New York City
4 Capítulo 4
Notas iniciais
–Simon ficou feliz em saber que eu me ofereci de boa vontade para concertar os computadores da sala de controle e os demais das bases. Disse até que se eu inspirar mais confiança, vai permitir meu acesso aos documentos e assim eu vou poder hackear informações mais sigilosas. — Richard parecia um pouco mais tranquilo aquela tarde e veio me contar as boas novas com Simon.
–Que bom, meu amor... Isso vai nos servir bastante.
–Como assim, Cléo?
–É claro, Simon guarda coisas importantes, sobre a morte do meu pai e todo esquema a qual ele e os Simons montaram para dar o golpe nos cassinos daquela época. Isso vai me ajudar a... Bem.
–O que, meu amor?
–Limpar toda essa sujeira. Não confio muito nesse lugar, as paredes tem ouvidos e, Simon apesar de velho, é trambiqueiro, falso e nem um pouco surdo.
–Eu imagino. Mas eu quero parecer realmente de bom grado. Vamos dizer que você pode se aproveitar de mim.
–Hm... Se aproveitar de você? — E ri, entendendo uma segunda intenção, me aproximando da janela onde ele estava debruçado.
–É claro, de mim, das informações que eu vou pegar, os documentos que vou ler, de mim de novo... Tudo o que você quiser.
–Você é mesmo um sacana, seu nerd. — Eu disse, colando o meu rosto no dele, falando baixinho.
–E você é amarradona nesse nerd, motoqueira assassina. — E me beijou antes mesmo que eu pudesse rir. Eu estava gostando do jeito que Rich começou a lidar com as coisas... Mais na esportiva. Os seus braços encontraram uma brecha na minha blusa pela cintura, e me puxaram contra si. Me senti uma adolescente que saiu com o cara pela primeira vez e já foi ficando mais íntima de primeira, afinal, eu e Rich não tínhamos mais tempo pra quebrar camas. Calma, isso aconteceu uma única vez.
–Lakevna, J. Simon está te esperando na base. Boa tarde!
–Ótima tarde, vadia. Ah... — Prensei Richard contra mim e fingi estar chorando.
–Vai... É o seu trabalho te chamando.
–Eu quero ficar com você, fazer barulho, acionar os alarmes...
–Shhh... Vai. Mais tarde a gente conversa.
–Meu Deus, o nerd mais sexy do universo.
–Vai logo... — E riu, sem graça.
Dei um ultimo beijo e pressionei o botão como resposta. Vamos ver o que Simon tem pra mim dessa vez.
–Olá Lakevna, espero não ter atrapalhado. Esse rapaz não sai do seu quarto...
–Deve ser porquê ele é meu noivo? — E sorri ironicamente, apesar daquilo ser somente o meu sonho.
–Já noivam? Parabéns! Pois bem, os papéis que você me trouxe foram de grande serventia. As coisas vão complicar pra você agora... Há mais mais homens envolvidos em certos esquemas de cassino, você sabe bem do que eu estou falando. Pierce Holmann e James Audii, o ladrão e o policial.
–Policial? Como assim, tem um tira envolvido nas sujeiras?
–Calma... Pierce tem alguns poucos assassinos, tem muito dinheiro e uma pequena rede do narcotráfico. James, ele é a pedra do meu sapato. Digo isso porquê ele também está atrás do Pierce e de alguma forma, atrás de mim também.
–Tá... Mato os dois?
–Agora é que bem o nível hard da coisa.
–Lá vem merda.
–Lakevna... Escute. Tire o máximo de informação dos dois, e fiquei na cola de James. Arrume tempo com ele, finja ser uma repórter investigativa de prestígio. Garanto que você vai conseguir mais coisas que será cruciais.
–Não tá me cheirando a boa coisa... Mas ok, eu nunca neguei trabalho, hoje não vai ser o dia disso.
–Muito bem. Está dispensada.
–É pra agora?
–Pra ontem.
Não hesitei em responder, fiz um bico e dei as costas, rumo á minha cobertura.
Quando entrei, Rich não estava mais lá. Entristeci pois, dependendo de tudo, eu não sabia quando voltaria á base. Na verdade, depois de cada missão recebida por mim, eu não tinha mais vida própria e muito menos hora pra voltar. Titubeei e pensei: Por quê Simon não poderia me arrumar também, pra ontem, a minha moto???
–Simon, cadê minha Harley?
–Olha, demorou hein? Pensei que você não iria perguntar por ela. — Disse ele chamando dois dos seus alemães e mexendo nos bolsos.
–Mas, como? Que, co-como assim???
–Ela já está totalmente reformada. Eu sabia que você não aceitaria uma nova e pra reformá-la foi fácil. — *clap clap* Eu não acreditei quando vi.
–Simon...!
–Não precisa agradecer, Lakevna.
–Agradecer? — E ri, um pouco debochada. Ele sorriu e me entregou as chaves. — Faça bom proveito, a gasolina é por nossa conta.
Consenti e levei as mãos direto ao capacete, pendurado ao lado da garupa e o vesti como uma armadura. Meu sobretudo bege-machê, levantou e me fez sentir como num filme, só faltava mesmo o sol cegar os alemães e Simon, batendo nas minhas pistolas prateadas. Saí disparada pela garagem dos fundos. Sem me despedir de Richard, eu não sabia quando ia voltar... Sim, eu já disse isso mas, isso me preocupava... Ok, sem hora pra histeria.
A ideia de Simon foi brilhante, devo admitir. Entrei numa loja da Nikon e comprei a mais barata das máquinas, só pra incrementar. Comprei óculos sem grau, pra parecer intelectual, já que tava na cara que eu era a adolescente rebelde que não estudava... E por fim passei na casa de registros públicos pra procurar alguma coisa sobre James Audii. E não era a toa que ele supostamente estava atrás de Pierce e Simon. James tem um pé na Alemanha e essa coisa de jogatina começou lá. Ok... Ele é um tira desde os 19 anos, uau! Foi condecorado pelo exército americano? Nossa... E viaja sempre á terra germânica, já desmontou vários casos de lavagem de dinheiro, puta que pariu, o cara é especialista em jogatina. É, Simon me deu uma granada sem pino, armada pra explodir... Legal.
O rastreador do celular de Audii me levou até uma boate que, Pierce também frequentava. Ele já sabia muito mais do que eu imaginava e não seria muito fácil tirar alguma coisa dele. Era hora de partir pras atrocidades, eu não deveria ter escrúpulo pra chegar ao meu objetivo, seja lá ele qual for.
–James Audii? — Cheguei arrumando os óculos e forjando um olhar meio tímido.
–O próprio... A graça de quem?
–Samantha Parker, repórter do Daily King.
–Um prazer, Samantha. No que posso ser útil?
–Eu estou pesquisando sobre as falcatruas nas jogatinas de Nova York, estou preparando uma reportagem incrível pra que eu posso subir de cargo na imprensa e tudo mais... Achei você nas minhas pesquisas e achei que poderia me ajudar. Sabe algo sobre Pierce Holmann? — E no mesmo instante ele voltou uma atenção maior aos meus olhos.
–O que você sabe sobre Pierce Holmann?
–Responda a minha pergunta primeiro.
–E o que eu ganho com isso?
–Bem, me ajuda na reportagem, me dá um cargo melhor e leva muito, muito crédito por isso.
–Eu não trabalho com o objetivo de estampar minha cara num jornal.
–Ah, não seja tão seco. Pra quem começou a carreira tão novo, seria um potencial á mais descoberto, mais uma coroação ao condecorado alemão.
–Você realmente sabe sobre mim, não é?
–Repórter fotográfica e investigativa. — E pisquei pra ele esperando alguma resposta.
–Não sei. Não sei se é confiável.
–Podemos partilhar informações e quem sabe, ter um tipo de acordo... O que rolar por fora, fica fora da reportagem, se é que você me entende.
E ele consentiu, mordendo os lábios pra dentro.
–Aceita um drink?
–Ah, Obrigada. Uísque.
–Olha só... Ei, rapaz! Um uísque pra senhorita aqui. — E em olhou meio estranho. Vigiei pra que ele não pensassem em me dopar, comecei a desconfiar mais do que eu já estava.
Conversamos durante um bom tempo. Gravei toda a conversa e voltei á base ás três e meia da manhã para anotar o que eu havia recolhido. Simon me requisitou novamente e me surpreendeu.
–Lakevna, esses são Stefan Young e Gina Baker — E apresentou os pós-amordaçados, amarrados e rodeados de alemães. Me vi por um segundo no dia que Simon raptou eu e Rich.
–O que você fez com eles? Esperou ela cair da moto pra pegá-la também? — E sorri ironicamente.
–Ah, Lakevna, você é tão dura. Eles serão seus amigos e vão te ajudar na caçada á Pierce e Audii.
–Posso... Conversar um minuto com eles?
–Claro, você controla a missão, Lakevna. — E ficaram dois alemães, um do lado de cada cadeira. Simon saiu e eu sabia que eles vigiariam a conversa sobre os vidros e escutas internas.
–Quem são vocês? — Olhei para Stefan, para que começasse.
–Sou um soldado infiltrado das forças armadas. Simon andou pesquisando sobre a minha vida e disse que eu seria um agente em potencial para trabalhar com ele. Estou aqui...
–Garanto que sob ameaça de alguma coisa. Seja bem vindo. E você? — Levantei o queixo para Gina.
–Já fui escrivã, trabalhei no departamento de denuncias e toda a parte burocrática de papel da polícia. Simon sabe que já participei d'um campo de força, aprendi á lutar, manusear armas... Me trouxe pra cá.
–Mais uma manipulada. Seja bem vinda. Estão dispostos mesmo a participar disso? Eu não tenho costume de trabalhar em grupo.
–Não temos escolha, se negarmos, morremos. — Suspirou Gina.
Senti um pouco de pena dos dois, estavam abatidos, machucados. Mas não tinham mesmo escolha, se nem eu teria... Pois é.
–Eles saem comigo hoje. Temos muito o que fazer.
–Mas já?
–Sem titubear, Simon! — Exigi.
E com seu risinho maligno e tosco, liberou os dois para andarem comigo na sala de controle e no arsenal de armas. Eu deixei eles mesmo escolherem e não fiz mal. Ao sair, não notei Richard em nenhum lugar e não quis perguntar á Simon, eu tinha de me mostrar centrada no que estava fazendo.
Eu, Gina e Stefan tramamos muitas coisas, até que pensávamos muito bem juntos. Eu cuidava do disfarce e contato direto com James Audii, Stefan o seguia por toda parte e conseguia muitas vezes com êxito, acessar mais documentos sobre os planos de Pierce Holmann e Gina se encarregava de passar tudo á Simon, quando eu e Stefan estávamos fora da base. Dias se passaram e não vi mais Rich, e aqui me incomodava, um pouco.
–Eu preciso contar uma coisa pra vocês. — Achei que era hora de Gina e Stefan se aliarem á mim.
–Aconteceu alguma coisa, Cléo? — Stefan me fitou, preocupado.
–Aconteceu... Há muito tempo. Eu sou uma russa americanizada, perdi meus pais para a ganância dos irmãos Rinner e quero que vocês me ajudem á decepar a cabeça de Simon.
–Mas, Cléo? Você é maluca? Como você vai fazer isso? — Estranhou Gina.
–Eu vou travar a batalha mais sangrenta que Nova York já viu. Vou matar Simon e todos que estiverem com ele. Estou contando isso pois, acredito que esse mês e vários dias já contam com a minha confiança em vocês. Acreditem, eu cheguei do mesmo modo que vocês aqui. Eu já trabalhei aqui muito antes de você largar sua máquina de escrever. Conheço Simon e seus esquemas, principalmente a base, como a palma da minha mão e preciso de cobertura. Não posso garantir se vão sair vivos ou não, isso depende de vocês. Richard, o meu companheiro, veio junto comigo por engano e Simon nos ameaçou: Se eu não voltasse, ele mataria Richard e me perseguiria para sempre; e se Richard pulasse fora, morreria em menos de uma semana... Eles não acreditaram que, ele vivendo comigo á oito anos, não sabia do esquema a qual eu era envolvida, nem tampouco da minha vida, do meu passado. Eu quero contar com vocês. Posso?
–Acho que eu não tenho nada mais a perder. Sou sozinho, minha vida era a carreira militar e agora estou aprisionado á uma gangue de um velho babão e filho da puta. Estou com você, Lackevna. — E Stefan me deu um sorriso acompanhado de um tapinha nas costas.
–E você Gina? — Perguntei levantando uma das sobrancelhas.
–Eu só vou apostar nisso pois quero minha liberdade de volta. Tenho família, filhos, marido... Quero minha vida pacata de volta. Vamos ver no que vai dar.
–Eu garanto que vou lutar com unhas e dentes pra escutar o coração de Simon dar sua ultima batida. — E mudei o semblante de sério á enfurecedor. Pude sentir aquele ódio queimar de novo nos meus punhos, mas ainda assim, Stefan e Gina puderam ter ideia do quanto era grave e alta, a conta de Simon á pagar a mim.
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