Next Dimension
35 O pulsar do vermelho e prateado

PARA ALGUÉM QUE EXPERIMENTOU o dissabor de uma tragédia, de um episódio traumático que quase cortou a linha tênue da sanidade e ter temporariamente morrido, qualquer peça fora do tabuleiro simbolizava mais um perigo iminente que não estava mentalmente disposta a enfrentar. Meu coração saltou, uma pulsação potente e dolorida, martelando rudemente nas costelas em uma intensidade que jurei que sairia em galopes brutais para fora. O estresse travou meus músculos descarregando mais uma dose de angústia que contraiu meu estômago retroalimentando o fantasma da ansiedade e contribuindo para a falha na percepção dos arredores. Meu cérebro ruminava a estranheza da situação com o horror mudo.
Tão prontamente como cai na desordem mental, fui resgatada por um aperto solidário no ombro que me salvou dos meus demônios internos que ameaçavam me devorar. Pisquei para a realidade, todos os meus sentidos, que antes, em meio a crise, se desligaram para evitar a sobrecarga, se amplificaram de uma forma que os sons, os aromas, as luzes e a consciência do tato me incitou a me agarrar a Dante para estabilizá-las.
Comecei a acreditar que minha vida, pelo menos naquele mundo, se tornou uma espécie de encontro de eventos estranhos. Se não tivesse Dante comigo, se não fosse sua presença marcante, cativa e calorosa, me perderia no epicentro da confusão. Toquei minha testa com a pontada dolorosa que me acometeu, obrigando-me a resfolegar com um ganido rouco e baixo.
— Ficará tudo bem, doçura.
Elevei a cabeça para fritar Dante, notando a diferença gritante de tamanho existente entre nós. Engoli em seco com a incerteza e a sensação de que lidaria com gente que saberiam mais de mim que eu mesma. Sinto que aquela mulher é uma dessas pessoas. O desaparecimento conveniente dela me afetou em grande proporção e, também, despertou uma curiosidade animalesca. Não compreendi a natureza de tais emoções tão irracionais e como uma desconhecida poderia ocasionar tanto alarde.
Chacoalhei a cabeça para afugentar as dúvidas que eclodiram, afinal não havia um real motivo para tanta preocupação. Ela não apresentou ser uma ameaça, muito menos fez algo que merecesse alerta. A única coisa relevante foi; que ela me conhecia e só. No entanto, essa simples razão era o suficiente para desconfiar. Quais são as possibilidades de alguém te conhecer em um mundo completamente diferente do seu, e que motive confiança?
Nulas.
Desde que cheguei a essa dimensão foram poucas as pessoas que, de certa forma, me conheciam e não eram ameaçadoras. Eryna tecnicamente sabia sobre mim através de visões, Rain e Vincent por intermédio de Alexander... Ace... Também. Tirando o fato que sou a cópia exata da minha antecessora e que as pessoas conheciam a historia dela me reconheciam. Entretanto isso não vem ao caso.
Permaneci parada.
E olhava fixamente para o ponto onde a misteriosa mulher passara, minutos antes. Respirei fundo e lancei um sorriso agradecido a Dante.
— Venham. — Maya proferiu com rapidez. — Não temos tempo pra isso.
Seguimos Maya, mesmo que a necessidade para fazê-lo seja mínima, visto que estávamos mais intervalos de tempo zanzando pelo museu que em outros cantos. Estava seriamente com saudade da agência de Dante, ter uma zona de conforto como Devil May Cry era o que chamava, dada as circunstâncias, de desativador de gatilho. Sem cerimônias, sentei em uma cadeira e Dante usufruiu do espaço vago do sofá acolchoado, cruzando as pernas e apoiando a cabeça com os braços e Maya se ateve a ficar fielmente ao lado da irmã mais velha, sem tirar os olhos de mim.
— Quem era ela? — questionei curiosa.
— Boa pergunta, ela apareceu do nada e não chegou a falar quem era — Maya explicou — Mas ela te conhecia. Na verdade, parecia estar atrás de você — pousou as mãos no quadril. — Foi até estranho ter saído assim...
— Eu percebi. — franzi o cenho. — Ela me chamou pelo nome de batismo e não de Diva como todos.
Maya arregalou os olhos com a informação.
— Ei, seu nome não é Diva?
Fiz um gesto negativo com a cabeça.
— Meu nome de batismo é Ivy Valentine. — suspirei. — Minha mãe queria colocar Ivana, só que meu pai fez o favor de bater o pé e decidiram por Ivy. — resumi a história do meu nome para não ficar uma atmosfera de estranheza.
— Se o seu nome é Ivy, por que usa “Diva”? — a questão de Maya poderia responder sem complicações, contudo, ao me aprofundar na lógica da escolha me vi presa em um dilema bastante sem sentido. No momento, o nome fluiu naturalmente pelos meus lábios como se fosse uma parcela importantíssima da minha identidade.
— Eu não sei... Pra ser bem honesta. — revelei aturdida. — É como se... Sempre fosse meu nome...
— Não vai mudar a forma que te chamamos, doçura. — Dante assegurou com um sorriso acalentador.
— Por que sinto um clima rolando aqui? — Maya acusou, alternando o olhar inquisitivo entre mim e Dante.
— Intrometida como sempre. — Dante alfinetou, ostentando o sorriso provocativo e sarcástico. — Não se mete o nariz onde não é chamada, pentelha.
— Intrometida não — Maya proferiu perplexa com a insinuação. — É uma curiosidade apenas. Enfim, Diva — Maya cortou, dando ênfase no meu apelido como se quisesse provar que não mudaria o modo que me chamava assim como Dante. — agora pode dizer sobre sua suposta morte.
— Bem, será uma longa história para começar — perpetrei uma seleção das palavras para explicar sem entrar em muitos detalhes tudo que me aconteceu desde a última vez que nos encontramos. Contei sobre Ace ter conseguido pegar o Santo Graal, o ataque e a suposta morte de Dante, da ida ao Inferno e o Céu, os Poderes de Anjo que quase me cegaram e o retorno à vida. Pela expressão de Maya, dava para perceber a quão impressionada ficou. Ela praticamente emudeceu, o que era difícil de acontecer. Maya sempre tinha algo para falar, mesmo que fosse a coisa mais simples — ou a mais inusitada — possível, e nas piores ocasiões também.
— Que bom que retornaram, estou feliz que agora vocês estão sãos e salvos. — Eryna disse polidamente. — Por agora descansem, amanhã teremos como conversar melhor.
Agradeci mentalmente Eryna ser tão intuitiva.
— Pois é — respirei profundamente.
— Quer que te acompanhe? — Maya se ofereceu.
— Não precisa. Dante, vem comigo?
Dante se espreguiçou, levantando-se quase que imediatamente do pequeno sofá. Seguimos para o quarto. Toquei de roupa e joguei-me na cama afundando nos travesseiros. Lembro-me de sentir os braços de Dante me envolverem protetoramente e dele me dizer um "boa noite" abafado antes de apagar completamente na escuridão. Em um momento fugaz, ousei pensar na minha família.
Ter uma linha de comunicação direta com Alexander que não envolva ele se materializar do nada do meu lado poupava um pouco dos meus nervos. No entanto, sua companhia teve uma influência positiva no meu desempenho e na incitação de aperfeiçoamento. Da campanha para salvar Dante do inferno rendeu bons frutos, mas sabia, no fundo, que isso não o traria de volta. Agora Alexander peregrinava em sua própria jornada individual para restituir suas memórias.
Depois de todo esse discurso, me surpreendi com outro sonho lúcido e suspeitei que fosse, novamente, a estratégia de Alexander de manter o contato a distância sem precisar interromper suas atividades. Me sentei no balanço pendurado em uma frondosa árvore de galhos resilientes e raízes grandes, me impulsionei distraidamente, indo para frente e para trás em um ritmo lento que logo se tornou mais rápido. O movimento repetitivo com a propulsão das pernas e do tronco em sincronia aumentou a velocidade e a força de deslocamento.
Fechei os olhos com o vento me três passando, até um par de mãos se unir a minha indução, me empurrando de modo que o balançar se intensifiquei.
— Isso me traz boas recordações. — Alexander exalou com ternura. — Quando você era uma criança.
Arregalei os olhos.
— O quê?
— Agora certas coisas fazem mais sentido. — ele soava sonhador, quase que imerso em suas lembranças. — É estranho pensar que antes mal sabia quem fui.
— Conseguiu recuperar suas memórias?
Alexander ponderou.
— Algumas sim, mas é um processo bastante lento. — pendi meu corpo para trás, mirando-o com a cabeça tombada. — Nossos encontro... — começou com os olhos púrpuras presos aos meus. — Não foi obra do acaso. Nunca foi. Sempre estive perto... — ele tocou a testa com um semblante preocupado.
— Ei, Alexander. — disse apreensiva. — Não se esforce demais, sim?
Ele suspirou.
— Se recuperá-las exige tempo, seja gentil consigo mesmo e respeite seus próprios limites, sim?
— Eu te prometo que quando lembrar de tudo, a encaminharei ao lugar certo. — garantiu, os fios loiros caíam descuidadamente pelo rosto dele, emoldurando-o e destacando o primor de seus traços.
— Eu sei que sim. Confio em você. — sorri. — Oh, a propósito, como o Nero está? Vocês retornaram em segurança?
— Ah, sim. — as orbes ametistas cintilaram em simpatia. — Aquele rapaz... Sinto algo diferente nele. Quase posso dizer que é como se... — fechou os olhos, pacientemente. — Vocês fossem componentes de um mesmo material por assim dizer. É difícil fazer uma análise sem me aprofundar muito, todavia há um vínculo entre vocês e isso é indiscutível.
— Acho que vale dizer que o considero meu melhor amigo nesse mundo.
Nero foi um dos pilares que me sustentaram de peno período que estive em Fortuna, ele e Kyrie me tiraram do turbilhão de auto piedade e tragédias e me incluíram em sua família quase que de imediato. Amo os dois de uma maneira que não poderia descrever em sentenças vagas e simplórias.
— Família...
— Esta preocupada com eles? — Alexander indagou, prevendo minha angústia.
— Sim, esse tempo que estive aqui não parei para pensar neles... Mas adoraria saber como estão... A essa altura já devem achar que estou morta, não é?
— Isso é... Difícil dizer.
— Se tivesse uma forma de dizer a eles que estou bem e que não precisem de preocupar...
— Eles vão superar, principalmente quando retornar. — Alexander afirmou com um tom sensível e afável.
— Pelo jeito isso vai demorar um pouco — ri sem humor.
— Você querrealmente voltar, Diva?
Suspirei.
— Nem sei mais. — olhei para o céu. Naquele momento, permiti que todas as questões mal resolvidas retornassem. Senti a confusão de ter um destino incerto. Meu objetivo quando percebi estar presa a essa dimensão era voltar para minha casa, a minha confortável vida normal. Sem problemas, preocupações ou medos. Não entendi como todos os meus objetivos mudaram. Antes estava tão certa do que queria e faria tudo para conseguir... Agora estou relutante. A dúvida permeava minha mente e alastrava-se feito erva daninha. Na verdade, precisava saber que rumo tomar na minha vida.
— Existe um grande conflito dentro de você, e enquanto não o resolver nunca saberá qual caminho tomar.
— Tem razão. — pressionei o punho contra o peito. — Obrigada, Alexander.
Ele afagou minha cabeça lentamente, despertando em mim um déjà vu sensitivo.
—Quando estiver pronta, estarei te esperando. — o amargor que devastava meu estômago desapareceu com o sorriso singelo de Alexander que direcionou a mim. — Tem um lugar que precisa conhecer, mas só conseguirá entrar nele se tiver disposta e ter recursos para tal.
O mirei em silêncio.
— Eu lhe darei a direção quando for o momento certo. — ele tocou gentilmente meu ombro. — Agora preciso ir. Tenha cuidado dobrado a partir de agora e não deixe de treinar.
Assenti.
Em seguida, fechei os olhos.
O sol matutino projetou uma sutil opalescência sobre nós: contemplei com fascínio a aura que cobria Dante. Os cabelos prateados e sedosos escorriam pelo rosto adormecido, emitindo um relumbre místico e enigmático da essência dele no estágio mais puro. Era a primeira vez, desde que nos conhecemos, que via com plenitude a beleza física, energética e emocional que somente ele possuía como um artículo raro. E pensar que sobreviver ao inferno me presenteou com um relacionamento real com o Devil Hunter: meu coração já pertencia a ele no instante que a admiração fora substituída pelo amor concreto que se traduzia em uma série de sintomas que ia de batimentos cardíacos acelerados, as palmas suadas e os pensamentos que pipocaram com imagens do objeto de afeto.
Sem temor ou vergonha, repleta de euforia extasiante, deslizei os dedos pela bochecha dele, arrumando as mechas que caíam descuidadamente sobre os olhos. Mergulhado no mundo dos sonhos, Dante parecia inocente e ainda mais encantador, exercendo um poder de magnetismo sobre mim sem nem tentar. Sorri toda boba, apaixonada demais para domar minhas ações e que não orbitasse entorno dele.
— Não consegue ficar com as mãos longe, não é? — a voz rouca brincou, segurando minha mão. — Essa é uma boa forma de acordar um homem.
— Bom dia, Dante.
— Com direito a bom dia? — ele riu cheio de si, me fitando. — Dormiu bem, doçura?
— Com você ao meu lado difícil não dormir bem. — me aconcheguei nele, buscando refúgio em seu calor tão revigorante.
— Precisamos levantar mesmo?
— Não agora. — dei uma risadinha abafada, fechando os olhos para retornar a morada dos sonhos. Meio letárgica e preguiçosa, sentia Dante acariciar lentamente meus cabelos, vez ou outra seus dedos traçavam caminho para minhas costas. Soltei um gemido tímido, estremecendo com o gesto e esperando o que ele faria a mais.
Não que quisesse pular etapas e fosse saltar em cima dele, embora não seja uma atitude que ele rejeitasse, ignorando esse detalhe: convenhamos que seria um desafio não vê-lo e querer ele comigo. Dante emanava presunção assertiva, charme que hipnótico e a suavidade receptiva de alguém que entende suas nuances sem que derramasse todo coração pra ele. Os braços territoriais me circundaram com delicadeza, me apertando em si de modo que nada mais importava além de nós dois.
Alexander tinha certa razão em me interrogar a respeito do meu propósito; agora parecia mais enraizada naquele mundo do que deveria e, sinceramente, não ligava muito.
Aproveitei alguns minutos de folga antes de expulsar a preguiça e ir tomar um banho para terminar de acordar. Meu objetivo ao procurar Eryna era descobrir onde Ace se meteu para encontrar o Santo Graal, devia ao pessoal da ilha e sem a mágica proteção da espada eles estariam a mercê de qualquer ser; sobretudo demônios.
Me estiquei e fui atrás de Eryna que lia um livro, um dos vários que coletaram para estudo. Peguei o que usei com instruções para o teletransporte e decidi que o usaria para melhorar meu desenvolvimento conforme o conselho de Alexander. Maya perturbava Dante enquanto ele comia algo e ele acenou para mim, fazendo um sinal para lidar com a garota. Eu ri e escapuli.
— Bom dia! — saudei. — Antes de qualquer coisa, Eryna, preciso te pedir um favor. — me sentei com o livro prostrado no meu colo. — Não quero te aborrecer nem pedir demais, mas... Consegue rastrear o Ace?
Eryna fechou o livro.
— Infelizmente não. Creio que ele quebrou qualquer meio de rastreio. — esclareceu. — Apesar de conseguir prever as decisões e os resultados delas, não posso ver o que ele pode fazer sem um razão e, aparentemente, o Santo Graal bloqueia tais métodos.
— Por isso ela serviu por muitos anos como uma maneira de proteção da ilha. — concluí. — Acho que terei que apelar para estratégias mais antigas. — cruzei os braços.
— E que estratégias seriam essas? — gritei com a proximidade de Dante, tocando o peito pelo susto por não ter notado que ele estava ali até se fazer sua presença notória.
— Caramba! Primeiro Alexander, agora você! — grunhido, arrancando uma risada marota dele. — Não se preocupe, ainda tenho que elaborar isso.
— Vocês vão ficar? — Maya perguntou cheia de expectativa. — Ainda temos muito o que pôr em dia!
— Obrigada pela hospitalidade, mas preciso de um pouco de paz no conforto — engoli em seco não querendo soar mal educada. — da minha casa.
Olhei de relance para Dante, que deu um meio sorriso.
— Entendo. Espero que volte para nos visitar.
— Voltarei.
— Vou sentir sua falta! — Maya me abraçou e retribui. — De você também... Dante!
— Tem mais alguma coisa te incomodando, doçura? — Dante perguntou assim que nós entramos no carro dele que deveria estar estacionado há um bom tempo.
— Não, só preocupada. — ele segurou gentilmente minha mão e não contive as reações naturais do contato. — Espero resolver esse assunto. — mirei o livro que peguei como uma espécie de “grimório”.
— Resolveremos isso rapidinho, confie em mim.
Sorri.
— Antes de irmos pra casa, tem um lugar que gostaria de ir.
×××
Essa parte do cemitério parecia razoavelmente diferente do demais, bem cuidada e cheia de vegetação rala. Ajoelhada em frente à lápide de mármore com “Eva” entalhado na frente, observei que havia algumas plantas crescia e se enroscavam nelas. Quase escondendo o nome em meio a tanto verde.
Delicadamente, limpei a terra e retirei o emaranhando que se estendia pela lápide. Depositei flores que encontrei no caminho até o cemitério.
— Faz um bom tempo, não é, mãe? — Dante sussurrou ao vento, olhando para o túmulo. Ele estava parado ao meu lado, seu olhar perdido. — Não tive muito tempo para vir te ver, mas você conseguir me achar... Foi bom revê-la.
Sorri.
O vento sacudiu as árvores próximas. Cada suave rajada balançava a grama e agitava as folhas suspensas das antigas árvores. Acima, o céu mostrava a proximidade da noite com as horas ininterruptas de viagem de uma cidade pra outra, pois se estendia um manto sutilmente escuro por ele.
Juntei as mãos e fechei os olhos. Minha oração compenetrada era uma homenagem pessoal e um meio de comunicação para Eva, para que ela visse seriedade em minhas ações.
— Tenho muito que te agradecer, Eva. O sucesso dessa jornada se deveu a sua influência. — comecei, com uma corrente de pura força e determinação tomar meu corpo, enquanto era acolhida pela sensação de segurança e ternura. Prossegui: — Primeiro, por trazer por dar a vida a Dante — corei. — e por ter me ajudado... E não me esqueci daquela promessa que te fiz, e pode ter certeza que cumprirei. Eu amo seu filho, e cuidarei dele. Não importa a que custo. — a ultima parte sai num sussurro inaudível.
Dante permaneceu imóvel, fitando o túmulo.
— Vamos, doçura. — chamou dando um meneio de cabeça respeitoso antes de ir na frente.
— Até, Eva! — levantei e corri para encontrar com Dante. Olhei rapidamente por cima dos ombros, e jurei que vi de relance a imagem de Eva sorrindo.
Ela sempre estará lá por Dante, disso posso ter plena certeza.
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