New old things
2 I. Problem
Notas iniciais
Problem.
Estou com fome e ansiosa, amanhã será meu primeiro dia de aula naquele inferno, e eu não consigo dormir. Nove horas da noite. Desço as escadas procurando por comida, vasculho armários, abro a geladeira, nada. Minha mãe desce com bobs no cabelo e com uma máscara verde.
– Ta feia hein.
– Sorte que eu não nasci com a sua cara, amor. – Responde ela.
– Mas, a mãe aqui é você, boba.
– Tanto faz. O que está procurando? – Diz ela pegando um copo de água.
– Na geladeira? Dinheiro. – Respondo.
– Annabeth Chase, você não usa esse tom comigo.
Reviro os olhos e continuo procurando.
– Cade a comida?
– Eu e seu pai iremos abrir uma franquia em Louisiana semana que vem.
– Ta mas, e quanto a mim e Malcom? O que vamos comer?
– Deixaremos dinheiro o suficiente.
Com esse anuncio, Atena sobe as escadas me deixando sozinha. A frustração me vem. Pego a bolsa e saio para andar pelo quarteirão. Há uma lanchonete bem pertinho daqui. Com o sereno da chuva, o vento bate forte esvoaçando meus cabelos e por segundos me sinto livre. Sinto-me uma estranha. Sabe aqueles episódios que você assiste no Animal Planet sobre animais aprendendo a viver em um novo habitat? Exatamente.
Mil imagens me vêm à cabeça. Os olhares que me lançarão amanhã, os cochichos, os boatos, os julgamentos, as críticas. Peço um cappuccino e um pedaço de pizza, e enquanto espero meu pedido, abro meu diário. O meu querido desabafo. Escrevo nele a um ano, desde o incidente. Tudo o que passei está escrito ali, e somente ali. Os meus segredos estão ali.
Querido Bob.
Estou na lanchonete esperando meu pedido quando eu me lembro de você! Faz alguns dias que eu não escrevo, né?
Escuto meu número ser chamado e o fecho. Vou até o balcão e quando pego o pedido, um menino me interrompe.
– Loira. Esse pedido é meu.
Olho para cima para ver a cara do ser trouxa que disse isso. Fico sem palavras. Um menino de cabelos pretos e olhos verdes-mar me encara. Observo bem suas afeições até responder.
– Não, esse pedido é meu. – Mostro o papel marcando meu número.
– Ela chamou o número 76.
Olho para a placa marcando 73, como sempre estou certa. Dou um sorriso debochado e respondo.
– Além de bobo é burro. – Sussurro de jeito que ele ouça.
– Além de loira é grossa. – O menino sai para buscar o seu pedido agora.
Reviro os olhos e saio do estabelecimento. Quando estou quase na esquina, sinto falta de algo no meu ombro. Minha bolsa. Saio correndo de volta a lanchonete, orando para que ninguém tenha pego meu diário. Entro com a maior pressa a procura dela e no meio do caminho trompo com o mesmo menino dos olhos verdes-mar, que acaba derrubando café na minha blusa.
– Você é cego? – Grito com ele.
– Loira? A culpa não foi minha se você não estava no caminho a um segundo atrás!
– Então agora a culpa é minha?
– É!
– Ridículo. – Bufo e pego minha bolsa.
– Mimada.
Saio do local trotando e limpando a blusa com guardanapos. Quando chego em casa, corro direto pro banheiro deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo. Mimada. É a primeira impressão que as pessoas têm sobre mim. A segunda é fútil.
Logo após o banho, recebo uma mensagem de Katy.
Katy: Preparada para amanhã?
Responder: Nem um pouco.
Katy: Quando devo fazer o anuncio?
Responder: Não faça, por favor.
Katy: Como assim?
Responder: Quero passar despercebida esse ano.
Katy: Annabeth Chase despercebida? Essa eu quero ver.
Suspiro. É, essa eu também quero ver.
Katy: Se arruma, passo ai na sua casa em dez minutos.
Responder: Para que?
Katy: Você vai sair com alguns amigos meus, eles são de boa.
Só ela mesmo. Continuo com a mesma roupa e a espero. Passados quinze minutos, ela me leva até uma mini festa em um apartamento gigante. Subimos o elevador escutando Shake it of. Começamos a cantar igual loucas.
– Cause the players gonna play, play, play.
– And the haters gonna hate, hate, hate
– Baby I'm just gonna shake, shake, shake
– Shake it off, Shake it off
O elevador para e continuamos a rir igual malucas, entramos na festa assim e com o embalo conheço seus amigos. Só tem 7 pessoas na festa contando comigo e com ela, conheço uma menina meio punk mas totalmente linda, que se apresenta como Thalia. Uma menina que mais parece sair de um conto de fadas, chamada Piper. Um garoto chinês que acho que se chama Frank, a irmã de Piper, Silena, e o Solace.
Nem precisei me apresentar, todos já me conheciam. Fiquei meio mal por saber que até os novatos sabiam quem eu era. Realmente Calipso não se cansou e nem tirou férias.
A festa foi resumida em comer salgadinhos, fazer guerra de pipoca e assistir filmes. Vejo que a pipoca acabou e me ofereço para buscar mais. Coloco o pacotinho no micro-ondas esperando os dois minutos acabarem. Observo o apartamento. Realmente ele é maravilhoso. A arquitetura se parece com a da minha mãe, e como ela é responsável por quase toda a arquitetura moderna da cidade, não me surpreenderia se ela for dona dessa também.
– E ai.
Pulo de susto ao ver a punk parada igual um vampiro atrás de mim.
– Você me assustou. – Respondo.
– Foi mal. Mas e ai, então você é Annabeth Chase.
– Pelo jeito que falam, sim.
– Não me parece ser nada demais. – Comenta ela mordendo uma maça. – Digo, você me parece normal.
– E sou, agora. – Falo.
– Cade pipoca cambada de vaca! – Ouço Piper gritar da sala.
Dou um risinho e olho para Thalia.
Pego a vasilha e caminho até a sala. Um mal estar me bate a cabeça no caminho, pontos pretos aparecem em minha visão e eu apago.
~*
Acordo no sofá com Silena me abanando, Katy com um copo de água, Will com um pano molhado passando pela minha testa e Thalia gritando no celular.
– Acordou Bela Adormecida. – Disse Frank.
– O que aconteceu? – Perguntei.
– Você simplesmente desmaiou, deve ser o estresse. – Will respondeu, tirando o pano da minha cabeça.
– Eu preciso ir pra casa.
– Já peguei as chaves, — diz Katy. – Por que não falta amanhã?
– Eu tenho que encarar, uma hora ou outra. – Digo pegando minha bolsa.
– Nos vemos amanhã. – Fala o pessoal.
– Tchau, e obrigada gente.
Chegando em casa a primeira coisa que eu faço é me jogar na cama e dormir.
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