade do local. Respirei fundo puxando o máximo de oxigênio para meus pulmões, o ar entrou queimando e, naturalmente, tossi com a ardência desconfortável.

Uma mão gentil afagou minha testa como se estivesse tratando de me acalmar do surto de tosse que se apoderou de mim.

— Está tudo bem. Está a salvo agora. — entoou a voz impressionantemente comovente e afetuosa.

A bagunça de percepções me atrapalhou para distinguir os contornos, formas e luzes de início. No entanto, naquele momento, era como se tivesse despertado de um horrível pesadelo e bem antes de ser capturada pelo monstro. Me remexi agonizando por ainda querer recordar de quando e como cheguei ali e o que aconteceu para estar em tais severas condições. Acima de mim a luminosidade não ajudou em nada já que fazia com que meus olhos doessem. Grogue, muito desorientada, focalizei nas duas pessoas que me encararam, para minha surpresa, eram Nero e Kyrie. Arquejei num misto de perplexidade e euforia que certamente os confundiram. Até pularia tamanho espanto, isso, é claro, se meus músculos não doessem terrivelmente.

— Ei, consegue se levantar? — Nero indagou, tentei assenti, minha cabeça latejava muito.

— Sim. — minha voz saiu quase como um murmúrio. Forcei-me a sair dessa letargia, me impulsionando a me erguer, contudo, sem sucesso. — Na verdade, não. — completei sem energia.

— Minha cara, venha comigo. Seu lugar é ao meu lado. — congelei ao escutar Ace, atuando no automático rastejei para longe daquele homem vil que me escravizou durante esse curto período. Nero notou minha apreensão e me alentou, carregando-me para os fundos do palco com a Kyrie em nosso encalço.

— Esse homem... Não é confiável. — os informei entre resfôlegos ligeiramente desgarradores.

— Eu percebi. — Nero rematou, pronto para uma batalha.

Kyrie me apoiou em si, se projetando para ser uma defesa depois de Nero. Ace se encontrava imóvel, emanando uma aura perigosamente ameaçadora e sombria. Um arrepio percorreu minha espinha e um medo primitivo me devorou por dentro, tremendo com uma sensação de... Ódio vivo. Um sentimento poderoso demais para ignorar.

— Entregue a garota! — Ace exigiu, seu timbre soava urgente e tenebroso.

— E porque eu faria isso? — Nero retrucou, olhando-nos sobre os ombros. — Saiam daqui.

— Mas... — sussurrei.

— Temos que ir. — pediu Kyrie.

Suspirei.

— Nero dará conta disso, precisamos sair! — Kyrie encorajou, me convencendo a acompanhá-la.

Evoquei o nome de Alexander, enxergando sua figura fantasmagórica em nosso encalço. Se tenho poderes e os usei algumas ocasiões em circunstâncias de perigo, não seria difícil recriar essas emoções para não deixar tudo nas mãos de Nero. Não tinha muitas opções; ou decidia lutar e por um fim nisso ou simplesmente deixava-o lutar numa batalha que não era dele. Seria injusto e covarde da minha parte. Ele me salvou do controle de Ace e se existia uma possibilidade, mesmo mínima, de retribuir, faria sem remorso.

Mais ciente de nosso entorno, pude ver os estragos causados, pessoas feridas e alguns demônios soltos, isso me preencheu com coragem. E, num ímpeto selvagem, me soltei do aperto suave de Kyrie e ocupei o centro do palco que outrora trouxera a desgraça — invertendo os papéis. Um leve redemoinho de ar me envolveu trazendo um doce aroma de lavanda e sândalo, um agradável calor cresceu em minhas mãos e eu as apontei para Ace. Explodi com tudo que tinha, estendendo o braço e, assim como das outras vezes, uma essência resplandecente em dons dourados emergiu da palma de minhas mãos e acertou tudo no espaço da plateia, destruindo os últimos demônios vivos e arremetendo contra Ace que colocou os braços ante a si em um gesto de bloqueio que não funcionou tão bem.

Respirei fundo, uma fina camada de fumaça se liberou de minhas mãos e desmoronei sobre a pressão da gravidade, cansada e desalentada. Ace grunhiu e arregalei os olhos com seu estado: a parte que recebeu o ataque se encontrava carbonizada e estacas pequenas cobriam seu peito o paralisando momentaneamente. E, ainda que seus ferimentos, em minha perspectiva, pudessem ser bem graves, isso não pareceu incomodá-lo como esperava que fosse acontecer. Pelo contrário, além de não ter o efeito desejado, fez atiçar a obscuridade e a raiva de Ace.

Não sabia como, mas pude sentir.

A tensão alterou perceptivelmente a atmosfera — tão rarefeito que deglutir foi uma tarefa muito difícil. E, enfim, tive uma epifania do que Ace era e das coisas que faria para concretizar suas ambições... E pensar que utilizou um estratagema tão baixo para se aproximar de mim somente para me subjugar as suas vontades. Lenta e despreocupadamente, ele removeu as estacas cintilantes e as esmagou, uma a uma, sua pele se restaurou com assombrosa rapidez, tal qual a capacidade regenerativa de Dante.

— Ainda nos veremos novamente, Diva. — Ace deu meia volta e simplesmente saiu. Quis ir atrás dele para ter certeza que iria embora, que não esperaria um descuido meu para atacar.

Ele não o fez.

Ele saiu, assim sem... Como se nada tivesse acontecido.

Talvez isso tenha sido uma armadilha e com toda certeza ele voltará.

— Agora preciso de uma explicação. — olhei para Nero por cima dos ombros.

Essa seria uma longa noite.

O cobertor aqueceu meu corpo trêmulo e ansioso e degustei com prazer, em pequenos goles, do chocolate quente preparado por Kyrie. Soprei um pouco o conteúdo da xícara, distraída com as ondulações do leite escuro, permaneci imersa em uma linha de raciocínio profunda. Observei quão solicita e doce Kyrie era e quão equivocada estava a seu respeito, de início acreditava, de acordo com o jogo e o que li, que ela se tratava de uma personagem vazia e sem grande personalidade que servia somente como interesse amoroso do protagonista, no caso, Nero. Ao ter uma breve conversa e o tratamento nobre, compreendi que ela, na realidade, era bem mais que um rosto bonito e uma mocinha indefesa para ser resgatada. Mudei minha percepção, essa mulher é o verdadeiro anjo na Terra. Bem que dizem que nunca devemos julgar ninguém sem conhecer — o que não aconteceria se não tivesse vindo pra esse mundo.

Quanto a Nero... Ele me mirava fixamente. Embora quisesse fingir não ter percebido, ficava nítido sua vigilância constante a cada movimento meu, cada mínima respiração minha. O caçador encontrava-se sentado de frente a mim, as orbes azuis emitiam uma vibração de desconfiança. Instintivamente me cobri mais com o cobertor, desejando desaparecer tamanho constrangimento e medo. Lembrei que ainda estava vestida com o longo e pomposo vestido preto que não me permitia locomover livremente, apertando um pouco na costela, não exagerado a ponto de comprimir demais meu peito, porém o suficientemente escandaloso pra deixar meus seios bem a vista.

As circunstâncias por si não me favoreciam, tudo se apontava a mim e esse seria uma espécie de julgamento e eu, espremida em minha insignificância, aguardava a sentença que definiria qual seria minha punição. Desde que fui trazida para a residência no qual Nero e Kyrie viviam, um final apropriado pra um casal que penou no jogo, havia uma expectativa para que revelasse sobre o que aconteceu para que fosse inserida nessa maluquice toda e ter um demônio colado em mim.

— Então ele me sequestrou e me levou... — repentinamente, irrompendo pela minha subconsciência, uma memória tenebrosa me asfixiou. A colisão abrupta e vertiginosa revirou meu estômago e meu impulso foi querer vomitar. Reprimi a ânsia com toda minha força de vontade, os olhos pinicando e um soluço patético quase escapando de mim. — Ele... Me fez... Fiz tantas coisas horríveis sob a influência dele... Pessoas inocentes acabaram morrendo... Aqui teria sido igual... Sinto muito... Eu... Me desculpe. — minha frase saiu incoerente e atormentada assim como me sentia relatando o ocorrido.

— Não é sua culpa. — Kyrie sussurrou com compaixão. — Você não tinha controle da situação. Tente relaxar agora, está segura conosco.

— Agradeço por isso.

— Agora precisamos de roupas pra você. — Kyrie saiu e prontamente reapareceu com uma muda de roupas, me oferecendo educadamente. — Com isso vai se sentir muito mais confortável.

Peguei meio hesitante.

Kyrie me direcionou para onde o banheiro ficava para ter a privacidade necessária para me trocar sem constrangimentos.

— Obrigada. — dei meu melhor sorriso.

— Não precisa agradecer. Se precisar de algo é só chamar.

Assenti.

Tomei uma banho rápido e tranquilizador que ajudou bastante para que me livrasse da tensão. Vestia a confortável camisa de algodão com mangas longas e a calça de moletom rosa claro — para minha sorte elas couberam perfeitamente em mim. Sai do banheiro com as energias renovadas e disposta a andar um pouco se apetecesse a alguém mais. Enquanto marchava de volta para a sala, me deparei com Nero.

Se antes o clima estava estranho, agora então, me sentia estranhamente acuada. Nossos olhares presos um no outro como se tivéssemos tentando ler a intenção do outro sem nós dirigirmos diretamente para um diálogo real. Sem querer soar intimidada, pigarreei em uma demonstração de autoconsciência.

— Ah... Bem, onde a Kyrie está? — perguntei meio que iniciando um assunto. Engraçado que quando vi Dante pela primeira vez não fora, de longe, tão constrangedora e nem estranho como está sendo com Nero. Talvez seja o fato que não me dava muito bem com pessoas na mesma faixa etária que eu — entre eu e Nero não parecia terem grandes diferenças de idades, ate onde sabia ele tinha uns dezoito e eu tenho dezoito também, simplificando temos a mesma idade.

Ou porque o Nero não tinha lá a melhor introdução de si e sempre dava a sensação que queria dissecar mais sobre mim para estudar melhor os fatos e decidir se deveria ou não me dar o benefício da dúvida. Só de pôr os olhos em mim para se assegurar que sou fraca e medíocre, suficientemente mole pra não agir e atacar — mesmo porque não tinha nenhuma habilidade que me protegeria de uma luta com alguém de alto calibre. Não custava nada ser mais sociável mesmo com a adversidade de comunicação não verbal.

— Ela está arrumando um lugar para você dormir no quarto dela.

— Vocês não dormem juntos...? — soltei sem querer. Se existisse um tom mais intenso e, ao mesmo tempo, claro de vermelho se encaixaria perfeitamente no rosto de Nero. — Anh, desculpe.

Corei com minha indiscrição.

— Está tudo pronto! — Kyrie apareceu sorrindo, mas vendo nossas expressões ela ergueu a sobrancelha confusa. — Perdi alguma coisa?

— Não! — respondemos em uníssono. E sem mais explicações fomos para os quartos.

Alexander, que continuava no modo calado e pensativo, optou por permanecer na sala com Nero.

Ajeitei-me no colchão macio, apreciando a fofura do travesseiro. Não demorei muito a pegar no sono.

Naquela noite, tive um sonho bastante intrigante.

A princípio, as imagens que surgiam pareciam desconexas e sem foco. Ante mim se encontrava minha versão mais jovem — beirando aos seus ou sete anos. Nesse devaneio chovia muito, entretanto, esse fator não alterou o humor dela, que não se importou em se molhar. Sua ansiosa fisionomia me trouxe uma nova noção de meu entorno e vi que ela fitava uma sombra que se erguia sobre sua minúscula forma de criança. Mais fragmentos de lembranças me desconcertaram, misturando meus sentidos e confundindo minha, já precária, lucidez.

No seguinte fulgor: Alexander segurando um embrulho rosa que se agitava bastante em seus braços e pude ter uma visão clara de que era um bebê e algo brilhava em seu pulso. Uma pulseirinha de identificação se destacou no bracinho gorduchinho em meio aquele emaranhado de mantas. Aproximei-me com o máximo de cuidado que se exigia de um local silencioso e foquei meus olhos nas inscrições, enxergando com total nitidez o nome: Ivy Marie Valentine.

Congelei no lugar.

Aquele bebê era eu!

Acordei de sobressalto — arfante e o coração descompassado — suada e descoberta. Aturdida, verifiquei o relógio em cima do móvel que indicava, em um verde florescente, três da madrugada. Um horário que, reza a lenda, ser o mais receptivo para seres sobrenaturais, mais precisamente demônios, se esgueirarem. Me desloquei até a janela contemplando o manto negro da noite ainda cobrindo o céu. Em momentos assim, me ausentava por alguns minutos e subia no telhado para admirar as estrelas e analisei o cenário novo pelo qual teria o desafio de atravessar para subir, quase como uma especialista, uma ninja. Após um árduo esforço, cheguei no telhado e arfei com o susto de dar de cara com Nero.

Sob uma óptica distinta, luminescência prateada que banhava o lugar, agraciou Nero com uma atmosfera mais receptiva e... Calidamente familiar. Sem dizer nada, ele me ofereceu sua mão para me estabelecer com segurança sem o risco de escorregar e cair. Mecanicamente o apertei com certa pressão, não para machucar, mais como uma maneira de preservar o singelo momento. Meu coração bateu frenético e um sentimento difícil de descrever se acentuou sobre mim, no entanto, que me garantia que Nero deveria ser alguém que depositaria minha esperança.

— Agradeço. — sorri envergonhada. — Não conseguiu dormir?

Nero negou com a cabeça.

— Que coincidência... Também não. — fechei os olhos com a brisa. — Na verdade, tive um sonho estranho. — Abracei minhas pernas tentando aquecê-las. — Eu adoro olhar as estrelas quando não consigo dormir, me deixa mais calma. O suficiente para clarear minha mente.

— Eu também.

O vento rugia entre nós, mas nem isso pareceu importar para Nero. Estava tudo tão calmo e em pleno silêncio. Entretanto, uma forma negra atravessou os céus e vinha em nossa direção.

— Sério? De novo?

Agora sim a noite fechara com chave de ouro.

Notas finais
Oooh, baby ~lê tentando cantar~ Eh, confesso que andei meio preguiçosa em fazer os capítulos, mas deu uma dose extra de criatividade que fez meu cérebro doer @_@ Eu adoro colocar mistério no meio dos capítulos, assim fica mais interessante, não acham ? ~lê sentindo uma multidão furiosa atrás~ Agora o Nero fará um parte dos protagonistas - até Dante dar o ar de sua graça u__u Não se preocupem que logo logo ele voltara a brilhar e encher nossos corações com sua digníssima presença o/ Até a próxima!