Notas iniciais
Oi!

POV Megan

– Um, dois, três, gira. Cameron, não perca o compasso! Um, dois... Meninas, isso é simples! Mais uma vez!

Me sentei no banco perto da parede e suspirei. Estava torcendo para que a viajem chegasse logo.

– Cameron, não perca o compasso! – gritei pela 26° vez.

Me levantei, caminhei até a porta e respirei fundo. Juro que jogava uma dessas meninas na parede, se as mães delas não estivessem assistindo a aula.

– Maggie, eu...

– Não tem problema, Cameron. Meninas, terminamos por aqui.

Todas suspiraram e correram para suas mães, assim a sala foi ficando vazia. Me aproximei da minha bolsa e peguei minha pequena toalha verde, me sentei no banco novamente e suspirei, fechando meus olhos. Eu adorava meu trabalho, adorava dançar, mas estava ficando cada vez mais estressante.

– Senhorita Berry? – ouvi alguém chamar.

Abri meus olhos jurando matar quem quer que fosse, até ver uma mulher jovem, de mais ou menos a minha idade, os olhos castanhos, os cabelos caídos até os ombros pintados de verde com as mechas roxas, calça jeans surrada, uma camisa preta grande, botas pretas e um casaco roxo nas mãos. Seu sorriso era bonito, demonstrava calma, era contagiante, então me fez sorrir de volta.

– Sim? – perguntei, me levantando.

– Você dá aula de dança, certo?

– Sim, mas apenas para crianças.

– Isso eu sei. Sou Emily, quero matricular minha irmã, Dakota.

– Sou Megan. Quantos anos sua irmã tem?

– 10.

– Você poderá matriculá-la no horário da tarde.

Ficamos em silêncio, ela sorriu e se aproximou mais.

– Posso perguntar uma coisa?

– Sim. – respondi.

Percebi que ela usava um piercing na orelha. O espaço entre nós duas estava diminuindo, pois ela se aproximava cada vez mais.

– Eu poderei assistir às aulas?

– Sim. Eu acho necessário ter alguém para apoiar as crianças.

– Na verdade não seria para isso que eu viria, mas sim para ver a professora.

Senti meu rosto corar, Emily sorriu novamente, mas agora era um sorriso de flerte, como se eu fosse mesmo cair naquele sorriso. Ela se aproximou mais, ainda com aquele sorriso que eu já o nomeava de estúpido, senti minhas pernas começarem a tremer, seus olhos me encaravam, por um segundo senti medo, mas logo comecei a sentir carinho por aqueles olhos.

– Hum... Todos se apaixonam pela professora, certo?

– Acho que sim.

Senti-la segurar minha mão, eu poderia ter caído de joelhos naquele momento, mas me mantive firme. Ela se aproximou mais, seu rosto estava próximo ao meu.

– Me ligue. – ela sussurrou, depositou um leve beijo na ponta do meu nariz e saiu rapidamente.

Olhei para minha mão, ela havia me entregado um papel com seu número, olhei para a porta novamente e sorri.

***

Cheguei em casa cansada, vi Joe sentado no sofá, me sentei ao seu lado e sorri.

– O que houve? – ele perguntou.

– Nada. – respondi, ainda sorrindo.

– Qual é, Maggie! Você está com esse sorriso de novo.

– Que sorriso?

– Esse sorriso de “me apaixonei e quero que todos saibam disso”.

– O que? De onde você tirou isso?

– Da última vez que você deu esse sorriso. A estrelinha que o nomeou assim.

– Vocês não sabem de nada. – reclamei.

– Ok. Mas... quem é?

– Uma mulher linda que entrou na sala de aula hoje e começou a flertar comigo.

– Achei que você dava em cima das mulheres.

Ele riu, eu o acertei com uma almofada e peguei o papel do meu bolso.

– Ela me deu o número dela, pedindo para ligar.

– Você já ligou?

– Ainda não.

– Por que não?

– Não quero parecer uma desesperada.

– Deixe de ser idiota e ligue para ela.

Lhe acertei com a almofada novamente, me levantei e fui para o meu quarto. Tirei meu casaco e o joguei em cima da cadeira perto da porta, me sentei em minha cama e olhei para o papel.

– Vai lá, Maggie. É apenas mais uma mulher, você não vai morrer se ligar. – murmurei para mim mesma.

Peguei o telefone de cima do criado mudo, respirei fundo e comecei a discar. Deu três toques, mas ninguém atendeu, então desisti.

– Ela não atendeu? – ouvi Sid perguntar da porta.

– O... Qual o problema de vocês? Lembra quando eu disse que, podem ficar na minha casa, mas que deviam bater na porta antes de entrar no quarto?

Ela sorriu e deu três toques na porta, em seguida entrou e sentou ao meu lado.

– Joe me disse dessa tal mulher que te fez dar aquele sorriso.

– Quem mais sabe desse maldito sorriso?

– Tirando você? Todos.

– Papai também?

– Ele criou isso com a Rachel.

Revirei meus olhos, olhei para o telefone e sorri.

– E lá veio o sorriso. – ela murmurou. – Ligue novamente, até ela atender.

– Assim vou parecer uma louca atrás de mulheres.

– Você não vai parecer uma louca, até porque ela lhe deu o número.

Suspirei, olhei para ela e sorri.

– Obrigada, Sid.

– Sem problemas. Sempre tenho que te salvar de problemas, esse é mais um caso complicado.

– Você é engraçada. – eu disse sarcástica. – Agora saia do meu quarto, antes que eu te acerte com o travesseiro.

Ela sorriu e saiu, disquei novamente e senti meu coração pular.

– Sim? – a ouvi do outro lado.

– Hum... Emily?

– Exatamente.

– É a... a... Megan.

– Ah! Oi Megan. Achei que não ligaria.

– Hum... Eu...

– Escuta, quer jantar comigo?

– J-jantar? Tipo, agora?

– Sim. Ou se quiser, podemos marcar para outro dia.

Minhas mãos começaram a tremer, mordi meu lábio inferior e sorri.

– Está bem.

– Está bem...

– Vamos jantar hoje.

– Ótimo! Te encontro em frente ao estúdio daqui à uma hora?

– Sim.

***

– Esse lugar parece ser legal. – comentei, assim que entramos em um restaurante que não era muito longe.

– É sim. Sempre venho aqui.

Nos sentamos em uma mesa perto das janelas, a rua estava pouco movimentada, era uma noite fria como todas as outras de inverno.

– Você está bem? – a ouvi perguntar.

– Estou sim.

Ficamos em silêncio, olhei para ela, seus olhos brilhavam e seu pequeno sorriso estava me derretendo. Como uma mulher poderia ser tão linda?

– Posso confessar uma coisa? – ela perguntou, se apoiando na mesa para ficar mais próxima.

– Sim.

– Eu te acho linda demais.

Meu rosto começou a corar, eu sabia que sim, abaixei minha cabeça e sorri, aquele maldito sorriso.

– Posso confessar outra coisa? – ela perguntou, se aproximando ainda mais.

– Uhum.

– Desde que te vi naquela sala, sinto uma vontade incontrolável de beijar sua boca. – ela sussurrou.

Eu soltei uma risada, uma ridícula risada que saiu como um grunhido. Ela sorriu, acariciou lentamente meu rosto e se afastou.

– Eu tenho mais uma coisa para dizer.

– Sim?

– Sid me disse onde você trabalha.

– O que? Aquela... Tem certeza? Tipo, Sidney Lopez Vunderground?

– Exatamente. Eu disse à ela que estava me sentindo sozinha, então ela me falou sobre a linda cunhada que ela tem, então eu achei que seria legal conhecer você, mas não sabia que você era tão linda assim.

– Emily...

– Isso é verdade, Megan.

O garçom se aproximou e nos entregou os cardápios, que olhei por alguns segundos. Percebi que Emily me olhava, então olhei para ela e sorri.

– Ponto número um, você tem um sorriso bobo mais fofo que eu já vi. Ponto número dois, você parece não gostar de ser observada. Ponto número três, você tem os olhos azuis mais vibrantes de todo esse planeta. – ela disse.

Abaixei minha cabeça e sorri. Ela soltou uma pequena risada, o que me fez voltar a olhar para ela.

– Ponto número quatro, você fica vermelha quando recebe um elogio.

Voltei a olhar para o cardápio, o garçom se aproximou e olhou para nós duas, abaixei o cardápio e a vi me encarando.

– Ponto número cinco, adoro quando me surpreendem. – eu disse, fazendo-a sorrir.

***

Paramos em frente à porta da minha casa, Emily segurou minha mão e a acariciou, em seguida olhou em meus olhos.

– Gostei de ter saído com você, Megan.

– Eu também gostei.

Ela olhou para minha boca e voltou a olhar em meus olhos.

– Eu sei que isso vai parecer infantil, para uma mulher de 20 anos, mas... Posso te beijar?

Apenas consegui sorrir e morder meu lábio inferior, ela se aproximou lentamente, acariciou minha bochecha com o polegar e sorriu.

– Vou considerar isso como um sim, está bem?

Afirmei lentamente com a cabeça, ela sorriu novamente e me beijou.

Notas finais
Maggie queria um POV só dela, então eu fiz.. kkk O que acharam?