New York City
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Acordei, com toda a base de agentes, ás sete da manhã. Como num batalhão do exército, tínhamos hora certa para se recolher e acordar. Não hesitei em levantar pois, minha vontade de rever Richard era gritante. Precisava saber se ele estava bem e acima de tudo, contar como entrei nessa roubada. Dei um tapa no rosto e na roupa, tomei o elevador e rezei até chegar no térreo. Dei de cara com Richard me esperando, talvez, na recepção. Mais tarde eu explico essa história de recepção, é tudo fachada, literalmente, pra variar.
–Richard... Meu amor, você esta bem? — Perguntei com a voz abatida tão quanto meu olhar. Ele continuou em silêncio e levantou a cabeça, olhando fixamente pra mim.
–Quantas pessoas você já matou? — Sua pergunta fez com que eu ficasse estática. Eu não sabia que a sessão de perguntas e respostas já ia começar tão quente assim!
–Sinceramente? Mais de sessenta. A maioria por encomenda e o resto porque estavam me atrapalhando á finalizar o serviço.
–Quem são seus pais?
–Zoya Lakev, uma russa que se casou com Heinz Darrich Völkers, um alemão. Ele herdou o nome dela mas logo se separaram. Meu pai se envolveu precocemente no crime organizado, mas como desde aquela época ainda havia uma grande rixa entre Alemanha e Russa, acabou metendo a minha mãe sem querer e, na tentativa de livrá-la, se separou mas, não muito tarde, com os meus nove anos, vi meus pais serem assassinados. Meu pai foi um grande amigo do irmão do Simon, o Raymond Simon Rinner. Ele era um pouco mais velho que Simon, cerca de sete, oito anos. Ele conheceu meu pai durante uma viagem á Alemanha, os Simons são americanos, grandes golpistas e, pra não sujarem as mãos, contratam gente como eu pra matar quem deve grana ou favores, quem mata e quem o desobedece.
–Resumindo...
–É, Raymond e meu pai formaram uma grande plano, um golpe nos cassinos mais caros da época, e conseguiram. Só que teve um dos capangas dos Simons, que meteu o louco e traiu o Raymond. A culpa caiu nas costas do meu pai e Raymond não o perdoou. Foi aí que mataram meus pais.
–E o que aconteceu com você?
–Simon soube de toda história e sabia que Heinz tinha uma filha. Ele cuidou de mim durante dois anos, até me colocar num colégio interno na Alemanha. Fiz dezoito anos e por sorte, um cabo alemão que fazia escolta do colégio, simpatizou muito comigo e praticamente me adotou. Viajamos para os Estados Unidos e com a ajuda dele, eu pude descobrir o esquema todo e o que eu mais queria... O assassino da minha família. Contra a vontade do cabo, simplesmente com o endereço em mãos, uma pistola e muita munição, fui até a casa do cara e matei um por um. Deixei-o por ultimo, pra ver mãe, esposa, dois filhos e uma filha morrerem.
–Como você conseguiu, Cléo? Como pôde? Uma família toda...
–FOI POR PRAZER! Eu lavei a alma com cada gota de sangue que eu tirei daquele maldito... Eu vinguei os meus pais e achei prazer em matar.
Richard não conseguia mais olhar nos meus olhos. Eu me afundei na poltrona e me faltou ar. Resolvi continuar.
–J. Simon assistiu tudo de camarote. Ele vigiava, aliás, vigia até hoje os passos de quem trabalha pra ele e pro seu irmão, já morto. Ele se surpreendeu em me encontrar em sua terra e principalmente pelo show sanguinário daquela tarde. Foi assim que ele viu o monstro que eu me tornei, uma serial-killer, ainda sem muita experiência que só tinha sede de vingança como combustível e nada de medo. Ele me trouxe até aqui e, depois que soube que o cabo que me ajudou a vir pra cá e descobrir quem era o tal assassino, teve de voltar á Alemanha, eu não tinha mais nada a perder e aceitei ser recrutada. Com vinte anos eu já tinha matado em volta de cinquenta pessoas. Dei uma pausa, fiquei parada porque fui acidentada duas vezes e outros poucos serviços apareceram. Simon me sustentou, eu pude comprar o nosso flat e a minha moto... Me ergui com tudo o que era me dado, como se fosse bonificações. Fui crescendo aqui dentro, ganhei respeito e tive uma vida normal somente a partir dos vinte e três, que foi quando eu te conheci. Richard... Mesmo que eu já não tivesse largado, eu largaria tudo pra ficar com você. Eu te amo.
–Você devia ter me contado.
–Eu só quis te proteger... Não sabia que Simon me vigiaria depois de todo o prestígio que adquiri aqui dentro. Eu não sei o que faria se eles fizessem algo com você.
–Estamos aqui do mesmo jeito... Estamos aqui por quê, Cléo? Não podemos sair... Foi tudo inútil!
–Não diga isso, Rich... Eu faço de tudo pra te deixarem ir embora, você não merece ficar acorrentado á mim desse jeito.
–E você vai fazer o que? Vai se separar de mim? Pra algum tempo mais tarde eles virem e nos matar?
–Não fala esse tipo de coisa... Você não sabe quem são esse tipo de gente!
–Dane-se! Eu tô trancafiado sob ameaça de morte, a minha namorada é uma assassina em série e eu agora, sou a queima de arquivo. Eles não acreditaram que eu não sabia de nada. E o que você vai fazer, Cléo? Você-não-pode-fazer-nada-por-mim. — E levantou, mas eu não admiti que ele me deixasse ali.
–Richard! Aonde você vai?!
–Pergunte ao Simon, ele deve estar nos vigiando.
–Richard! Filho da puta! Vai me largar falando sozinha?!
–Você fez isso da ultima vez. Só falta o acidente ser comigo, esse elevador cair. Eu agradeceria á Deus.
–Vai se foder! Merda! — E fiquei vendo-o embarcar no elevador rumo ao terceiro andar. Fiquei meio sem cabeça pra discutir. Ao menos esse... esse... Ah, Richard estava vivo e isso confortava meu peito. Me dirigi até a torre onde Simon estaria, pronto pra me dar o meu primeiro trabalho, depois desses quase dez anos.
–Lakevna! Bom dia.
–Vai pro inferno, Simon.
–Olha só... Pelo visto a nossa garota não dormiu bem esse noite. Não vai demorar pra você se acostumar de novo com o seu quarto, seu velho quarto.
Eu o fitei como quem dizia FODA-SE ESSA MERDA TODA!
–Bem, Cléo. Este é o Sr. Miller Anderson. Ele é dono de três cassinos, dois em Los Angeles e um aqui em Nova York. Ele matou um dos meus homens já tem uns quatro meses, está foragido da polícia por um rombo nos cofres públicos e ela nem sabe que ele tem mais seis homicídios na ficha. Ele é viúvo, não tem filhos, coisa fácil. A mansão dele fica nesse endereço...- Simon mostrou um mapa holográfico da localização... Eu disse que tínhamos tecnologia de ponta! — Ela é guardada por seguranças, cachorros e vários alarmes. Tome cuidado ao invadir a casa. Os horários dele não são tão flexíveis... Das 4h ao meio dia e raramente, mais pelas terças e quartas, das 19h ás 3h. O que você precisa, você já tem total liberdade para pegar, já que tem seu passe de volta. Boa sorte, Lakevna.
Na saída, o saudei como um soldado ao general, batendo continência. Fui até a sala dos arsenais e apanhei duas das melhores pistolas, com silenciadores e cartuchos reservas. Voltando no meu quarto, recolhi um casaco e uma touca. Guardei as armas enroscadas nos suspensórios. Deixe-me contar sobre aquela fachada que citei anteriormente.
A arquitetura, como eu também já disse, era incrível. Cinco torres espelhadas de prata que sumiam na madrugada de Nova York. A recepção, ao contrário das de um hotel comum, era fortemente guardada. Imaginem, vários alemães de tamanhos de armários, todos fortemente armados. Os vidros escuros de fora pra dentro, possibilitando a visão somente de dentro pra fora. Um letreiro discreto, de neons que já não funcionam mais e um cercado de grades roliças de ferro. Não era simplesmente interfonar e entrar. Os mafiosos que procuravam Simon tinham ótimas indicações e hora marcada pra colocar a cabeça de mais um na guilhotina.
Os alemães abriram os portões pra mim e eu saí rumo á rua. Olhei o endereço novamente e peguei um táxi. Era hora de me divertir um pouco fazendo o que eu mais gosto: Matar.
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