New York City 2
27 Capítulo 27
Notas iniciais
O quarto estava vazio, apenas Rachel e eu, o silêncio me matava, mas Rachel evitava responder minha pergunta.
– Rachel, responda. – pedi.
– Você não precisa se preocupar com isso, está bem?
– Não, isso não está bem. Você nunca tratou a Britt daquele jeito. Por que fez aquilo?
– Eu estava nervosa.
– E isso é jeito de tratar uma pessoa que esteve ao nosso lado quando precisamos?
– Britt disse que eu estava ficando louca, e isso me irritou.
– Mas não é assim que...
– Vamos esquecer isso, Santana.
– Podemos esquecer isso, mas não me esqueci de uma coisa.
– O que?
– Câncer.
– Como você sabe?
– Longa história.
Rachel se levantou, ficando de costas para mim, tentei me sentar, mas os malditos fios que estavam presos em mim não deixaram.
– Eu... eu falei com o médico que trata disso.
– E?
– Ele colocou meu nome na lista de recebimento de células. Assim que tiver algum compatível, ele irá me avisar.
– E quando você descobriu?
– Isso não vem ao caso.
– Rachel.
– Foi no dia que sua mãe ligou para você.
– Por que não me disse?
– Achei que você não precisava de mais um problema.
– Você é minha esposa, Rachel. Quando você está doente, eu tenho o direito de saber.
Ela abaixou a cabeça, coloquei minha mão em sua cintura fazendo-a me encarar.
– Você vai ficar bem, como da outra vez.
– Eu sei, mas ainda tenho medo.
– Eu estou aqui, Rachel. Nada vai acontecer de ruim com você.
Nos abraçamos, Rachel me beijou e sorriu.
– Você é incrível.
***
Duas semanas se passaram, eu ainda estava no hospital, mas não era mais ligada por fios. Rachel estava sentada na poltrona lendo uma revista, eu estava deitada cantarolando algo. Ouvi passos entrando no quarto, me sentei e vi Megan entrar com Britt.
– Oi, pequena. – eu disse.
– Oi mamãe. Eu vim te mostrar uma dança que a tia Britt me ensinou.
– Oh! Que dança é essa?
– Apenas veja.
Ela sorriu, Britt ligou seu iPod e a música Single Ladies começou a tocar, Britt e Megan começaram a dançar. Megan dançava um pouco desajeitada, o que me fazia rir, mas estava linda. Enquanto dançavam, olhei para a porta e vi uma mulher loira olhando para Megan, ela sorria, parecia estar se divertindo, de repente olhou para mim, ficou séria e saiu dali, com passos rápidos.
– O que achou, mamãe? – Megan perguntou, se aproximando de mim.
– Estava linda, Megan.
– Tia Britt disse que posso virar dançarina quando crescer.
– Ela está certa.
Rachel se levantou e saiu do quarto sem dizer uma palavra. Britt olhou para mim, sentou ao meu lado na maca e Megan sentou na poltrona.
– Vocês precisam conversar. – eu disse.
– Eu não vou falar com ela.
– Britt, isso é muito infantil.
– Ela começou, então ela tem que pedir desculpas.
– Britt...
– Não me vem com essa.
Olhei para Megan, que olhava a revista que Rachel estava lendo, voltei a olhar para Britt e sorri.
– Megan, pede para a tia Britt conversar com a mamãe.
– Santana. – Britt sussurrou.
– Vocês estão brigadas, tia Britt?
– Não, amorzinho. Santana está falando demais.
– Converse com a mamãe, tia Britt.
– Você me paga, Santana.
Eu ri, Britt se levantou e caminhou até a porta.
– Vou jantar em casa. – ela avisou.
– Sabe onde está Nick? – perguntei.
– Não. Ela sumiu à um mês atrás e não apareceu.
– Acha que aconteceu algo com ela?
– Não sei. Estou ficando com medo.
Megan se levantou, caminhou até mim e me abraçou.
– Eu posso dormir na casa da tia Britt, mamãe?
– Não sei. Pergunte à Rachel.
– Mas ela não quer falar com a tia Britt. – ela sussurrou.
– Force um pouquinho. – sussurrei de volta.
Elas saíram do quarto, me deitei e suspirei. Eu não queria mais ficar deitada naquela maca, então me levantei e saí do quarto.
***
Me aproximei do vidro da maternidade, haviam muitos bebês, o que me fez sorrir. Dizem que, à cada dia que morre uma pessoa, dois bebês nascem, independente dos sexos. Olhei para uma no final, não parava de chorar e se mexer, seus cabelos eram loiros.
– Linda, não é?
Olhei para trás e vi a mesma mulher encostada na parede.
– Sim, ela é linda. – voltei a olhar para a bebê.
– Noah disse que se parece com minha mãe.
Novamente olhei para ela, olhei bem, ela era...
– Beth? – perguntei surpresa.
– Santana, certo?
– Sim, mas...
– Noah disse que você estava nesse hospital, então fui até seu quarto, mas me assustei quando você me viu.
– Você... deve estar me odiando, não é?
– Por quê? Só porque matou minha mãe? Não. Eu nem a conhecia, nunca havia falado com ela.
– Então...
– Eu queria apenas te conhecer. Noah disse que você era uma boa pessoa, apesar da pose de vadia.
– Puck disse isso?
– Sim.
Ela parou ao meu lado, olhamos novamente para a bebê e ela sorriu.
– Eu não sabia qual nome colocar, então coloquei o nome da minha mãe.
– Shelby?
– Não. – ela riu. – Quinn. Minha mãe, Shelby, disse que seria uma boa escolha.
– Mas Quinn...
– Eu sei, só fez merda na vida. Mas isso não significava que eu não podia homenageá-la.
Ficamos em silêncio, Beth se apoiou no vidro e suspirou.
– Ela não pára de chorar.
– Não é fome?
– Não.
– Eu posso...
– Claro.
Ela se aproximou da porta, olhou para mim e sorriu.
– Venha.
– Podemos entrar?
– Claro.
Nós entramos, Beth se aproximou da bebê e a pegou, ela ainda chorava, me aproximei, Beth olhou para mim e sorriu.
– Não se assuste quando ela gritar.
– Está bem.
Peguei a pequena nos braços e ela nos surpreendeu. Ao invés de começar a gritar e chorar ainda mais, ela parou, olhou em meus olhos e sorriu. Seus olhos eram verdes, como os de Quinn.
– Acho que ela gostou de você. – Beth disse.
– Ela não gosta de mim, apenas deve estar curiosa.
– Quinn não parava de chorar, apenas quando ia dormir, agora ela está sorrindo. Acha mesmo que ela não gosta de você?
Olhei para Quinn, isso era estranho, pois eu a via como a Quinn de antes. Ela brincava com as pontas do meu cabelo, enquanto sorria, o mesmo sorriso de diversão da Quinn.
– Isso é estranho. – eu disse.
– O que?
– Ela é tão parecida com a Quinn.
– Sim, eu sei.
– Você...
– Noah disse isso, então...
– Vocês se veem muito?
– Às vezes. Mas ultimamente não muito, porque ele viajou.
Coloquei Quinn novamente na pequena cama, olhei para Beth e sorri.
– Você realmente se parece com Quinn.
– Sim.
Me virei e caminhei até a porta, mas fui parada por Beth.
– Santana. – olhei para ela, vi lágrimas em seus olhos. – Você... poderia adotar ela?
– O que? Por...
– Essa gravidez não foi planejada, eu não tenho condições de cuidar dela, então eu ia colocá-la no orfanato.
– E por que eu?
– Você parece ser confiável, ainda mais depois de ter visto sua filha feliz daquele jeito.
– Bem, Megan não é exatamente minha filha, mas...
– Quinn gosta de você, Santana. Ela estava sorrindo, o que não faz à dois dias.
– Eu tenho que falar com Rachel primeiro.
– Eu... já falei com ela.
– Beth!
– Apenas conversamos, e ela adorou a ideia.
– Mesmo assim, vou falar com ela.
Beth afirmou com a cabeça, saímos da maternidade, lhe dei um pequeno abraço e voltei para o quarto onde eu estava, encontrando Rachel sentada na poltrona.
– Você sabia que Beth está neste hospital?
– Ouvi falarem. – ela disfarçou.
– E falaram que ela teve uma filha, que a nomeou de Quinn e que, quer que adotemos ela?
– Santana, ela é tão linda... – ela disse, se levantando. – Beth não a quer, ela é linda e...
– Você a quer? – perguntei calma.
– Se Beth não a quer, acho justo que...
– Está bem, Rachel.
– Mesmo?
– Sim. Quinn precisa de uma família, estamos bem, então...
– Você sabia que é a mulher mais incrível desse mundo? – ela perguntou me abraçando.
– Eu sabia, mas adoro ouvir de você.
– Você é a mulher mais incrível o mundo!
Nos beijamos, me sentei na poltrona e ela sentou em cima das minhas pernas.
– Quero sair logo desse hospital, para nos deitarmos em nossa cama e...
– Santana...
– Estou apenas dizendo.
Rachel sorriu, nos beijamos novamente, coloquei minhas mãos em sua cintura, subi uma delas até um de seus seios por cima da camiseta, fazendo-a dar uma pequena risada.
– Senhora Berry, desculpe incomodar, mas...
Rachel se afastou de mim, me fazendo rosnar, olhamos para o médico e ele abaixou a cabeça, envergonhado.
– Me desculpem, mas queria avisar que já achamos alguém com sangue compatível ao seu e...
– Quem? – Rachel rapidamente perguntou.
– Disse que te conhece.
– Quem? – eu perguntei.
– Sidney Pearce Vuderground.
– O que?! – Rachel e eu gritamos juntas.
***
– Britt, como você deixa uma criança doar sangue desse jeito? – perguntei, enquanto andava de um lado para o outro no quarto.
– Ela disse que quer, Sant. Não posso fazer nada.
– Você é mãe dela, Britt!
– Sid disse que não quer mais ver Joe chorando, porque as duas mães dele estão em perigo.
– Eu não estou mais.
– Rachel é a estrelinha dele, Sant. Sid não o quer triste.
– Você precisa falar com ela.
– Rachel? Não mesmo.
– Brittany...
– Pare com isso. Não vou mesmo.
Me sentei ao lado dela na maca e segurei suas mãos.
– Britt, faça isso, por mim.
– Vai apelar pelo emocional agora? Onde está aquela Santana de antes?
– Britt...
– Está bem, eu vou tentar. Mas não garanto nada, já que ELA me deve desculpas.
– Vou falar com Rachel, está bem?
– Ok.
Eu a abracei, ouvimos passos atrás de mim, nos afastamos e olhei para trás, Rachel estava com uma bandeja nas mãos olhando para mim.
– Trouxe seu jantar. – ela disse.
– Odeio a comida do hospital. – eu disse, revirando os olhos e fazendo as duas rirem.
– Eu vou para casa, ver se Nick ainda vai aparecer. – Britt anunciou se levantando.
– Ela vai aparecer, eu tenho certeza.
– Está bem. Vou conversar com a Sid, ter certeza se é o que ela quer fazer.
– Ok.
– Boa noite, Sant. – ela foi até a porta e parou. – Boa noite, Rachel.
Rachel a ignorou, Britt foi embora e eu fiquei encarando Rachel.
– O que? – ela perguntou.
– Você não vai morrer se responder à ela.
– Não quero falar com ela.
– Qual é, Rachel! Vocês são adultas!
– Britt me chamou de maluca.
– E você a chamou de viciada. Tem coisa pior que isso?
Ela ficou em silêncio, me levantei, segurei sua mão, fazendo-a me encarar.
– Converse com ela, peça desculpas, resolva essa briguinha infantil de vocês e volte a ser como antes.
– Vou tentar, por você.
– Sim, por mim.
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