Next Dimension

29 Inferno de Dante: Sem mais heróis


Standing here in front of you

Em pé aqui a sua frente

A wave of joy and sadness fills the room

Uma onda de alegria e tristeza enche a sala

Your soul has crashed into a wall

Sua alma se chocou contra a parede

Your world just broke to pieces after all

Seu mundo se partiu em pedaços depois de tudo


The days of your life

Os dias da sua vida

Leave the world standing outside

Abandonam o mundo esperando do lado de fora

You find the strength for a smile

Mas você acha a força para um sorriso

Because heroes like you wouldn't cry

Porque heróis como você não chorariam

Heroes Don't Cry — Scorpions




TERIAM QUE ME TRANCAFIAR a sete chaves e, ainda assim, arranjaria os meios mais inventivos para achá-lo, nem que para tal tivesse que revirar o submundo e combater todos os demônios que se interpusessem no caminho. O que repousava em meu coração não se contaminava mais com temores e, provado o dissabor com tamanha propriedade, as dúvidas remanescentes foram descartadas do sistema. Dei alguns passos antes de disparar em uma carreira frenética para alcançá-lo, prontamente detida por Alexander, que em um manejo diligente, me lançou a uma distância segura.

Me agitei ao ser imobilizada por Nero que, em comum acordo com meu protetor, não desfrouxou o agarre nem sob meus protestos mais ferrenhos. Enraivecida pelas objeções que impuseram, me remexi ainda mais para me livrar das mãos que me restringiam.

— Dante. — balbuciei com a voz embargada.

O valoroso Devil Hunter que tive o prazer de conhecer, alguém que nunca sucumbiria facilmente ante um inimigo, jazia preso por grilhões de aspecto pesado e enferrujado, alçando seus braços rasgados em carne viva em um ângulo desconfortável acima de sua cabeça. Naquele estado, Dante não era nem uma sombra do presunçoso e famigerado chutador de bundas que tanto idolatravam nos jogos. Usurpado por um cadáver parcialmente vivo, suas roupas em frangalhos com sangue seco empatando o tecido, tinha espinhos se enroscando pelos músculos perfurando e dilacerando a pele tornando a vista ainda mais pavorosa. Encravada em seu peito, um fantasma imponente, estava o Santo Graal emitindo um brilho suave com vibrações que lembravam batimentos cardíacos.

— Me larga, Nero. — me contorci ainda mais, sem nenhum resultado.

— Ficou maluca? Se te soltar, aquelas coisas vão te pegar. — ele replicou mantendo a pressão comedida. — Se quer mesmo salvar o Dante , tente não se colocar em perigo primeiro.

Não tinha como ser indiferente a cena, testemunhar o sofrimento e se sentir impotente com relação a isso. Era insuportável demais ver o homem que amava agonizar.

Involuntariamente olhei para o meu braço esticado, vendo o fio, anexado ao meu mindinho, se alongar graciosamente — estranhamente encantada com a magia inerente se manifestar. Segui curiosa para saber o curso dela até se deter... Em Dante. Um arrepio foi enviado direto para a espinha com a possibilidade, não, com a certeza, agora corroborada de um elo que nos ligava.

Um conexão que somente dois amantes verdadeiros poderiam possuir.

Minhas emoções explodiram violentas como uma correnteza de água. Não percebi quando estava chorando, apenas senti minhas lágrimas deslizando pelo meu rosto. Um soluço escapou pela minha garganta enquanto meu corpo tremia de dor angustiante — embora uma parte minha se enchesse de alegria por enfim estar com Dante. Coloquei as mãos sobre minha boca para abafar meus soluços e gemidos.

Nero me apertou com delicadeza em um sinal de apoio e um bálsamo para o horror que presenciava, embora não extinguisse as chamas de ira corrosiva que circulava pelas minhas veias — o ápice da dor e da furiosa se mesclando em uma nova sensação. Incutida pela série de emoções, em um movimento rápido e um tanto desleal, mordi o braço de Nero e, antes que ele registrasse o ocorrido, me arrojei em uma corrida trôpega e cambaleante. Atrás de mim, escutei os gritos de Alexander e Nero, mas nem o clamor exasperado de ambos me compeliu a parar a maratona as cegas, meu objetivo estava fixo.

Alguns demônios correram para me atacar, mas estava tão empenhada que milagrosamente consegui desviar de cada golpe que desferiam contra mim. Eles estavam perto o suficiente para sentir o bafo, que tinha um cheiro repugnante de carne podre. A onda de coragem que me tomou foi poderosa a ponto de não temer o esgotamento — afinal eu não estava morta e meu corpo estava cheio de energia.

Quando me aproximei de onde Dante estava, surgiram serpentes de espinhos que travaram a passagem impedindo que chegasse até ele. Elas apanharam minhas mãos, roçando os espinhos em mim a ponto de tirar sangue — como ainda estou viva, minha forma espiritual sangra.

Um tremor de raiva passou por mim enquanto tentava soltar-me da prisão de espinhos, que pareciam se apertar mais quando lutava para tira-las. A dor lancinante não iria me parar. O sangue quente escorreu das minhas feridas abertas, as plantas espinhosas se atiçaram e envolveram minhas pernas. Lutei freneticamente como um animal, com meus dentes e unhas, balançando minhas pernas para que não as alcançassem, mas elas conseguiram e fizeram cortes profundos nelas. Parecia que tudo era em vão, com o tempo, fui completamente detida e presa ao chão. Havia mais plantas que se enroscaram em mim. Elas subiram pelo meu abdômen e se apertaram ao redor do meu pescoço, levando-me ainda mais para baixo. Respirava com um pouco de dificuldade, com inspirações escassas e tentava sugar um pouco mais de ar. Mais do que o aperto me permitia. E com outro corte, soltei um grito involuntário.

Nessa batalha para chegar até Dante, fiquei totalmente arrasada; sangrando a mercê de plantas assassinas. Nero apareceu ao meu lado e cortou rapidamente as plantas que seguravam minhas pernas e aproveitei para tirar as que prendiam meus braços. Alexander pegou minha mão para me impulsionar com eficácia aceitável para que eu saltasse. Assim que peguei impulso atirei-me para onde Dante estava. Consegui me pendurar nos pés dele, usando-os para subir. Ele ainda tinha o mesmo cheiro que me lembrava; pólvora e um leve aroma de álcool. Usei minhas pernas para me agarrar a cintura de Dante e apoiei a mão na espada.

— Como isso é possível...? — em um instinto natural toquei o rosto dele e arquejei.

Uma avalanche de destroços, um cenário caótico e compreendi do que se tratava...

Os estilhaços continhas pedaços do passado de Dante, um espelho dos traumas e da dor que suportou encoberto com um sorriso cínico e a atitude irreverente e sarcástica. Ele possuía um mecanismo de enfrentamento no qual é preferível asfixiar cada aspecto doloroso de si em uma bolha e projetar o exterior em uma máscara — o artifício seguro. Ousaria afirmar com veemência que a humanidade que o meio-demônio se agarrava com tanto fervor nada mais seria que uma forma de não ser visto como algo além de ser humano.

O coração dele estava tão lastimado, praticamente em frangalhos, mas estava de pé, lutando pela sua justiça. Sem hesitar, querendo conhecer a natureza de suas reais emoções, mergulhei mais fundo para um terreno desconhecido de terror, tristeza e raiva arraigados que deram lugar a raízes de ervas daninhas contaminando seu interior. Tudo que pensei no breve instante, nos segundos de aflição com o choque corrosivo, era que precisava ir ao fim, navegar mais.

— Eu quero te salvar, Dante. — balbuciei.

Me agarrei firmemente a ele, mesmo repetida, ciente de que o caminho seria tortuoso — e que valeria a pena.

— Eu não vou desistir de você. Nunca vou desistir de você. — rugi através da fúria tempestuosa que recaiu sobre mim. — Não estou pronta... Não estou pronta pra dizer adeus, não nessas circunstâncias!

As memórias de Dante me acertaram em um golpe que arrancou o fôlego. Foi um intervalo de tempo curto, mal conseguindo processar, e vieram uma força desenfreada capaz de romper a muralha mais resistente. Não existia poder, ser ou qualquer forma superior que neutralizasse a terrível sinfonia de sofrimento, era demais até para mim que conhecia uma parcela pelos jogos, anime e as novels.

Não... Nem mesmo a leitura me preparou para o horror vil que rasgou meu peito de dentro pra fora.

Dante criança encontrando o cadáver da mãe, chorando pela perda irreparável.

Dante jovem, um mercenário excêntrico, vivendo a margem do submundo abusado por uma desconhecida e depois tratado como escória. Nessa mesma sequência, ele perdendo Grue, uma pessoa que considerava um amigo e que aprendeu a conviver. Então Nell também partiu, sua figura materna e a mulher responsável pela fabricação das suas pistolas assinaturas. E também Jessica, a filha de Grue, usada por demônios e que teve seu fim por suas mãos.

Respirei fundo.

A luta com Vergil, o encontro que mudaria o destino dos dois e a separação. Reencontrá-lo nas piores circunstâncias e ter que dar cabo do próprio irmão sem sequer saber.

Cerrei a mandíbula, não aguentando muito mais de lembranças que não paravam de irromper em todas as direções.

— Você não precisa carregar isso sozinho! — vociferei para testar o quanto de consciência ele ainda teria. — Eu quero estar do seu lado, dívida suas dores comigo, por favor! Ninguém tem que fazer tudo sozinho! Nem mesmo você, Dante!

O vendaval vergastava em minha pele, se infiltrando pela película de energia que me envolvi, me ferindo durante o processo: uma amostra do latente sentimento repetidor dele.

— Droga. Dante! Eu sei que não tenho como consertar seu passado, evitar esses eventos traumáticos... Mas eu quero ficar contigo. Você terá meu ombro pra chorar, meus braços para acolhê-lo! — com o impulso de coragem, expus minha última cartada: minha declaração de peito aberto. — Eu te amo, Dante. Se eu não puder salvar sua alma, nunca vou conseguir conviver comigo mesma. Amo você e darei o que for necessário pra provar!

— Diva... — um sussurro débil ressoou.

— Oh, Dante! — gemi pateticamente, os soluços saiam descontrolado —Eu... Queria ter sido forte por você, ser digna de estar com você. Agora estou aqui para te salvar, essa é a minha vez de te proteger.

Com a mão livre sequei minhas lágrimas. Pressionei com firmeza minhas pernas ao redor de Dante, agora usaria a força das minhas pernas para me sustentar no lugar e com as mãos tiraria isso do peito dele. E, então segurei a lâmina da espada e a puxei, o primeiro movimento de retirada fez o sangue espirrar. Parei quando vi uma grande quantidade liquido escarlate escorrer pela bainha. Olhei para minhas mãos ensopadas de sangue. Não podia fazer uma mera ação sem machucar ainda mais Dante.

— Me desculpe — chiei, agarrando e ao mesmo tempo forçando a espada com tudo para fora. Ela praticamente evaporou em minhas mãos, como se na verdade fosse feita de pó e que o toque tenha a destruído. Agora sobrara um enorme corte no peito de Dante, um buraco ensanguentado e profundo. Conseguia até mesmo ver o coração pulsar. Ergui minhas mãos cuidadosamente pousando-a no ferimento delicado. Analisei por um breve instante, cada respiração dele com demasiado esforço. Dante estava livre de ao menos um tormento.

— Dante! — o abracei esperançosa.

Esperei e nada diferente aconteceu. E, de repente, surgiu uma estranha e condensada energia. Ela vinha diretamente de Dante, a onda fez pressão no ar e atirou-me para longe.

Eu caí com muita truculência no chão e por cima de um emaranhado de plantas espinhosas. Era como deitar em uma cama de pregos — bem, pelo menos é o que acho. Permaneci deitada atordoada, incapaz de levantar, de respirar, incapaz de qualquer coisa que não fosse sentir muita dor. Estava toda quebrada e dolorida.

Pisquei os olhos continuas vezes, até me certificar que estava viva. Forcei todos os meus membros a se moverem, demorou a todos captarem os comandos, mas consegui. Meus braços se moveram — o que foi um bom sinal — assim como minhas pernas que estavam meio fracas. Enchi meus pulmões de ar, que desciam queimando.

Alexander me ajudou a sentar e Nero começou a procurar algum problema em mim. Ele me apertava em praticamente todas as partes que mais doíam, sabia que era apenas por precaução, porém isso não aliviou a dor.

— Estou bem! — grunhi, afastando as mãos de Nero. — O que foi isso?

— Parece que foi uma força repelente vinda de Dante.

— Dante nunca iria me repelir. — retruquei.

Uma sombra caiu sobre nós e instintivamente olhei para cima, abalada. Encarei desconcertada a figura que parecia muito familiar, que emanava iminente ameaça. Meus olhos encontraram duas gemas vermelhas carregada de desejo libertino, algo que poderia associar ao predador encontrando sua presa. Então, ele ergueu a enorme espada e sorriu.

Nero o bloqueou com Yamato e Alexander me teleportou para longe.

— Você esta bem, Diva?

Apenas assenti.

Quando a figura virou para mim foi quase uma luta para não ofegar de choque. Dante!

Não poderia, pois ainda tinha o Dante pregado na cruz.

Aquele era Dante, ou pelo menos parecia; as roupas eram idênticas, mas eram completamente pretas assim como o cabelo. Os olhos não eram o azul perfeito e límpido, eram rubro intenso e cheio de malícia.

— Dante? — Dante relaxou o golpe sobre Nero.

— Parabéns, princesa. Não é tão ingênua quanto parece, não é? — ele ralhou, dando um sorriso de escárnio.

— Qual é o seu problema? Por que nos atacou? — Nero vociferou, ainda mantendo a posição de ataque.

— Meu alvo não era vocês, mas já que estão aqui podem me entreter um pouco — bocejou, pousando Rebellion sob os ombros — Foi entediante esperar, você demorou muito para me achar doçura. Estou decepcionado!

— O que houve, Dante? — indaguei preocupada, me soltando dos círculos protetores dos braços de Alexander. Dante ignorou Nero, passando diretamente por ele e vindo em minha direção.

— Não houve nada, apenas senti sua falta — o sarcasmo dele enviou um arrepio na espinha e meu coração se apertou. — Não sabe o quanto queria fazer isso... — Dante desferiu um ataque com a Rebellion, teria me acertado em cheio se não tivesse me jogado para a direção oposta. Ele estava jogando comigo. É claro que se estivesse lutando a sério, eu não teria chance nenhuma de escapar. Ele sabia bem disso.

Alexander e Nero foram a meu socorro, mas me adiantei:

— Parem! Isso é entre mim e Dante!

— Diva! — Nero grunhiu.

— Deixe que eu faça isso sozinha!

Alexander aceitou e ficou apenas observando, Nero não estava muito satisfeito, mas permitiu que eu fizesse tudo sozinha, a minha maneira.

— Então o que vai ser, doçura?

— Acho que o modo difícil.

— Sabe, isso é uma das coisas que gosto em você. — ele declarou, entediado — Sua capacidade de lidar com a própria estupidez.

— É mesmo? Pelo menos tenho algo bom em ser estupidamente corajosa!

— Tenho que concordar.

Não podia usar muitas das minhas habilidades por causa do anel que suprimia minha aura, então tinha que me virar com o que dá. Dante começou uma sequencia de golpes, não muito rápidos mais eficientes. Somente consegui a façanha de desviar por que ele dava brechas, caso contrario cada golpe teria me feito em pedaços. Mesmo com todo cuidado adquiri alguns cortes. Dante parecia se deleitar com minha dor, tanto é que dada a oportunidade — por distração minha —, ele fazia uma nova lesão. Não parecia em nada o Dante que conhecia.

Recuei alguns passos depois de sentir a ardência na minha coxa, onde Dante feriu. Cambaleei e acabei tropeçando, e desmoronando para trás. O sorriso de Dante se alargou e quando ele estava pronto para desferir o ultimo golpe — o fatal. Nero chegou a tempo usando novamente Yamato para parar Rebellion e impedir o impacto, assim me protegendo. A força do impulso que Nero exerceu, levou Dante para trás, que saltou arrogantemente para longe.

— Acho que você não ouviu a moça quando ela disse que queria lutar sozinha.

— E deixar você mata-la? Nunca.

— Huh? — Dante esfregou o queixo. — Você arranjou outro para tomar meu lugar, doçura? Acha que não consigo dar conta do trabalho, huh? — Dante zombou, indiferente — Ouça bem, garoto, isso é tarefa para um homem, não um menino.

— Menino, huh?

Desta vez, Nero foi para cima de Dante. Ele golpeou pela direita, que logo foi inibida. Tentou uma sequência de ataques por cima e pelos lados, quase não pude acompanhar. As faíscas das duas espadas se chocando eram perceptíveis em meio aos rápidos movimentos. Com dificuldade, me levantei e posicionei-me para um ataque surpresa.

Dante conseguiu pegar o braço de Nero e joga-lo violentamente no chão, soltando uma nuvem de poeira no processo. Com Nero caído, Dante pisou no abdômen dele estancando-o no chão e fincou Yamato no braço de Nero, fazendo-o soltar um grunhido de dor.

— Espero que isso seja o suficiente para você, garoto.

Antes que Dante o acertasse mortalmente, lancei um disparo energético. Ele se protegeu com Rebellion, contudo se afastou de Nero o suficiente para que pudesse socorrê-lo.

— Nero! Tudo bem? — perguntei tocando o rosto dele.

— Sim, não se preocupe.

— Ele tem razão doçura — a voz rouca de Dante soou atrás de mim — Você tem algo muito mais importante para se preocupar.

Abruptamente, senti-me sendo puxada com uma velocidade desumana, até ficar diretamente em frente a par de olhos vermelhos.

— Você sabe o que é isso? — Dante tocou meu peito e puxou o cordão vermelho que havia ali. — Sabe o que acontece se por um acaso esse fio se romper?

Meu corpo tremeu de medo, um temor avassalador. Tentei afastar as mãos dele de mim.

— Se você morrer estará propensa às regras do Inferno.

— Não faça isso, Dante!

— Terei o prazer de ser seu carrasco, doçura.

Dante sorriu e com um rápido movimento cortou a Ponte do Coração, minha única ligação com o mundo dos vivos. Sem ele... Estava oficialmente morta.

Eu não tiver mais certeza do que aconteceu comigo, quando o fio se partiu. Minha garganta doía, meu peito estava, ao mesmo tempo, se apertando e expandindo. Cada batimento do meu coração soava através dos meus ouvidos, um pulsar quase débil.

Não consegui respirar não importava meu esforço para fazê-lo, não adiantava. Meu coração deu uma batida sôfrega e fraca, e pesava. Muito. Ele estava parando o mundo girou ao meu redor.

Dante me segurou, quando minhas pernas cederam. Não havia mais nenhum sinal de escárnio em seu semblante. Toquei o rosto dele, enquanto as lágrimas quentes banhavam minhas bochechas. Quem diria que morreria nos braços de Dante, e morta por ele mesmo. No entanto, não era tão ruim. O que aconteceria com minha alma? Eu ficaria no Inferno? Eu estaria com Dante?

— Dante... — dei um ultimo sorriso antes do derradeiro pulsar do meu coração, até ele parar completamente. Ouvi gritos chamando meu nome, mas pareciam distantes, lembranças de um sonho. Eu não sei se era uma ilusão ou se era real, mas vi uma lágrima solitária escorrer quase discreta pelo rosto de Dante. Talvez só a estivesse vendo por causa da nossa aproximação.

Isso é tão engraçado. Heróis não choram. Não devem chorar. Não, demônios não choram.

Sem resistir, resignei-me a penumbra.

Notas finais
A versão dark do nosso Dante: https://31.media.tumblr.com/tumblr_m24gl6CXw01r0a5pgo2_1280.jpg Eaí pessoal? Belezinha? Estou com muita preguiça para fazer suspense, então agora é com vocês u-u Até a próxima!