Notas iniciais
Olá pessoas! Para um melhor entendimento dessa fanfic é recomendado a leitura de outras três ones. Seguem os links: https://fanfiction.com.br/historia/711575/Begin_Again/ https://fanfiction.com.br/historia/732923/The_Best_Day/ https://fanfiction.com.br/historia/740418/Never_Grow_Up/ New Year's Day é parcialmente baseada na música de mesmo nome da Taylor Swift. Link para quem quiser ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=U8QV5fa7xa4 Espero que gostem, boa leitura ♥

Recomeço

Algumas pessoas temem o desconhecido, o novo. Entretanto, algumas vezes, tudo que você precisa em sua vida é de uma novidade que te tire da mesmice.

Recomeçar assusta, claro, só que um recomeço pode ser algo fantástico. Eu tive um desses recomeços quando conheci Isabella naquele café.

Em uma quarta-feira ela entrou em minha vida, uma novidade, um recomeço. Para nós dois.

Novo Lar

Isabella e eu saímos de casa em silêncio naquele sábado, de mãos dadas, seguindo direto até o táxi estacionado diante de nossa casa. Abri a porta para ela, deixando com que minha esposa entrasse primeiro no carro, entrando em seguida atrás dela.

Nós dois cumprimentamos o motorista com educação, desejando boa noite para ele. Eu o informei o endereço, então o homem começou a dirigir pelas ruas de Seattle.

Minha esposa estava distraída, olhando pela janela do carro. Mesmo na luz fraca do táxi, eu era capaz de enxergar as lágrimas acumulando-se nos olhos de Isabella e sabia perfeitamente os motivos delas estarem ali, eu também estava perto de começar a chorar.

Desviei o olhar de Bella, temendo que olhar para ela fosse me fazer perder o controle dos meus sentimentos naquele momento. Eu me perdi em pensamentos sobre minha vida até aquele ponto, um cara que com certeza tinha mais de quarenta anos, casado a mais de vinte com Isabella, que me deu dois filhos, Renesmee e Anthony. Um médico pediatra, que amava minha profissão, como também amava indescritivelmente minha esposa e filhos.

Continuava distraído, quando senti a mão de Bella se unir a minha, um aperto, dois apertos, três apertos.

Voltei a olhar para ela, que sorria minimamente para mim. Os olhos de Bella ainda estavam repletos de lágrimas, só que o sorriso dela mesmo sendo pequeno era sincero.

Deus, mesmo após todos aqueles anos de relacionamento eu continuava completamente apaixonado por aquela mulher. Olhá-la era sempre como voltar a primeira vez que a vi diante de mim, um misto de sentimentos explodindo em meu peito.

— Ela vai ficar bem lá, não vai? — Bella me indagou, temerosa.

Não sabia o que responder, pois eu não podia definir como de fato seria a mudança de Renesmee para a Itália, era algo complicado para mim também. Nossa garotinha, que nem era mais uma menina no auge de seus vinte e cinco anos, estava se mudando para Florença com o marido e a filha.

Alec, o marido de Renesmee, precisava ir para lá. Os pais tinham um negócio na Itália e nos Estados Unidos, mas precisavam de Alexander no país europeu e Renesmee não deixaria o marido, ela o amava.

Tinha sido algo difícil para eles, todos nós vimos quando Alec, só um mês antes, recebeu a notícia dos seus pais que precisava ir assumir as coisas na Itália. Ele e minha filha tinham uma vida estruturada ali em Seattle, principalmente por terem uma filha de apenas dois anos e precisariam se mudar para o outro lado do oceano.

No começo Renesmee relutou, isso causou brigas entre eles e em minha filha correndo para nossa casa, indo chorar no colo da mãe mais de uma vez. Só que eles se entenderam, eles sempre se entendiam desde o dia que se conheceram quando Renesmee sem querer o atropelou.

O trabalho era importante para Alec, só que ele disse que o deixaria se Renesmee se recusasse a se mudar, mesmo que aquilo fosse fazer seus pais surtarem. Entretanto, Nessie acabou aceitando a mudança, ela gostava da Itália no fim das contas e decidiu que poderia ser uma experiência boa para todos eles, ela também conseguiria montar um estúdio fotográfico em Florença e continuar seu trabalho.

Porém, aqueles que ficariam em Seattle já estavam morrendo de saudades dela e de Charlotte, de Alec também, confesso. Eu já tinha me acostumado ao cara que roubou o coração da minha ruivinha, que estava a levando para tão longe de mim.

— Edward? — Bella me chamou. — Você estava longe, amor.

— Desculpe — pedi, apertando sua mão na minha como ela tinha feito antes. — Só desliguei por um tempo e fiquei imerso em pensamentos. Respondendo sua pergunta, eu realmente espero que Nessie fique bem na Itália, com certeza não vai ser fácil, mas não quero que ela sofra.

Isabella assentiu, seus olhos ficando ainda mais cheios de lágrimas. Desde que Renesmee decidiu pela mudança, Bella chorava toda noite antes de dormir, era terrível quando eu estava de plantão e não em casa com ela para a consolar, mas sempre arranjava uns minutos para falar com minha esposa pelo telefone e ouvi-la desabafar até dormir.

— Não aguento mais chorar — Isabella se queixou, fazendo com que fosse minha vez de dar um mínimo sorriso ao ouvir sua reclamação.

— Ela vai ficar bem, Bella — Beijei a mão da minha esposa. — E se isso for complicado demais para Renesmee, eu sei que você tomará o primeiro voo até ela.

— Sim, eu com certeza farei isso! — exclamou, fungando, limpando seu rosto com as costas de sua mão livre. — Minha ruivinha estará tão longe... Minhas duas ruivinhas, será muito ruim não ter Charlotte por perto, logo nos primeiros anos de vida, vamos perder tanta coisa.

Pensar naquilo fez minha cabeça doer, ela estava certa. Charlotte cresceria em um piscar de olhos estando tão longe, e ela era nossa única neta, que esteve sempre por perto e na tarde do dia seguinte embarcaria com seus pais para outro país e provavelmente só a veríamos pessoalmente nas férias de verão, dali a quatro meses.

Nós fizemos o resto do caminho até a casa de Renesmee, onde ela estava organizando uma festa de bota fora para si, com a ajuda do irmão caçula, em silêncio. Em pensar que Tony tinha voltado só uns dois meses antes de um semestre fazendo intercâmbio para o Japão, a saudades que sentimos dele durante aquele período foi imensa e logo mais era Renesmee quem faria falta.

Paguei pela corrida de táxi, saindo do carro com Bella. Caminhamos pela pedraria do jardim bem cuidado da casa de Renesmee, seguindo até a porta de entrada. Eu já podia ouvir música tocando lá dentro, um sinal de que a festa com certeza já tinha começado, principalmente por ver o carro do meu filho caçula estacionado lá na frente, os outros convidados, mais familiares e amigos deveriam chegar logo.

Bella tocou a campainha, enquanto eu me abaixava e recolhia um brinquedo perdido de Charlotte da varanda. Luke, o noivo de Anthony abriu a porta para a gente, carregando uma cerveja em mãos.

— Que bom que vocês chegaram. Anthony acabou de ligar o karaokê! — ele exclamou em um tom de alívio, já que sabíamos que Tony não era exatamente o melhor cantor do mundo. Luke abriu espaço para que entrássemos na casa.

Havia caixas por todo lado, entretanto a maioria dos móveis ficariam ali em Seattle, uma vez que Renesmee e Alec não estavam se desfazendo da casa, pelo menos não ainda. Eles queriam um lugar familiar para ficar sempre que retornassem para Seattle, o que eu esperava que acontecesse frequentemente.

— Sinto muito, Luke — Coloquei o brinquedo de Charlotte na mão vazia dele, pegando sua cerveja para mim. Luke não estava mais trabalhando no bar onde Anthony o conheceu, ele agora trabalhava como gerente numa loja de eletrônicos, um trabalho que tinha sido justamente Renesmee que conseguiu para o cunhado.

— Eu tentei matricular Tony em umas aulas de música, mas ele preferiu o futebol, a culpa não é minha — Bella declarou, seguindo na frente pelo pequeno corredor até a sala de estar, onde nosso desafinado filho estava cantando com a companhia da nossa adorável neta.

Edward Cullen estava velho, ele já tinha uma neta.

— Vovó! — Charlotte gritou, interrompendo sua cantoria e a de Anthony, quando nos viu, correndo para os braços de Isabella, que a pegou facilmente no ar, depositando um beijo na bochecha da nossa segunda ruivinha.

— Oi, linda! — Bella falou docemente com ela.

Olhar para as duas juntas era como voltar ao passado, quando Bella tinha Renesmee em seu colo. Charlotte era exatamente como sua mãe, a única diferença era o fato de ela ter olhos azuis.

— Vovô! — Charlotte chamou por mim, fazendo com que eu sorrisse para ela e beijasse sua bochecha rosada.

— Vocês vão cantar com a gente? — Anthony perguntou, tomando um gole da cerveja que tinha consigo. Meu garoto já estava tão crescido que bebia álcool, eu com certeza estava velho.

— Me tira dessa — falei. — Cadê sua irmã?

— Ela mandou a gente ficar aqui na sala e arrastou o Alec lá para a cozinha, falou algo sobre última... — Anthony se calou, olhando para Charlotte ainda nos braços de Bella. — Você sabe o que, pai — o moleque provocou.

— Eles só foram terminar de arrumar algumas coisas na cozinha, Edward — Luke disse para mim. — Não ligue para seu filho, ele é um criador de problemas.

— Eu sou um anjo! — Anthony se defendeu, voltando a cantar e fazendo com que todos nós fizéssemos caretas por aquilo. Menos Charlotte, que era nova demais e não tinha senso critico, ela até mesmo arrastou a avó para que fossem cantar com seu tio.

Segui para a cozinha, indo atrás da minha filha. Ela e Alec estavam em um silêncio matador, enquanto empacotavam algumas coisas, a mesa e o balcão recheados de comidas para todos que estariam lá aquela noite.

— Pai! — Renesmee exclamou ao me ver, dando um sorriso pequeno.

— Oi. — Olhei para as caixas, sentindo o nó em minha garganta. — Alec, ei.

— Oi, sogro. — Ele passou mais uma camada de fita sobre a caixa. — Anthony já começou a destruir nossos ouvidos, não? — perguntou, uma vez que dali da cozinha podíamos ouvir a cantoria desafinada do meu filho caçula.

— Sinto muito por isso, Bella tentou o matricular em uma aula de música, mas incentivei o futebol. — Apoiei minha garrafa de cerveja sobre o balcão.

Renesmee fungou, fazendo com que Alec e eu olhássemos para ela. Minha filha tinha colocado seu rosto entre suas mãos, parecendo muito vulnerável daquela forma.

— Nessie? — Alec chamou hesitante por ela, mas Renesmee não o olhou. — Renesmee? — ele insistiu, mas Renesmee apenas choramingou mais um pouquinho.

— Alec, por que você não vai lá na sala tirar o microfone da mão do Anthony e faz esse grande favor para todos nós? — Sugeri ao meu genro, que aceitou e depois de lançar um olhar nervoso para Renesmee, saiu da cozinha. — Filha. — Contornei o balcão, indo até Nessie, a peguei em meus braços, lhe dando um ombro para chorar.

— Eu estou tão assustada, papai — falou em um tom de confissão.

— Quer voltar atrás em sua decisão de se mudar para a Itália? — perguntei, Nessie suspirou, soltando-se de mim. Os olhos dela, castanhos como os de Isabella, estavam amedrontados.

— Não quero fazer isso — murmurou. — Não apenas por Alec, mas por mim e Charlotte também, pai — continuou. — Eu não quero que meu marido tenha que abrir mão do trabalho dele, ou o deixar ir para tão longe. Quem garante que nosso casamento aguentaria a distância? E Charlotte? Não, eu não conseguiria a afastar de Alec, eles são tudo um para o outro. — Ela respirou fundo, dando uma bela olhada em sua cozinha. — É que a mera ideia de ir, já me deixa saudosa. Estou morrendo de saudades de você e da mamãe, do Anthony aparecendo todo fim de semana aqui em casa e me fazendo escutar a cantoria terrível dele. — Renesmee fungou. — Eu já sinto falta do meu lar, papai.

— Nós sempre estaremos aqui por você, filha. — Afaguei o rosto dela, corado como o de Charlotte, mas por estar chorando. — Eu sei que recomeços tão grandiosos assim são assustadores, mas sem eles a vida seria bem entediante, não? — Renesmee lançou um sorriso pequeno para mim. — E você sempre pode voltar para cá, Renesmee. Sua mãe, eu e seu irmão estaremos prontos para te segurar em um abraço apertado e te fazer ficar segura. Mas, não esqueça que desafios são bem vindos. Se você quiser ir para a Itália, todos estamos te apoiando nisso, se quiser ficar, estaremos te apoiando da mesma forma, só não deixe o medo falar mais alto.

Era difícil, incentivá-la daquela forma, quando eu também estava apavorado com a ideia de vê-la indo. Entretanto, eu era um pai e minha garotinha precisava de mim, ela sempre precisaria e eu faria de tudo para continuar presente, mesmo com a distância de um oceano.

— Eu realmente posso voltar a qualquer momento? Nem que seja por um ou dois dias? — perguntou, mexendo suas mãos uma na outra, sem parar. — Apenas para matar um pouco as saudades.

— Eu ficaria bravo se você não viesse, Renesmee — afirmei, ela riu, se jogando em meus braços. — Esse nunca deixará de ser seu lar, como a casa que você cresceu também não, sabe o motivo disso? Porque não é o endereço que realmente importa, filha, é ter um lugar onde nos sentimos seguros. Eu sei que lá na Itália, com Alec e Charlotte ao seu lado, você se sentirá assim.

Renesmee assentiu em meu ombro, apertando mais nosso abraço. Ficamos ali, abraçados por um tempo, até que ouvimos Alec chamar por ela.

— Renesmee?

Nós dois nos separamos e vi o olhar ansioso do meu genro. Renesmee apertou minha mão e sorriu para mim, então ela foi até seu marido, lançando um dos seus sorrisos brilhantes para ele.

— Você mudou de ideia? — Alec perguntou aflito.

— Não — Renesmee negou. — Pelo contrário, estou pronta agora, para ir morar em meu novo lar. Será um bom recomeço, estou animada com isso!

Novo Sobrenome

Eu estava tão enjoado, o cheiro, o balanço, tudo me deixava tonto e nauseado. Bella passou mais uma vez a mão por meu rosto, sussurrando algo que não consegui ouvir, pois estava me sentindo bem fora de mim.

— Nossa, você está mal mesmo! — Escutei a exclamação alta de Renesmee. Permaneci de olhos fechados, sem ter coragem de os abrir. — Lembra do primeiro porre do Tony? Ele estava com essa mesma cara de morto que o papai tá agora.

— Renesmee! — Bella chamou a atenção dela, rindo. — Você conseguiu o remédio?

— Consegui. — Ouvi o som de plástico e abri meus olhos, vendo minha filha mais velha passar uma sacolinha para a mãe.

Bella remexeu lá dentro, tirando uma camisinha. Encarei Renesmee, que ficou pálida e arrancou o pacote da mão da mãe.

— Eu não tomo anticoncepcional e Alec e eu não queremos mais um filho — sussurrou, guardando o preservativo em sua pequena bolsa de festa.

— E vocês pretendem fazer isso no meio da festa de casamento do seu irmão? — indaguei, ficando mais enjoado ainda.

— Nunca se sabe. — Renesmee deu de ombros.

— Informação demais! — protestei.

— Renesmee, melhor você voltar para a área comum e ir distrair os convidados que já chegaram — Bella ordenou.

— É pra já! — Renesmee começou a se mover para longe do espaço que estávamos no barco onde seria realizado o casamento de Anthony e Luke.

Estávamos no fim da tarde de um sábado de julho, na data escolhida por meu filho e seu futuro marido para celebrarem o casamento. Renesmee, Alec e Charlotte tinham voado para Seattle no meio de junho, para comemorarem meu aniversário e ficariam até alguns dias após o casamento dos garotos, era maravilhoso ter toda a família reunida, uma vez que não estávamos todos juntos desde que Renesmee se mudou no começo do ano. Porém, eu tinha odiado a ideia do casamento acontecer em um barco.

Sempre detestei barcos quando mais novo, entretanto pensei que depois de tantos anos eu não enjoaria mais em um. Ledo engano, desde o primeiro momento que pisei naquele barco, que ainda estava ancorado na marina de Seattle, eu estava enjoado.

— Aqui, amor — Bella falou, me entregando o comprimido para enjoo que Renesmee tinha ido comprar para mim, ou eu não seria capaz de ficar mais um minuto naquele barco, principalmente quando ele começasse a navegar.

— Eu estou morrendo — me queixei para minha esposa, pegando o comprimido da mão dela e a garrafinha de água que eu estava bebendo antes. Nós dois tínhamos ido nos refugiar numa parte sem convidados, que estavam na área principal do barco, aproveitando o coquetel pré cerimônia.

O casamento dos sonhos de Anthony fechou o orçamento em uma pequena fortuna, por Luke eles poderiam simplesmente ir até o cartório e ter um casamento simples. Só que, meu filho tinha herdado a alma festeira de Alice, irmã de Isabella, e nunca se casaria em um cartório.

A complicação era que Anthony, recém-formado na faculdade e com um trabalho pequeno em uma empresa menor ainda de tecnologia em Seattle, não tinha grana suficiente para pagar por tudo aquilo. Luke, que continuava sendo gerente na loja de eletrônicos, também não.

Foi ai que Bella e eu insistimos que eles aceitassem nossa ajuda financeira para bancar pelo casamento com tudo que tinham direito, Alec também se prontificou no mesmo instante para aquilo, se intitulou o padrinho e junto com Renesmee, também pagaram parte das despesas.

Anthony aceitou na hora, ele realmente queria um grande casamento. Mas, Luke recusou por dias e dias qualquer tipo de ajuda, era compreensível, ele vinha de uma família com pouco recurso financeiro e quando se assumiu gay aos dezesseis anos, seus pais o colocaram para fora de casa e desde então o garoto se virou sozinho.

Bella entrou em ação e o convenceu a aceitar, eu não sabia o que ela tinha dito ao nosso genro, mas conseguiu que Luke aceitasse nossa contribuição para o casamento. Então, lá estávamos todos nós, naquele barco que me deixava tão enjoado que me fazia desejar morrer.

— Não seja dramático, Edward — Bella exigiu, afagando meu rosto outra vez, me forçando a beber mais um pouco de água. — Já tomou o remédio, logo você estará bem e vamos curtir a festa.

— Só vai piorar quando o barco começar a navegar. — Aproveitei o toque da mão dela em meu rosto. — Renesmee e Alec vão mesmo fazer aquilo aqui? — questionei, Isabella gargalhou.

— Não pense nisso, Edward — pediu, beijando minha bochecha. — Já está melhorando?

— A sensação de morte está passando.

— Sabe, eu acho que você está sim enjoado pelo barco e tudo mais, só que tenho certeza que isso é você nervoso por estar indo casar seu filho — falou cheia de si.

— Claro que não.

— Edward, você não dormiu por duas noites antes do casamento da Renesmee — Bella lembrou, fazendo com que eu resmungasse. — Não é por Tony ser um garoto que você está menos nervoso. Ele é seu garotinho que vai casar em pouco tempo, com certeza seu corpo está sofrendo com muita ansiedade por isso.

— Ele ainda é uma criança para mim — murmurei, olhando a garrafa de água em minha mão. Afrouxei um pouco a gravata que eu usava, já que estava me sentindo sufocado. — Você se lembra quando contei a ele o que era uma garota de programa?

Bella revirou os olhos.

— Só você, Edward, só você.

— Ele ia descobrir em algum momento, decidi adiantar as coisas — falei, sorrindo, lembrando-me de quando meu garoto era uma criança.

— Ah Deus, meu menino está mesmo crescido! — Bella exclamou, olhei para ela sentada ao meu lado, vendo seus olhos molhados por lágrimas.

— Bella...

— Ele vai casar, já tem vinte e um e vai casar — ela murmurou, parecendo atônita.

— É, ele vai.

— Parece que foi ontem que ele estava comendo giz de cera — continuou murmurando. — Enquanto você brigava com ele por isso, ou quando ele ficava tão ansioso para ir jogar futebol. Lembra quando ele... — Bella não conseguiu terminar de falar, respirando fundo e contendo seu choro.

— Querida, você pode chorar.

— Eu não posso — falou entre dentes. — Não quero sair nas fotos daquele fotógrafo careiro com a cara inchada de choro, sou a mãe do noivo, tenho de estar decente. — Ela respirou fundo mais uma vez, seus olhos castanhos se fixando nos meus. — Eu acho que os pais do Luke não vão mesmo aparecer, Edward — disse bem baixinho, se eu não estivesse tão perto dela não teria ouvido.

Luke mal falava com os pais desde que tinha sido expulso de casa, vez ou outra ele ia até eles, mas pelo que nos falava a tensão era enorme. Logo que ele e Anthony começaram a namorar Isabella e eu convidamos os Rogers para um jantar, só que eles nunca apareceram. Ainda assim, Luke tinha enviado convites para sua família, os pais e um irmão mais velho que também não respeitava o fato de ele ser homossexual, entretanto nenhum deles tinha devolvido o cartão de presença com uma confirmação.

— Eles não assinalaram a resposta negativa para a presença deles aqui hoje — falei para Isabella, tentando soar positivo. — Deixaram em aberto, talvez apareçam.

Bella suspirou, negando com um aceno de cabeça.

— Eu duvido que apareçam, amor. — Tocou em meu ombro, se levantando. — Vou ver se todos estão sendo bem servidos, depois dou uma passada lá no quarto do Anthony para ver como está indo a preparação dele. Que tal se você for até o Luke? — sugeriu. — Vai ser bom para ele ter alguém para dividir um pouco da tensão anterior ao casamento.

— Sim, é uma boa ideia — concordei, levantando também. — Vou aproveitar antes de voltar a ficar enjoado. — Beijei seus lábios brevemente, ganhando um doce sorriso de Bella, que piscou para mim e seguiu um caminho oposto ao meu.

Fui para o interior do barco, onde os quartos ficavam. Não era um barco imenso, mas grande o suficiente para comportar todos os convidados e com quartos para que Anthony e Luke pudessem se arrumar ali. Renesmee, Bella e Alice tinham feito toda uma estratégia tática para que os garotos não se cruzassem por um segundo que fosse, já que não queriam que eles quebrassem nenhuma tradição.

Segui direto para o quarto que Luke estava, batendo uma vez na porta e entrando, sem esperar uma resposta. Foi como um dejá vu, entrei ali e me deparei com Anthony sentado ao chão, beijando Luke, igualzinho como no dia que descobri que meu filho era gay.

Entretanto, diferente daquele dia, não teve medo, ou tensão. Eu não estava mais receoso de como seria para Anthony assumir para o mundo sua sexualidade, ou ele com tensão sobre como eu reagiria ao que tinha acabado de descobrir.

— Ei, pai! — Anthony parou de beijar Luke, lançando um sorriso travesso para mim.

— Se a sua mãe, irmã ou tia souberem que vocês estão quebrando a tradição elas ficarão furiosas — falei, fechando a porta atrás de mim.

— Tecnicamente não tem tradição nenhuma sendo quebrada, Edward — Luke interviu. — A tradição fala sobre o noivo não poder ver a noiva antes do casamento, nada sobre o noivo não ver o noivo antes disso.

Eu ri, sentando na poltrona perto da porta.

— Benefícios de namorar um cara, pai! — Anthony se gabou, arrumando a gravata de Luke, os dois já estavam prontos para a cerimônia, claramente apenas esperando o barco sair da marina, o que indicava que todos convidados tinham chegado.

— Não banque o espertinho — mandei, sorrindo para meu filho. — Como estão se sentindo?

— Com fome, Renesmee me proibiu de comer, falou que eu não devia correr riscos de comer algo e acabar passando mal — Anthony reclamou, remexendo-se no chão.

— E você, Luke?

— Bem — falou, mas pude ver uma pontada de tristeza nos olhos dele.

— Ele está mal por a família dele não estar vindo — Anthony falou, ganhando um olhar revoltado de Luke.

— Anthony!

— O quê? O papai está prestes a se tornar oficialmente seu sogro, não tem nada demais contar essas coisas para ele.

— Sinto muito por seus pais não estarem vindo, Luke — falei para ele, que somente assentiu.

— Mas, a gente tem boas novas ainda assim! — Anthony proclamou, beijando o rosto do noivo, que sorriu para ele, segurando em uma mão do meu filho. — A gente tinha decidido por não mudar nossos sobrenomes, lembra? — concordei com um aceno de cabeça, percebendo para onde estávamos indo. — Pois, é, eu estava lá no meu quarto me arrumando quando pensei nisso e vim para cá atrás do Luke. Não fazia muito sentido para mim, sabe? Casar e continuar com um sobrenome diferente do meu marido.

— Luke vai ser um Cullen agora? — perguntei animado.

— É, não, pai — Anthony negou. — Eu terei um novo sobrenome. — Arregalei meus olhos. — Serei Anthony Rogers até o fim dessa noite.

Fiquei estático, depois enjoado quando sentimos o barco começar a se afastar da marina. Anthony não seria mais um Cullen? Ele não teria mais o sobrenome da família? Já não bastava Renesmee ter mudado o sobrenome dela, Anthony também mudaria?

— Pai? Fala algo! — Anthony pediu.

— Olha, Edward, eu falei para o Tony que estava tudo bem por mim caso a gente não mudasse nossos sobrenomes. Ou, se eu fosse a pessoa tomando o nome Cullen para mim, mas ele insistiu do contrário.

— Por que não fazem isso? Ou sei lá, usam um hífen, Rogers-Cullen — confrontei meu filho, que revirou os olhos.

— Não vou usar hífen, fica muito feio, pai — afirmou. — E sim, o Luke podia usar o sobrenome Cullen, mas quero ser um Rogers. — Ele olhou para o noivo. — O Luke já não tem a família dele o apoiando, não vou fazê-lo perder seu sobrenome também — falou com firmeza em sua voz. — Sinto muito se estou abrindo mão do sobrenome da nossa família, mas estarei casando com Luke hoje e isso é um recomeço na minha vida, mudar o sobrenome só faz parte disso.

Aquilo me atingiu, Anthony estava certo. O casamento era um passo novo na vida de qualquer um, com certeza um recomeço. Eu lembrava quão ansioso estava no meu casamento com Isabella, inclusive para que ela tivesse meu sobrenome, querendo que mais aquilo nos unisse.

— Anthony Rogers — testei o novo sobrenome do meu filho.

— Viu, pai? É um puta nome! — Anthony comemorou.

— Você já percebeu que vai ter o nome do Homem de Ferro, Anthony e o sobrenome do Capitão América, Rogers? — Luke perguntou, franzindo o cenho.

— Claro que percebi! — Anthony exclamou todo sorridente. — Homem de Ferro o meu herói tecnológico e Capitão América o cara mais gostoso do mundo!

— Ei! — Luke falou indignado, mas sem conseguir esconder um sorriso, meu filho riu e o beijou.

Sorri, mesmo enjoado pelo balanço do barco. Eu estava feliz pelos garotos, muito feliz.

Novo Filho

Ter a casa vazia era terrível, eu amava minha esposa com todas minhas forças, entretanto, apenas nós dois naquela casa deixava um grande buraco em meu peito. Renesmee já estava morando na Itália por uns cinco anos, só a víamos nas férias e em datas mais importantes. E mesmo que Anthony continuasse morando em Seattle, o meu filho vivia ocupado entre sua empresa de tecnologia — que ele e Luke deram tudo de si para criar —, como também estava se adequando a sua nova condição de pai.

Luke e Anthony tinham adotado no começo daquele ano Naveen, um garotinho descendente de indianos, de cinco anos de idade. Estava tudo sendo uma novidade para os três, que precisavam se adaptar um ao outro, por isso eles quase não apareciam em nossa casa.

Mas, a chegada de Naveen a família trouxe algo à minha mente, a vontade de adotar um filho. Apesar das dificuldades de uma adoção tardia, que Luke e Tony estavam enfrentando, era óbvio o quanto eles dois e Naveen se amavam.

Eu sei, que já tinha mais de cinquenta e estava velho. Só que, eu ainda podia ter filhos. Certo, Bella não podia mais engravidar, então eu comecei a pensar sobre adoção.

— Você está tendo uma crise de meia idade, Edward — era o que minha esposa sempre dizia quando eu resolvia falar sobre nós dois adotarmos uma criança.

Isabella com certeza não queria mais filhos, mas estava disposto a fazê-la mudar de ideia. Tínhamos criado dois filhos maravilhosos, conseguiríamos criar um terceiro. Principalmente aquela altura da nossa vida que as batalhas profissionais estavam mais fáceis de lidar, uma vez que eu já era um médico com minha própria clínica pediátrica e ela uma diretora de escola.

Estávamos bem demais, podíamos ter outro filho e lhe oferecer uma vida fantástica. Eu com certeza queria mais um, para devolver aquela casa a agitação de antes.

— Edward, eu não vou criar mais ninguém!

Bella deixava bem claro.

— Não vou adotar uma criança porque você acha que a casa está silenciosa, se quer barulho ligue o som.

Minha esposa veria que poderíamos ter mais um filho aquele dia, então ela me agradeceria por ter insistido. Renesmee, o marido e Charlotte tinham chegado da Itália alguns dias antes, para o verão.

Naquela sexta-feira ela e Alec deixariam Charlotte comigo e Isabella, assim como Naveen ficaria conosco, já que Anthony e Luke iriam com minha filha e meu outro genro para um show em Portland. Eu tinha prontamente aceitado tomar conta das crianças, necessitando passar um tempo maior com elas.

— Estou tão feliz com as crianças vindo passar o dia conosco — Bella proclamou, enquanto eu fazia panquecas para todos, que logo mais estariam em nossa casa.

— Imagina se tivéssemos uma criança aqui sempre — falei, como se não quisesse nada com aquela afirmação.

— Desista, amor, não vai rolar. — Bella passou atrás de mim, dando uma palmadinha em minhas costas.

— Você nem precisaria trocar fraldas.

— Os primeiros anos de uma criança são os mais fáceis, eu trocaria mil fraldas e isso seria mais simples do que ter que lidar com uma criança maior — ela falou, sentando-se à mesa.

— As nossas crianças eram ótimas.

— Você está velho, Edward — Bella proclamou, me lançando um olhar de pena. — Sua memória está começando a ficar uma grande bagunça agora, você não se lembra direito, mas as nossas crianças davam tanto trabalho quanto as crianças de qualquer outro.

— Hey, não fale de mim assim! — Bella riu e por Deus, como aquele som era lindo.

— Só estou constatando os fatos, meu amor.

— Nós... — Eu me calei no meio do raciocínio quando escutei a campainha tocar. — Cuide disso por mim! — Apontei para as panquecas no fogão, saindo apressadamente da cozinha e indo atender a porta.

Era Anthony, Luke e um adormecido Naveen no colo do meu genro. Ainda era cedo, claro que aquela coisa fofa ainda estaria dormindo.

— Hey, bom ver vocês! — exclamei morrendo de felicidade, roubando Naveen para meus braços.

— Eu também estou muito feliz em te ver, pai. Obrigado por cuidar do Naveen enquanto vamos ao show, estamos esperando por isso há meses.

— Certo, certo — falei para ele, mal lhe dando atenção, preferindo apreciar a paz no rosto do meu neto enquanto dormia.

— Ele pegou no sono no carro — Luke contou, colocando duas bolsas pertencentes à Naveen perto do sofá da sala. — Melhor você o colocar para deitar em algum lugar, Edward, ou o peso irá acabar com suas costas.

— Eu estou bem — garanti, Anthony bufou.

— Pai, você já tá velho, não abusa — ele pediu.

— Olha aqui, garoto, eu não estou velho coisa nenhuma — protestei.

— Pai, você já se queixava de dor nas costas quando eu era criança, imagina agora — meu filho falou, tentando tirar Naveen dos meus braços, mas não permiti.

— Eu posso segurar meu neto, Anthony, não me irrite! — ordenei.

— Tá bom, pai, tá bom! — Anthony concordou, mas em um tom de reclamação.

A campainha tocou e Luke se moveu até a porta para atender, obviamente era Renesmee chegando com Alec e Charlotte. Meu dia se iluminou ainda mais a ver Charlotte, minha princesinha de longos cabelos ruivos. Ela e Naveen eram fantásticos, às vezes eu me pegava pensando em como os amava e como aquilo parecia ser maior do que o amor que eu sentia por meus próprios filhos.

— Olá, família! — Renesmee nos cumprimentou empolgada, segurando em uma mão de Charlotte, enquanto Alec segurava a outra. — Animados para o grande show? — ela perguntou ao irmão e ao cunhado.

— Mal dormi esperando por isso, vai ser um show maravilhoso — Anthony disse com agitação. — Você e eu crescemos ouvindo a The Dragons, mas só agora teremos a oportunidade de ir vê-los ao vivo — falou para a irmã, Rock não era meu estilo musical favorito, mas em algum momento da infância deles meus filhos descobriram aquela banda e ficaram obcecados, mas nunca tinham conseguido ir a um show.

— Eu quero ir! — Charlotte protestou.

— Sinto muito, ruivinha, você é nova demais para um show de rock — Renesmee falou carinhosamente para Charlotte, que ficou com um bico por não poder ir. — Tem certeza de que você e a mamãe vão dar conta dos dois até amanhã de tarde quando voltarmos para Seattle? — ela me perguntou.

— Claro que sim.

— Mesmo? Vocês não são mais tão novos assim, pai — Renesmee murmurou preocupada.

— Eu não estou velho! — teimei.

— Você já tem cabelos brancos — Alec observou.

— Alec, calado! — ordenei, ele rapidamente assentiu, ficando mudo. — Isabella e eu podemos muito bem cuidar das crianças por uma noite, certo? — Os quatro assentiram, mesmo que eu visse dúvidas no olhar de todos. Qual é, eu só tinha cinquenta e poucos. — Vocês ainda tem tempo antes de pegarem a estrada? — perguntei, ele assentiram em conjunto novamente. — Excelente, fiquem e tomem café da manhã conosco, eu fiz panquecas...

— Oba, panquecas! — Charlotte berrou, soltando-se dos seus pais e correndo para a cozinha.

O grito dela despertou o pequeno Naveen em meus braços, ele abriu seus olhos e olhou diretamente para mim. Sorri para ele, ganhando um sorriso de volta e depois um abraço.

— Vovô! — disse em um tom de comemoração, apertando seus braços ao redor do meu pescoço.

— Olá, Naveen, pronto para um dia de muita diversão com o seu avô?

— Sim! — comemorou ainda mais, olhando para mim com seus intensos olhos escuros.

Naveen tinha nascido nos Estados Unidos, era filho biológico de indianos, foi colocado no sistema para adoção com apenas três semanas de vida e passou anos morando em lares adotivos. Então, meu filho e meu genro se colocaram na lista de adoção e o sistema selecionou Naveen para os dois, a melhor coisa que um computador podia fazer, pois ele era um menino maravilhoso.

Como seu nome significava, Naveen era novo, um sopro de novidade em nossa família. Eu amava aquele menino perdidamente, mesmo não tendo meu sangue, ou meu sobrenome.

— Sim, vai ser o melhor dia de todos! — Naveen proclamou e captei o sorriso de Renesmee enquanto seguíamos para a cozinha, ela costumava nomear seus melhores dias.

Ao chegarmos à cozinha, onde Charlotte já estava comendo suas panquecas, todos cumprimentaram minha esposa com animação. Logo a família toda estava sentada ao redor da mesa, comendo, rindo e jogando conversa fora.

Eu me sentia tão feliz, tão cheio de vida e grato por ter todos ali. Era daquela forma que a casa devia ficar, cheia.

— Se isso for um sonho, não me acorde — sussurrei no ouvido da minha esposa, afagando o rosto dela. Bella sorriu para mim, beijando minha mão que contornava sua pele.

— É real, amor.

— Vovô? — Naveen chamou por mim, fazendo com que eu o olhasse.

— Sim?

— Eu vi umas fotos do papai Tony quando criança, você o carregava nas costas como um cavalinho, muito legal! — ele disse.

— Sim, isso sempre foi muito divertido — concordei.

— Até seu avô ficar velho e com dor nas costas — Bella falou, o que fez todos, incluindo as crianças rirem. Claro que eu não ri, de jeito nenhum.

— Isabella!

— Edward, é a verdade — Bella falou, afagando meu ombro, eu bufei.

— Não, eu ainda estou firme e forte, pronto para levar meu neto em minhas costas. — Levantei da cadeira. — Vamos nessa, Naveen.

— Pai, melhor não — Renesmee disse hesitante.

— Não banque o Super Homem, pai — Anthony pediu.

— Calados. — Me abaixei no chão, guardando um resmungo para mim quando senti minhas costas doerem por aquilo. — Venha, Naveen.

Senti o garotinho subir em minhas costas, ele era bem leve. Quando ele gritou e disse que estava pronto, comecei a engatinhar com Naveen sobre mim, seguindo caminho até a sala de estar pelo corredor.

Ao chegar lá minhas costas estavam doendo, assim como meus joelhos. Só que me aguentei, principalmente por ouvir passos me seguindo.

— Foi muito legal! — Naveen saiu de cima de mim, comemorando.

— Viu? Falei que dava conta! — me gabei para toda minha família.

— Posso ir agora, vovô? — Charlotte me perguntou, quicando no chão.

Respirei fundo.

— Pode!

Ela subiu em minhas costas, por ser mais velha que Naveen também era mais pesada. Só que, eu tinha um ponto a provar e contornei a sala de estar com Charlotte em minhas costas, eu sentia que podia nunca mais levantar quando parei, entretanto meus netos queriam continuar.

— Agora nós dois, vovô! — Naveen implorou, subindo em minhas costas junto com a prima.

Eu consegui me mover dois centímetros sobre o chão, antes de sentir meu corpo desabar. As crianças e todo o resto da família gritaram, enquanto sentia o chão virar meu melhor amigo.

— A gente avisou.

— Eu disse que ele estava velho.

— Eu não devia rir disso, né?

Eles falavam, mas quase não ouvia, pois estava concentrado na dor cruciante em minhas costas. Algum tempo depois senti Luke e Anthony me erguendo do chão, depois me arrastando para fora da casa e me colocando no carro do meu filho.

Bella entrou no banco de trás, então eles me enfiaram ali como puderam, deixando minha coluna o máximo possível esticada. Anthony entrou no banco do motorista, Renesmee no do carona, Luke, Alec e as crianças ficaram para trás em casa.

Os três me levaram para o hospital, eu passei por uma bateria de exames e acabei numa cama hospitalar. Tomando dois tipos diferentes de remédio para a dor, vergonhoso.

— Pai, você não vai falar nada? — Anthony perguntou, após ajeitar minha cama hospitalar, Renesmee e Bella também estavam ali no quarto.

— Não falou nada desde o... Acidente — Renesmee completou.

— Amor? — Bella incentivou.

— Estou velho — declarei, os três caíram em uma gargalhada sincronizada. — Não é engraçado.

— Um pouquinho, amor. — Bella se aproximou de mim, afagando meus cabelos.

— Bom, pelo menos agora você vai parar com a ideia de agir como se fosse mais novo — Renesmee falou. — Você precisa se cuidar, pai, como médico sabe disso. Não é mais um jovenzinho, tem de aceitar que está envelhecendo e trabalhar para continuar envelhecendo com o máximo de saúde possível.

— A Nessie está certa — Anthony fez coro. — Nós queremos que você se cuide, para ter mais e mais anos com a gente, pai.

— Vocês nunca mais estão em casa, podem admitir que não ligam mais para esse velho aqui — resmunguei, os meninos me olharam confuso, mas foi Bella quem explicou.

— O pai de vocês está passando por uma crise de meia idade — contou, tapando minha boca quando a abri para protestar. — Ele está chateado por a casa estar vazia, bem diferente de como era antes. Até queria adotar um novo filho, mas eu não quero mais ter um e sei que no fundo ele também não quer, só está confundindo as coisas.

— Um novo filho? — Anthony e Renesmee me questionaram, Bella soltou minha boca e eu respondi com apenas uma palavra:

— Sim.

— Nossa, a gente sai de casa e você quer nos substituir? — Renesmee perguntou chateada.

— Eu te ligo quase todo dia, pai — Anthony falou, também chateado.

— Não, não é assim. — Suspirei, odiando eles estarem tão para baixo por minha culpa. — Eu sei lá, só estou sentindo falta de mais gente em casa, pensei que um novo filho seria um bom recomeço.

— Não precisamos de um novo filho só por estarmos em uma nova fase da nossa vida, amor — Bella falou gentilmente para mim. — Nem precisamos de fato recomeçar nada agora, nós já criamos nossos filhos. — Apontou para Renesmee e Tony. — Eles estão criando os deles agora, nós dois podemos ser apenas avós e aproveitar a vida de outras maneiras. Sei lá, se você quer um recomeço por que não tiramos um ano sabático e viajamos por ai?

Eu senti meus olhos se iluminarem ao ouvir a proposta.

— Sério?

— Isso soa bom — Anthony comentou.

— Nem me fala, com Charlotte eu não posso sair viajando o mundo.

— Sério — Bella respondeu para mim, tocando no meu rosto. — Eu disse, nossas crianças estão criadas e criando as delas, eles que lidem com responsabilidades. Nós trabalhamos duro por anos, podemos tirar um ano inteiro de férias e ir explorar o mundo, só nós dois.

— Deus, isso é uma proposta magnífica.

— Pode deixar de ser somente uma proposta, você topa? — Bella me perguntou, toda sorridente.

— Podemos viajar no momento que eu deixar esse hospital.

Ela riu, beijando minha cabeça.

— Não tão rápido, seu velhinho.

— Tudo certo, então? — Anthony perguntou.

— Tudo — respondi, olhando para ele e para Renesmee. — Eu prometo para vocês que vou me cuidar, sobre a ideia de ter um novo filho, estavam certos, era uma loucura. Amo ser pai, mas não quero criar mais ninguém. — A dor nas minhas costas era um lembrete de que eu não tinha mais vinte anos. — Talvez isso funcione para outras pessoas da minha idade, mas não para mim.

— Amém, senhor! — Bella agradeceu, nos fazendo rir.

— Vocês podem aproveitar o ano sabático e passarem um tempo com a gente lá na Itália — Renesmee sugeriu.

— E eu prometo te ligar mais vezes, e aparecer mais — Anthony acrescentou.

— Desculpe se estamos sendo ausentes, pai — Renesmee disse.

— É, você sempre esteve lá para a gente.

— Tudo bem. — Sorri. — Vocês são os melhores filhos.

Eu não precisava de mais nenhum filho, só de mais uma nova dose de relaxante muscular.

Novo Ano

O chão estava recoberto por glitter, indícios da festa de ano novo. Algumas amigas de Alice, as últimas a deixarem o grande apartamento que minha cunhada alugava e dividia com uma colega de quarto — que tinha ido passar o fim de ano em Ibiza, deixando todo o espaço livre para a irmã da minha namorada —, carregavam seus sapatos em mãos, enquanto saiam pelo hall de entrada do apartamento, já sem conseguirem se manter em seus saltos altos.

— Boa noite! — saudei as garotas, fechando a porta quando elas saíram do apartamento.

Voltei para a sala de estar, onde Bella estava recolhendo do chão as fotos polaroids que tínhamos tirado aquela noite. Minha namorada usava um vestido azul marinho, simples, mas que nela parecia tão bonito como uma roupa de gala.

— Ei — chamei por ela, que levantou o olhar para mim e sorriu. — Cadê a Alice e o Jasper?

— Se trancaram no quarto. — Bella revirou seus lindos olhos castanhos, arrumando as fotos em suas mãos. — E nos deixaram para trás com toda essa bagunça. — Gesticulou para as velas que Alice tinha insistido em acender pelo apartamento, como as garrafas de bebidas deixadas para trás.

— Isso não é legal — reclamei, concordando com Bella.

— Vamos ter que arrumar tudo, quer dizer, podíamos só dar o fora para o meu apartamento, ou o seu, mas pensar em deixar toda essa bagunça me dá agonia. Sabe, eu odeio bagunças.

— Eu bem sei. — Sorri para ela, começando a recolher as velas e apagando as que permaneciam acessas.

Isabella e eu tínhamos no conhecido em outubro, começamos a namorar oficialmente uma semana depois de nos conhecermos, quando eu fiz o pedido. Desde então, nosso namoro estava sendo simples.

Não simples no sentido de comum, ou tedioso. Mas sim no sentido de calmo, bom, familiar. Nós dois nos dávamos muito bem e rapidamente nos adequamos um a vida do outro, menos quando ela reclamava da minha bagunça, mas eu estava aprendendo a ser mais organizado, o que minha mãe agradecia e muito.

Eu amava Isabella, apesar de ainda não ter dito aquilo em voz alta, mesmo com os meses de namoro. O que sentia por ela era tão intenso, algo que nunca senti por mais ninguém e que tinha certeza de que nunca mais sentiria por outra pessoa.

Em um trabalho rápido e não silencioso, só porque ouvíamos James Taylor tocando no som, recolhemos todas as velas e as garrafas. Colocamos os móveis de volta para o lugar e pronto, tínhamos arrumado todo o apartamento de Alice, quando a mesma tinha nos dado um furo e se trancado no quarto com meu melhor amigo.

— Estou exausta — Bella falou, indo até o som e aumentando mais um pouco o volume. Eu tinha me sentado em um dos sofás, sentindo-me cansado também depois da longa festa de ano novo.

Tinha sido divertido, mas com certeza a melhor parte foi a meia-noite, quando o novo ano começou e eu beijei Bella. Era nossa primeira virada de ano juntos, eu torcia para que fosse aquilo, apenas a primeira de muitas outras.

Já via meu futuro ao lado de Bella, eu que antes estava focado demais em apenas me tornar um médico passei a querer mais no instante que aquela garota entrou em minha vida. Eu me via casando com ela, tendo filhos, uma grande casa, envelhecer ao lado dela, tudo aquilo.

— Tudo bem? — Bella me fez voltar ao momento, ela estava parada perto de mim.

— Tudo ótimo — respondi, sorrindo. Segurei em sua mão, fazendo com que ela sentasse sobre minhas coxas. — Já quer ir embora?

— Acho que podemos ficar aqui mais um pouquinho — Bella respondeu, deitando seu rosto em meu ombro, enquanto eu afagava o braço dela. — Está bom demais aqui. — Se remexeu em meu colo, para depositar um beijo seguido de outro em meu pescoço, fazendo com que eu suspirasse baixinho.

— Bella, melhor não começarmos isso aqui na sala — alertei.

Ela riu, aquela risada por qual eu era apaixonado. Bella vivia insistindo que adorava minha risada, eu insistia de volta que adorava mais a dela. Aquilo a fazia corar de um jeito adorável, pois muitas vezes ela dizia que achava sua risada sem graça, como ela.

Claro que eu sempre tratava de discordar daquilo, a risada dela era algo que poderia passar o dia todo ouvindo e reconheceria em qualquer multidão. E, obviamente, Bella não era sem graça.

Ela só se achava aquilo por conta do seu ex, um idiota que tinha mexido com a cabeça dela de uma forma abusiva. Quando Bella me contou sobre o tal Jacob, cerca de um mês após começarmos a namorar, foi depois de ela ter um pesadelo com ele e acordar assustada em meus braços.

No primeiro momento fiquei em choque com ela contando sobre o ex-namorado que tinha tentado bater nela. Depois, eu fiquei furioso com aquele cara que pensava que podia sequer pensar em bater em qualquer mulher que fosse. Certamente violência, principalmente contra as mulheres, era algo que meus pais tinham me ensinado a não cometer.

— Por que a gente não vai para o quarto da amiga de Alice? — Bella sugeriu. — Acho que Chelsea não vai se importar. — Ela sorriu para mim, um pequeno sorriso malicioso.

— Eu topo — A puxei para um beijo, sentindo o gosto do champanhe que tínhamos tomado mais cedo. — Que tal eu pegar alguma garrafa restante de champanhe?

Bella riu novamente, assentindo.

— Parece bom para mim, o champanhe estava delicioso e Jasper merece que a gente acabe com a bebida que ele comprou, já que nos deixou para trás com toda a limpeza — Ela saiu do meu colo, sentando no espaço vago no sofá.

— Vou buscar a garrafa e te encontro aqui, já volto — prometi, beijando a cabeça dela e seguindo para a cozinha.

Eu tinha acabado de entrar lá quando ouvi a campainha tocando, provavelmente algum dos convidados tinha esquecido algo. Estava indo pegar a garrafa de champanhe, quando ouvi a voz alterada de Bella.

— O que você está fazendo aqui? Vai embora, Jacob!

Jacob?

Segui rapidamente para fora da cozinha, correndo até a sala, onde Bella estava acuada na entrada. Olhei em direção ao corredor que unia a sala e o hall de entrada, vendo o tal de Jacob ali, ele parecia bêbado.

— Você tem que vir comigo, Bella, é minha garota! — gritou com ela.

— Eu não sou mais nada sua, Jacob! — Bella gritou de volta, com a voz vacilante. — Vai embora, ou eu vou chamar a polícia.

— Chama a polícia e eu quebro sua cara, sua idiota! — Jacob gritou, dando um passo em direção a Isabella, o que me impulsionou a entrar em ação.

Parei na frente de Bella, me colocando entre ela e aquele babaca.

— Edward...

— Quem é esse, playboy? — Jacob indagou Bella, ainda gritando.

— Eu sou o namorado da Isabella e ela já pediu que você fosse embora, Jacob, melhor fazer isso agora, ou iremos mesmo chamar a polícia — Indiquei a saída, tentando me manter calmo. — Não sei como descobriu onde ela estava, mas isso não parece certo, não a persiga!

Jacob riu, estava mesmo bem bêbado.

— Cala a boca, playboy, essa boceta que você fode hoje eu já fodi muito. Sua namoradinha é uma puta!

A fala dele roubou de mim qualquer razão, quando me dei conta eu estava acertando meu punho contra o rosto de Jacob, repetidamente, acabando o levando ao chão. Ouvi os gritos de Bella me pedindo para parar, logo depois os gritos de Alice e de Jasper.

Então, meu melhor amigo me puxou para longe de Jacob, que parecia uma merda, com o rosto ensanguentado e o nariz em um ângulo estranho. Eu devia me sentir muito mal por fazer aquilo, mas a lembrança de Jacob ofendendo e ameaçando Bella era mais forte do que qualquer possível arrependimento.

— Melhor levar ele para um hospital — Jasper falou, notei ali que meu amigo e Alice, que com certeza não estavam trancados no quarto antes para conversar sobre a economia do país, tinham recolocado suas roupas de festa. — Alice?

— É, eu te ajudo a levar esse pedaço de bosta para o hospital — ela concordou, ajudando o namorado a erguer um alcoolizado Jacob do chão, saindo com ele do apartamento.

Podia sentir a presença de Bella atrás de mim, só que não tinha coragem de olhar para ela. Como aquilo afetaria nosso relacionamento?

Ainda hesitante, eu me virei para olhar minha namorada. O semblante dela era assustado, permaneci imóvel em meu lugar, sem querer a assustar mais.

— Bella – murmurei – Desculpe, eu...

— Por que você está se desculpando? — indagou confusa.

— Pela cena que acabou de ver — sussurrei. — Eu não sou um cara violento, mas aquele imbecil me tirou do sério e agora você está com medo de mim.

— Não estou assustada com você, Edward! — Bella exclamou. — Sim, não foi legal o que fez e espero que o Black não tente nenhuma ação legal contra você que possa te prejudicas, mas... Ele mereceu!

Dei um passo na direção dela, passando minhas mãos por meus cabelos.

— Mesmo assim, me desculpe — pedi. — Não quero que pense que eu posso estourar a qualquer minuto e machucar alguém, principalmente você.

Bella sorriu, apoiando uma mão no meu peito.

— Você é a pessoa com o coração mais puro que já conheci, Edward Cullen — falou. — Eu sei que você nunca me machucaria, estou tranquila quanto a isso. Só estou assustada sobre Jacob aparecendo aqui, logo no primeiro dia do ano, eu pensei que nunca mais teria de vê-lo.

— Você não vai — assegurei, segurando em sua mão sobre meu peito. — É um novo ano, um recomeço — falei, confiante. — Aquele homem nunca mais vai chegar perto de você, Bella — prometi.

— Obrigada, amor — agradeceu, me pegando de surpresa pela forma como me chamou.

— Espera, você me chamou de amor? — indaguei, arregalando os olhos, Bella tirou sua mão da minha rapidamente, parecendo culpada.

— E-Eu chamei? — Assenti. — Ah Deus, isso foi rápido demais? Estamos juntos desde outubro, mas se for muito rápido... — Ela respirou fundo. — A verdade é que te amo, Edward.

— Bella! — exclamei, a puxando para um novo beijo apaixonado. — Eu também amo você! — me declarei, quando nossos lábios se afastaram, mas nossos corpos continuaram unidos.

— Ama? — Bella sorriu, afagando meu rosto.

— Amo muito, Bella. — Toquei meus lábios na sua testa, sorrindo também.

— Esse vai ser um ano maravilhoso para nós dois, não?

— Apenas o primeiro de muitos — prometi, voltando a beijá-la.

Naquela noite eu tive a confirmação de que nunca mais nos afastaríamos.

Recomeçar

Eu estava ansioso quando entrei naquela cafeteria, numa tarde de quarta-feira. Nada mais do que meia hora adiantado para meu encontro, pois eu simplesmente não conseguia ficar em casa esperando.

Fazia muito tempo que não saia com uma garota, já que meus estudos para me tornar um médico estavam sendo minha única prioridade. Então, quando Alice, namorada do meu melhor amigo, falou que eu deveria ir a um encontro com a irmã mais velha dela, eu tentei recusar.

Não pela garota, que se chamava Isabella, mas por mim. Não sabia se realmente queria um relacionamento naquele momento, estava acomodado em minha vidinha, dando tudo de mim para a medicina, não queria sair da minha zona de conforto.

Entretanto, quando Alice me mostrou a foto de Isabella eu aceitei que a namorada de Jasper marcasse o encontro. Isabella era uma garota linda, só que esse não foi o motivo que me fez querer ir ao encontro, sim as bochechas coradas da garota.

Podia parecer estranho, provavelmente era, mas ela tinha aquela cor vermelha em seu rosto e aquilo era tão doce. Como se antes da foto ela tivesse rido muito de algo, ou ficado envergonhada.

Aquilo me fez querer conhecer Isabella, de verdade, não queria idealizar a garota por uma foto. Por isso topei o encontro, ela poderia acabar sendo a garota mais chata da face da Terra, ou a mais interessante e eu me peguei torcendo muito pela segunda opção.

Aquele tempo todo que passei sozinho na cafeteria só me deixou mais ansioso. Então, eu ouvi o som do sino em cima da porta tocando, pelo que parecia a milésima vez. Ainda assim, olhei para lá e me deparei com Isabella entrando no lugar.

Ela tinha seus cabelos castanhos soltos, caindo em ondas em suas costas. Usava um vestido branco, com flores estampadas e um par de saltos altos.

Isabella parecia hesitante, até mesmo um pouco triste. Eu me coloquei de pé, esperando que ela pudesse me ver melhor. Tinha um sorriso em meu rosto desde o momento que a vi entrar, um sorriso que não parecia que desapareceria mais.

Acenei para Isabella, que caminhou em minha direção. Meu coração batia desesperadamente em meu peito, cheio de sentimentos sobre aquela garota.

Quando ela parou perto de mim eu senti aquela adrenalina que só recomeços causavam, Isabella era uma novidade em minha vida e eu estava disposto a conhecê-la melhor, pronto para descobrir o que o futuro nos reservava.

Notas finais
Essa one encerra a 'quadrilogia' de ones que começou, sem nem que eu soubesse que estava começando de fato, lá em Begin Again. Estou muito contente que elas existiram e muito grata em compartilhar com vocês, espero de coração que tenham gostado. Um agradecimento especial a Chloe Less que revisou NYD para mim e que ama essas ones tanto quanto eu, muito obrigada! Beijos e até mais! Lola Royal. 08.01.18
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!