New York City 2
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Estava sentada em uma das cadeiras na sala de espera, meus olhos cheios de água e minhas pernas pedido para correr.
- Santana! – ouvi alguém me chamar, olhei para o lado e vi Sarah, Ashley e Nick se aproximando.
Me levantei, eu não sabia quem abraçar primeiro, as três estavam preocupadas e eram minhas amigas, até ver Nick fazendo um sinal com a cabeça, assim abracei Sarah. Eu não queria soltá-la, aquele abraço estava confortável. Chorei mais do que podia, nos sentamos e Nick afagou minhas costas.
- Vai ficar tudo bem, Sant.
- Eu não entendo. Rachel se cuidou tão bem, fez tudo que o pediatra mandou, não se esforçava, até porque eu não deixava.
- Eu sei, Sant. Por isso tudo vai ficar bem.
Ouvi passos vindo em minha direção, olhei para o lado e vi Kurt com Joseph em seus braços e Britt ao seu lado. Me levantei e voltei a chorar, ver aquele rostinho de tristeza do Joseph me matava. Assim que eles se aproximaram, Kurt colocou Joseph no chão e me abraçou.
- Rachel sempre foi forte, e sei que Maggie também será assim. – ele sussurrou em meu ouvido.
- Estou com medo, Kurt.
- Eu sei, eu também estou. É normal sentir medo.
Nos afastamos, Britt me abraçou e começou a chorar.
- Britt...
- Não gosto de te ver triste, Sant.
- Eu também não gosto de te ver triste.
- Se você não ficar triste, eu também não fico.
Ela me soltou, secou meu rosto com suas mãos e sorriu.
- Sorria para mim, Sant.
Eu sorri fracamente, ela me deu um rápido selinho e se sentou, peguei Joseph nos braços e ele me abraçou forte. Para o meu espanto, Joseph não chorou, apenas me abraçou e acariciou meus cabelos, tentei não chorar.
- Não chora, mamãe. A estrelinha vai ficar bem, e Maggie não vai morrer.
Me espantei mais ainda. Joseph era pequeno, mas estava entendendo muito bem o que se passava ali. O coloquei no chão, olhei novamente para todos, um de cada vez, todos me olhavam com preocupação, pena, me virei de costas, tirei os saltos que eu usava e corri. Não sabia para onde, mas corri.
Parei um tempo, estava cansada, minhas pernas não queriam mais se mexer, olhei em volta e vi uma pequena capela. Eu era, como os outros diziam, a errada, a impura, o diabo em pessoa, mas algo me chamava lá dentro, como se quisesse que eu entrasse, então assim eu fiz. Me sentei em um dos últimos bancos, olhei para a imagem que tinha na frente de Jesus em uma cruz e suspirei.
- Oi Deus, sou eu, Santana. Você pode não se lembrar, já que eu nunca faço isso desde que tinha 15 anos, mas eu preciso no momento. Fiz tanta m... coisa, na vida, mas ainda fui feliz com uma mulher. Sei que todas as coisas ruins que aconteceram foi por minha culpa. Fiz aquela mulher se apaixonar por mim na adolescência, mesmo que eu não saiba. Mas nos reencontramos depois, me apaixonei por ela e me casei com ela. Também sei que duas mulheres juntas é totalmente errado mas, eu tive um filho. Um filho que você mandou, um filho que foi feito por dois gays, um filho que cresceu saudável e que ama as duas mães que tem. Agora Rachel tem uma filha, feita pelo mesmo homem gay, que você mandou e que, nesse momento, pode correr o risco de morrer. Eu quero lhe pedir isso, hum... Deus. Eu amo demais aquela mulher, e amo também sua filha, que também é minha. Não me tire as duas, por favor. – meus olhos se encheram de lágrimas novamente. – Faço qualquer coisa por isso! Nem que eu tenha que me afastar... eu as amo e quero vê-las vivas e felizes. Por favor... não me tire elas.
- Santana.
Eu me virei rapidamente, vi Nick parada na porta.
- Nick! Você me assustou. – eu disse, secando minhas lágrimas.
- Me desculpe. Estamos preocupados. Você saiu de lá correndo. – ela se sentou ao meu lado.
- Não queria ficar naquele clima de velório.
- E veio rezar?
- Eu... eu não ia fazer isso, mas Ele me chamou.
Nick ficou em silêncio, segurou minha mão e fechou os olhos.
- Hum... Deus. Eu nunca fiz isso, então é estranho. Quero pedir que você salve Rachel e Megan. Rachel é a pecadora, mas Megan não tem culpa. Elas precisam viver, porque Santana não sabe viver sem ter Rachel ao seu lado. Hum... Obrigada?
Eu olhei para ela, Nick tinha um pequeno sorriso no rosto, eu a abracei e suspirei.
- Obrigada Nick. Você é muito importante para mim.
- Você também é muito importante para mim, Sant. – nos afastamos, ela acariciou meu rosto e sorriu. – Agora vamos voltar, antes que os outros morram de preocupação.
Nos levantamos, dei mais uma olhada na imagem e saímos dali. Ao nos aproximarmos dos outros, o pediatra da Rachel se aproximou.
- Senhora Lopez. – ele chamou.
- Sou eu. – respondi levantando uma mão.
- A senhora Berry está bem. Perdeu pouco sangue, mas ficará bem. No momento ela está dormindo.
- Mas e...
- A bebê eu não posso confirmar. – minhas pernas começaram a tremer, Britt percebeu e me abraçou de lado. – Para mantê-la viva, a colocamos em uma incubadora, será vigiada dia e noite e...
- Como assim, a colocaram em uma incubadora?
- Tivemos que fazer o parto da bebê.
- Então Megan nasceu obrigatoriamente? – Britt perguntou.
- Digamos que sim. – o pediatra explicou. – Se ela ficasse mais tempo dentro da barriga, correria risco de morrer lá dentro, ou até matar a mãe.
Joseph olhou para Kurt sem entender, abracei Britt e suspirei.
- Podemos vê-la? – Sarah perguntou.
- Podem sim. Mas por hora, apenas quem é da família.
Kurt pegou Joseph nos braços e se levantou, Sarah se levantou e eu me afastei de Britt.
- Deixarei vocês entrarem, mas evitem fazer muito barulho para não assustá-la.
- Está bem. – eu respondi.
Nós entramos, nos aproximamos da incubadora e lágrimas voltaram para os meus olhos. Megan era tão pequena, magrinha e não se mexia. Aqueles tubinhos em seu corpo me davam arrepios. Tão pequena e já sofrendo.
- Mamãe, essa é Maggie? – ouvi Joseph sussurrar.
- É sim, amor. Essa é sua irmãzinha.
- Ela tem a boca do papai.
Nós soltamos pequenas risadas, Kurt saiu com Joseph, Sarah se aproximou de mim, me abraçou e acariciou meus cabelos.
- Ela está bem, Sant. – ela sussurrou.
Sarah saiu, fiquei olhando para Megan, suspirei e sai. Passei por todos sem dizer nada, fui direto para a capela, me sentei no último banco e comecei a chorar.
- Obrigada... Muito obrigada mesmo.
Ouvi alguém entrar, me virei e vi Nick.
- Me desculpe, não estou te seguindo.
- Eu sei.
Ela sentou ao meu lado, também agradeceu e segurou minha mão.
- Vamos Sant. Rachel acordou e quer te ver.
Nos levantamos, eu suspirei fortemente, Nick me abraçou e saímos.
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