Nexo
1 Ato 1: Vilão
EPISÓDIO 1 — Vilão
Fim e Começo — Ciclos
Ato I — Parabéns, e adeus, bela dama.
14 de outubro de 2150, 6:27 da manhã. O sol raiava belamente, o clima era agradável e tudo parecia ser perfeito. Monstros estavam calmos e não houveram registros de ataques, vilões não causaram nenhuma confusão, e a cidade estava movimentada. Os pássaros cantavam alegremente, carros buzinavam gentilmente. Crianças corriam pela calçada, comerciantes vendiam para turistas, pescadores estavam conseguindo peixes considerados raros e que davam uma fortuna. Tudo naquela manhã teria sido perfeito se não fosse aquele homem.
9:35 da manhã. Uma mulher de tapa-olho estava sentada na varanda enquanto fumava seu cigarro, com seu broche de platina brilhando na luz da manhã e seus cabelos de cor viva caindo sobre seus ombros. Ela observava calmamente a cadeia de explosões acontecendo na cidade, como se aquilo fosse algo comum. E tudo aquilo era resultado da luta contra um único homem. O canto dos pássaros havia sido tomado pelo som ensurdecedor de desmoronamentos e explosões, seguido do grito de alguns heróis.
11:26 da manhã. As nuvens do céu se partiam em uma velocidade alarmante. Fumaça podia ser vista de longe, e pessoas corriam por suas vidas. Grandes criaturas do tamanho de prédios estavam caídas no chão com golpes fatais. Monstros que tiveram o azar de entrar no meio de um combate que não lhes pertencia. Prédios estavam desmoronando, asfalto sendo destruído e rodovias cedendo como se fossem feitas de massinha.
Porém, às 12:38, o combate se aproximava do ápice. O vilão deixou um suspiro pesado sair, e começou a eliminar os heróis sem muita dificuldade, demonstrando que estava apenas brincando com eles no começo. A mulher, que estava há alguns quilômetros de distância, seguia observando a situação.
14 de outubro de 2150, 13:40. Improbus, o Alicerce do Mal, permanecia estático e em perfeito estado dentro da cratera no centro da cidade, com diversos heróis caídos à sua volta. Aquela era a oitava tentativa de matá-lo em 3 dias. Um dos heróis que ainda estavam vivos se levanta com esforço monumental e apoio de seu bastão e tenta avançar, mas antes de conseguir alcançar seu alvo, as suas pernas falham e o derrubam. Neste momento, ele encontra seu fim perante os pés de Improbus, que o encarava com uma expressão de pena.
Caminhando sem preocupações, Improbus sai da cratera e encara os heróis caídos dentro dela com um olhar de confusão e má compreensão, tentando entender por qual motivo os heróis continuavam tentando o matar até quando ele estava quieto.
— Isso é tudo? Que tédio. O vilão olhava à sua volta com uma expressão neutra, incapaz de compreender a razão deles continuarem tentando. Desistam. Eu mesmo já desisti há muito tempo. Não vale a pena lutar por algo em vão. Murmurou apático em um tom frio, fazendo um gesto como se estivesse espantando moscas.
O ser, que há muito já foi humano, observava os últimos esforços em vão dos heróis ainda conscientes. Ele os encarava com um olhar de pura pena, incapaz de compreender a motivação deles. Afinal, por qual razão formigas iriam contra o oceano, sabendo que é suicídio?
— Vocês têm 2 meses de preparação até nossa última luta. Até lá, treinem muito. Boa sorte. Espero que estejam mais fortes em breve. O homem dizia enquanto se afastava com passos lentos e calculados, não se importando em virar para trás.
Assim que o vilão vai embora, uma equipe de resgate de nível especial sai de onde estavam escondidos e começam a recuperar os corpos dos heróis caídos e a tratar os que estavam vivos, incluindo os que estavam morrendo rapidamente. Uma mulher, com cabelos de cor verde lima, grande e cacheado; olhos cianos, íris vermelha escarlate, com pele parda, roupas elegantes contendo cores como azul ultramarino em sua maioria cobrindo o tecido, vermelho vibrante nas faixas do traje de capitão e branco perolado como a parte aberta do traje acima do peito.
Sua altura acima da média era imponente, sendo intensificada por uma espada na bainha no lado direito de sua cintura e uma arma no lado esquerdo, demonstrando proficiência em diversas áreas.
Ao lado dela, uma mulher pequena, 1,62 no máximo, cabelo castanho encaracolado, usando um óculos redondo de tamanho comum, com roupas parecidas com a da capitã, porém mais simples, estava com uma prancheta lendo as informações contidas nela.
— Relatório. Agora. Resmunga a mulher mais alta, se recusando a olhar para os lados ou para baixo, sempre olhando reto.
— Perdemos 200 heróis Rank A, 40 Rank S e 2 Rank SS, senhorita. Nesse ritmo, teremos que pedir ajuda a outros países- Antes que a secretária pudesse concluir sua frase, a capitã decide falar.
— Não, isso não vai acontecer. Se necessário, eu mesma lutarei. A voz da mulher era firme, rígida, não deixando espaço para que alguém contrariasse suas palavras. Nosso dever é servir como bastião da humanidade – não deixar que o sacrifício deles seja como o de um jogo Tower Defense. Conclui a mulher, sua voz carregava uma determinação imaculável.
— Entendido, capitã. Irei ajudar os médicos a tratarem dos feridos. Responde a secretária, se afastando com passos lentos em direção à equipe médica.
O cenário era de caos completo. A cidade, que uma vez foi um cenário magnífico, lindo, com enormes árvores cobrindo a paisagem e belíssimos arranha-céus brilhantes e seguros agora são reduzidos à meras ruínas de concreto e metal. Os prédios estavam torcidos, corpos de heróis e civis espalhados pela cidade, fogo em diversas partes, crateras tomavam conta das ruas.
Naquele momento, uma aura de morte e perdição pairava sobre os céus da cidade, com corvos observando os humanos. Alguns vilões estavam sendo resgatados dos escombros; os que estavam vivos seriam julgados e presos, e os mortos teriam um funeral feito. Um homem, com aparência jovem apesar da idade, uma espada em sua cintura, luvas metálicas, cabelo laranja, olhos roxos penetrantes e uma capa branca de tecido leve se aproximava do centro.
— Que situaçãozinha, ein? Boa sorte pra limpar isso, Capitã Madeline. Diz o homem, o broche em formato de estrela em seu peito brilhando com a luz solar enquanto ele levantava a capa sobre seus ombros.
—Não estou aqui para tomar sermão de um moleque que nem você, Arthur. Não me importa se você é mais velho, ainda tem as atitudes de um adolescente inconsequente. Responde a mulher, sua voz neutra e em um tom levemente alto, mas nunca caindo no tom de raiva.
— Qual o problema, Capitã? Triste que não conseguiu proteger os civis? Provoca Arthur, tentando conseguir alguma irritação da mulher, mas ele desiste ao ver a encarada que ela o deu. Tá bom, tá bom, vou parar com isso.
A mulher começa a ignorar Arthur, que claramente fica irritado, mas decide parar. Ele se junta à equipe de resgate e começa a procurar pelos mortos e por sobreviventes, com sua adição facilitando as buscas. 17:50, 4 horas depois que a equipe de resgate chegou, eles finalmente encontram todos os corpos e se preparam para partir. "Oito tentativas, e nada chega perto. Como alguém pode ser tão forte assim?" Os pensamentos da capitã são cortados quando sua secretária à chama.
— Capitã, nossos veículos estão prontos para partir. Devo preparar sua moto? Questiona a secretária, sua voz estando em um tom baixo e com todo o respeito possível nela.
— Claro, já vai me poupar tempo. Responde Madeline, observando sua secretária com um olhar de preocupação. Secretária Helen. Você acha que é possível matar esse monstro? Questiona Madeline, o que faz sua secretária ter calafrios.
— Senhorita Madeline. Se alguém tão importante como você não tem uma resposta para isso, como eu, simples Rank S, teria? Responde a Secretária Helen, se ajoelhando sob um joelho para reverenciar a capitã. Uma coisa que você me ensinou é que não devemos desistir, mesmo se o mundo perder o sentido. Mesmo se o fluxo for para trás, devemos ir contra ele e guiarmos nosso próprio caminho. Concluí a secretária, ainda se ajoelhando perante sua capitã.
A resposta de sua secretária faz ela parar de se preocupar. De um segundo para o outro, ela coloca um sorriso no rosto e puxa sua secretária do chão para um abraço no qual ela tem seu braço esquerdo em volta do pescoço de sua secretária, com sua mão repousando na barriga dela, um contraste entre os corpos de cada uma delas.
— Hahaha! Você tem razão, Helen! Não sei o que aconteceu, se preocupar realmente não combina comigo, né? Responde Madeline, um sorriso em seu rosto enquanto ela dá um cafuné com punho direito no cabelo de Helen. Muito bem, vamos embora daqui antes que anoiteça.
E com isso, Madeline salta em sua moto e espera o resto da equipe de resgate entrar em seus veículos; motos, carros e veículos que lembram ambulâncias. Assim que todos estão prontos, ela olha para Helen uma última vez, sorri e saí na frente para garantir que nenhum perigo os embosque, seja o perigo monstros ou vilões.
A viagem de volta para o quartel general é calma e pacífica, marcada apenas pelo canto dos pássaros e pelo som dos veículos em alta velocidade. A paz do retorno permitiu que não só Madeline, mas também o resto dos soldados, conseguisse acalmar o ânimo e imaginar um amanhã melhor enquanto observavam o pôr do sol, recuperando levemente a moral e determinação.
— Eu não vou mentir para vocês. Nosso mundo não é um lugar feliz, assim como nossas vidas nunca serão tranquilas. Ela pausa, olhando para seus companheiros. Porém, enquanto estivermos juntos e tivermos plena convicção sobre esse inferno que nos testa dia sim e dia também, poderemos sobreviver para ver o novo amanhã. Concluí a capitã, dando permissão para os soldados chorarem livremente.
As palavras da Capitã Madeline atingem o coração de toda a equipe e de sua secretária, os fazendo-os se emocionar enquanto enxergavam um novo horizonte de esperança além das ruínas da cidade, atualmente governada por monstros. Uma lágrima escorria do canto do olho esquerdo de sua secretária, e alguns soldados no fundo descansavam suas armas mesmo que por um momento. Com o silêncio de Madeline e dos soldados, todos podiam sentir a mesma coisa: desistir não é uma opção e nunca será.
Eles seguiriam lutando por um futuro melhor – mesmo que isso custe séculos ou suas vidas em si.
Ao cair da noite, monstros se rastejam nas ruínas da cidade e seguem o rastro dos veículos da equipe de Madeline, decididos a devorar todos eles como uma refeição básica, demonstrando que eles não sabiam do poder deles. A capitã se preocupava com sua amiga Teresa, uma heroína de rank épico, que não estava com elas no momento.
Enquanto isso, Improbus estava descansando sozinho na cidade de São Paulo, usando um dos prédios como base. Monstros não tinham sequer coragem de se aproximar dele, mas um convidado interessante apareceu.
Um avião aparece rasgando os céus, emanando uma energia enorme. Seja lá quem for, não queria esconder sua presença, fazendo questão de emanar 50% de sua energia em presença. Assim que a rampa de carga desce, é revelado que uma mulher em uma cadeira de rodas era responsável pela energia. O vilão não dá a mínima e continua tomando seu café tranquilamente.
A heroína se joga do avião em sua cadeira de rodas, rasgando os céus. Um jato aparece atrás da cadeira, assim como asas de avião surgiram nas rodas. Ela controla o voo e corta o espaço utilizando a pura velocidade, dando um rasante de 8000 metros de altura até o solo, partindo os prédios em seu caminho sem o menor esforço.
Assim que ela derruba o prédio que Improbus está, a xícara de café atinge o chão e se quebra. Aquilo é o bastante para fazer ele perder a paciência e entrar em combate. A heroína gira o vilão diversas vezes, cortando ele com as asas da cadeira sem que ele pudesse reagir, sendo a primeira vez que ele é pressionado em um bom tempo.
Assim que ele se acostuma à velocidade da cadeira de rodas, ele contra-ataca 0.1 segundo depois que foi atingido, acertando o estômago da mulher e jogando ela pra cima, desmontando a cadeira de rodas com a força do impacto.
A mulher cai no chão e se rasteja até tocar em uma parte de ferro da cadeira de rodas, infundindo sua energia no metal.
— Você não vai sair daqui ileso! Afirma a mulher no chão, fazendo com que a cadeira de rodas se transforme em um robô de 3 metros de altura.
Ao infundir a energia em uma estrutura de metal ou o mais próximo possível de metal que ela compreenda, ela pode expandir e multiplicar a estrutura, transformando em algo totalmente novo. O poder dela força a expansão pelo calor sem danificar o alvo, afetando até mesmo isolantes ou coisas que não se expandem; essa é a fundação da tecnomancia e manipulação de metal de Teresa, a Grande. Transformar A em BCD... verdadeiramente um belíssimo poder nas mãos de uma poderosa usuária.
O robô acerta um soco em Improbus, enviando ele para um prédio distante, permitindo que Teresa tocasse na outra roda e remontasse sua cadeira de rodas do zero instantaneamente, demonstrando tamanha maestria em controlar seu poder. Agora, Teresa e seu robô estavam prontos para encarar a morte de frente, sem medo algum. O vilão sai dos escombros e vê a mulher se recuperando do impacto, e aquilo é o bastante para fazer ele sentir uma animação percorrer seu corpo inteiro. Enquanto ele observava a mulher, ele ignorou algo.
O robô avançava em sua direção, transformando sua mão esquerda em uma lâmina, forçando seu inimigo a se defender. Teresa avança por cima com sua cadeira de rodas, atropelando o vilão impiedosamente em uma velocidade de mach 200, criando uma cratera no chão e levantando poeira, esperando acabar com tudo naquele único golpe.
Assim que a poeira se dissipa, é revelado que o vilão estava intacto e bloqueou facilmente ambos golpes, usando um dedo de cada mão para tal feito. Era possível ver uma expressão que dizia "Você lutou bem, parabéns" no rosto do homem. Teresa tenta fazer sua cadeira voar para trás, mas ela é explodida junto do robô, o que levanta ainda mais poeira na área. O cheiro metálico do sangue era forte.
Se isso continuar, eu vou perder. Meu robô não vai aguentar... Teresa tenta pensar em uma solução, e então absorve o robô novamente, recuperando a energia gasta em sua criação. Ela avança em velocidade máxima contra Improbus, mas assim que passa por ele usando um golpe de dano atrasado, um corte em forma de X aparece em seu corpo.
Sangue jorrava do ferimento fatal, e por um momento, aquele parecia ser o fim da luta. A respiração da mulher paralisou, seus batimentos cardíacos diminuíram, sangue continuava jorrando e manchando o chão e suas roupas... E ela riu. Teresa toca no corte acima de seu coração, e infunde sua tecnomancia e manipulação de metal em seu corpo, forçando uma transformação em um andróide, multiplicando sua força e resistência em quatro vezes, mas perdendo a velocidade que a cadeira de rodas dava, podendo se mover somente em mach 75 no máximo. Naquele momento, Teresa se transformou em algo diferente. Seu rosto continua igual, mas seu corpo estava coberto por placas de metal das cores verde, vermelho e branco, com ombreiras metálicas azuis, tendo uma aparência chamativa e heróica.
Improbus sorri levemente, avançando em direção à Teresa, que faz o mesmo. O punho dos dois monstros se colidem e varrem todo o quarteirão em que estavam, levantando um enorme cogumelo de poeira. Nenhum dos dois ousava dizer qualquer palavra, forçando seus punhos a conversarem um com o outro, mostrando que o homem, naquele momento, enxergava ela quase como uma igual.
Teresa acerta um Golpe Ômega em Improbus que o deixa desnorteado por um momento, arremessando ele para longe. Antes que o vilão se recuperasse totalmente, a mulher já estava com a lâmina de energia tocando no pescoço do homem, mas ele conseguiu se esquivar no último segundo, percebendo que aquilo certamente era um perigo. Ele sorri novamente e avança, mirando no braço com a espada.
Teresa arrisca tudo e decide utilizar seu Modo Máximo do andróide, revelando turbinas de porte médio, mas que eram fortes o bastante para fazer ela atacar Improbus várias vezes, pegando o seu oponente de surpresa com sua velocidade, apesar de ser inferior a antes.
Percebendo sua desvantagem, o vilão põe uma mão no chão e injeta uma quantidade pequena de energia, fazendo o solo rachar e sofrer de erosão, com alguns pedaços da calçada e do asfalto subindo como pilares, removendo completamente a desvantagem da velocidade.
Ao perceber a alteração no ambiente, a mulher rapidamente muda sua estratégia e transforma a lâmina do braço esquerdo em uma broca, atravessando todos os obstáculos até seu oponente, demonstrando uma enorme adaptação e versatilidade.
— É o fim, Improbus! Grita Teresa, avançando com sua broca apontada na direção do homem.
O vilão, prevendo o golpe, põe ambas as mãos no chão e envia uma pequena energia para o solo, enviando diversas vigas de concreto e asfalto em direção à Teresa, que atravessa várias delas, mas ainda assim é atingida de raspão por algumas.
A heroína sofre um golpe aparentemente fatal. Uma viga de concreto atravessa o andróide, perfurando o peito da mulher. Sangue junto de um líquido azul vazava, e ela permanecia suspensa no ar. Ela aparentemente morreu... Até que, com sua mão direita, Teresa parte no meio a viga que a suspendia, caindo no chão de pé.
A mulher, em um golpe com toda velocidade possível, aparece atrás do vilão e acerta mais um Golpe Ômega, deixando ele desacordado por um segundo, fazendo ele voar para um prédio em ruínas há alguns metros de onde estavam. Mas... a luta parecia se aproximar de seu fim inevitável. Os golpes da mulher estavam enfraquecendo lentamente, com os ferimentos finalmente alcançando ela. E Improbus também percebeu isso.
O vilão, ao se levantar das ruínas, deixa um leve suspiro sair, e decide finalmente quebrar o silêncio frio. Ele pensa em suas próximas palavras antes de finalmente dizer algo.
— Você lutou bem até o fim, mesmo sabendo que não venceria. Eu te respeito muito por isso, Dama..? Improbus pausa sua fala, esperando a mulher revelar seu nome.
— Não sabe nem meu nome? Que vergonha. Responde a heroína em um tom provocativo apesar da situação. Teresa. Esse é meu nome. Responde a mulher, aproveitando a pausa momentânea para recuperar um pouco de energia.
— Você tem meu respeito. Independente de quem vencer, espero que a alma do derrotado alcance a paz. Diz Improbus, curvando sua cabeça um pouco em um gesto de respeito.
Enquanto tudo isso acontecia, Madeline, que havia recebido uma ligação de emergência, estava na Torre de Heróis, derrubando todos os heróis que ousavam ficar em seu caminho. Seu olhar era de raiva e desespero, não se importando nem um pouco em usar até mesmo uma força que beira o letal nos seus companheiros.
— Parada bem aí! Não hesitaremos em ati- ACK! Um grupo de heróis tenta parar Madeline, mas são todos derrubados com golpes na garganta, o que os derruba incapacitados.
Madeline, após causar confusão nos andares inferiores e médios, finalmente chega nos andares mais altos. Com um só soco, ela destrói completamente a porta que dizia "Sala do Diretor", e ela entra com passos pesados.
— Você! O que você acha que tá fazendo?! Questiona Madeline em um tom furioso, sacando sua espada e cortando a janela de vidro atrás da mesa do diretor.
—Eu? Só estou fazendo o meu trabalho. Se veio aqui questionar sobre Teresa... O diretor pausa por um momento, um olhar levemente triste em seu rosto. Nem mesmo eu esperava que ela fosse para um combate direto em uma operação secreta.
— Não esperava meu rabo, velhote! Você acha que eu vou acreditar em você? Como não saberia dessa operação?! Ainda mais tendo acesso até mesmo ao dinheiro que o governo gasta e com o que ele é gasto! Madeline estava furiosa, claramente indignada e não acreditando nas palavras do diretor. Até mesmo o que a rainha da Inglaterra veste você sabe o tamanho exato! O que na verdade é estranho. Tu tá tendo um caso com ela?
O diretor encara Madeline com uma expressão de indignação, com seus olhos arregalados e suas bochechas levemente vermelhas. Ele usa sua telecinese para tirar ela de cima da mesa.
— Que indecência, Grande Capitã Madeline. Onde está sua honra? Seu respeito? Acusando seu superior assim. Que ultraje. Responde o diretor, um tom leve de irritação presente em sua voz. Além do mais, se eu estivesse saindo com a rainha, onde isso é da sua conta? Volte para o trabalho, Madeline. A voz do diretor era firme e fria, demonstrando que ele não recuaria.
Antes que Madeline pudesse dizer qualquer coisa a mais, a secretária do diretor, Magnus, aparece com os guardas e expulsa a heroína da sala, arremessando ela pela janela, sabendo que a mulher sobreviveria.
A capitã atinge o chão em alta velocidade e cria uma pequena cratera na rua, se levantando em meio ao asfalto e cacos de vidro. Ela dá o dado do meio para o prédio da Torre de Heróis e vai embora correndo, determinada a procurar sua amiga Teresa.
Helen, que estava esperando na moto da Madeline, prepara o cigarro para sua capitã, entregando a ela assim que ela chega. Antes que pudessem trocar qualquer palavra, Madeline acelera a moto com tudo de maneira repentina, indo em velocidade máxima para um penhasco, se arremessando dele.
De volta para Teresa, a mulher estava sangrando. Seu nariz sangrava, seus olhos estavam feridos e sua armadura de andróide rachada. Mas Improbus estava longe de estar intacto. Um dos braços do vilão acabou sendo arrancado, e ele estava o usando para bater em sua oponente.
Teresa se levanta novamente e ergue seu braço direito, ativando a broca com energia total. Ela salta para cima e começa a flutuar com suas botas anti gravidade, determinada a acumular energia cinética rotacional na broca para perfurar seu oponente de uma só vez.
Improbus, olhando a mulher do chão, decide tentar algo novo. Ele usa um de seus poderes — Autoridade: Chamas — em seu braço decepado e queima a roupa e carne nele. O homem coloca o braço entre suas pernas e começa a raspar ele, afiando-o lentamente, até que a ponta do osso de seu braço se parecesse com uma lâmina.
O vilão salta em direção à Teresa, que por sua vez, avança com a broca energizada em direção ao seu oponente. O osso afiado colide com a broca da tecnomante, e ele começa a rachar e ser desgastado, mas o homem não para de avançar. Pouco a pouco, a broca da heroína começa a ser rachada também, até que ela é destruída pela colisão.
Aproveitando a proximidade, Improbus bate no rosto de Teresa com a ponta do osso, terminando de destruir a arma estilhaçada. Apesar de tudo, a mulher estava com um sorriso pacífico no rosto, igual seu oponente.
A tecnomante é arremessada para o chão, levantando um pouco de poeira. O inimigo cai logo à sua frente, com sua respiração levemente pesada. Ambos estavam exaustos.
— Ha... ha... Você não deu tudo de si, né? Mas eu vejo que você entende o que é morrer pel...o seu ideal... Murmurou Teresa em um tom fraco e exausto, tossindo um pouco de sangue.
— Não, eu não dei tudo de mim. Mas, mesmo assim, eu lhe agradeço por esse combate. Você me mostrou que ainda vale a pena lutar, obrigado, Madame Teresa. Responde Improbus em um tom de respeito genuíno, sorrindo enquanto observa a mulher no chão.
O vilão aponta sua palma para Teresa, e então dispara uma rajada de energia no corpo dela. A mulher lança um último suspiro, mas percebe que aquela energia não estava a machucando, e sim servindo de primeiros socorros básicos.
— Não lhe curarei completamente, mas só o bastante para não morrer. Espero que retorne mais forte, Teresa. Você morreu aqui, e renascerá novamente. Diz Improbus, dando as costas para a mulher no chão.
Antes que o homem fosse capaz de sair assim sem mais nem menos, Madeline aparece e atira nele com sua pistola, lançando ele um pouco para cima, o que o pega de guarda baixa. Helen, por sua vez, arremessa três adagas em direção ao homem, perfurando o peito dele. As adagas o envenenam e explodem em uma nuvem de veneno negro, o que o força a recuar de forma agitada.
— Interessante... Espero ver vocês em breve! Exclama Improbus, fugindo com um sorriso bobo no rosto, indo mais rápido do que a moto de Madeline.
Madeline saí da moto e vai até Teresa que ainda estava viva e consciente, e segura o rosto de sua amiga contra seu peito. Lágrimas escorrem de seus olhos e atingem o cabelo da mulher em seus braços.
— Eu ainda to viva, sua maluca! Guarde suas lágrimas para funerais! Diz Teresa, mesmo que na verdade ela estivesse feliz sabendo que Madeline se importava.
— Não faça isso de novo, Teresa. Não vá em operações assim novamente! Você poderia ter morrido! Grita Madeline através de seus soluços, lágrimas escorrendo freneticamente de seus olhos enquanto ela segurava a cabeça de sua amiga com força contra seu peito.
Madeline começa a tratar Teresa, usando magia de cura e seu kit de primeiros socorros. A mulher grita quando o remédio é passado no ferimento, e Helen dá um cascudo nela pra ela ficar quieta e deixar a capitã tratá-la. Após alguns minutos, o tratamento é feito e ela é colocada na moto para ser levada até o hospital.
Naquele momento, aquelas três sabiam que, no nível atual, ir para um combate contra aquele monstro, principalmente se ele estiver lutando sério, é suicídio. E por isso, iriam precisar treinar com outros heróis, e até mesmo com algo além disso, os Quatro Divinos.
Fim do capítulo 1.
Fale com o autor