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47 A deusa e seu amado demônio


FIOS VERMELHOS FLUTUAVAM em meu campo de visão distorcido por uma camada nebulosa, eles dançavam de uma maneira letárgica e natural igual uma folha soprada ao vento e viajava sem rumo. Antes que racionalizasse o simbolismo da imagem para interpretá-la, meu senso de sobrevivência, um instinto tão primitivo quanto o próprio medo, rasgou o véu transparente da sonolência em uma brutal e dolorosa onda de choque ao constatar que estava em perigo — que a cor servia de alarme.

Havia uma pressão dolorosa mantendo meus braços atados acima de minha cabeça. Cada mexida surtia dores indesejadas e lancinantes por todos meus músculos debilitados e vulneráveis, para amenizar um pouco, respirava vagarosamente encorajando-os a manter a força ainda que vagasse entre o limbo e a consciência. A corda apertava estrategicamente minhas mãos, unindo-as com deliberada intenção de diminuir o fluxo sanguíneo. Os mais sutis movimentos para afrouxar rasgavam meus pulsos, fazendo qualquer tentativa de romper a restrição nulas e difíceis — impossível se caracterizava melhor. A dormência se espalhava por toda extensão dos meus braços, deixando-os indiferentes aos incontáveis cortes que a textura áspera fazia em minha pele desprotegida.

Pondo o cérebro pra trabalhar, me forcei a recordar como chegara naquele lugar e nada veio em resposta a princípio, somente depois de um esforço hercúleo tudo se clareou em minha mente: Cordélia atirou em mim e me apagou com dardos tranquilizantes e certamente me trouxe para lá.

Refreei o grito visceral que, por pouco, não escapou dos meus lábios ressequidos devido aos receptores de dor massacrante que se alojou em meus braços e cabeça. A potência do dano colateral da droga que aquela mulher injetou em mim me incapacitou em termos de reações físicas e se sinalizasse algum movimento brusco acabaria chamando atenção desnecessária.

Arquejei com o puxão forte que ergueu meu queixo e me forçou a estagnar em um ângulo desconfortável. Franzi o cenho e mirei, grogue, o responsável pelo gesto, surpresa com a figura ruiva bastante familiar. Ele abriu um sorriso descarado ao notar que estava saindo do sono induzido, esmagando rudemente minhas bochechas no processo e arrancando um ganido indefeso da minha parte. Olhar pra cara dele me transportou diretamente para o evento catastrófico que me jogou nesse mundo e como foi, pra mim na época, apavorante vê-lo no meu quarto como um convidado indesejado.

— Bem-vinda de volta ao mundo real, garota. — desdenhou, me largando sem nenhuma gentileza. — Faz um bom tempo, não é?

— Não é hora de brincar. — outra voz masculina interveio.

— Não sei que ela consegue fugir sempre. O senhor Ace é muito complacente com ela, em vez de trancafiá-la pra tornar isso mais fácil, ela fica andando livremente por aí.

— Não estamos aqui pra questionar os métodos dele, apenas para obedecer.

— Eu sei, Degel. Eu sei. — o ruivo deu de ombros. — Mas fazer isso é um saco, ela é só uma garota. Nem mesmo Amon se importou com isso.

— Não subestime seu alvo. — o tal Degel corrigiu com ar de sabedoria.

Abri e fechei as mãos com dificuldade para atenuar o formigamento e identifiquei que o lugar no qual estava cativa se assemelhava a um armazém abandonado com uma única lâmpada, sobre mim, que iluminava um raio minúsculo. Das janelas mais longe diminutas partículas de poeira que voavam para luz e, de acordo com a coloração e a temperatura, julguei ser início da tarde.

Pisquei algumas vezes para adaptar melhor as saturações de tonalidade que confundiam minha mente enquanto ainda assimilava a situação.

— Eu conheço essa cara de valentão. — disse com o timbre tremido. — Posso garantir que não estou feliz em te ver.

— Engraçado usar esse tom quando está em óbvia desvantagem. — o ruivo retrucou. — Acha que virá alguém te salvar?

Munida de todo empenho que reuni, arremeti um chute no estômago do meu raptor com o máximo de força que detinha, obrigando-o a recuar sem fôlego e com uma expressão colérica.

— Sua... — Degel entrou no meio para impedi-lo de revidar.

— Eu avisei.

— Vai a merda. — ele vociferou se afastando pra fumar um cigarro.

— Quanto a você — o homem com semblante apático e cabelo escuro me fitou fixamente. — Se comporte. Não é por termos trazido você viva que necessariamente precisa ser inteira.

— Olha só, vejo que a cobrinha acordou. — Foquei mais uma vez minha visão, piscando tantas vezes que era como se tivesse um irritante cisco no olho. A expressão felina e persuasiva de Cordélia fora a primeira coisa que pude ver, depois de muito tentar.

— Eu devia ter dado um jeito em você na primeira vez que te vi — rosnei enraivecida. — Onde estou?

— Você não precisa saber de qualquer modo — expôs friamente.

Ficou um tenso silêncio no ar. Mas não havia nada a ser dito entre nós. Respirando calmamente, concentrei-me na corda e na tentativa de me libertar. O roçar dela ficou sutilmente mais maleável e suportável também, isso me deu ânimo para afrouxá-las.

— Você cumpriu bem sua parte, Cordélia. — o ruivo exaltou.

— Agora eu só quero meu dinheiro, o que farão com ela não é problema meu.

— É, mas para evitar que isso saía daqui — o cara sacou uma pistola e deu um tiro na perna dela que emitiu o grito de agonia mais pavoroso que escutei. — Não tenho nada contra você, mas sabe... Negócios, não é?

— Você só me contratou pra ser...

— Um disfarce? Certamente. — ele sorriu maquiavélico. — Degel, não vamos mais perder tempo.

Fiz o que estava ao meu alcance para não ser notada na furtiva escapada.

Houve outro disparo, este perfurando o abdômen. Ela respirou arfante. Eu, apesar de não gostar dela, senti muita pena. Os olhos dela refletiam medo, suas mãos tremiam para estancava o sangue que jorrava da barriga e de sua coxa.

— Você já cumpriu sua missão e não é mais necessária. — murmurou insensível. Ele era muito pior do que eu pensava. — Faça o favor de sumir.

Segurei a respiração e encarei aterrorizada a cena e consequentemente os olhos predatórios e repugnantes que me encaravam. A força propulsora para me dar poder suficiente, que usasse para obter a liberdade fora ver que ele ainda faria outro disparo dessa vez, fatal. Rompi a corda e, humanamente sagaz, coloquei-me entre ruivo estranho e Cordélia. Vendo pela minha perspectiva, não sabia ao certo se valeria a pena salvar Cordélia, mas existia uma poderosa vontade incontrolável de protegê-la que nem eu mesma compreendi. Era algo que brotava do mais profundo e íntimo da minha alma, que nem a raiva ou qualquer outro sentimento negativo pudesse suprir. E, embora não entendesse, nada e nem ninguém ousaria encostar um dedo sequer nela. Nunca permitiria. Posicionei-me, pronta para atacar — sem arma. Na hora não me passou pela cabeça que estava tão indefesa quanto Cordélia — porém em questão de melhores condições para enfrentá-lo comparado a ela com toda certeza estava.

— Que comovente. — ele comentou. — Agora, faça um favor, e saia do caminho. — decretou firme, seus dedos nivelaram o gatilho.

— Não é para matá-la.

— Eu sei. — direcionou o cano da arma em minha cabeça. — Um sustinho não vai matá-la.

— Eu não sou a garota indefesa que você conheceu no outro mundo.

— É mesmo? E o que vai fazer... — o cortei ao lançar uma onda telepática que golpeou lhe violentamente, ele foi arremessado com eficácia e caiu longe destruindo tudo que atravessava seu caminho. Degel acabou sendo atingido com menos intensidade e pôde amortecer o impacto com o equilíbrio do próprio corpo.

Sem perder mais tempo, corri pra socorrer Cordélia, esquecendo o mal estar todo que ela causou. O sangue brotava em quantidades alarmantes se vertendo em uma poça no chão, maculando as roupas claras. Pousei as mãos sobre o abdômen para parar a hemorragia quanto iniciar a cura. Converti minha energia no processo de regeneração, o calor desse poder se espalho por cada centímetro dos meus braços até chegar em minhas mãos, a luz dourada e radiante cobriu o ferimento. Novamente vi a imagem da menina abatida, e tão simples a resposta veio, eu estava, de algum modo, vendo uma projeção da alma nua de Cordélia.

A garotinha era ela mesma.

— Que decadência... Salva pela pessoa que ajudei a sequestrar. Qual é porra do seu problema? Você é estúpida por acaso? — ela resmungou visivelmente nervosa, seus olhos transbordavam em lágrimas que tentava a custo impedir de sair. — Por que está me salvando?

— Céus, cale a merda da boca! — rugi impaciente. — Se estiver afim de morrer, eu te deixo sangrar!

— Talvez estúpida seja a definição certa... Está até chorando... O que você é realmente?

— Eu não sei, só... Fica quieta.

Só percebi as frias gotas deslizarem pelas minhas bochechas quando ela anunciou, por que nunca as teria notado enquanto fluíam despercebidas. As lágrimas estavam descontroladas como águas de cachoeira.

— Só estou fazendo o que acho certo, mesmo que você não mereça... — grunhi ignorando o quão bobo toda a circunstâncias parecia. — Nem o que o gato faz na caixinha de areia.

Cordélia riu fracamente.

— Acho que não tem mal algum ser legal as vezes, não preciso de motivos pra isso, não?

O sangramento estancou, a ferida gradativamente diminuiu.

— O que você é afinal? Um demônio? Ou uma deusa?

— Apesar de achar bem lisonjeiro, não sou nem uma coisa e nem outra. Talvez seja como você disse: uma estúpida.

— Você devia aproveitar e fugir, é o que uma pessoa normal faria.

— E quem disse que sou normal? — dei um meio sorriso.

— Foi o que pensei...

— Estou cagando que essa puta é de interesse, eu vou matar ela. — o ruivo se exaltou ao se recompor.

— Vai! Vai logo! — ela afastou minhas mãos de si, empurrando-me.

— Já disse que não vou te deixar. — minha voz saiu como tilintar de um sino, alto e claro como devia ser.

— Pare com isso, não vale a pena me salvar.

— Cala boca, não fica falando merda que é pior.

Cordélia permaneceu repousada, as graves feridas já não eram problemas principalmente quando peguei a cápsula da bala em mãos assim que o corpo dela repeliu.

E novamente estava prostrada feito dois de paus, em atitude protetora. Abruptamente algo irrompeu pelo telhado de madeira, destruindo-o e espalhando destroços em todo canto em uma explosão de poeira. Pelo que me pareceu uma eternidade, conduzi meus curiosos olhos para a figura que fez uma entrada triunfal. Meu coração se encheu de tanta expectativa e calma que foi deleitosa. No entanto, a imagem que vi fora muito diferente do que esperava: não era o galante e sedutor homem de cabelos com a cor branca incomum, que se vestia impecavelmente de um longo casaco vermelho. Ocupando o posto de sua persona irreverente, se tratava de sua majestosamente amedrontadora versão demoníaca, seu Devil Trigger. Mesmo não sendo o primeiro contato tampouco o mais épico, ele exalava um fulgor crescente como um incêndio devastador que consumia tudo ao redor sem hesitar — a esmagadora aura vermelha sangue se expandia para fora de seus domínios com agressividade e potência que mal suportava dividir espaço com ele.

Diferente de mim que praticamente admirava a personificação da fúria indomável do meio-demônio, Cordélia se assustou e se arrastou para fora do escopo dele. Sonhadora e cheia de fascinação, não parei nem um segundo de olha-lo. Pode parecer coisa de apaixonada, mas Dante era perfeito em todas suas formas. Humano ou demônio, Dante é Dante.

Dante portava Rebellion, em algum momento, rápido demais para minha visão limitada, ele investiu contra o ruivo primeiro que mal registrou o ataque. E pela cara que esta fazendo a surpresa não fora nem um pouco agradável.

Dante sinalizou para que eu fosse embora.

— Vem! — pedi pondo-me de costas a ela.

— Você esta brincando, né? — Cordélia esbravejou.

— Quer ficar por acaso? Além de estar muito fraca pela perda de sangue, duvido que consiga ao menos levantar.

— Não seja arrogante, eu consigo! — mal se colocou de pé, que cedeu e caiu pateticamente. Rolei os olhos e a coloquei em minhas costas, partindo para fora.

Quando já estávamos seguras e afastadas do velho armazém, olhei-o esperançosa e esperei paciente por Dante. Deu para ver que ele não estava nem um pouco contente — e como sabia que nada o atingia e ele sempre estava de bom humor e fazendo seus típicos comentários sarcásticos, dúbios ou tom de zombaria —, vendo-o bravo era algo inimaginável e amedrontador de um jeito quase sem explicação. O barulho de quebra, cortes e leves explosões encheram nossos ouvidos, seguidas de um violento estalar que fez com que congelasse.

Felizmente havia decifrado o código Dante tão bem que, era como se meio que pudesse prever cada ação. Nem todas, apenas o suficiente para ler. Dante pousou no chão tão perfeitamente e equilibrado, talvez minha expressão tenha dado entusiasmo para ele, já que demorou mais do que esperado para tocar o terreno e um sorriso deliberadamente satisfeito brotou em suas feições. Eu, que me manteve ajoelhada ao lado de Cordélia, que estava estupefata, e andei cuidadosamente até Dante.

— Você tem sempre um bom timing, sabia?

— Não posso mesmo tirar os olhos de você, não é?

— Lamento por isso.

— Não lamente. Estou aqui pra isso, te proteger e evitar que perca sua linda cabecinha. — gracejou com o cenho ligeiramente franzido, um vinco de preocupação bem evidente.

— Está esperando um convite? — Cordélia arquejou. — Eu não vou atrapalhar.

Recuei insegura, voltando a minha posição de antes, sem coragem para confrontar Dante.

— Vai logo, essa cara de cachorro abandonado me deixa irritada. — Cordélia pausou buscando força em um profundo e sôfrego arfar, e continuou reclamando: — Detesto ficar de vela, ainda mais em circunstâncias tão desvantajoso. — fez um gesto indiferente com a mão. — Se continuar assim vou ter que intervir e meus métodos são pouco ortodoxos.

Era hora de enfrentá-lo, mas onde esta aquela força interior que queimava em brasa pelas minhas veias sempre que lutava? Afinal esta seria uma luta. Decidi que agiria da melhor forma e mais conveniente, do qual me deixava livre para fazer qualquer coisa. Operar no modo automático e puramente instinto. Minhas mãos tocaram seu rosto sentindo a textura da sua pele e o calor sob meus dedos. Dante só retornou a sua forma humana quando me levou aos seus braços. Naquele momento, nada existia além de mim e ele. Por mais vontade que tinha de retribuir, a dorzinha crescente e ferina apertou meu peito.

— Me desculpe, por ser tão estúpida e paranoica. Quero dizer, você nem fez nada e simplesmente fugi... — parei, incerta sobre como abordaria o assunto sem soar patética e ciumenta. Percebi o quão pequenina era e como Dante facilmente me cobriria e foi exatamente o que ele fez ao circundar meu corpo com seus braços musculosos que formaram uma redoma segura na qual me encaixava e sentia que pertencia.

— Esse é um dos seus grandes defeitos; você fala demais. — ele afundou o rosto em meus cabelos. — Não saía mais sem mim assim, Diva. A última coisa que quero é perdê-la de vista.

— Sinto muito. Isso nunca mais vai acontecer. — por alguma razão quem nem mesmo eu entendia, uma ânsia de chorar me invadiu, dominando momentaneamente meus pensamentos.

Dante encostou nossas testas, abri ligeiramente a boca, porém nada saiu, e ficamos parados enquanto nossas respirações se mesclaram, suas mãos serpentearam possessivamente minha cintura.

— Não há absolutamente nada nesse mundo que vai me afastar de você, nem mesmo você e sua cabeça dura.

— E como pode ter tanta certeza disso? — meu coração acelerou que era como se fosse arrebentar.

— É bem simples, doçura, — segredou erguendo a mão que se conecta a linha prateada. — Isso aqui significa que estamos unidos como um.

Paralisei em um misto de choque e pura alegria. Todas as palavras dele ecoavam em minha mente criando, aos poucos, completo sentido. Dante não é do tipo que diz abertamente o que sentia, por que ele criou uma couraça e uma parede em volta do próprio coração protegendo-se e mostrando que nada a romperia. Então nunca esperaria uma declaração dessas vindo dele. Sabíamos da ligação inegável e intensa entre nós, no entanto, constata-lo em palavras parecia tão... Distinto, certo, imutável e sem nenhum obstáculo. Perguntei-me se aquilo era um sonho extremamente bom e recebi outro beliscão como resposta.

— Eu te amo, Dante — meu coração estava transbordando, extasiado pela avalanche de emoções tanto minhas quanto de Dante. Teria sido aterrorizante pela intensidade, exceto que com Dante sabia que nada me afligiria. Era algo tão forte que me fez tremer por dentro. Meu coração só faltou realmente explodir no peito por tantos sentimentos o dominando, tão intensas que pareciam nascer e se enraizar no mais profundo da minha alma se expandindo por todo meu corpo com uma força sem explicação.

Agora tudo fazia mais sentido.

×××


Cordélia arremessou o primeiro objeto que vi pela frente — uma cadeira — na pobre enfermeira. Se não fosse pelo fato de estar meio debilitada e brava, juraria que ela tem pavor de hospitais.

— Já disse que eu não preciso disso, inferno! — gritou exasperada.

— Para com o escândalo, sua... — ela atirou de raspão em mim. Que tipo de maluco sai atirando nas pessoas dentro de hospitais? E quem deixaria ela portar uma arma carregada nas dependências?

— Eu não preciso ficar no hospital, estou perfeitamente bem.

— Dá para perceber — resmunguei baixinho.

A enfermeira injetou inesperadamente algo no braço de Cordélia, ela agarrou tubo e observou o conteúdo semi vazio — possivelmente de algum anestésico. Com terror mudo, ela sentou na cama e respirou profundamente. O peito arfava em recuperação, então, vagarosamente ela abrandou-se. Por fim, Cordélia deitou na cama e se deixou relaxar. Com um suspiro de contentamento, virei-me para porta com menção de partir, mas Cordélia chamou com a voz fraca:

— Quando mencionaram sobre você e seus poderes, achei que fosse alguma piada... Ao testemunhar, acreditei que era um demônio, mas até onde sei demônios não costumam ajudar os outros.

— Tem muita coisa que você não sabe, Cordélia.

— Embora te ache uma completa idiota, principalmente por me ajudar depois do que fiz... Mas, eu prometo que a próxima vez que nos encontrarmos vou quitar minha divida, protegendo você — eu não pude deixar de sorrir — Agora compreendo melhor, é como na história... a deusa e seu amado demônio. — essa parte saiu confusa e sussurrada e não entendi o sentido delas. Posso considerar um delírio dela, mas parecia que ela viu tudo dessa estranha e engraçada maneira. Dei de ombros, segura e satisfeita pelo êxito no trabalho segui para meu caminho. Dante estava me esperando do lado de fora, com seu característico sorriso reconfortante.

— Vamos, Dante, quero voltar para casa. Não vejo a hora de descansar na nossa caminha e... — eu disse “nossa caminha” pareceu bem intimo. Até demais.

Balancei a cabeça, expulsando qualquer pensamento inadequado.

— Algum problema, doçura? — perguntou, assim que deu partida.

Olhei para ele com as sobrancelhas franzidas.

— Nada, só estava pensando. — sorri, contemplada uma ultima vez a paisagem daquela cidade. — Hm, a deusa e seu amado demônio? — repeti as palavras de Cordélia, soou peculiar, mas com um pingo de verdade. Eu podia claramente não ser uma deusa — e nem queria —, contudo, tinha Dante o meu amado demônio.

Notas finais
Como comentários finais: ~Só digo uma coisa, não digo nada. E digo mais, só digo isso. u-u Até a próxima!